Nova ‘chance de ouro’ para a Immortals: os desafiantes do PGL Kraków Major de 'Counter-Strike'

Roque Marques/ESPN.com.br

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Immortals terá sua primeira chance na disputa de um major
Immortals terá sua primeira chance na disputa de um major
 

Principal competição do meio de temporada em Counter-Strike: Global Offensive, o PGL Kraków Major bate à porta. A competição reúne 16 equipes, sendo 8 delas consideradas "Challengers" - desafiantes, no bom português -, entre essas, está a brasileira Immortals.

Para Henrique "hen1" Teles e Lucas "lucas1" Teles, está será a segunda "chance de ouro". A primeira eles receberam em agosto de 2015, quando ao lado de Epitácio "TACO" Filho, Lincoln "fnx" Lau e Gustavo "SHOOWTIME" Gonçalves, venceram a Golden Chance e ganharam a chance de ir para os Estados Unidos.

Quase dois anos depois, organização e jogadores diferentes - hoje eles tem Vito "kNg" Giuseppe, Lucas "steel" Lopes e Ricardo "boltz" Prass ao seu lado -, o PGL Kraków Major é a segunda chance de realizar um sonho, o sonho de ser campeão do torneio mais importante do Counter-Strike.

Além da Immortals, há ainda outras sete equipes "desafiantes". Na primeira parte da prévia do major da ESPN eSports, você conhecerá os detalhes de cada uma delas.

Immortals: a segunda chance de ouro

Henrique "HEN1" Teles
Lucas "LUCAS1" Teles
Ricardo "boltz" Prass
Lucas "steel" Lopes
Vito "kNg" Giuseppe
Rafael "zakk" Fernandes (treinador)

Depois de três eliminações em qualificatórias, a Immortals finalmente poderá disputar um major. Para a equipe número dois do Brasil, está é uma chance de ouro. Claro que eles não figuram entre os favoritos - a equipe ainda é muito irregular.

Desde a entrada de kNg, foram cinco torneios presenciais. Nas finais da quinta temporada da Pro League, o primeiro deles, a equipe terminou eliminada ainda na fase de grupos, mas conseguiu vitórias importantes contra G2 Esports e Cloud9, outros times Challengers, em série melhor de um.

Na sequência, a equipe entrou como franco favorita no Americas Minor. A campanha até a final foi perfeita, sem derrotas em nenhum mapa e um convincente 2 a 0 contra a C9 na final do upper bracket. Com a vaga nas qualificatórias assegurada, a equipe reencontrou e perdeu pela primeira vez para Jake "Stewie2k" Yip e companhia na decisão do evento.

Na DreamHack Summer, vimos a melhor campanha da equipe nos tempos recentes. Na fase de grupos, a equipe venceu a SK Gaming pela primeira vez em confrontos offline e bateu também a mousesports, ambas em séries melhor de um. Na semifinal, derrota por 2 a 1 para a Fnatic.

Helena Kristiansson/ESL
hen1 voltou a ser destaque na Immortals
hen1 voltou a ser destaque na Immortals

Depois de uma boa campanha na Suécia, era esperada uma Immortals forte para quebrar a "zica" da qualificatória do major. Apesar disso, a classificação veio suada após derrotas para G2 e BIG e vitórias contra Team Dignitas, Godsent e HellRaisers.

Na ESL One Cologne, a equipe foi novamente inconstante. Depois de uma boa vitória contra a Virtus.pro na estreia, sequência de derrotas contra Team Liquid, G2 e C9 custaram ao time mais uma eliminação na primeira fase.

No major, resta saber qual Immortals irá aparecer. A "montanha russa de emoções" que a equipe costuma ser precisa ficar numa subida durante a competição, para que o fator psicológico e a pressão do primeiro major não atrapalhem. No servidor, o sistema de duas snipers é o destaque, principalmente após hen1 ter voltado a ser o protagonista e o grande nome da equipe nos últimos torneios.

O revezamento entre o "jacaré" e kNg na AWP tem dado certo e mesmo quando a equipe opta por usar só um sniper, a dupla vai bem. O capitão boltz foi mal na ESL One Cologne, mas mesmo assim ainda é a esperança de regularidade da equipe. steel e lucas1, que não vivem seu melhor momento, precisam aparecer, principalmente o segundo, que foi destaque da equipe no início do ano.

Com tal histórico de irregularidade, a Immortals chega como uma incógnita na competição. Apostando em mapas onde costuma se dar bem, como Overpass, Cache e Inferno, a equipe precisa evitar as derrotas nas primeira rodadas no sistema suíço. Para um time tão emocional, um início com o pé esquerdo pode ser fatal.

