Desconhecido no Brasil, ele é ídolo de torcida fanática na Europa e hoje tenta se consagrar contra o Real Madrid na Champions

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br

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Vinícius (à dir.) durante jogo contra o Barcelona pela Champions
Vinícius (à dir.) durante jogo contra o Barcelona pela Champions

Vinícius já não é aquele garoto que chegou ao continente europeu há mais de uma década. Aos 31 anos, ele permanece desconhecido no Brasil, mesmo sendo ídolo e multicampeão com a camisa do Apoel, no Chipre. 

É justamente essa faceta que ele quer mostrar ao mundo no duelo contra o Real Madrid, nesta quarta, às 15h45 (de Brasília), no estádio Santiago Bernabéu, na estreia da Uefa Champions League.

"A expectativa é a melhor possível. Agora é aproveitarmos, sabemos o quanto é difícil enfrentá-los, ainda mais fora de casa. Temos uma estratégia montada e vamos tentar jogar e ver o que vai dar", disse ao ESPN.com.br.


Além de Apoel e Real Madrid, o Grupo H ainda tem o Tottenham e Borussia Dortmund. 

Apesar de estar um clube com menos investimento que os adversários, o brasileiro não quer fazer apenas figuração no torneio.

"Estamos entre as 32 melhores equipes da Europa. Temos muito mérito por estarmos aqui. Passamos por três eliminatórias para entramos na fase de grupos", bradou.

É a segunda vez que o brasileiro irá disputar a Uefa Champions League. Na temporada 2014/2015, ele enfrentou pelo Apoel equipes tradicionais como Ajax, Paris-Saint Germain e Barcelona.

"Minha estreia foi maravilhosa e um sonho realizado. Quando cheguei à Europa eu vi a dimensão do campeonato e desejava muito jogar uma Liga dos Campeões. Nós caímos em um grupo muito difícil. Foi especial jogar contra Neymar e Messi", falou.

Naquela temporada, o time do Chipre conseguiu no máximo um empate com o Ajax e ficou na lanterna da chave com um ponto ganho. O brasileiro espera que desta vez tenha melhor sorte.

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  • Começo em Campo Grande

Vinicius é natural de Campo Grande-MS e começou em escolinhas de futebol ao lado do volante Jean, do Palmeiras.

"Eu o conheço desde pequeno porque é meu conterrâneo e temos a mesma idade. Jogamos juntos dos seis até uns 14 anos", relembrou. 

Aos 16 anos, ele foi aprovado em teste no União São João de Araras, clube do interior de São Paulo que revelou o ex-lateral Roberto Carlos. 

"Foi muito difícil no começo essa mudança para outra cidade morar em um alojamento. O clube era muito bom e dava todo suporte para os garotos da base", relatou.

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Vinícius se destacou no Moreirense-POR
Vinícius se destacou no Moreirense-POR

Após se profissionalizar em 2004, o volante jogou o Campeonato Paulista e a Série C do Campeonato Brasileiro pelo time de Araras. Além disso, ele teve uma curta passagem por América-SP e Paulista-SP antes de ir para a Europa. 

"Eu era visto como uma das promessas do União e o presidente José Maria Pavan acreditava muito em mim. Ele tinha bons contatos na Europa e me colocou no Porto B. Eu estava bem e era novo, tinha só 19 anos", afirmou. 

Na equipe que jogava a 3ª Divisão de Portugal, ele ficou por seis meses e conheceu alguns brasileiros. 

"Eu joguei com o Thiago Silva e o Rubens Júnior.  Várias vezes nós fizemos jogos-treinos contra o time principal e cheguei a enfrentar Pepe, Carlos Alberto e Quaresma. Aprendi demais por estar no meio de grandes jogadores".

"Nosso vestiário era muito divertido e engraçado. Armávamos um campinho de futevôlei improvisado no CT para brincar. Era só molecada e era bacana", recordou.

Em 2006, ele foi para o Nacional, que jogava na elite portuguesa, mas não teve muitas oportunidades. Defendeu ainda União da Madeira-POR, Desportivo Alves-POR até chegar ao Olhanense-POR.

"Fui rodando por divisões inferiores até chegar de vez na elite outra vez com o Olhanense. Eu fui muito bem por lá e fui comprado pelo Braga-POR. Foi o auge da minha carreira", reconheceu.

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Vinícius é ídolo do Apoel
Vinícius é ídolo do Apoel

"Foram sete anos maravilhosos em Portugal e cresci como jogador e como homem. Conheci minha mulher por lá e meu filho nasceu lá".

Após ser emprestado ao Moreirense, Vinícius resolveu mudar de país.

"Quando regressei ao Braga eu tinha mais um ano de contrato e rescindimos para eu ir ao Apoel-CHI. É um time grande no Chipre e sempre joga torneios europeus. Foi a melhor escolha que fiz na minha carreira profissional", garantiu.

Em cinco temporadas no Apoel, o brasileiro venceu quatro Ligas Cipriotas e duas Taças do Chipre, além de uma Supercopa. Com isso, virou ídolo da torcida mais fanática do país. 

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"Nossos fãs são conhecidos como 12º jogador. Dificilmente nós perdemos em casa. Eles sempre pedem autógrafos, fotos e gostam muito de mim. Quando passo na rua sempre querem falar comigo virarem amigos (risos). É muito gratificante esse carinho, Fico contente demais por isso", finalizou.