Com apoio da FIA, etapa de mundial de automobilismo virtual terá 4 brasileiros na disputa

Ricardo Caetano/ESPN.com.br
Divulgação/Esports WTCC
O circuito italiano de Monza será a primeira de 10 etapas do Esports WTCC.
O circuito italiano de Monza será a primeira de 10 etapas do Esports WTCC.

Está para começar a Esports WTCC, competição de simuladores de velocidade com versões fiéis de importantes circuitos mundiais, como Hungaroring, Nürburgring-Nordschleife, Spa-Francorchamps e Suzuka. O evento é apoiado pela Fédération Internationale de l'Automobile, a FIA, entidade que comanda o automobilismo em todo mundo.

O Esports WTCC é composto por 10 etapas, sendo 2 baterias de 20 minutos para cada pista, disputadas no simulador RaceRoom Racing Experience. Os melhores pilotos das etapas ao longo do Esports WTCC terão vaga para um evento presencial na Europa em dezembro, em simuladores da organização e com premiação em dinheiro.

A primeira etapa acontece no próximo dia 23 de abril, na versão virtual de Monza, icônica pista italiana. Para participar, basta que o piloto tenha o jogo instalado em sua máquina, disponível de graça no Steam e marque o tempo necessário para ficar entre os 24 mais rápidos na etapa classificatória. Lembrando que há participantes de todo mundo.

Primeira competição oficial da equipe brasileira, a Factory Assault Team classificou quatro competidores para a disputa: o argentino Juan Manuel Gomez, 18 anos, de Buenos Aires, e os brasileiros Yuri Bascopé, 23 anos, de Curitiba, Leandro Werle, com apenas 15 anos, de Florianópolis e Raphael Camelo, de 29 anos, de Olinda. Para garantir nosso bom desempenho, a equipe conta com um engenheiro, Jonathan Mello, que ajuda no acerto do carro junto com os pilotos.

O quarto brasileiro na disputa é Aelcio Junior, da equipe R2GT Motorsports.

Yuri Bascopé, apesar da grande experiência em simuladores, está pela primeira vez em um mundial. O piloto conversou com a ESPN eSports para falar sobre o evento e do atual cenário do automobilismo virtual brasileiro.

Começamos com uma questão que surge para todo jogador que deseja participar do automobilismo virtual, a estrutura: o que é necessário para competir? Qual a estrutura que a equipe conta? Volante, cadeira especial... Yuri: ‘nossos pilotos jogam com volantes e pedais. Usamos o Logitech G27, exceto o Juan Manuel, que pilota com um Logitech Driving Force GT'.

Yuri completa: ‘na verdade, é perfeitamente possível jogar sem o volante. Há jogadores em nosso país como Rafael Borgosman, que joga com um controle de Xbox 360 e é um excelente corredor. Não é impossível. O importante é como o piloto virtual se sente confortável. O próprio Rafael já disputou com volante e não repetiu seu desempenho no controle'.

Então o que muda com aquele que joga sem volante e pedais? Yuri: ‘Você perde parte do controle sobre o desgaste de alguns componentes, como pneus, e sobre a aceleração na saída de curvas. Com volante e pedais, você dosa a quantidade que o carro vire na direção desejada e a aceleração. Quem joga com controle acaba gastando mais equipamento durante a corrida.

Falando sobre a etapa em Monza, qual é o grau de recriação das pistas, já que são templos da velocidade e devem ser respeitados. O que você espera ao correr em Monza? Yuri responde sem titubear: ‘101%, é algo incrível. É uma pista que a gente cresce vendo na TV, na Fórmula 1 e em outras categorias. Grandes retas e nas curvas, você chega na velocidade máxima do carro e deve reduzir muito para não perder o ponto ideal. Será uma corrida difícil.

Sobre o automobilismo virtual brasileiro, perguntamos à Yuri se o piloto virtual daqui é respeitado no exterior tanto quanto os pilotos do automobilismo real. Yuri: ‘acho que não, pois nosso cenário é recente, com menos de 10 anos. Antes, era algo mais individual, cada um fazia seu tempo e compartilhava o resultado para comparação com os demais. Era assim no início dos anos 2000. Nosso pioneiro é Hugo Luis, que corre há muito tempo em competições de iRacing World Championship'.

Yuri fala sobre o desenvolvimento de nosso automobilismo: ‘quando a banda larga se popularizou no mundo, o automobilismo virtual se transformou, inclusive aqui. Porém, nossos pilotos ainda têm algumas dificuldades como a barreira da língua e o horário das corridas, que é diferente, pois corremos muito mais tarde graças ao fuso horário'.

Ele completa: ‘‘o ‘boom' é agora. Nosso cenário está sempre em desenvolvimento, sendo criada aos poucos. Deve rolar um torneio no meio do ano, um campeonato oficial, com patrocínio e premiações, algo oficializado, o embrião de algo maior'.

A primeira etapa, Monza, acontece no dia 23 de abril, com transmissão pelo canal no YouTube do WTCC. Confira os horários, todos de Brasília:

13:30 - Treino livre (duração de 90 minutos)
15:00 - Sessão classificatória (duração de 15 minutos)
15:15 - Bateria 1 (duração de 20 minutos, com o grid formado pelo resultado da sessão classificatória)
15:35 - Bateria 2 (duração de 20 minutos, com o grid formado pela inversão dos dez primeiros colocados da primeira bateria)