De volta ao 'Counter-Strike', aspx mira carreira como streamer e crava que não usou cheat

Roque Marques/ESPN.com.br

Reprodução/Twitch
Depois de 8 anos longe do Counter-Strike, aspx está de volta
Depois de 8 anos longe do Counter-Strike, aspx está de volta

Você não precisa ser um fanático por Counter-Strike ou ter vivido o auge da febre das lan-houses no Counter-Strike 1.6 para conhecer Pedro Antonio Leone. Se este nome não te traz nenhuma lembrança, tente o nick - bem mais simples -, aspx.

Com certeza as primeiras coisas que vieram na sua cabeça foram “xitou ou não xitou?” ou “Se eu não tivesse xitado você acha que eu (trecho indecifrável) não ia mirar do outro lado?”. Oito anos depois, o pivô de uma das maiores polêmicas - e meme - da história do Counter-Strike nacional, está de volta. E ele, porém, segue negando que tenha trapaceado.

“Não 'xitei' e sigo garantindo isso até hoje. Quem tiver provas, que apresente”, afirmou o jogador em entrevista ao ESPN eSports.

Se você não conhece aspx, aqui vai um pequeno resumo: em 2009, o jogador da ECO.Cobra foi banido das principais competições do país por seis anos após possivelmente ter usado cheat [programa de trapaças] durante a qualificatória nacional da World Cyber Games, um torneio equivalente a um major dos dias de hoje.

“O Apoka [Alessandro Marcucci, organizador da WCG na época e hoje proprietário da Merciless Gaming] agiu por pressão da comunidade [ao aplicar o ban]. Ele não iria contra a maioria dos jogadores do evento, dos capitães das equipes. A maioria votou que sim e ele não iria se opor a esse grupo”, afirmou aspx.

O banimento - infundado, na visão do ex-jogador -, foi como uma “rasteira”. “Foi chocante. Foi tirar o propósito e o objetivo de alguém. Passa muita coisa na sua cabeça. É diferente, algo chato, mesmo que tenha pessoas do seu lado. É totalmente desconfortável, é o oposto de motivador”, contou.

“[Se o ban fosse] hoje em dia eu teria continuado pelo fato de ninguém ter nunca provado. É como acusar alguém de um crime que nunca cometeu”, completou.

Oito anos depois do acontecido, aspx voltou ao Counter-Strike há algumas semanas. Hoje vivendo na Polônia, se dedica ao trabalho em uma empresa alemã de tecnologia, a noiva e ao poker, sua outra atividade paralela.

Um novo rumo

Depois do banimento aplicado em 2009, aspx deixou o Counter-Strike e ganhou “um novo rumo” na vida. Depois de morar na Argentina e “estar no lugar certo, na hora certa” em seu novo trabalho, foi parar na Polônia.

“Minha vida tomou outro rumo, principalmente no profissional. Comecei a trabalhar, voltei a jogar futebol e ser uma pessoa mais ativa, segui a vida sem o CS. Tive novos trabalhos e oportunidades, fui promovido e transferido. Essas oportunidades me trouxeram aqui na Polônia”, contou.

Sobre o poker, aspx falou que tudo começou ainda na Argentina. “Ainda estava em Buenos Aires, mas aqui [na Polônia] comecei a jogar mais sério. Tenho contrato com um time profissional, mas é apenas uma renda extra”.

“Você vai jogando torneios mais caros e você precisa se dedicar mais. Tenho que trabalhar, não posso viver do poker. Cheguei a tentar um tempo, mas não vencia tão constantemente para me manter seguro”, completou.

O retorno

aspx voltou a jogar Counter-Strike de maneira mais ativa, agora na versão Global Offensive, há algumas semanas. Atualmente, o jogador está no Rank B- da ESEA europeia, um nível considerável para quem tem pouco tempo de jogo.

“Dessa vez voltei sem grandes expectativas, pelo fato de que sou bem impulsivo, vou pela emoção. Dessa vez, com maturidade e tempo, não quero criar muitas expectativas. Minha meta é até dezembro estar perto do Rank G”, contou.

Esta volta, porém, não tem como foco se tornar profissional. “Neste momento estou mais para streamer. Jogar profissionalmente é um extra bônus. Não é algo que estou focado, se acontecer que seja consequência do esforço”.

