Jogador contesta treinador, astro reclama de 'mesquinharia' e leva 'cala boca' de cartola: Bayern flerta com crise

Mark Lovell, do ESPN FC
Alex Grimm/Bongarts/Getty Images
Robben e Lewandowski discutiram na derrota do Bayern para o Hoffenheim
Robben e Lewandowski discutiram na derrota do Bayern para o Hoffenheim

O Bayern de Munique flerta com a crise.

Nesta segunda-feira, o CEO do time bávaro, Karl-Heinz Rummenigge, rebateu de maneira forte as polêmicas declarações dadas pelo atacante Robert Lewandowski em entrevista recente, em que o polonês criticou muito as ações da equipe alvirrubra na última janela de transferências.

Em conversa com o jornal Der Spiegel, o camisa 9 disse que o Bayern precisa abrir os cofres e contratar mais reforços de peso se quiser seguir competindo de igual para igual com outros gigantes europeus na Uefa Champions League

"O Bayern terá que dar um jeito e ser criativo se quiser continuar trazendo jogadores de nível top para Munique. E, se você quer competir no topo, você precisa ter esses jogadores de qualidade", disparou.

"Até hoje, o Bayern nunca gastou mais do que 40 milhões de euros em um jogador. No futebol internacional, faz tempo que esse é o preço de jogadores intermediários, normais, e não dos atletas de ponta", completou.

Na janela, o clube de Munique acertou a contratação do volante Corentin Tolisso, seu reforço mais caro na história, por 41,5 milhões de euros (R$ 154 milhões) - o ex-jogador do Lyon ultrapassou o espanhol Javi Martínez, que havia custado 40 milhões de euros (R$ 148,37 milhões), em 2012.

Já Lewandowski chegou de graça ao Bayern, em 2014, após o fim de seu contrato com o Borussia Dortmund. Desde então, ganhou três títulos seguidos da Bundesliga, mas nunca conseguiu levantar o troféu da Liga dos Campeões.

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Na entrevista ao jornal, o polonês ainda disse que, hoje, "dinheiro e sucesso são mais importantes que a lealdade no futebol", e que "tem medo de que o Bayern ficará para trás se não começar a investir com força no mercado de transferências".

A fala do centroavante provocou a ira do CEO Karl-Heinz Rummenigge.

"É uma pena que ele veja as coisas desse jeito. Lealdade está no DNA do Bayern e é muito importante para nossos torcedores", afirmou o cartola, ao Bild

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"Nosso time vem mantendo uma filosofia séria e de muito sucesso já há bastante tempo, e vencemos muitas coisas graças a ela. Diferentemente de Lewandowski, eu tenho o mesmo pontos de vista de nossa chanceler (Angela Merkel), que diz que nós devemos regulamentar e reduzir as quantias gastas", acrescentou.

Em seguida, Rummenigge levou para o lado pessoal e criticou Lewandowski com força.

"Claramente Robert foi afetado de alguma maneira pelas negociações do Paris Saint-Germain. Mas isso não importa. Ele é nosso empregado e ganha muito dinheiro da gente. Lamento muito seus comentários. Qualquer um que criticar o treinador, o clube ou seus colegas passará imediatamente a ter problemas comigo", ressaltou.

Na entrevista ao Der Spiegel, Lewandowski ainda falou que "nunca o poder dos jogadores esteve tão forte", com os boleiros tendo "cada vez mais maneiras de forçarem uma saída para o clube que desejam jogar".

Irritado, Rummenigge também fez pouco caso destes comentários.

"Não acho que os jogadores tenham tanto poder. O próprio Lewandowski é prova disso. É só ele olhar seu contrato: assinou conosco até 2021, sem cláusula de rescisão", ironizou.

O CEO ainda criticou o empresário Maik Barthel, que cuida da carreira do camisa 9. Segundo o cartola, o agente está apenas prejudicando seu cliente.

"Infelizmente, seu empresário acaba sendo seu 'guia espiritual'. E novamente ele prejudicou Robert organizando essa entrevista (ao Der Spiegel) sem qualquer conhecimento do Bayern. Ele só está fazendo mal a Robert", opinou.

Na temporada passada, Manchester United e Chelsea tentaram tirar Lewandowski de Munique. Segundo a imprensa britânica, os dois times chegaram a abrir conversas com Maik Barthel para tentar forçar a saída do matador do Bayern.

Ao mesmo tempo, os bávaros se posicionaram de maneira forte, publicando nota oficial para dizer que o atacante não estava à venda - inclusive com ameaça de ir à Fifa caso os ingleses continuassem assediando o jogador.

Sem papas na língua, Rummenigge ainda criticou Thomas Muller, cria do Bayern e ídolo da torcida, por recentemente ter reclamado na imprensa do pouco tempo de jogo que vem recebendo do técnico Carlo Ancelotti

"Não sei exatamente que qualidades o treinador quer ver, mas as minhas não me parecem ser totalmente as pretendidas", disparou Müller, à TV ARD-Horfunk

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Mantendo a mesma postura que teve com Lewandowski, Karl-Heinz Rummenigge, que é um dos maiores ídolos da história do time alemão, foi curto e grosso.

"O que Muller disse sobre o treinador depois da partida contra o Werder Bremen também não está OK. Precisamos voltar a ser eficientes e sérios. Estar insatisfeito por ficar no banco é compreensível, mas críticas públicas ao treinador não serão toleradas", finalizou.

Ao mesmo tempo, Thomas Muller afirmou que "é possível" que ele deixe o Bayern em breve se não conseguir espaço.

Enquanto sofre com essa "guerra de palavras", a equipe bávara ainda perdeu por 2 a 0 para o Hoffenheim, no último final de semana, e despencou para o 6º lugar da Bundesliga, fora da zona de classificação para a Liga dos Campeões.

A próxima partida pelo Alemão será no sábado, às 10h30 (de Brasília), contra o Mainz. Antes disso, porém, os comandados de Ancelotti recebem o Anderlecht, nesta terça-feira, às 15h45, pela Champions.