Autoridades paralímpicas pedem competições na América do Norte

Agência EFE
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José Luis Campo (esq.),presidente do Comitê Paralímpico das Américas, e Philip Craven (dir.), presidente do Comitê Paralímpico Internacional
José Luis Campo (esq.),presidente do Comitê Paralímpico das Américas, e Philip Craven (dir.), presidente do Comitê Paralímpico Internacional

As autoridades paralímpicas do continente americano pediram nesta segunda-feira para que os países do Hemisfério Norte sediem competições como os Jogos Parapan-Americanos de Jovens, cuja quarta edição começou nesta segunda-feira em São Paulo.

O presidente do Comitê Paralímpico das Américas (APC), José Luis Campo, disse em entrevista coletiva no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, sede do evento, que México, Estados Unidos e Canadá podem organizar este tipo de competição para incentivar países vizinhos da América Central e do Caribe.

"Esperamos que os próximos Jogos Parapan-Americanos de Jovens não sejam na América do Sul", disse à Agência Efe o dirigente argentino.

Os primeiros Jogos Parapan-Americanos de Jovens foram disputados em 2005 na cidade venezuelana de Barquisimeto com apenas nove países. O número aumentou para a segunda edição, sediada por Bogotá, em 2009, e cresceu ainda mais em Buenos Aires, em 2013, "onde se estabeleceram grandes recordes e marcas", analisou Campo.

A expectativa do dirigente é que os demais países "do hemisfério norte" possam estimular o desenvolvimento esportivo de olho no ciclo paralímpico.

Quase todos os paraletas da América Central foram para os Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, a convite. Quatro anos depois, no Rio de Janeiro, a maioria não necessitou dessa carta e conseguiu a classificação como fruto de um ciclo que começou nos Parapan-Americanos de Jovens.

"Muitos centro-americanos estiveram no Rio, inclusive ganhando medalhas", disse Campo, quem citou como exemplo do atual ciclo paralímpico El Salvador, que participa do evento em São Paulo de maneira inédita em várias modalidades com jovens que se preparam para estar nos Parapan-Americanos de Lima, em 2019.

Além de motivar os países da América Central e do Caribe, a realização de competições para jovens paratletas em algum país da América do Norte também pode ser um incentivo para que o APC se equipare à Odepa (Organização Esportiva Pan-Americana) em número de integrantes.

"Na América do Sul, faltam Bolívia e Paraguai, na América Central falta Belize e o resto são ilhas do Caribe", declarou.

A quarta edição dos Jogos Parapan-Americanos de Jovens serão disputados em São Paulo até o próximo sábado com a participação de mais de 800 paratletas de 19 países, com idades entre 13 e 21 anos.

As 12 modalidades são: atletismo, bocha, futebol de 5, futebol de 7, goalball, judô, halterofilismo, vôlei sentado, natação, tênis de mesa, basquete em cadeira de rodas e tênis em cadeira de rodas.

O presidente do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), Philip Craven, destacou o "número recorde" de participantes do principal evento juvenil do continente para paratletas e elogiou o "progresso" feito pelo Brasil.

O Rio de Janeiro foi sede dos Parapan-Americanos de 2007 e dos Paralímpicos de 2016. Parte do legado foi o centro de alto rendimento paralímpico em São Paulo, do qual "muitas gerações de toda a América se beneficiarão".

O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Andrew Parsons, disse que o Brasil se transformou em referência para outros países da região, "não só pelo aspecto técnico", mas "do ponto de vista de estratégia e de planejamento administrativo".

Um exemplo disso foi o acordo de cooperação do Brasil com Chile, Peru e Equador para "transferência de conhecimento e auxílio para o desenvolvimento do esporte adaptado nos quatro países".