Sim, não, talvez: o que pensam 10 mitos do esporte espanhol sobre a independência da Catalunha

ESPN.com.br

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A independência da Catalunha sempre foi um tema muito pautado no mundo do esporte, mas nas últimas semanas o assunto ficou ainda mais recorrente. Isso porque o governo da região anunciou que realizará, no dia 1º de outubro, um referendo para separá-la e torná-la independente da Espanha. 

Com o clima de tensão aumentando no país, o jornal El Confidencial separou declarações de grandes nomes do esporte espanhol sobre a questão, que gera uma divergência profunda de opiniões.  


Pau Gasol
Jogador da NBA pelo San Antonio Spurs, o pivô Pau Gasol, que é nascido em Barcelona, aprovou o referendo, dizendo que a votação é a melhor saída.  "Sou sempre um partidário da votação, de exercer o seu direito e ter uma opinião sobre uma possível situação social que afetará a você, seus amigos e sua família", afirmou, em entrevista ao canal de televisão TV3.

Marc Gasol
Assim como seu irmão mais velho, o jogador do Memphis Grizzlies divide da opinião de que a votação deveria ser o jeito de decidir o assunto. "Pessoalmente, estou a favor da votação. Todo mundo deveria ter direito de decidir o seu futuro", declarou o atleta, que também nasceu na capital catalã. 

Rafael Nadal
Natural de Maiorca, nas Ilhas Baleares, o tenista, que é um dos maiores atletas da Espanha com 16 títulos de Grand Slam e vem de vitória no US Open, no último domingo, diz respeitar o desejo dos catalães, mas que não pretende ver o seu país separado da região. "Me sinto muito próximo à Catalunha. Eu falo o mesmo idioma que eles e tenho dois apartamentos em Barcelona", disse o atleta. 

"Não entendo tanto problema, tanta confrontação. Cada um deve ser livre do jeito que desejar. Se eu quero ser algo, não quer dizer que eu odeie o s outros. Respeito àqueles que querem a independência, mas quando a minha opinião, como espanhol balear, não gostaria que o local fosse separado, gostaria que continuasse dentro do Estado, do território espanhol, porque sempre foi assim. Não visualizo diferente e não gostaria. Mas se acontecer o contrário, eu aceitarei", acrescentou. 

Gerard Piqué
O zagueiro do Barcelona, também nascido na mesma cidade de seu clube, é outro que concorda com o referendo, mas em relação à independência, mostrou-se contrário, afirmando ser 'perda de tempo'. "Eu sou espanhol, minha mulher [Shakira] é metade libanesa e metade colombiana. Dessa maneira, meus filhos são catalães, espanhóis, libaneses e colombianos. Estamos em um mundo tão globalizado que ficar em um lugar no outro é perda de tempo", disse. 

"Estar a favor do referendo [da votação], não tem nada a ver com ser a favor da separação. Há muita gente na Catalunha e no resto da Espanha que tem apoiado o direito de votar, mas está contra a independência", finalizou. 

Xavi Hernández 
Ex-capitão e ídolo do Barça, o meia-campista nascido em Terrassa, uma comunidade da região que busca pela independência, é a favor do direito de escolha. "Os próprios catalães deveriam ter o direito de decidir o seu futuro", afirmou o atleta. 

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Mireia Belmonte
Nascida em Badalona, cidade catalã, a nadadora de 26 anos, considerada uma lenda do esporte, deixou claro que não gosta de opinar sobre o assunto, mesmo que tenha mostrado um lado contrário. "A verdade é que não gosto de falar sobre esse tema. Sempre digo que a Catalunha é a Espanha", contou ao jornal El Mundo

Marc Márquez
O piloto de moto velocidade catalão, Marc Márquez, que já ganhou cinco títulos na categoria e é um dos maiores nomes do esporte, defende que, para ele, a situação é indiferente e deve ser resolvida com cuidado. "Sou catalão porque vivo na Catalunha, mas me sinto espanhol porque está dentro da Espanha", afirmou.

"É como um andaluz, que se sentirá andaluz e espanhol. Se você tirar a bandeira da Andaluzia, nada vai acontecer. Mas com a situação que se passa, nós precisamos ter muita cautela. Eu corro na pista pela minha paixão e a minha paixão se representa com o 93 [número de sua camisa]", completou, usando a Andaluzia, região autônoma do país, como exemplo. 

Joel González
Atleta de taekwondo e campeão olímpico em Londres, González nasceu catalão, mas critica abertamente a questão da separação. "Há coisas mais importantes para se preocupar agora. Me sinto feliz de ser catalão e de escutar o hino espanhol quando estou no pódio", disse. 

"Você está julgando os extremos quando a maioria dos catalães aprecia a Catalunha tanto como a Espanha. E essa maioria tem sido desprezada. Agora, se você não é independentista, você é só de fachada", respondeu, quando questionado sobre qual bandeira representaria caso a região fosse independente. 

Cesc Fábregas
Também nascido na comunidade, o meia-campista do Chelsea compartilha do sentimento de ser catalão e espanhol ao mesmo tempo, sendo a favor da votação. "No meu caso, me sinto muito mais da Catalunha, mas segundo meu passaporte, sou espanhol. Também tenho muito orgulho de jogar com a minha seleção", declarou. 

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Pep Guardiola
Treinador do Manchester City e ídolo do Barcelona, o técnico catalão é grande defensor da independência da região, sendo até um dos convidados para o primeiro 'ato' sobre o assunto. Dessa maneira, ele fez um discurso em sua língua nativa sobre o direito da Catalunha de decidir o seu próprio futuro. 

"Já tentamos entrar em um acordo 18 vezes e as resposta continua sendo negativa, ignorando e depreciando a maioria absoluta que está no parlamento", discursou o técnico. 

"Os catalães são vítimas de um Estado que lançou uma perseguição política imprópria de uma democracia, em que o ministro conspira contra a sanidade catalã, que põe em marcha unidades de 'polícia política', elaborando falsas provas contra nosso governantes, e impedindo o presidente da Generalitat [instituição autônoma da região] de se eleger nas urnas", terminou.