De infância dura a suicídio na cadeia: como candidato a ídolo da NFL se perdeu na vida

ESPN.com.br
Jared Wickerham/Getty Images
Aaron Hernandez no julgamento em agosto de 2013
Aaron Hernandez no julgamento em agosto de 2013

Nesta quarta-feira, Aaron Hernandez foi encontrado morto em sua cela numa prisão dos Estados Unidos. Destaque do New England Patriots de 2010 a 2012, ele tinha um contrato de sete anos que totalizava quase US$ 40 milhões. O atleta que foi condenado por assassinato, porém, já mostrava a personalidade explosiva há algum tempo.

Considerado um dos melhores em sua posição na liga, o camisa 81 estava na cadeia desde 2013, sentenciado a prisão perpétua por matar um jogador de futebol americano semiprofissional da região de Boston chamado Odin Lloyd.

A relação entre Lloyd e o ex-Tight End vem de Bristol, cidade de 60 mil habitantes do estado de Connecticut, nos Estados Unidos. Aaron nasceu e cresceu lá, sempre se destacando por sua habilidade esportiva.

Estava no sangue: seu pai, Dennis Hernández, era um herói esportivo local, apelidado de "O Rei". Ele mantinha o filho na rédea-curta, preocupado com as amizades de sua cria. Além do talento diferenciado para receber passes, também se destacava pela personalidade e a tendência às brigas.

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  • Rebeldia na infância

A rebeldia de Aaron, porém, ganhou novos ares quando seu pai morreu em 2006, após complicações de uma cirurgia de hérnia. O garoto, que saía com membros de pequenas gangues na região, não tinha no registro nenhum delito até então.

O luto, entretanto, mudou seus conceitos e ele desistiu de seguir o caminho do pai na Universidade de Connecticut. Aos 17 anos, terminou o Ensino Médio como um grande atleta e ganhou bolsa na Universidade da Florida, fugindo de suas raízes.

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Hernandez se afastou da infância, mas não dos problemas. Logo no primeiro ano de faculdade, se envolveu em uma briga de bar com amigos de Bristol que o visitavam no sul do país e não foi preso por ser menor de idade. Um ano depois, foi suspenso de uma partida após falhar sucessivamente nos testes de substâncias proibidas - era usuário de maconha.

A chance que o jovem de 1,88m precisava veio na forma de um técnico. Urban Meyer, treinador dos Gators, foi a figura paterna que faltava. O "coach" fez questão de olhar mais de perto para o garoto rebelde, o levou para casa e até o fez participar de aulas de estudo bíblico.

  • De volta à Nova Inglaterra

Mesmo assim, as equipes profissionais não apostavam tanto em Aaron. Apesar do talento indiscutível, os problemas extracampo o fizeram cair para a quarta rodada do Draft de 2010, quando os Patriots o escolheram.

Hernandez voltou à sua terra, afinal, a sede do New England ficava a menos de duas horas de carro de Bristol. Rapidamente virou uma estrela, com 175 recepções, 1.956 jardas e 18 touchdowns em três temporadas.

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Logo após seu recrutamento, o atleta de 111kg foi lembrado da dura realidade de sua cidade. Sua mãe havia casado novamente, mas foi esfaqueada por seu padrasto, que foi preso.

De volta à Nova Inglaterra, ele estreitou a relação com velhos amigos e prosseguiu seu namoro com uma menina que conheceu na escola: Shayanna Jenkins, com quem teve uma filha.

John Biever /Sports Illustrated/Getty
Aaron Hernandez em ação em janeiro de 2013
Aaron Hernandez em ação em janeiro de 2013

A irmã de Shayanna namorava um rapaz da região chamado Odin Lloyd. Ele e Aaron se conheceram e até saíam juntos. Os dois se envolveram em uma confusão num bar e a relação entre os concunhados nunca mais foi a mesma.

Dias depois, perto de sua mansão em Boston, o atleta de sucesso foi visto por câmeras de segurança junto de dois amigos de Bristol portando uma arma. Aaron Hernandez deu dois tiros no peito de Odin Lloyd e não escapou da justiça, indo para a cadeia em 2013.