Os erros e acertos de ‘Pro Evoluion Soccer’ para (re)conquistar o jogador

Ricardo Caetano/ESPN.com.br
Divulgação/Konami
Philippe Coutinho, jogador do Liverpool, é o destaque da capa de Pro Evolution Soccer 2018.
Philippe Coutinho, jogador do Liverpool, é o destaque da capa de Pro Evolution Soccer 2018.

Em um evento em São Paulo na última segunda-feira, 07 de agosto, a Konami anunciou alguns detalhes de Pro Evolution Soccer 2018. A empresa japonesa ataca em várias frentes para sair se destacar perante sua grande concorrente, a EA Sports.

O FIFA, da EA, conta desde sempre com a licença de uso de diversas equipes de todo mundo, algo que aproxima o jogo e a realidade e é um de suas maiores atrações.

A Konami, por outro lado, tem feito parcerias para colocar o menor número possível de clubes e atletas genéricos em seu jogo de futebol. Como dinheiro infinito é coisa de “trapaça” de videogame, a Konami precisa ser cirúrgica com seus acordos.

A empresa mantém a certo tempo acordos com times importantes do cenário, capitaneado pelo Barcelona, Liverpool e Borussia Dourtmond. No Brasil, Flamengo e Corinthians, os times mais populares, fecharam acordos de exclusividade para aparecer apenas em Pro Evolution Soccer.

Agora, com chegada de PES 2018, velhas e novas alianças são estabelecidas para a Konami se destacar e não permanecer à sombra por mais uma temporada FIFA.

O real e o virtual

As parcerias citadas acima trazem à PES 2018 a possibilidade de recriar equipes e seus respectivos estádios no jogo. O Camp Nou, lar do Barcelona, é cantado em verso e prosa com imagens e vídeos que detalham a recriação das arquibancadas e o túnel que conecta os vestiários ao gramado.

Essa sensação de familiaridade visual é essencial para a experiência de jogo. Se transportamos a discussão para o futebol do Brasil, a Konami confia que os palcos de jogo nacionais são um tremendo diferencial.

Não há como negar: é muito bom jogar nos estádios brasileiros. PES 2018 terá o Maracanã, Beira-Rio, Allianz Parque, Vila Belmiro, Morumbi e a Arena Corinthians. Como novidade, se junta a essa seleção de catedrais do futebol, São Januário, lar do Vasco da Gama. O “gigante da Colina”, inclusive, se junta a Flamengo e Corinthians como times exclusivos de PES, mais um acordo da Konami.

Quer saber a importância de São Januário, que faz cem anos em 2017, em PES 2018? Pergunte a um vascaíno, quinta maior torcida do Brasil, segundo pesquisas especializadas, o que é ver o estádio que frequenta estar no jogo?

E o que mais?

Os vinte clubes da primeira divisão do Brasileiro estarão em PES 2018, junto com Internacional e Red Bull. Flamengo, Corinthians e Vasco terão vasto material para se explorara graças à exclusividade com a Konami. O Palmeiras também recebe uma atenção especial, pois possui uma parceria com a empresa japonesa que possibilita ter certo conteúdo no jogo, como sua nova arena.

Surge então a pergunta: é suficiente para deter a popularização de FIFA? Não tem sido.

Há um público bastante fiel que segue PES desde quando ainda jogávamos Winning Eleven. Porém, jogadores tem migrado para a franquia da EA, assim como novas gerações tem preferido FIFA. Só o direito de imagem é capaz dessa escolha? Não. Pro Evolution Soccer precisa exorcizar seus próprios “fantasmas”.

Uma “assombração” tem sido excomungada: a jogabilidade. O jogo tem se tornado mais fluído e propenso ao inesperado se comparado ao período que a franquia mais perdeu fãs para FIFA, entre 2013 e 2015. O famoso “avance até linha de fundo e toca para trás” para marcar gol, símbolo de uma jogabilidade engessada, não é mais visto no jogo.

Porém, ainda há o problema da atualização tardia e ou não feita dos plantéis. Não foram poucas as vezes que vemos PES ser lançado e extremamente defasado. Em uma época que se pode alterar o jogo a distância, com um simples patch, a Konami precisa trabalhar melhor para renovar os clubes no jogo.

Atualizar frequentemente o rating dos jogadores é algo subjetivo. O “bom” para uns é o “mais ou menos” para outros. Mas transferências precisam acontecer mais, para que o jogador sinta que o ecossistema de atletas do game está em movimento.


Por fim, a Konami precisa valorizar mais o que seu jogo tem de melhor e diferente da concorrência, como ela pretende fazer com o clássico narrador Jon Kabira, narrador japonês que estará em PES 2018 e ficou famoso ao longo do jogo de Winning Eleven. Milton Leite e Mauro Beting são excelentes escolhas, mas o sistema de narração precisa ser melhorado para que haja maior fluidez. 

Por último, cadê a Master League? É legal saber que há “3 contra 3” e o myClub tem lendas do futebol. Porém, Master League carregou por muito tempo a franquia e sempre foi o diferencial de PES. É preciso valorizar mais o modo tão divertido de se jogar, para tenha o mesmo valor que na época de Castolo e Cia.
 
Pro Evolution Soccer 2018 será lançado em 12 de setembro com versões para PC, PlayStation 4, PlayStation 3, Xbox One e Xbox 360.