Jogar no Brasil, por sua vez, está fora de cogitação. “Teria um impacto ruim na minha vida, seria um degrau abaixo”, afirmou.

Teamplay
Em 2009, ao lado dos ex companheiros de ECO.Cobra
Em 2009, ao lado dos ex companheiros de ECO.Cobra

O jogador começou as transmissões no último sábado (5) e já tem conseguido um bom público. “No domingo haviam mais de mil pessoas assistindo, fiquei muito feliz”.

“Eu acho que [a stream] despertou o interesse de muita gente. Existem vários fatores por trás de tudo claro, mas se eu conseguir pegar Rank S ou Rank G, isso vai surpreender muitos, calar a boca de muitos”, completou aspx.

“Acho que [minha stream] teve um impacto positivo. As pessoas vão no canal para rir e se divertir, eu levo tudo na esportiva, é gostoso participar e brincar com a galera. O pessoal está vendo tudo isso no meu canal”, afirmou.

aspx também falou que procura por parceiros para participar de sua transmissão. “Adoraria e estou aberto a esse tipo de parceria, essa é a ideia. Interagir, fazer crescer e fazer o pessoal abraçar o jogo. Trazer um pedaço do nosso Brasil pra cá, falo inglês, outros idiomas e gostaria de streamar neles no futuro”.

A vida como jogador…

Para quem não acompanhava o cenário nacional naquela época, aspx se descreve como um jogador inteligente.

“Nunca fui o cara que carrega, um jogador constante em habilidade. Sempre fui constante em entender o jogo, criando anti strat e estratégias”, contou.

“Sei que tenho essa capacidade e esse entendimento. O que falta para mim é poder recuperar, mas isso só com o tempo, pois é questão de prática. O que mudou para mim é que na época e eu assistia 6 ou 7 horas de demo por dia e aprendi como se movimentar no jogo de maneira correta. Reparava nos mínimos detalhes, como o pessoal entrava, quais pixels olhava. Isso impactou em mim de forma positiva”, completou.

Questionado sobre uma comparação com os dias de hoje, aspx afirmou que não tem um conhecimento vasto no cenário atual para definir qual jogador se assemelha com ele, mas afirmou que gosta muito do estilo da SK Gaming.

“O jogo da SK é muito como o que gosto de jogar. Tudo muito sincronizado, os retakes, as execuções no bomb site. Eles têm jogadores agressivos, que jogam tirando informação. Esses caras conseguiram chegar num nível que ninguém no Brasil tinha chego antes”, completou.

Perguntado se teria seguido jogando até hoje se não fosse o banimento, o jogador cravou: “70% de chance que eu teria resistido”.

… e como um meme

aspx disse que não sobre a dimensão que tomou, de jogador banido para meme. Ele revelou que não entende muito bem qual é a visão que a comunidade tem dele.

“As coisas que acontecem faz com que você pensa nas coisas que aconteceram antes. Eu, na verdade, gostaria de saber do que a comunidade acha. Acho que me tornei de certa forma uma referência. Queria saber se isso foi positivo ou negativo”, questionou.

O jogador revelou que no começo, as brincadeiras o irritavam. “Eu tomava como ofensa, aquilo sujou minha imagem baseada em acusações que nunca foram provadas. Depois amadurecemos e vemos como isso é coisa da comunidade. A comunidade brasileira gosta de se preocupar com a vida dos outros”, afirmou o jogador.

Laços no Brasil

Depois de deixar o Brasil por conta do trabalho, aspx afirmou que costuma vir ao país de dois em dois anos. “Visito minha família e quando tem oportunidade visito meus amigos de São Paulo, que estiveram comigo e ainda posso considerar como amigos”, contou.

Na época do banimento, aspx disse que perdeu 90% dos relacionamentos com pessoas da comunidade de Counter-Strike. “Foi como você cortar a pizza e deixar só a borda, isso deu uma filtrada nas pessoas perto de mim".

“Você conhece mil pessoas, mas conta na mão quem são seus amigos. Tinha gente disposta a jogar comigo e sabia que poderíamos chegar longe. Ainda bem que pessoas que eu gostava ficaram do meu lado”, completou.

A stream

O jogador ainda não definiu uma rotina fixa de transmissões, mas planeja fazer streams todos os dias caso consiga um público fiel. Para acompanhar aspx, basta acessar seu canal na Twitch, clicando aqui.