Serginho lamenta 'dinheiro que não vai voltar' e diz: 'Se for para mudar, tem de mudar agora'

Igor Resende, de São Paulo (SP)
Getty
Serginho lamentou toda a corrupção no esporte brasileiro
Serginho lamentou toda a corrupção no esporte brasileiro

Um dos maiores nomes recentes do esporte brasileiro não poderia se calar diante dos escândalos deflagrados no Comitê Olímpico Brasileiro. Durante o lançamento da próxima edição da Superliga, o líbero Serginho até tentou não falar sobre o assunto, mas acabou não aguentando e disse ver a prisão de Carlos Arthur Nuzman como uma oportunidade de mudança no esporte brasileiro.

"Quem fez algo errado tem de pagar. Se for para mudar, tem de mudar agora. A gente tem de colocar dentro da nossa entidade pessoas que amam o voleibol. Eu sei que lá tem muita gente que ama o voleibol. Mas é preciso aproveitar vários campeões olímpicos que estão aí fora do voleibol, se puder resgatar essas pessoas para trabalhar seria ótimo. É possível acabar com isso, basta a gente querer. Tem de colocar gente boa, gente do voleibol. É muito feio. A gente consegue detectar de longe quem não é do voleibol, quem estraga o voleibol", disse, pouco antes de lamentar toda a situação mais uma vez.

"Esse dinheiro não vai voltar. A gente vai ter de trabalhar muito mais. Se o dinheiro voltasse, a gente ficaria aliviado. Podia fazer hospital, escola. A gente tem preocupação das pessoas que vão seguir à frente disso tudo. Temos de colocar gente que é do esporte, que é do voleibol, que estarão lá por amor e não por outras coisas", completou.

Nuzman foi preso na última quinta-feira, em sua casa. Ele é considerado o principal responsável pelo pagamento de propina a dois membros do COI na eleição do Rio de Janeiro como sede dos Jogos de 2016. No começo de setembro, o cartola já havia sido encaminhado à sede da Polícia Federal para prestar depoimento na operação batizada como Unfair Play, braço da Lava Jato que investiga a corrupção durante o governo estadual de Sérgio Cabral (2006 a 2014), mas permaneceu calado. 

Quem também falou nesta segunda-feira foi Giovane Gávio, bicampeão olímpico como jogador e atual técnico da equipe masculina do Sesc Rio de Janeiro. Ele participou do Comitê Organizador da Olimpíada, responsável justamente pelas competições que envolviam o vôlei.

Giovane garante que não viu de nada de errado por lá, mas também falou um pouco do caso como oportunidade de mudança. E até concordou com Serginho em uma das coisas que faria para deixar o esporte mais 'democrático'.

Pensamentos que ficarão para a história: volte ao passado e relembre a trajetória de Nuzman até a Rio 2016

"A gente sabe que esses recursos poderiam ser investidos no esporte. Mas cada um com sua consciência. Eu trabalhei nos Jogos Olímpicos. Foi uma oportunidade fantástica. No Comitê Rio-2016 o trabalho era muito sério, a gente era constantemente auditado pelo COI. Eu não vi nada de errado lá dentro, onde eu participei. Fico triste porque é uma situação ruim para o esporte como um todo, mas quem tem que julgar não sou eu, não somos nós. Deixa julgar quem tem que julgar. Vamos seguir o nosso caminho, levando a bandeira do esporte. Se já era difícil antes, agora vai ser um pouco mais. E agora que a gente ter que estar unidos, agora que as oportunidades podem surgir", disse Giovane.

"O que a gente luta e espera, eu como ex-atleta e agora como treinador e já fui dirigente também, é uma política um pouco mais clara. Principalmente nas oportunidades de sucessão nas federações. Isso precisa mudar. Os atletas e ex-atletas têm que ter mais oportunidades de se candidatar lá. Isso é um caminho que precisa ser construído. E obviamente que esse atleta tem que estar preparado também. Não adianta só com a medalha dele querer fazer gestão", completou.