Ele foi de ajudante de serralheria ao futebol europeu. Hoje, quer aterrorizar o Milan: 'Não temos nada a perder'

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br

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Felipe Pires (ao centro) é um dos destaques do Austria Viena
Felipe Pires (ao centro) é um dos destaques do Austria Viena

Felipe Augusto Rodrigues Pires fará a principal partida de sua curta carreira diante do Milan, nesta quinta-feira, pela estreia da Europa League no Franz Horr Stadium, em Viena, às 14h (de Brasília). Aos 22 anos, o brasileiro, que nunca atuou profissionalmente no Brasil, busca aparecer no cenário diante de um gigante europeu.

"É um jogo muito esperado por todos nós. É muito legal enfrentar uma potência que tem uma camisa muito forte com 7 títulos de Champions League. Nosso time está muito concentrado para esse jogo", disse, ao ESPN.com.br.

Apesar das dificuldades, ele acredita que tem chances de surpreender a equipe italiana.

"Queremos ganhar. Não temos nada a perder. Vamos jogar sem aquela pressão, mas respeitar o time deles", garantiu.

Um feito e tanto para um garoto que na adolescência ajudava o pai em uma serralheria antes de ser jogador profissional. 

"Era um serviço bem puxado, mas eu gostava de estar ao lado dele para ajudar. Meu pai sempre foi um trabalhador e um espelho para mim. Eu ficava por perto segurando os ferros, a escada, essas coisas", relatou.

Felipe Pires começou a jogar por equipes da região metropolitana de São Paulo antes de 

"Eu rodei em vários times como A.D. Guarulhos, Flamengo de Guarulhos e Grêmio Mauaense. Eu estava fazendo bom um Paulista Sub-17 e marquei vários gols. Então, o Red Bull, Palmeiras e Corinthians vierem atrás de mim. Optei pelo Red Bull", explicou.

Após se destacar no Campeonato Paulista Sub-20 e na Copa São Paulo de futebol juniores, ele chamou antenção de olheiros.

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Felipe Pires se destacou no Red Bull Salzburg
Felipe Pires se destacou no Red Bull Salzburg

"Os olheiros do Red Bull da Europa gostaram de mim e me chamaram para faz um teste na Áustria. Fui aprovado e fiquei por lá", contou.

Ao chegar ao time austríaco, Felipe foi mandado por seis meses para o time Sub-19 do RB Leipzieg, da Alemanha, que também pertence a empresa Red Bull, para ganhar experiência.

“Foi bem difícil esse começo não só pela língua, mas pela mentalidade e filosofia de jogo também. É complicado sair do Brasil com 18 anos e o país neva e tem muito frio. Jogar na neve era complicado. Tinha dia que eu nem sentia os pés quando ia treinar”, afirmou.

O jovem atacante precisou aprender a falar alemão.

“O idioma até que não foi o pior porque o clube dava muito suporte. Eles tinham paciência e me deram tempo para aprender”. 

Enquanto não dominava a língua, o brasileiro pagou alguns “micos”.

“Eu estava entrando no campo quando o treinador falou: ‘Schnell’ [rápido em alemão]. Fui para o vestiário colocar o chinelo e voltei. Todo mundo começou a dar risada e não entendi nada (risos). Depois, o tradutor me explicou que era para ir rápido (risos)”, relatou. 

Brasileiro do Áustria Viena conta de quando confundiu ‘schnell’ com chinelo e arranjou problema

Depois de passar o período no RB Leipzieg, ele ficou a primeira parte da temporada 2014/15 no Liefering, equipe B do Red Bull Salzburg que jogava a terceira divisão austríaca.

No começo de 2014, ele foi efetivado para o time principal e venceu duas ligas nacionais e a Copa da Áustria.

“Foi muito especial porque fiz o gol na final da Copa quando o jogo estava difícil. Vencemos por 2 a 0”, recordou.

No fim de 2015, Felipe foi comprado pelo Hofemheim-ALE e repassado ao Frankfurt-ALE, no qual fez 21 jogos e um gol.

Ano passado, ele foi cedido ao Austria Viena e virou titular absoluto da equipe, que terminou a Liga Austríaca na terceira posição.

“Eu decidi vir para o Viena por empréstimo de dois anos. Estou muito feliz e vivendo o melhor momento da carreira. Aqui é uma escola boa para quem é jovem e quer se adaptar ao futebol europeu”, finalizou.