Team Liquid é a única equipe do ocidente viva no TI7 de ‘Dota 2’, e Miracle- quer vencê-lo

Tyler Erzberger / ESPN.com

PGL
Miracle- está em busca do Aegis para si mesmo e para o companheiro Kuroky
Miracle- está em busca do Aegis para si mesmo e para o companheiro Kuroky

É difícil fazer um nome para si mesmo no Dota 2. Rostos familiares aparecem no mundial do jogo, o International, ano após ano, prontos para afastar os novos talentos que querem tomar seu lugar. Entrar nessa elite do Dota é notável; poucos jogadores nos últimos anos tiveram sucesso em usurpar as lendas do passado.

Amer "Miracle-" Al-Barkawi, jogador de 20 anos da Team Liquid, é uma dessas exceções especiais. Ele se tornou uma das caras da nova geração de super estrelas de Dota 2 ao lado de Syed Sumail "SumaiL" Hassan, jogador de 18 anos da Evil Geniuses, que venceu seu primeiro mundial aos 16. Ambos são confiantes em suas habilidades, mas a personalidade dos dois não poderia ser mais diferente. Enquanto Sumail tem um jeito direto e às vezes até franco demais de se portar, a melhor palavra para descrever Miracle- seria "indiferente". No dia reservado para a mídia, ele entrou na sala de imprensa do International rindo com seus colegas de equipe e relaxou em sua cadeira, mãos no bolso, para a entrevista.

"Na verdade, eu nunca pensei em Dota 2 em uma maneira profissional, como se eu fosse entrar em um time", revelou Miracle-. "Eu apenas jogava minhas ranqueadas, e de lá algum time me escolheu".

O sistema de ranking do Dota 2, o MMR, foi onde Miracle- começou a construir seu nome. No começo do ano passado, ele tornou-se o primeiro jogador a alcançar 9 mil pontos na tabela oficial e, de lá, sua lenda online transformou-se em excelentes resultados offline para a OG. A novata organização venceu o Major de Frankfurt. Depois de duplicar o título com uma vitória no Major de Manila, tudo o que faltava para "colocar a cereja no bolo" de um ano histórico como profissionais era vencer o International 6. Lá, no entanto, o trem descarrilhou pela primeira vez para o midlaner, e a OG falhou em levar o Aegis para casa. A derrota pôs fim ao que muitos acreditavam ser o começo de uma dinastia.

Majors são especiais, e vencer um é ainda mais importante. Mas no Dota 2, o International e seu prêmio de mais de US$ 24 milhões são tudo. Ganhar um título mundial pode compensar anos de tristeza, e para Miracle- e a OG, perder aquele TI foi o suficiente para separar um time que estava prestes a fazer algo extraordinário. Enquanto a OG se reconstruiu e venceu mais dois Majors após a troca de jogadores que acontece depois do International, Miracle- entrou para a europeia Team Liquid, a mesma que ele havia derrotado para vencer o Major de Manila. A equipe é uma junção dos melhores da Europa, e Miracle-, um mago da mecânica e um dos melhores do jogo depois de um único ano no competitivo, era a última peça que a organização investiu para levar um título mundial para casa.

"Não penso muito em pressão", disse. "Apenas foco no jogo, faço o que tenho que fazer. Jogo as partidas e não penso muito nisso. Atrapalha se você deixar a pressão te alcançar. Se você apenas focar no seu jogo e jogar, não precisa pensar em mais nada".

Não se sentir sobrecarregado é obrigatório no Dota 2. Em uma cena na qual times podem se desfazer tão rápido quanto um piscar de olhos, ou na qual um jogador pode ser substituído por outro depois de um único desempenho ruim, relevar as coisas e não deixar que elas te afetem é uma habilidade quase essencial para se ter. Ao contrário, se você não focar no próprio jogo, nada mais importará; você estará fora do seu time sem perceber. No Dota 2, ganhar vale mais do que tudo; como dizem em Game of Thrones: "você vive, ou você morre". Não há um meio termo na grande maioria das vezes.

Para Miracle-, sua busca pelo Aegis não é apenas por seu próprio legado, mas pelo do capitão Kuro "KuroKy" Salehi Takhasomi também.

"Vencer o TI significa muito", afirmou ele. "Para mim, para meus amigos e para todos que apoiam a mim e meus companheiros. Eu realmente quero ganhar muito por causa do Kuro também. Ele está em seu sétimo TI e, esperançosamente, conseguiremos ganhar este por ele".

A última bandeira do ocidente

Em um ano ímpar, conhecido por ter vencedores não-chineses, a história do International está bem diferente. A Team Liquid é a última bandeira do ocidente, e terá que vencer duas equipes chinesas para conseguir chegar à grande final.

Na Lower’s Bracket, a Liquid enfrentará a campeã entre LGD Gaming e Invictus Gaming. Caso vença, terá que enfrentar a perdedora entre Newbee e LGD.Forever Young para só então enfrentar a campeã deste último duelo na grande final.

O quinto e penúltimo dia do International 7 acontece nesta sexta-feira (11), a partir das 14h.