kakavel, dono da Team One, fala sobre sucesso e compara jogadores: "o de LoL é mais mimado"

Roque Marques/ESPN.com.br

Saymon Sampaio/Agência X5
Liderada por kakavel, Team One é a sensação do cenário nacional de eSports
Liderada por kakavel, Team One é a sensação do cenário nacional de eSports
 

Líder isolada no CBLoL, principal equipe de Counter-Strike em solo nacional… o ano da Team One não poderia ser melhor. A organização goiana, fundada em 2004, vive sua melhor fase e o segredo é um só: não há segredo.

“Não tem segredo, é trabalho, esse é o segredo de tudo. Nós como organização temos tentado trazer o de sempre, transparência para os atletas e tranquilidade para trabalhar”, afirmou Alexandre “kakavel” Peres, dono da Team One, em entrevista ao ESPN eSports.

O papo aconteceu durante a MAX5 Cup - de onde a T1 saiu com mais uma taça -, kakavel falou sobre a grande fase, expansão para outras modalidades e também sobre as diferenças entre os jogadores de CS e LoL.

A entrada no League of Legends

kakavel contou que a aventura da Team One no LoL foi fruto de muito estudo. Quando surgiu a oportunidade de comprar a vaga da INTZ Genesis, a organização não desperdiçou. “Nossa ideia de investir no LoL veio com o crescimento e a base que a gente tem no CS. Nós enxergamos que com uma base solidificada poderíamos trabalhar bem também em outra modalidade e por isso investimos no time de LoL”.

Em pouco tempo, a T1 já está no topo, liderando a competição de maneira isolada. Para kakavel, isso é fruto da base forte da equipe e da entrada de reforços pontuais.”Nós sabíamos que tínhamos uma base muito forte, fizemos algumas inserções, o 4LaN e o Brucer, e o trabalho em conjunto trouxe um resultado. É uma surpresa para todos e para nós também a liderança, mas sabíamos que a gente tinha condição de chegar e brigar”, contou.

Quanto a montagem do elenco, o proprietário revelou os requisitos para ser contratado pela equipe. ”Procuramos pessoas não só talentosas no jogo, mas boas pessoas fora dele também, que poderiam trazer tranquilidade para o ambiente de trabalho e experiência para a molecada que estava começando no CBLoL”, contou 

“Brucer e 4LaN encaixaram como uma luva nesse quesito. Ambos vieram para serem titulares, mas o Marf também tem jogado e ido muito bem, destaque das partidas que jogou. Não tem segredo, é trabalho, esse é o segredo de tudo. Nós como organização temos tentado trazer o de sempre, transparência para os atletas e tranquilidade para trabalhar”, completou.

A convivência entre os times de CS e LoL

O mês de julho tem sido de calendário cheio para a Team One no Counter-Strike, e por isso, a organização decidiu reunir os jogadores na gaming house, no Alto da Mooca, em São Paulo. Lá, as escalações de Counter-Strike e League of Legends dividem o mesmo teto. Para kakavel, essa experiência é positiva.

Riot Games
4Lan, da Team One, comemora mais uma vez no CBLoL
4Lan, da Team One, comemora mais uma vez no CBLoL

 “Essa inserção na gaming house trouxe uma troca de experiências que é muito positiva para os dois lados. A convivência traz um momento de relaxamento, pois você não está só convivendo com seus companheiros de trabalho, você também está convivendo com outras pessoas, o que traz uma certa tranquilidade”, contou. Além disso, o proprietário revelou que era necessário reunir a equipe de CS.

“Nós vimos a necessidade de juntar o time de CS pois chegou um momento em que eles pararam de evoluir e começaram a cair. Com a aquisição do time de LoL e a montagem da gaming house, nós vimos uma oportunidade única de uni-los ao time de CS”, completou.

Jogador de CS é mais sofrido, e o de LoL, mais mimado

Com a convivência, as comparações são inevitáveis. Quando questionado sobre elas, kakavel afirmou que o profissional de LoL é mais mimado que o de CS. ”Querendo ou não, o jogador de CS é mais sofrido do que o de LoL, que vem com todo um apoio já há algum tempo e acaba sendo, entre aspas, mais mimado”, contou.