BIG: A ascensão meteórica e o grande desafio

Fatih "gob b" Dayik
Johannes "tabseN" Wodarz
Kevin "keev" Bartholomäus
Nikola "LEGIJA" Ninic
Johannes "nex" Maget
Alexander "kakafu" Szymanczyk (treinador)

A BIG não demorou para se colocar entre as principais equipes do mundo. Fundada em janeiro, a organização alemã reuniu um grupo modesto de jogadores e colocou-os sob a batuta de gob b, um dos mais renomados e experientes líderes do Counter-Strike.

Deu certo. Em seis meses, a equipe já estava classificada para o principal torneio do meio de temporada. No caminho, uma série de bons resultados, como vice-campeonatos na DreamHack Leipzig e na ESEA Global Challenge, além da classificação para a sexta temporada da ESL Pro League.

Levando a relevância em conta, o único título que a BIG levou foi o do minor. O que não é nenhum pouco ruim para uma equipe com apenas sete meses de existência. No torneio, vitórias convincentes por 2 a 0 contra EnVyUs, PENTA e Dignitas. Nas qualificatórias para o major, a equipe conseguiu um sólido 3-1. Após estrear com derrota para a C9, venceu Tengri, Immortals e Liquid.

Em jogo, tabseN é o grande destaque. O jogador, que já destoava dos companheiros na NRG no ano passado, é quem brilha nas estatísticas e quem "carrega" a equipe nos momentos difíceis. No minor, por exemplo, tabseN teve um rating 2.0 de 1.52 e terminou a competição com +92 de KD ratio.

A equipe, inclusive, tem um map pool parecido com a Immortals, com Cache e Overpass como destaques. 

Contra os alemães, o problema é a falta de experiência em grandes palcos, algo que a Immortals, por exemplo, tem. A ascensão da equipe, apesar de meteórica, ainda não permitiu que eles jogassem em torneios maiores. O primeiro grande desafio será justamente o maior.

Cloud9: A última esperança norte-americana

Jake "Stewie2k" Yip
Timothy "autimatic" Ta
Jordan "n0thing" Gilbert
Tyler "Skadoodle" Latham
Michael "shroud" Grzesiek
Soham "valens" Chowdhury (treinador)

A C9 será a única representante dos Estados Unidos no major. Tamanha responsabilidade não poderia vir em hora melhor: entre as conterrâneas, a C9 é a que vive melhor fase. O verão do hemisfério norte costuma ser a época onde o time se destaca, e em 2017 não tem sido diferente.

A boa fase da equipe começou após o minor norte-americano, onde venceu a Immortals pela primeira vez. De lá para cá, a equipe tem se consolidado como número dois do cenário norte-americano. 

HLTV.org
O peso do cenário norte-americano está nas costas de Stewie2k e da Cloud9
O peso do cenário norte-americano está nas costas de Stewie2k e da Cloud9

Isso é fruto de uma semifinal na ECS, onde bateu Astralis e Fnatic em séries melhor de um na fase de grupos, e principalmente com o segundo lugar na ESL One Cologne, onde não foi páreo para a SK depois de vencer Natus Vincere e Ninjas in Pyjamas em série melhor de três. Nas qualificatórias para o major, a equipe não teve muitos problemas. Derrota apenas para a G2 e vitórias contra BIG, Immortals e Godsent.

Além do verão, a equipe tem outro fator para o major: o ressurgimento de Skadoodle e shroud. Antes criticados, os jogadores voltaram a ter um desempenho competitivo e às vezes até roubam a cena das estrelas Stewie2k e autimatic.

Para provar que vai ter o melhor verão de todos, a C9 precisa manter o bom nível individual e torcer para que a equipe tenha o mesmo poder de fogo que mostrou na ECS e na ESL One Cologne. Para isso, Train e Mirage, onde eles tem um bom aproveitamento em lans, serão essenciais. 

Flipsid3 Tactics: Figurinha carimbada

Yegor "markeloff" Markelov
Georgy "WorldEdit" Yaskin
Denis "electronic" Sharipov
Andrey "B1ad3" Gorodensky
Jan "wayLander" Rahkonen

Oito. Esse é o número de majors consecutivos em que a F3 conseguiu se classificar. A equipe é a maior figurinha carimbada dos majors. Apesar de tamanha experiência, os comandados de B1ad3 não prometem muita coisa dessa vez - assim como não prometeram nas outras.

Em 2017, a equipe jogou apenas quatro torneios presenciais. O melhor desempenho veio na DreamHack Leipzig, de onde saiu com um de seus únicos títulos após vencer a BIG na decisão. Tirando o Eleague Atlanta, onde foi eliminada na fase de grupos, a equipe teve recentemente a Adrenaline CyberLeague, onde só jogou uma md3 com a Na`Vi e perdeu por 2 a 0, e as qualificatórias do major, onde passou no sufoco por 3-2, vencendo Renegades, HellRaisers e Team Liquid.

