'Idade é só um número': conheça a nadadora dona de 12 medalhas olímpicas, as últimas aos 41 anos

Antônio Strini, do ESPN.com.br
Getty
Dara Torres nos Jogos Olímpicos de Sydney em 2000: 12 medalhas em cinco edições
Dara Torres nos Jogos Olímpicos de Sydney em 2000: 12 medalhas em cinco edições

Dara Grace Torres completou 50 anos no último sábado, 15 de abril. O nome pode não soar familiar, mas tenha certeza: ela está na história do esporte.

A ex-nadadora competiu em cinco Olimpíadas (Los Angeles-1984, Seul-1988, Barcelona-1992, Sydney-2000 e Pequim-2008), sendo as duas últimas após aposentadorias.

Ela estreou em casa - nasceu em Beverly Hills, nas cercanias de LA - com apenas 17 anos e logo conquistou a primeira de suas 12 medalhas olímpicas, um ouro no revezamento 4x100m livre. Quatro anos depois, na Coreia do Sul, mais dois pódios - prata no 4x100m medley e bronze no 4x100m livre.

Em 1992, na capital catalã, novo ouro no revezamento mais rápido da natação. E então a primeira aposentadoria. Oito anos depois, lá estava Dara Torres de volta às piscinas para conquistar cinco pódios na Austrália: ouros nos revezamentos e bronzes nos 50m livre e 100m livre além do 100m borboleta.

Nova pausa na carreira.

Vieram o segundo casamento e o nascimento da filha, Tessa Grace, em 2006. Para que a filha pudesse vê-la em ação, Dara Torres - aos 40 anos - resolveu partir para uma terceira fase na natação, agora com o advento dos maiôs tecnológicos.

Getty
Da esq. à dir.: Dara Torres, Rebecca Soni, Natalie Coughlin e Christine Magnuson em 2008
Da esq. à dir.: Dara Torres, Rebecca Soni, Natalie Coughlin e Christine Magnuson em 2008

Com os melhores tempos da carreira, a norte-americana se garantiu em sua quinta Olimpíada, em Pequim, com 41 anos. E mais uma vez fez história: com três pratas (50m livre e revezamentos 4x100m livre e medley), tornou-se a mais velha nadadora do país a subir ao pódio olímpico e é uma das poucas atletas a ganhar medalhas em cinco edições de Jogos.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Dara Torres - hoje comentarista e autora de dois livros - relembra sua carreira, fala das medalhas mais marcantes e dá o exemplo para quem se acha velho demais para praticar esportes: "Idade é só um número" - não por acaso, esse é o título de um de seus livros.

Leia abaixo a conversa, por e-mail, com Dara Torres:

ESPN.com.br - Você é uma das lendas norte-americanas nos Jogos Olímpicos. Agora que você fez 50 anos, o que pode dizer sobre sua carreira?
Dara Torres - Não é tanto das medalhas que tenho mais orgulho, é mais quanto ao que levou para chegar lá e a jornada que eu tive para continuar. Ganhar medalhas é uma ótima sensação, mas olhando para trás, eu provavelmente fico mais orgulhosa da longevidade.

Quais são suas primeiras memórias de sua primeira Olimpíada, em casa, em 1984?
Eu me lembro ser essa criança hiperativa subindo pelas paredes e estar admirando todos os outros. Eu quase me esqueci que estava competindo também! Mas eu creio que foi ótimo ter minha primeira Olimpíada em minha cidade-natal e ter meus amigos e família lá assistindo.

Getty
Da esq. à dir.: Jenna Johnson, Carrie Steinseifer, Dara Torres e Nancy Hogshead em 1984
Da esq. à dir.: Jenna Johnson, Carrie Steinseifer, Dara Torres e Nancy Hogshead em 1984

Você tem uma medalha olímpica preferida ou uma medalha mais sentimental?
As três medalhas de prata que ganhei em Pequim em 2008, provavelmente, significam mais para mim, porque eu fui capaz de mostrar à minha filha e ao mundo que idade é só um número.

Abaixo, Dara Torres e a filha, Tessa, hoje com 11 anos

Por que você se aposentou pela primeira vez em 1992 e poeque você voltou a competir?
Minha primeira aposentadoria veio após a universidade por uns dois anos. Eu me aposentei após meu último ano na Universidade da Flórida e fui trabalhar em Nova York. mas quando eu era recém-aposentada senti falta e pensei que seria legal ter 25 e ser a mais velha na equipe. 

Aos 40 anos de idade, você decidiu competir novamente e com os melhores tempos de sua vida. Como foi a experiência em 2008 e, de novo, por que você voltou a competir?
Essa volta foi muito diferente, porque eu pude ver a Olimpíada através dos olhos de uma mulher de 41 anos, não uma adolescente, e fui capaz de apreciá-la muito mais.

Etiene Medeiros lembra competição em que a yoga fez a diferença no desempenho final

Existe um debate enorme nos Estados Unidos sobre atletas mulheres ganharem menos dinheiro do que atletas homens apesar do maior sucesso em áreas iguais. Aconteceu o mesmo durante sua carreira? Qual sua opinião sobre isso?
Minha opinião é de que se mulheres estão no mesmo esporte que os homens, elas devem ser pagas de maneira igual. Não existe muito dinheiro na natação, então pagamento igual não era realmente um problema em meu caso, mas eu sou definitivamente uma defensora para pagamento igual para homens e mulheres nos esportes.

Para você, as medalhas olímpicas individuais são mais especiais do que as medalhas em revezamentos?
Para mim, as medalhas por equipes são as mais especiais. Você passa todo o ano competindo contra todo mundo para formar a equipe durante os qualificatórios e seletivas, mas você constrói uma ligação especial quando vocês têm que ficar e competir juntas como um time por seu país.

Você sabia? A nadadora Katie Ledecky está invicta há 5 anos em competições internacionais

Você tem algum arrependimento em sua carreira?
Eu não tenho qualquer arrependimento em minha carreira. Se eu tivesse ganho uma medalha de ouro quando eu comecei em 1984, de maneira alguma eu ainda teria nadado até os 40 anos. Eu cometei alguns erros em minha carreira, mas acho que você aprende com seus erros, e isso é uma coisa boa.