Massagem, água fria e ativação neural: conheça o sistema de treinos que transformou a Alemanha em potência de novo

Gazeta Press
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Alemanha tem um método diferente de treinos
Alemanha tem um método diferente de treinos

Atual campeã mundial e também da Copa das Confederações, a Alemanha carimbou mais uma vaga na Copa do Mundo e mais uma vez chegará como favorita. Para isso, conta com uma série de dispositivos para maximizar o desempenho dentro de campo. Um deles é o sistema Exos, modelo de treinamento utilizado desde 2005 e que acabou sendo estudado minuciosamente pelo preparador físico Flávio Trevisan, um dos mais renomados do futebol brasileiro.

Em contato com a reportagem, Flávio Trevisan, campeão brasileiro com o Corinthians em 1990 e que deixou o Vasco em julho deste ano, explicou um pouco do sistema de treinamento diferenciado utilizado não só pela seleção alemã, mas também por grandes clubes do futebol mundial, como o Bayern de Munique, e outras grandes organizações esportivas, como a NBA e a NFL.

“A Exos se baseia em quatro pilares: o mental, o nutricional, o de movimento e o de recuperação.  Esses itens existem na preparação convencional hoje no Brasil e no mundo. Mas a diferença é na maneira de você executar isso. Por exemplo, quando o atleta chega no clube, ele faz uma preparação, um pré-treino, que se chama preparação do pilar. Você prepara o atleta para o treinamento a seguir. O que normalmente acontece não é isso, o jogador chega, troca de roupa e vai para o campo fazer aquecimento. Na Exos você prepara o corpo do atleta, prepara seus músculos, massageando, ativando os movimentos, realiza uma ativação neural e depois o jogador vai para o campo. É uma preparação de, em média, 30, 40 minutos. Terminou a preparação de pilar, você vai para o campo treinar. Quando termina o treino, você faz um complemento à parte, dependendo do tipo de treino, ou recuperação, com massagem miofascial, banheira com água fria, suplementação, alimentação e descanso”, contou o preparador físico.

Além de maximizar o desempenho do atleta, o sistema Exos também prevê uma redução do risco de lesões graças ao trabalho implementado. “Com os trabalhos convencionais, o atleta costuma ficar duas horas no clube. O atleta Exos ficaria umas quatro, cinco horas dentro do clube. Ele vai estar melhor condicionado, melhor preparado e com prevenção de lesões. Quanto o clube gasta com um jogador machucado? Você vê um monte de clubes no Brasil que perderam jogadores importantes no meio de uma competição por lesão muscular”.

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O sistema Exos foi introduzido na seleção alemã em 2005, às vésperas da Copa do Mundo sediada no país, em 2006. A intenção era fazer com que os atletas pudessem se equiparar com os melhores times do mundo após a frustração no Mundial de 2002, quando acabaram perdendo a final para o Brasil por 2 a 0. Além dos exercícios realizados por todos os atletas, os treinamentos estudados por Flávio Trevisan também incluem trabalhos específicos de acordo com os resultados individuais em avaliações.

“A Exos faz avaliações funcionais. Através dessas avaliações de movimentos, os jogadores farão exercícios específicos de acordo com a necessidade de cada um. Então, além dos exercícios gerais, o atleta tem um treinamento, personalizado para melhorar o que é necessário, dependendo da nota que tirou na avaliação funcional. De acordo com isso, será passado a ele os exercícios específicos. É um sistema completo, logicamente que não é só isso. Você entra nas partes do treinamento, como pliometria, trabalho de força, enfim, uma série de treinamentos que permite ao atleta ganhar o que ele precisa para desenvolver bem as suas funções dentro do esporte que ele pratica”, prosseguiu.

No Brasil duas equipes já trabalham com o sistema Exos de treinamento. O Atlético-PR adotou o modelo em 2015 e, mais recentemente, o Flamengo também passou a apostar nos trabalhos físicos diferenciados.

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“Mais cedo ou mais tarde os clubes adotarão isso, talvez alguns clubes com mais resistência, outros com um pouco menos, mas a tendência é que os clubes aceitem isso, porque é muito bom. O dirigente tem que entender esse sistema, com certeza será muito bom para o atleta e para o clube. A coisa tem que vir de cima para baixo”, comentou Flávio Trevisan, que também garantiu que irá utilizar o sistema em seus próximos trabalhos.

Depois de deixar o Vasco, Flávio Trevisan estuda propostas para voltar ao futebol. Com possibilidades de voltar ao futebol japonês, o preparador físico revelou estar ansioso para iniciar um trabalho completamente novo à frente de um clube e garantiu, inclusive, que está disposto a até aceitar uma oferta financeiramente menos favorável, mas que dê a ele abertura para implementar o sistema Exos.

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“Estou sendo consultado para trabalhar fora do país, no mercado japonês. A pessoa que está trabalhando com isso lá me disse, inclusive, que está havendo o interesse dos japoneses não só pelo meu currículo, mas também por esse novo modelo. Eles estão muito interessados nisso, porque é um trabalho que lá ninguém está fazendo ainda. Se a gente puder iniciar isso lá, vai ser um ‘boom’. Estou bem empolgado com essa possibilidade de dar certo esse negócio”, concluiu.