Paranaenses em alta, cariocas e San-São na 'lanterna': o peso do sócio-torcedor nos estádios

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Coritiba foi clube que mais atraiu seus sócios-torcedores ao estádio em 2016
Coritiba foi clube que mais atraiu seus sócios-torcedores ao estádio em 2016

O Coritiba é apenas o 14º clube do Brasil em número de sócios-torcedores, segundo o "Movimento por um Futebol Melhor". Ainda assim, nenhuma outra equipe do país levou mais associados ao estádio do que o time alviverde. O levantamento é do "Itaú BBA", o banco de investimentos do grupo Itaú.

Na prévia de seu estudo anual sobre as finanças dos clubes brasileiros, o Itaú BBA apresenta a participação dos sócios-torcedores na bilheteria de cada equipe, tanto em presença no estádio, quanto renda. No Coritiba, por exemplo, 80% do público presente em 2016 veio de sócios-torcedores.

Apenas outras quatro equipes tiveram mais de 70% de seus públicos provenientes de programas de sócios. O Corinthians aparece logo atrás do time paranaense, com 79% da presença que registrou no estádio em 2016 vindo dos associados. Em seguida, vêm Cruzeiro (76%) e Internacional (75%).

Outro clube do Paraná também se destacou no quesito. Do público do Atlético-PR que compareceu ao estádio na última temporada, 72% eram sócios-torcedores e apenas 28%, "avulsos".

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'Itaú BBA' fez levantamento da presença de sócios-torcedores no estádio
Levantamento mostra, por clube, presença de sócios-torcedores no estádio em relação a 'avulsos'

Cariocas e San-São na "lanterna" - No extremo oposto, entre os clubes que menos atraíram associados a seus jogos, o Botafogo foi o que teve pior desempenho. Embora seja 12º no ranking do "Movimento por um Futebol Melhor", acima do Coritiba, apenas 8% de seu público foi fruto do programa.

Contribuiu para a presença tão baixa o fato de a equipe alvinegra não ter tido um estádio fixo para atuar em 2016, com a indisponibilidade do Engenhão - a Arena da Ilha só foi adotada na reta final do ano.

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Problema semelhante teve o Fluminense, que registrou o segundo pior desempenho no quesito, depois de não ter tido o Maracanã - e passado a jogar no Giulite Coutinho também nos últimos meses de 2016. Do público que compareceu aos jogos da equipe tricolor, 85% eram "avulsos" e 15%, associados.

A falta de estádio dos cariocas, contudo, não é a única explicação para baixa presença de sócios-torcedores: entre as quatro taxas mais baixas, também aparecem os paulistas Santos e São Paulo.

Terceiro clube brasileiro no ranking de associados, o São Paulo viu apenas 16% de seu público ser fruto do programa, segundo o Itaú BBA, que aponta "o tamanho do estádio do Morumbi, que não traz incentivo" como fator que influencia em presença tão baixa de sócios-torcedores tricolores.

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Já no caso do Santos, o Itaú BBA não vê "explicação aparente" no estudo, mas o fato é que apenas 21% do público que o vice-campeão brasileiro levou ao estádio em 2016 era sócio, contra 79% "avulsos".

A renda que vem dos programas - A análise do Itaú BBA também compara as receitas que os programas de cada clube geram na bilheteria dos jogos. Nesse quesito, o Coritiba cai no ranking, tendo 48% do total de seus ganhos vindo de sócios, e 52% provenientes de avulsos.

Já o Corinthians é o clube que tem maior influência dos associados nas receitas de bilheteria: 68% do total é de torcedores do programa, e 32% de avulsos. No Cruzeiro, o dinheiro que vem de associados também é maior que 60% - 61% x 39%. As duas equipes são as únicas com tal proporção.

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Gráfico mostra peso da presença de sócios-torcedores na renda de bilheteria dos clubes
Gráfico mostra peso da presença de sócios-torcedores na renda de bilheteria dos clubes

Entre os piores resultados, mais uma vez, aparecem Botafogo e Fluminense, respectivamente, com 3% e 7% de suas rendas de bilheterias em 2016 vindo de torcedores que participam do programa de sócios.