Música, 'Neymar argentino' e mais desejado que Tevez pela torcida: a idolatria de Centurión no Boca

Thiago Cara, do ESPN.com.br
Getty
'Neymar argentino', Centurión está nos braços da torcida do Boca Juniors na Argentina
'Neymar argentino', Centurión está nos braços da torcida do Boca Juniors na Argentina

Se deixou o São Paulo em agosto de 2016 sem deixar saudades, Ricardo Centurión é hoje ídolo do Boca Juniors. Na Argentina, o atacante que nunca empolgou no Brasil encanta a torcida, a ponto de ganhar música, ser chamado de "Neymar argentino" e concorrer, inclusive, com Carlos Tevez.

Acredite...

Centurión até demorou um pouco para conquistar o status de referência, já que acumulou polêmicas em sua chegada ao Boca - vídeo alcoolizado, acidente com sua BMW e até vazamento de fotos íntimas. Em 2017, porém, o atacante comanda um time que lidera o argentino, já com seis gols.

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Apenas para comparação, as bolas na rede em 17 aparições pelo Boca já quase igualam os oito gols marcados em 80 jogos no São Paulo - uma marca modesta para quem chegou prestigiado em 2015, após ter sido campeão argentino pelo Racing, elogiado pelo então técnico Muricy Ramalho e contratado por R$ 15 milhões, com a ajuda de Vinicius Pinotti, na época torcedor e hoje executivo de futebol tricolor.

Já na Argentina, o exemplo mais recente da mudança de status do jogador é uma música criada em sua homenagem, pela banda de cumbia "Por El Pancho y La Coca", após Centurión se lesionar em um treino em abril. No refrão da canção, ele é simplesmente o "Neymar argentino".

"Um amigo me propôs fazer uma música a Centurión, que estava voando. A ideia que ele teve era fazer uma comparação com Neymar, pela forma que os dois têm de jogar. A comparação encaixava bem, gostei e fiz", disse o cantor Christian Conte, de 32 anos, em entrevista ao diário "Olé".

Entre outras coisas, Conte também canta que "quando Centurión dá uma caneta, a torcida fica louca" na música, que, embora a última, não é a única demonstração do que o ex-são-paulino se tornou na Argentina. Até a idolatria por Tevez, que trocou o Boca pela China, ficou em segundo plano.

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Em entrevista à ESPN também em abril, o presidente do Boca, Daniel Angelici, falou sobre a possibilidade de um retorno de Tevez e também sobre o esforço necessário para que Centurión siga no clube - o empréstimo termina em agosto, e os argentinos precisam comprá-lo do São Paulo.

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Tevez ou Centurión? Acredite, a pergunta está na cabeça dos torcedores do Boca na Argentina
Tevez ou Centurión? Acredite, a pergunta está na cabeça dos torcedores do Boca na Argentina

"Quando chegar o momento, falaremos com o São Paulo. O valor que pedem é excessivo para o futebol local, com impostos são quase 9 milhões de dólares (R$ 28 milhões na cotação atual). Pela idade e possibilidade de revenda, nos parece muito. Mas falaremos de um (novo) empréstimo ou veremos se querem algum jogador como parte do pagamento. Eles têm um jogador nosso (Andrés Chávez)."

O alto valor de Centurión e a eventual possibilidade de pagamento da cláusula de rescisão de Tevez na China fez com que veículos argentinos fizessem enquetes aos torcedores sobre qual negócio seria mais vantajoso. A resposta? Comprar o ex-São Paulo, claro, para 77% dos 58.361 votantes.

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Em enquete do 'Olé', torcida do Boca prefere pagar por Centurión do que por Tevez
Em enquete do 'Olé', torcida do Boca prefere pagar por Centurión do que por Tevez

Lesionado, Centurión está sem jogar desde 9 de abril, mas se recupera rápido e já voltou aos treinos. O Boca prepara "seu jogador mais desequilibrante", como define o Olé, para o Superclássico contra o River Plate, no próximo dia 13. O time lidera o Argentino a oito jogos do final.