Gil não temeu ficar de fora da seleção por estar na China e sonha com Copa: 'Tite não fecha as portas'

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Getty Images
O zagueiro Gil com a camisa do Shandong Luneng
O zagueiro Gil vai completar 50 jogos pelo Shandong Luneng

Prestes a completar 50 jogos com a camisa do Shandong Luneng, da China, Gil é nome constante nas convocações de Tite para seleção brasileira. Nesta sexta-feira, às 11h (de Brasília), será anunciada a lista dos jogadores que disputarão os amistosos contra Austrália e Argentina, em junho.

Campeão brasileiro em 2015 ao lado do treinador pelo Corinthians, o zagueiro foi vendido no começo do ano passado por 10 milhões de euros (cerca de R$ 37,5 milhões) ao futebol chinês.

"Foi uma proposta muito boa para mim e para o Corinthians. O retorno financeiro que dei ao clube foi muito alto diante do investimento que fizeram em mim e do quanto venderam. O Shandong pagou a multa, e quando chega algo assim, fica difícil segurar", disse o jogador, ao ESPN.com.br.

Em sua segunda temporada no país asiático, o defensor está mais adaptado e acredita que conseguiu manter o mesmo nível de atuações dos tempos de Parque São Jorge.

"Sempre fui um atleta que me cuidei e busquei complementar o trabalho do dia a dia com complementos. Busco trabalhar mais, fazer os complementos, e isso tem me ajuado. Tem o Bruno (Mazziotti), que me ajuda muito", analisou.

Com isso, ele espera estar entre 23 convocados para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

"Eu trabalho no dia a dia para fazer o meu melhor no Shandong e estar pronto se o Tite precisar. É claro que a gente sonha com o Mundial, que é o ápice de um jogador de futebol, mas é preciso fazer tudo certo no seu clube para servir a seleção depois", afirmou.

Tardelli marca, e Shandong Luneng passa fácil pelo Guangzhou R&F no Chinês

Veja a entrevista com o zagueiro Gil na íntegra:

ESPN - Antes de ir para a China, chegou a falar com Tite sobre a seleção?
Gil -
Não. Este não foi um assunto conversado. A gente sabe que ele está de olho em todos, em todos os lugares. Então, topei a proposta por saber que continuaria sendo visto. É óbvio que sabemos que é mais difícil, mas, mesmo assim, dá para acompanhar. Não se pode fechar a porta para nenhum atleta, algo que o Tite sempre diz nas convocações.

ESPN - Além da parte financeira, que é muito boa, o que mais te motivou ir para China?
Gil -
Foi uma proposta muito boa para mim e para o Corinthians. O retorno financeiro que dei ao clube foi muito alto diante do investimento que fizeram em mim e do quanto venderam. O Shandong pagou a multa, e quando chega algo assim, fica difícil segurar. Eles me apresentaram também um projeto muito bom, em um dos principais clubes do país, e isso foi importante para a minha decisão.

Divulgação
Gil e Tardelli fizeram gol na vitória do Shandong
Gil e Tardelli defendem o Shandong

ESPN - Não temeu que seu desempenho caísse por estar em uma Liga mais fraca?
Gil -
Sempre fui um atleta que me cuidei e busquei complementar o trabalho do dia a dia com complementos. Busco trabalhar mais, fazer os complementos, e isso tem me ajudado. Tem o Bruno (Mazziotti), que me ajuda muito, e tenho conseguido manter o mesmo nível físico e técnico. Cabe ao atleta buscar sempre mais e nunca estar satisfeito.

ESPN - No estilo de vida, o que mais sente falta do Brasil?
Gil -
A cultura e a língua são muito diferentes, né. Acho que isso complica um pouco. Mas estou estudando inglês, para poder me comunicar, e já ajuda bem. Uma língua mais universal, que por aqui se pratica muito também. Estou fazendo curso, estudando todos os dias, e isso com certeza vai me ajudar agora e também na vida.

