CBV aguarda julgamento de Nuzman, mas tenta se desvencilhar de imagem arranhada: 'Vôlei tem que ser lembrado pelas conquistas'

Igor Resende, de São Paulo (SP)
Divulgação / CBV
Radamés Lattari tentou desvincular a imagem do vôlei da de Nuzman
Radamés Lattari tentou desvincular a imagem do vôlei da de Nuzman

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) ainda mantém a cautela para falar sobre a prisão de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Aos poucos, porém, a entidade já tenta se desvencilhar um pouco de qualquer imagem arranhada pela situação.

Explica-se: antes de ser presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) desde 1995, Carlos Arthur Nuzman comandou o vôlei nacional por 20 anos (1975-1995) e ajudou a alavancar o esporte a partir da chamada "geração de prata". O dirigente, porém, foi preso na semana passada como desdobramento da Operação Unfair Play que apura pagamento de subornos para o Rio de Janeiro ter sido escolhido como sede dos Jogos de 2016.

Nesta segunda-feira, durante o lançamento da próxima edição da Superliga, os dirigentes da CBV não conseguiram fugir das perguntas sobre o caso.

"Eu acho que todo esporte brasileiro está triste com essa situação. O  presidente (Walter 'Toroca' Pitombo Laranjeiras) nos orientou e nós combinamos que a CBV vai se pronunciar sobre esse assunto assim que tiver o julgamento da questão. Assim que tudo for apurado, anunciado, aí a CBV vai tomar a iniciativa de usar a palavra. Por enquanto, estamos aguardando. Estamos todos tristes", começou Radamés Lattari, diretor-executivo da entidade máxima do vôlei nacional.

"Até a hora que começar a apuração oficial, aí é que a gente vai poder falar alguma coisa. Muita gente pergunta: 'Você acha que a imagem do vôlei pode ficar arranhada?', e eu respondo: 'Desde 1984 a confederação brasileira só não conquistou medalha em 1988, seja na quadra ou na praia. A gente quer que o vôlei seja lembrado por suas conquistas, isso é que é importante", completou logo em seguida.

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Assim como todas as outras federações brasileiras, a CBV estará representada no encontro do COB na próxima quarta-feira, que deverá analisar a carta de afastamento de Nuzman e também o futuro do esporte no país.

Atletas e treinadores também foram perguntados sobre o caso. Alguns, como o técnico José Roberto Guimarães, preferiram não responder sobre o assunto. Outros, como Giovane Gávio, bicampeão olímpico e atual treinador do Sesc Rio de Janeiro, também mostraram tristeza, mas não ligaram Nuzman diretamente ao vôlei.

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"A gente não pode falar do vôlei brasileiro, mas do esporte brasileiro. Isso sem dúvidas tem repercussão negativa. Mas ao invés de apontar erros, eu prefiro trabalhar para reverter essa situação", disse.