Pinotti explica silêncio no São Paulo: 'Sem algo novo, melhor não falar'

Gazeta Press

Pinotti se diz satisfeito com trabalho de Dorival e responde sobre pedido de reunião de torcida organizada

Em uma tentativa de blindar o elenco e amenizar o clima ruim pelos lados do Morumbi, o São Paulo definiu que não haverá mais entrevistas coletivas de jogadores nesta semana. De acordo com Vinicius Pinotti, diretor-executivo de futebol, a medida não partiu da cúpula tricolor, mas pode virar tendência no clube.

A decisão ocorre dias depois do atrito verbal entre Rodrigo Caio e Christian Cueva, que se desentenderam em declarações públicas na semana passada. Na última quinta-feira, o zagueiro disse que o meia “tem de se ajudar” para recuperar o bom futebol. A resposta veio depois do empate com a Ponte Preta, sábado, no Morumbi: “Pergunta para o Rodrigo Caio”, disse rapidamente aos jornalistas, em resposta às palavras do companheiro.

Nesta segunda-feira, o peruano foi à sala de imprensa do CT da Barra Funda para aparar as arestas e pedir desculpas a Rodrigo Caio. Pouco depois, o clube informou que não haveria coletivas de imprensa até sexta-feira, quando Dorival Júnior concederá entrevista na antevéspera do confronto com o Vitória, em Salvador.

Pinotti, no entanto, contrariou a programação e falou após o treino desta terça. “Ninguém impôs nada. Não tem questão de silêncio. Simplesmente é que às vezes quando não há algo novo a falar, é melhor não falar. Só isso, mas a diretoria não impôs nada. Talvez um formato um pouco diferente para o futuro”, declarou.

Indagado acerca da pressão interna e externa sobre si, o diretor se disse acostumado a críticas e negou qualquer problema com o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. A defesa ocorre no momento em que conselheiros da oposição questionam sua gestão à frente do departamento de futebol, pelo risco de rebaixamento do time no Campeonato Brasileiro. Há vozes no Morumbi que pedem a contratação de um coordenador técnico, cargo visto como desnecessário por Pinotti.

“Pressão faz parte da vida, não tem problema. Sei muito bem conviver com democracia e opiniões divergentes. Realmente não me afeta, tenho confiança no trabalho que está sendo desenvolvido no CT, não só no meu. O relacionamento com o Leco é o melhor possível, de extrema confiança. Aqui tudo é definido em conjunto, não existe uma única figura que toma decisão sozinha”, afirmou o dirigente.

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São Paulo deve receber torcedores nesta quarta para reunião no CT

O São Paulo deve abrir os portões do CT da Barra Funda nesta quarta-feira para receber uma comissão de 20 torcedores. Assim, o clube atende a uma exigência de duas de suas maiores organizadas, a Independente e a Dragões da Real. O encontro deve acontecer por volta do meio-dia (de Brasília), antes do treino marcado para começar às 15h30.

O objetivo da reunião com jogadores, comissão técnica e diretores é discutir a delicada situação da equipe no Campeonato Brasileiro e o que será feito para sair dela. Com 24 pontos ganhos, o São Paulo é o 19º e penúltimo colocado, a 15 rodadas para o término da competição.

De acordo com comunicado oficial da Independente, a comissão será “composta por torcedores da arquibancada, cativa, numerada, sócios e sócios-torcedores para cobrar atitude, comprometimento e vontade de vencer. Deixaremos bem claro aos jogadores que não estiverem a fim de honrar a camisa do São Paulo, que se retirem do elenco”.

Os uniformizados garantem que o tom da conversa será cordial, eliminando a hipótese de haver protesto ou violência contra os atletas, diferente do que ocorreu em agosto do ano passado, quando centenas de torcedores invadiram o CT da Barra Funda – Michel Bastos, Carlinhos e Wesley foram agredidos, inclusive.

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Em entrevista coletiva concedida na última segunda-feira, o meia Christian Cueva disse que a torcida tem o direito de buscar explicações. Nesta terça, Vinicius Pinotti, diretor-executivo de futebol, elogiou o apoio vindo das arquibancadas.

“Chegou um pedido ontem, que está sendo discutido internamente ainda. Na verdade, a gente só tem que agradecer à torcida. Entrou para a história o que a torcida do São Paulo está fazendo, temos de dar valor. Isso está sendo discutido internamente, chegou no Morumbi, rapidamente tomaremos uma posição”, afirmou o dirigente.

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No Brasileirão 2017, o São Paulo ostenta o recorde de público, com 56.052 pagantes na vitória por 3 a 2 sobre o Cruzeiro, no Morumbi, em 13 de agosto. Além disso, o clube tem a segunda maior média de público da competição, com 32.502 torcedores por jogo em casa, atrás somente do Corinthians (38.486).