Ao lado deles, pesam alguns pontos interessantes. O estilo de jogo lento e o conhecimento tático de B1ad3 encaixam perfeitamente com a experiência do hoje suporte markeloff e com a fase boa de electronic, estrela da equipe. WorldEdit, responsável pela AWP, também tem potencial para protagonizar. wayLander, irregular, é o ponto fraco da equipe.

Com poucas atuações em lan, supõe-se que o time se preparou com uma rotina pesada de treinos. Fica difícil basear até os mapas fortes da equipe, que costuma jogar bastante na Nuke, mas tem um retrospecto de 40% no mapa. Cache, onde tem duas vitórias em dois jogos, pode ser uma boa alternativa. 

Mais uma vez presente, dificilmente a F3 terá algum impacto na competição. Há potencial para surpreender, mas a falta de testes torna a equipe pouco confiável.

G2 Esports: A lenda entre os desafiantes

Kenny "kennyS" Schrub
Richard "shox" Papillon
Nathan "NBK" Schmitt
Alexandre "bodyy" Pianaro
Dan "apEX" Madesclaire
Edouard "SmithZz" Dubourdeaux (treinador)

Quem vê a G2 Esports entre os Challengers, logo estranha. Apesar de ser um dos principais times do mundo - o quarto, segundo a HLTV.org -, ela não tem o status de Legend pois juntou a escalação do "supertime" só depois do Eleague Atlanta. Entre os desafiantes, a equipe e a que mais se aproxima de lenda.

Não só por contar com nomes invejáveis, como kennyS e shox, mas também pelo nível de jogo que apresentou nos últimos três meses, principalmente nas finais da Pro League. A equipe foi capaz de vencer SK, Fnatic e Immortals, em séries md1, e depois venceu novamente a SK em uma série md3 e a North em uma série md5 para ficar com o título. Na qualificatória para o major, vitórias contra Immortals, C9 e F3 garantiram o 3-0 e a classificação tranquila.

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Entre os desafiantes, G2 é a que tem mais potencial de ir longe
Entre os desafiantes, G2 é a que tem mais potencial de ir longe

Tais bons jogos não vieram atoa. kennyS voltou a um nível bem próximo daquele que encantou o mundo em 2014. Isso se não está melhor, devido a competitividade maior que tem hoje. Outra estrela da companhia, shox continua o de sempre, num nível de regularidade que só é batido por nomes como Marcelo "coldzera" David e Nikola "NiKo" Kovac. NBK, apEX e bodyy não ficam atrás. Apesar de menos falados, eles também mostram que podem protagonizar em diversas situações.

O leque de mapas da equipe também é ótimo. A Cobblestone e Nuke são seus favoritos, com aproveitamentos absurdos de 90% e 83%. Como esses dois devem direcionar os banimentos adversários, restam Inferno, Cache, Overpass, onde a equipe é regular.

Favorita para avançar para os playoffs, falta ao mais lendário dos desafiantes a "pinta de campeão". A G2 é ótima, mas ainda não pode se sentar na mesa de SK, Astralis e FaZe.

mousesports: Sem saudades de NiKo

Chris "chrisJ" de Jong
Denis "denis" Howell
Tomáš "oskar" Štastný
Christian "loWel" Antoran
Robin "ropz" Kool
Sergey "lmbt" Bezhanov (treinador)

Quando NiKo deixou a mousesports, todos acharam que seria o fim. Muito pelo contrário, o time vive grande fase. Desde a formação da saída do bósnio e da formação da nova escalação, com ropz e oskar, a mouz tem se mostrado um ótimo time de "meio de tabela".

Com o quinteto atual são cinco eventos: 3-4º lugar na DreamHack Tours, 5-6º lugar nas finais da Pro League, 5-6º lugar na DreamHack Summer, classificação por 3-0 no qualificatório do major e 11-12º lugar na ESL One Cologne. A equipe ainda não levantou taças, mas mantém um bom retrospecto.

Ainda mais se você pensar que um dos maiores responsáveis por isso tem só 17 anos. De acusado por cheat a um dos principais jogadores do mundo, ropz é um dos protagonistas. No qualificatório do major, ele teve um rating 2.0 de 1.49. O jovem estoniano só não se tornou a estrela da equipe pois joga com oskar, que vive uma fase incrível e não teve nenhum evento com menos de 1.11 de rating 2.0 ao longo do ano.

Além da dupla, o capitão chrisJ e denis, antes contestados, tem mostrado uma grande evolução no seu jogo. loWel, que já desempenhava bem ao lado de NiKo, também mantém o bom nível.

