Há 15 anos Alex marcava golaço com chapéu em Rogério Ceni e entrava para a história

João Gabriel, do ESPN.com.br
Há 15 anos, Alex chapelava Ceni e marcava o gol mais bonito de sua carreira; relembre

Foi no dia 20 de Março de 2002, pelo extinto torneio Rio-São Paulo.

O São Paulo vinha embalado, sete vitórias seguidas. Rogério Ceni no gol, Kaká revelação, França goleador no ataque e 49,842 torcedores nas arquibancadas do Morumbi. O Palmeiras jogava com desconfiança, Vanderlei Luxemburgo era o técnico e Alex, a esperança do torcedor.

Aos seis minutos, anunciando sua presença, o camisa 10 bate falta que passa perto do ângulo de Ceni. Quatro minutos depois o craque dribla a zaga e assiste Magrão.

Aos 27, quando o placar já mostrava 2 a 0 para os visitantes, Alex recebe a bola, de puxeta aplica chapéu em Émerson, a bola então quica, chapéu no Rogério, sem deixar cair, voleio, estufa as redes, bate no peito, comemora, golaço!

Alex analisa golaço contra o São Paulo, em 2002

Kaká até acertou a trave, fez gol, Ceni quase diminuiu de falta, mas nada foi capaz de vencer o inspirado meia palmeirense, que ainda causaria a expulsão de Wilson e sofreria o penal do quarto gol alviverde.

O espetacular tento ficou marcado como o mais bonito da carreira de Alex e ganhou elogios de todos. O camisa 8 tricolor, a época, disse que foi "o gol mais bonito que vi o São Paulo tomar."

Marcos, goleiro, que até então achava o tento de Marcelinho Carioca, na Vila Belmiro, o mais bonito que já vira, se rendeu: "Agora ficou em segundo lugar porque o do Alex, com certeza, vai ser o primeiro."

Até a vítima - que já no intervalo do jogo fez questão de parabenizar o meia - posteriormente reconheceu: "Foi o gol mais bonito que eu sofri", disse Ceni no Resenha da ESPN.

Gottardo e Alex apontam brasileiros que podem crescer na Libertadores

No mesmo programa, Alex foi obrigado a explicar o lance.

"Ali é o seguinte: normalmente você espera a bola à frente, mas o Christian me deu a bola atrás. Quando ele me dá a bola atrás, eu visualizo a zaga do São Paulo tentando diminuir o meu espaço, acho que é o Émerson o zagueiro. Quando a bola vem pra trás, eu dou o que chamam de ‘taco', dou com o lado do pé, chapéu no Émerson e percebo que eu estou dentro da área: ninguém vai me tocar ali. O Rogério, da maneira dele, fecha o ângulo. Eu tinha algumas opções e escolhi dar o chapéu; quando ele para, eu dou o segundo chapéu e entro com a bola."

"O Alex falando parece fácil", brincou Djalminha após a quase científica explicação da magistral jogada.

Zetti analisa Vladimir e Prass e diz que jogo foi 'clássico dos goleiros'

Às vésperas da convocação para a Copa do Mundo daquele mesmo ano, a genial atuação do meia foi seu último suspiro na esperança de ser chamado por Felipão.

Não foi.

Nem o outdoor feito pela torcida convenceu o treinador da seleção brasileira que, menos de 24 horas após a partida, anunciou Gilberto Silva, Kléberson, Ronaldinho Gaúcho, Ricardinho, Denílson, Vampeta, Juninho Paulista e Kaká como os meio campistas brasileiros.

Alex, Djalminha e M. Assunção lembram lavada que levaram para o Chile, em 2000, pelas Eliminatórias

Alex não foi pentacampeão mundial com a seleção, foi transferido para o Parma, da Itália e viu o Palmeiras ser rebaixado no Campeonato Brasileiro.

Poderia muito bem ser um ano para o camisa 10 apagar da memória.

Entretanto, 2002 foi ano que Alex - do Palmeiras, do Cruzeiro, do Coritiba e do Fenerbahçe -, com um genial gol, escreveu seu nome na história do futebol.