Sobre os problemas de jogadores de LoL em conviver com as críticas, que gerou polêmica nas últimas semanas, kakavel afirmou que isso se dá por conta da idade . “É a faixa etária. Eles [jogadores de LoL] ainda são um pouco mais imaturos do que os de CS. A crítica é normal, principalmente da mídia, ela está ali para criticar”. 

“Para muita gente, receber crítica não é interessante. A turma do CS é muito madura nesse ponto, ela absorve muito bem a crítica e usa como forma de incentivo, e eu tenho falado isso para o pessoal do LoL também, que caso recebam crítica, usem isso como motivação”, completou o proprietário.

Expansão para novas modalidades

O CS e o LoL não são as únicas modalidades onde a Team One quer brilhar. kakavel revelou que a procura por novas empreitadas e constante, mas que a organização estuda muito bem cada uma delas.

“O foco é fazer bem feito o que a gente tem feito, mas nunca deixamos de estar com um olho no mercado. A entrada no LoL foi uma oportunidade que surgiu com a INTZ Genesis a venda, mas desde a nossa fundação estamos trabalhando a ampliação. Chegamos a negociar com Dota, Overwatch, Rainbow Six. Estamos sempre estudando e tentando viabilizar novos projetos, mas com o pé no chão. Não queremos entrar por entrar, o nosso foco é fazer trabalho bem feito e ter uma equipe pronta para disputar qualquer tipo de campeonato”, contou.

Saymon Sampaio/Agência X5
Maluk3 e companhia podem ganhar novos companheiros de Team One em outras modalidades
Maluk3 e companhia podem ganhar novos companheiros de Team One em outras modalidades
 

Assim como na montagem do LoL, não basta ser um bom jogador para poder vestir a camisa preta e dourada.

“O que a gente acredita é que para qualquer projeto que a gente venha a fazer precisamos não só de grandes talentos e bons jogadores, mas principalmente de boas pessoas. No mercado nacional, que gira muito pouco dinheiro comparado ao mercado internacional, precisamos de pessoas com cabeça muito boa para que a gente mantenha uma estrutura, senão fica um entra e sai, brigas internas, e isso não leva ao sucesso”, contou kakavel. 

“Tentamos Dota, Overwatch, buscando pessoas boas. Algumas foi questão financeira e outras identificamos que o grupo se dissolveria com o tempo. A nossa ideia é formar pessoas, não atletas e grandes times. A partir do momento que trabalhamos com grandes pessoas, com certeza teremos grandes times e grandes resultados”, completou.

Recentemente, a Team One anunciou a contratação de João Paulo “Mandrake” Vinhal, um dos principais jogadores de Clash Royale do país.

Participante de todas as etapas

Ativo, kakavel participa de tudo na Team One. Desde as negociações até as partidas. Durante toda a MAX5 Cup, foi ele quem permaneceu atrás dos jogadores durante a partida, como um treinador.

“É interessante uma visão de fora, e eu fui jogador de CS e entendo um pouco do jogo, ajudo na comunicação e algumas decisões. No LoL, comecei a entender mais depois que vim para cá [na gaming house] e passei a implementar algumas conversas entre o time para que o relacionamento melhorasse e não houvesse rusgas”, contou. 

Saymon Sampaio/Agência X5
Durante a MAX5 Cup, kakavel ficou junto aos jogadores
Durante a MAX5 Cup, kakavel ficou junto aos jogadores
 

Segundo o proprietário, essa proximidade é marca da organização. “Nós da Team One temos como ideia de vida a proximidade com tudo. Meus jogadores não são colaboradores da empresa, eles são donos da empresa. Sem eles não existiria Team One. A palavra chave é transparência, todos eles sabem de nossos negócios, o que a gente está fazendo, atrás de que a gente está correndo”.

Compromissos

Para seguir a boa fase, a Team One tem mais compromissos neste mês. A equipe enfrentará a Red Canids neste domingo (16), e só precisa de um empate para se classificar para os playoffs. No Counter-Strike, a equipe tem o Gamers Club Masters, entre os dias 28 e 30 de julho, e a final da Copa Brasil, no dia 31.