O melhor negócio do mundo: comprar alguém da 'ótima geração belga' na Bélgica e vender em outro país

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Lukaku saiu por 'quase nada' do Anderlecht e hoje é um dos mais caros do mundo
Lukaku saiu por 'quase nada' do Anderlecht e hoje é um dos mais caros do mundo

Nesta quarta-feira, o Paris Saint-Germain visita o Anderlecht, da Bélgica, às 16h45 (de Brasília), pela 3ª rodada do grupo B da Uefa Champions League. A equipe francesa é ampla favorita para o jogo, já que o clube violeta há tempos já não é mais uma grande força no futebol europeu. No entanto, poucas equipes geraram tantos talentos recentemente quanto o Anderlecht, que acabou virando um dos protagonistas do melhor negócio atual do esporte no "Velho Continente": contratar os melhores jogadores da "ótima geração belga" enquanto eles ainda jogam em seu país-natal, revendendo depois por uma quantia absurda e várias vezes maior. 

O melhor exemplo disso é o atacante Romelu Lukaku, hoje no Manchester United. O centroavante começou sua carreira profissional no time da grande Bruxelas, e rapidamente chamou a atenção dos grandes europeus por sua força física e faro goleador. O primeiro que o contratou foi o Chelsea, em 2011, por 15 milhões de euros (R$ 56 milhões, na cotação atual). 

No entanto, ele não foi aproveitado pelos Blues e foi emprestado a West Bromwich e Everton. Futuramente, acabaria negociado duas vezes por valores muito maiores que sua primeira venda: 35,36 milhões de euros (R$ 132 milhões) do Chelsea para o Everton, em 2014, e depois inacreditáveis 84,7 milhões de euros (R$ 316,2 milhões) do Everton para o Manchester United.

Outro time que exemplifica bem esse modelo de negócios é o Standard Liège, de onde saíram nomes como Axel Witsel, Mitchy Batshuayi e Marouane Fellaini, todos vendidos pelo time belga por uma quantia muito menor que a revenda que seria feita mais tarde por um clube estrangeiro. 

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Witsel, por exemplo, saiu do Standard para o Benfica, em 2011, por apenas 9 milhões de euros (R$ 33,6 milhões). Anos depois, seria negociado por 40 milhões de euros (R$ 149,33 milhões) pelos portugueses com o Zenit, da Rússia, e depois vendido pelos russos por 20 milhões de euros (R$ 74,66 milhões) para o Tianjin Quanjian, da China.

Fellaini foi comprado do Standard pelo Everton, em 2008, por 21,76 milhões de euros (R$ 81,23 milhões). Anos depois, o volante daria enorme lucro à equipe de Liverpool, que o cedeu ao Manchester United, em 2013, por 32,4 milhões de euros (R$ 120,95 milhões). 

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Já Batshuayi foi vendido pelo clube de Liège por meros 6 milhões de euros (R$ 22,4 milhões) ao Olympique de Marselha, em 2014. Apenas duas temporadas depois, no entanto, o time do sul da França ganhou uma "bolada" ao negociar o atacante com o Chelsea por 39 milhões de euros (R$ 145,6 milhões).

O Genk é mais um time que entrou nessa "pirâmide". Da agremiação saíram nomes como o meia Kevin de Bruyne e o atacante Christian Benteke, que saíram por "quase nada" e se transformaram em atletas caríssimos depois de passarem pelo futebol estrangeiro. 

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Kevin De Bruyne no Genk, em 2011
Kevin De Bruyne no Genk, em 2011

De Bruyne foi o mais valorizado. Ele custou só 8 milhões de euros (R$ 29,86 milhões) ao Chelsea, em 2012. Futuramente, seria vendido em 2014 ao Wolfsburg, da Alemanha, por 22 milhões de euros (R$ 82,13 milhões). Após arrebentar pelos "Lobos", rendeu ainda mais dinheiro em sua volta à Inglaterra, em 2015, quando foi adquirido pelo Manchester City por espetaculares 74 milhões de euros (R$ 276,26 milhões).

Benteke, por sua vez, trocou Genk por Aston Villa, em 2012, por 8,8 milhões de euros (R$ 32,85 milhões). Seria comercializado em seguida para o Liverpool, também da Inglaterra, por 46,5 milhões de euros (R$ 173,6 milhões), que o revendeu depois ao Crystal Palace por 31,2 milhões de euros (R$ 116,74 milhões).

O Genk ainda foi o responsável por formar o meia Yannick Ferreira-Carrasco, que deixou a equipe de graça, em 2009, para ir para o Monaco. Seis anos depois, o clube do Principado o venderia ao Atlético de Madri por 17,26 milhões de euros (R$ 64,43 milhões) - um belo lucro para quem não pagou nada pelo reforço. 

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Times pequeninos da Bélgica também foram responsáveis por histórias parecias.

O meia Eden Hazard, por exemplo, saiu de graça do insignificante Tubize para o Lille, da França, em 2005. Após terminar sua formação do LOSC, sendo inclusive campeão francês pela equipe, ele foi negociado em 2012 com o Chelsea, por 35 milhões de euros (R$ 130,66 milhões). O dinheiro ficou quase todos nas mãos do Lille, e ao Tubize só restaram as "migalhas" dadas pelo mecanismo de solidariedade da Fifa ao time que formou o hoje camisa 10 da seleção belga.

O zagueiro Thomas Varmaelen também saiu sem custos do Beerschot Wilrijk para o Ajax, da Holanda, quando era ainda pré-adolescente, em 2000. A equipe de Amsterdã terminaria por negociá-lo por 12 milhões de euros (R$ 44,8 milhões) com o Arsenal, da Inglaterra, em 2009, e ele ainda seria vendido depois pelos Gunners ao Barcelona por mais: 19 milhões de euros (R$ 70,93 milhões). 

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Fellaini, ainda sem sua cabeleira, em ação pelo Standard Liège, em 2009
Fellaini, ainda sem sua cabeleira, em ação pelo Standard Liège, em 2009

Outro caso similar é o do volante Radja Nainggolan. Ele saiu em 2009 do nanico Beerschot para a base do Piacenza, da Itália, por meros 120 mil euros (R$ 448 mil). Anos mais tarde, acabaria negociado pelo Cagliari, também da Itália, com a Roma, seu clube atual, por 15 milhões de euros (R$ 56 milhões).

Vale citar ainda o goleiro Simon Mignolet, comprado em 2010 pelo Sunderland, da Inglaterra, do minúsculo Sint-Truiden, por 2,5 milhões de euros (R$ 9,33 milhões). Apenas três anos depois, ele seria vendido por mais que quíntuplo disso: 10,6 milhões de euros (R$ 39,57 milhões) dos Saints para o Liverpool.