Trump? Não, os funcionários públicos mais bem pagos dos EUA são técnicos de basquete e futebol americano universitários

Rafael Belattini, do ESPN.com.br
Christian Petersen/Getty Images Sport
Nick Saban já conquistou quatro títulos nacionais com Alabama
Nick Saban já conquistou quatro títulos nacionais com Alabama

Imagine que um órgão público resolva pagar mais de R$ 35,4 milhões por um ano de trabalho de um funcionário. Agora imagine que esta pessoa seja um simples técnico de futebol do time de uma universidade.

Pois é exatamente isso o que Nick Saban vai ganhar em 2017 para comandar a equipe de futebol americano da Universidade do Alabama, vice-campeã nacional na última temporada. De longe, ele será o mais bem pago funcionário público dos Estados Unidos, ganhando quase 28 vezes o que o presidente Donald Trump receberá por governar o país.

Saban renovou seu contrato com a universidade na última semana e, com o salário de US$ 11,125 milhões em 2017, retomou o posto que era seu antes de Jim Harbaugh receber US$ 9 milhões (R$ 28,68 milhões) de Michigan, outra universidade pública, na temporada passada.

Mas os valores, por mais impressionantes que sejam, estão longe de impressionar. Além disso, eles se justificam.

  • Mais comum do que se imagina

 Em 2016, 39 dos 50 estados norte-americanos tiveram um treinador universitário como o funcionário público mais bem pago, sendo 27 de futebol americano e 12 de basquete.

Kevin C. Cox/Getty Images Sport
John Calipari, técnico de Kentucky
John Calipari, técnico de Kentucky

A média de 2016 indicava que dentre as grandes universidades, a média salarial de um técnico principal era de US$ 1,81 milhão (R$ 5,76 milhões), quase o dobro do que Kayvan khiabani, professor e chefe na Escola de Medicina de Reno, em Nevada, ganha, sendo um dos poucos "não esportistas" a ser o mais bem pago de um estado, com salário anual de US$ 987,6 mil (R$ 3,1 milhões).

No basquete, o mais bem pago é John Calipari, de Kentucky, que vai receber US$ 7,1 milhões (R$ 22,6 milhões) em 2017, deixando para trás até mesmo o famoso Mike Krzyzewski, o Coach K, de Duke, que aparece em segundo na lista, com US$ 5,5 milhões (R$ 17,5 milhões) na Universidade de Duke, que é privada.

Aliás, todos os coordenadores das 100 melhores escolas públicas dos EUA receberam pelo menos US$ 500 mil em 2016.

Paulo Antunes fala sobre erros extracampo cometidos por jogadores da NFL e cita 'exemplo assustador'
  • Grande até para os padrões profissionais

Quatro vezes campeão nacional nos últimos 10 anos no comando de Alabama, Saban terá, ao menos em 2017, um salário de fazer inveja até mesmo aos treinadores que estão no esporte profissional dos EUA.

Darren Carroll/NBAE/Getty Images
Gregg Popovich foi eleito o melhor técnico da NBA por ranking de especialistas
Popovich, 5 vezes campeão com os Spurs, ficou para trás

O mais bem pago do país é Gregg Popovich, que ganha US$ 11 milhões (R$ 35 milhões) por temporada no San Antonio Spurs. Na NFL, Sean Payton, do New Orleans Saints, fica bem atrás, com US$ 9 milhões (R$ 28,67 milhões). Na MLB, mesmo acabando com um jejum de 108 anos do Chicago Cubs, Joe Maddon não conseguiu chegar perto, recebendo US$ 6 milhões ( R$ 19,11 milhões) no último ano.

Na renovação que pode deixar Nick Saban em Alabama até 2024, seus assistentes também saíram ganhando. O coordenador do ataque Brian Daboll, que recentemente foi técnico dos tigh ends no New England Patriots, vai ganhar US$ 1,2 milhão (R$ 3,82 milhões) até 2020.

Na defesa, Jeremy Pruitt terá um salário de US$ 1,3 milhão (R$ 4,14 milhões) na próxima temporada, e um aumento de cerca de R$ 300 mil nos próximos dois anos. E o que menos vai receber é Scott Cochran, técnico de força e condicionamento, que ganhará US$ 535 mil (R$ 1,7 milhão) em 2017.

Two-Minute Warning: Evê, Ari, Paulo e Curti comentam melhores escolhas do draft da NFL
  • Tem explicação: ele dá retorno

Dentro de campo, Saban acumula um total de 114 vitórias e apenas 19 derrotas nos 10 anos que está afrente da "Crimson Tide", como é conhecida atlética da universidade do Alabama. Mas além dos quatro títulos, ele ajuda a gerar muito dinheiro.

Butch Dill/Getty Images Sport
Saban atraiu muito mais dinheiro para a universidade
Saban atraiu muito mais dinheiro para a universidade

Logo que chegou na universidade, em 2007, um programa de financiamento foi criado com expectativa de arrecadar US$ 50 milhões para o time de futebol americano. Empolgados pela contratação, os torcedores acabaram ultrapassando a expectativa em US$ 2 milhões.

Em 2016, o time trouxe US$ 103,9 milhões (R$ 330,6 milhões) para a universidade, tendo um lucro de US$ 47,7 milhões (R$ 151,8 milhões) com venda de ingressos para os jogos, merchandising, direitos de transmissão, entre outras coisas.

Outra mudança é no número de alunos. Em 2006, segundo a própria universidade, eram 23.878 em seus campis, sendo que hoje o número ultrapassa 37 mil. Dentre tantos fatores que podem ter ajudado na maior procura pela instituição, o sucesso do programa esportivo, com certeza, é um deles.