Messi, Neymar ou CR7: os números dizem quem é o melhor - parte 2

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Messi, Neymar ou CR7: os números dizem quem é o melhor
Messi, Neymar ou CR7: os números dizem quem é o melhor

2 - participação no jogo

O foco agora da comparação entre Messi, CR7 e Neymar se desloca das qualidades individuais para as virtudes coletivas: participação nas jogadas dos times, criação de chances para outros, ajuda na defesa, etc.

O primeiro ponto a ser analisado aqui é a quantidade de toques dados por jogo. A ideia aqui é tentar capturar o quanto cada jogador participa do jogo, qual sua importância no volume de sua equipe.

Como era esperado para quem conhece o jogo do Barcelona, não é surpresa observar diversos de seus jogadores dominando o topo desta estatística - a posse de bola do time catalão ao longo das últimas 4 temporadas foi, em média, de 67,4%. Temos, assim, que Neymar e Messi participam muito mais do jogo que Cristiano Ronaldo (como referência, a posse de bola média do Real Madrid no mesmo período foi de 57,4%), e muito próximos entre si. Colocamos aqui na comparação Jordi Alba, que, juntamente com Iniesta, é o jogador que mais toca na bola no Campeonato Espanhol.

Dado o estilo de jogo característico do Barça, é preciso fazer alguma correção deste número para não desnivelar a comparação em detrimento de Cristiano Ronaldo. A solução adotada foi calcular a porcentagem dos toques de cada jogador em relação ao total de seu time, considerando o tempo que estiveram em campo.

Mesmo sob este prisma, podemos observar que os dois jogadores do Barcelona são mais "ativos" em campo que Cristiano Ronaldo em relação ao volume de jogo de seus times. Calculando os percentis para cada jogador no período, temos Messi no 52%, Neymar no 49% e Cristiano Ronaldo apenas no 15º percentil (o que significa que 85% dos jogadores no período tocam mais na bola que Cristiano Ronaldo - talvez um desperdício de suas habilidades). Nesta categoria destacamos Koke, do Atlético de Madrid, responsável ano após ano por cerca de 12% dos toques na bola de seu time.

Passamos em seguida para a análise de uma variável muito parecida com toques - passes. Como os números por jogo e participação nos passes do time são muito parecidos com a estatística anterior, destacamos aqui a acurácia desses passes, ou seja, % de passes corretos.

Nesta categoria observamos números muito semelhantes dos três, com leve vantagem para o argentino. Apesar de sua qualidade, nenhum dos três se destaca considerando todos os jogadores do campeonato - Messi está no 78º percentil, enquanto Neymar e Cristiano Ronaldo se encontram nos percentis 66º e 65º, respectivamente. O destaque aqui foi Busquets, um dos passadores mais precisos da Liga.

Analisando os números da Opta, deparamo-nos com uma estatística interessantíssima: % de segundo passes corretos. Esta medida nos dá qual a porcentagem de acerto dos passes seguintes aos passes de cada jogador. Podemos pensar na seguinte situação: se um jogador sempre passa uma bola dividida, espera-se que os passes seguintes a estes sejam sempre menos precisos do que aqueles que vêm de um jogador que passa uma bola "limpa".

Dado que esta estatística depende da qualidade do jogador que recebe a 1ª bola, ajustamos a estatística da Opta pela qualidade geral de passe de cada time. Vamos, assim, aos números:

Neste quesito os três jogadores estão muito próximos, encontrando-se no ranking por volta do 45º percentil. De maneira pouco surpreendente, Busquets, Mascherano (retratado no gráfico) e Kovacic estão entre os melhores - ou seja, além de acertarem muitos passes, estes colocam os recebedores em posição tranquila para acertar os passes seguintes.

Cada passe, porém, não tem a mesma importância para o time. Um passe que gera uma assistência certamente vale mais que um passe para trás no meio de campo. Apresentamos a seguir a estatística de chances criadas por jogo. Esta estatística considera tanto as assistências (passes que resultam em gols) como passes-chave (que são passes que a Opta entende que deveriam ter gerado gols, mas cujo resultado acaba por fugir do controle de quem fez o passe).

Nesta estatística, Messi e Neymar aparecem praticamente empatados e à frente de Cristiano Ronaldo, com Neymar levando vantagem considerável no decorrer das duas últimas temporadas. O brasileiro e seu companheiro estão entre os maiores criadores de chances do Campeonato Espanhol (ambos estão no 99º percentil). Enquanto Cristiano Ronaldo fica mais para trás (86º percentil), seu companheiro de time, James Rodriguez, apresenta incríveis 3,2 chances por jogo no período que está em campo.

Tabém é necessário aqui levar em conta a característica de jogo do time. Dado que o Barcelona fica muito mais com a bola no pé, naturalmente seus jogadores terão mais oportunidades de criar chances de gols para seus companheiros. Apresentamos, assim, a participação de cada jogador na criação de chances de seu time.

Esta estatística mostra uma diferença ainda maior entre os dois jogadores do Barcelona e Cristiano Ronaldo. Enquanto Messi e Neymar se encontram no 92º e 91º percentil, respectivamente, o português se encontra apenas no 59º percentil. Note que James Rodriguez segue acima dos três.

Por fim, temos uma última estatística relacionada a chances: quantidade de chances criadas a cada passe. Já vimos que Cristiano Ronaldo pega muito menos na bola que seus concorrentes do Barcelona, mesmo com o ajuste de posse de bola do Barcelona. Mas será que cada um de seus passes gera mais valor?

Aqui temos um número muito mais equilibrado. Os três jogadores criam praticamente a mesma quantidade de chances por passe, e estão entre os melhores da Liga (todos próximos ao 90º percentil - o que nos diz que talvez Cristiano Ronaldo pudesse ser mais aproveitado como criador). Além disso, conseguimos perceber também a melhora de Neymar durante as duas últimas temporadas, ficando à frente dos outros dois. O jogador de comparação aqui é Benzema, que cria uma chance em 6% de seus passes.

A análise seguinte é em relação a dribles. Analisamos aqui tanto a quantidade de dribles por jogo, e o sucesso em seus dribles. Aqui Neymar e Messi são destaques absolutos. No período, Neymar tentou 9 dribles a cada jogo, e Messi 7,6 dribles. Cristiano Ronaldo ficou bem para trás, e suas tentativas foram diminuindo ano a ano.

Não só os dois jogadores do Barcelona tentam muito dribles, mas possuem grande sucesso - estão entre os três atacantes que mais ganham jogadas mano a mano (termo utilizado pela Opta para disputas que envolvem drible). Muniain, do Atlético de Bilbao, é o atacante que se intromete entre eles no topo.

Por fim, examinamos agora a contribuição defensiva dos três. Para tanto, somamos algumas estatísticas compiladas pela Opta (a saber, interceptações, rebatidas, e desarmes completos). Nenhum dos três (como esperado) contribui muito, em especial quando comparados com Griezmann, melhor atacante "defensor" da Liga.

Aqui vale também fazer uma ressalva em relação ao estilo de jogo praticado pelo time do francês. Apesar de ser um dos melhores times da liga, o Atlético de Madri de Diego Simeone não se incomoda em jogar sem a bola (tem apenas 50% de posse de bola média no período) e reagir a ações ofensivas do adversário.

Na próxima e última parte de nossa análise, faremos um balanço das capacidades individuais e coletivas e responderemos o que os números dizem sobre quem é melhor: Messi, Cristiano Ronaldo ou Neymar.