Nuke e Cobblestone se destacam entre os mapas da equipe e com certeza são escolhas seguras. Inferno e Train aparecem como outras opções. Nesta última, venceu as duas vezes que jogou.

No último major, eles tinham NiKo, hoje tem ropz, oskar e um time muito mais forte coletivamente. Sem saudades da velha NiKosports, o torcedor pode esperar um potencial de surpresa e não deve se espantar com uma campanha de playoffs.

PENTA: Sem treinador e pouco testada

Kevin "HS" Tarn
Miikka "suNny" Kemppi
Jesse "zehN" Linjala
Kevin "kRYSTAL" Amend
Pawel "innocent" Mocek

Depois de jogar majors no passado, a PENTA estava sumida do cenário. No início do ano, a equipe decidiu se reestruturar e buscou HS, innocent e sunNy, tornando-se assim uma escalação de múltiplas nacionalidades. Deu certo. A equipe conseguiu bons resultados no escalão secundário e tem uma ascensão muito parecida com a da BIG.

Em 2017, a equipe participou só de quatro presenciais, alcançando sucesso com o título do ESEA Global Challenge, contra a BIG. Mais tarde, na GeForce Cup, uma eliminação para a desconhecida Gatekeepers. No minor, vice-campeonato, perdendo justamente para a BIG.

Nas qualificatórias para o major, a equipe ficou 3-1, vencendo OpTiC Gaming, Liquid e Vega Squadron e perdendo para a mouz. É pouco para podermos tirar uma base do potencial da equipe.

HLTV.org
PENTA é uma das equipes mais inexperientes do major
PENTA é uma das equipes mais inexperientes do major

Há outras semelhanças para as duas, como a falta de experiência no grande palco e a presença de jogadores rodados, como kRYSTAL e zeHN. Apesar disso, falta um líder eficiente, como é gob b, e um jogador que pode protagonizar com mais regularidade, como tabseN. Destaques recentes, HS e suNny podem assumir este segundo papel, mas sem Niko "naSu" Kovanen, treinador da equipe que não irá ao major por questões pessoais, o primeiro problema persiste. 

Olhando para os mapas, Inferno, Mirage e Train parecem ser três boas escolhas primárias para a equipe, principalmente os dois primeiros. Na Cache, duas vitórias em dois jogos.

Pouca testada e sem seu treinador, a PENTA parece uma das equipes que dificilmente terá algum impacto no torneio. Veremos até onde podem surpreender, mas o cenário não é animador para o quinteto.

Vega Squadron: Mais do que um mensageiro do caos

Nikolay "mir" Bityukov
Leonid "chopper" Vishnyakov
Dmitriy "jR" Chervak
Sergey "keshandr" Nikishin
Pavel "hutji" Lashkov

Em dezembro de 2016, a Vega Squadron foi a maior "mensageira do caos" do Counter-Strike. Depois de amassar a NiP por 16-2 e eliminar os suecos do Eleague Atlanta Major e iniciar a crise da equipe, a equipe ganhou projeção internacional, mas, não apareceu por mais resultados como esse.

Para não ficar só lembrada como a equipe que eliminou a NiP, a Vega precisava fazer mais, e fez. Apesar de só ter três torneios presenciais no ano, a equipe mostrou momentos de potencial para um grupo com tão pouca experiência e quase nenhum nome fora da cena da Comunidade dos Estados Independentes (CIS).

Depois de um 5-6º lugar na DreamHack Leipzig, onde perdeu para EnVyUs, F3 e BIG, a equipe permaneceu jogando apenas online até o minor CIS, onde foi a grande campeã. Apesar da competição não ter um nível técnico muito elogiado, a Vega fez o seu papel e conquistou o bicampeonato. Na qualificatória do major, vitórias contra OpTiC, TyLoo e Dignitas vieram junto a derrotas para HellRaisers e PENTA.

A grande estrela da equipe é mir, que ostenta um rating 2.0 de 1.24. O jogador é cotado para ser um dos protagonistas do suposto "shuffle CIS" que pode ocorrer depois do major. Pode ser que ele acabe em alguma equipe maior, como HellRaisers, Gambit e até Na`Vi. Ele tem talento para isso.

Como a maioria de seus adversários no minor CIS foi de baixo nível, é difícil definir os mapas da Vega olhando pelas estatísticas. A equipe tem 100% de aproveitamento em 3 jogos na Cache, palco da icônica vitória contra a NiP, e na Inferno, além de 75% em quatro jogos da Nuke. 

Estreando em majors, o quinteto da Vega tentará provar que é mais que o mensageiro do caos que foi em dezembro do ano passado. O caminho é árduo, mas a equipe já provou que pode ser uma pedra no sapato dos gigantes.