ESPN - O que a vida na China tem de melhor que você levava no Brasil?
Gil -
Apesar de todas as diferenças, a vida aqui é tranquila. Às vezes não tem muito o que fazer, mas a gente se apega aos amigos, videogame e muito treino, né.

ESPN - Quanto tempo ainda pretende ficar na China?
Gil -
Além desse ano, ainda tem mais três de contrato. No momento pretendo cumprir meu contrato, até porque apostaram em mim. Mas no futebol a gente não pode fechar nenhuma porta e nem achar que será para sempre. Hoje penso no Shandong, mas o futuro não tem como saber.

Rumo ao Bayern? Veja como Paulinho tem jogado na China e diga se vale o investimento alemão

ESPN - Como está o Shandong nesta temporada? 
Gil -
Depois de uma temporada ruim ano passado, este ano começamos bem e chegamos a ser líder do campeonato. Estamos conseguindo fazer uma boa competição e vai ser melhor do que a passada. Estou vivendo um bom momento, no sábado vou completar 50 jogos, e isso me motiva para seguir trabalhando para podermos buscar coisas boas. Uma marca importante por aqui, já que sempre joguei, fiquei fora de poucas partidas, e posso atingir esse número agora. Jogamos menos aqui, não é igual no Brasil, então é um número que representa muito.

ESPN - Como você avalia essa mudança da seleção com a chegada do Tite?
Gil -
O Tite é um treinador que saber tirar de cada atleta o seu melhor. O trabalho dele, nos últimos anos, tem sido excelente. E isso, agora, se reflete na seleção brasileira. Ele tem conseguido fazer o time jogar e os resultados estão aparecendo. O Brasil voltou a ser o Brasil de antes, que impõe respeito aos adversários e tem tradição por tudo que já conquistou. Os atletas compraram a ideia do Tite e as coisas passaram a acontecer naturalmente.

Divulgação
Gil posou com a camisa do Shandong Luneng,
Gil chegou ao Shandong Luneng em 2016

ESPN - Brasil conseguiu a vaga com muita antecedência. Quais os maiores méritos dessa seleção?
Gil -
Todos entenderam a filosofia da comissão técnica e as coisas deram certo. Não só pelo Tite, mas por todos que estão com ele também e que a maioria conhece. A qualidade dos atletas todos sabíamos que tínhamos, tanto que todos estão em grandes clubes, com conquistas coletivas e individuais. Apesar da vaga antecidada, temos que continuar buscando as vitórias para melhorar. Nunca podemos achar que está bom, e isso o Tite deixa bem claro nos treinamentos.

ESPN - Como você está trabalhando para garantir uma vaga entre os 23 da copa do mundo? Espera ser convocado?
Gil -
Eu trabalho no dia a dia para fazer o meu melhor no Shandong e estar pronto se o Tite precisar. É claro que a gente sonha com a Copa do Mundo, que é o ápice de um jogador de futebol, mas é preciso fazer tudo certo no seu clube para servir a seleção depois. Tenho procurado me dedicar ao máximo, sempre que posso faço meus complementos na academia e no campo, e isso acaba se refletindo no campo. Sou um atleta que não tem lesão faz muito tempo, desde o Corinthians, quando jogava praticamente todas as partidas. Aqui no Shandong não tem sido diferente, tanto que já vou completar 50 partidas. Defender a seleção brasileira é sempre motivo de muito orgulho e, o que depender de mim, vou dar sempre o meu máximo para estar pronto quando vestir essa camisa.

ESPN - Como é sua apresentação na seleção? Chega antes?
Gil -
Em todas as últimas convocações, temos chegado antes. Nós, que estamos na China, precisamos dessa adaptação ao fuso. Mas isso tem sido tranquilo, pois o campeonato aqui para e facilita. A gente consegue acertar essa questão do horário e também já fazemos alguns treinamentos antes dos demais. É algo importante, que entendemos que teríamos de fazer para chegarmos prontos para o período de treinos e jogos.