Big Gods comenta diferenças entre o cenário brasileiro e norte-americano de 'League of Legends'

Rodrigo Guerra e Daniela Rigon / ESPN.com.br
Big Gods
A Big Gods Jackals garantiu vaga nas semifinais do Desafiante norte-americano
A Big Gods, que joga com o nome Jackals nos EUA, está garantida na próxima Challenger Series

A jornada da Big Gods no cenário norte-americano chegou ao fim nessa temporada. Eliminada nas semifinais da Challenger Series NA de League of Legends, a equipe não avançou na luta pela vaga na LCS, mas garantiu sua continuação na próxima temporada da liga de entrada. Porém, mesmo desclassificada, a organização considera positiva sua estreia no exterior.

"A jornada da Big Gods Jackals foi incrível", afirmou Danilo Salgueiro, CEO da organização, para a ESPN. "Temos a oportunidade de trabalhar com aquilo que amamos na região mais desenvolvida em termos de eSports, com atletas incríveis e vivendo provavelmente o maior boom de uma indústria".

Segundo o CEO, a decisão de levar a equipe para o exterior também foi proveitosa do ponto de vista de negócios. "As possibilidades e oportunidades nesta região são mais consolidadas e há mais abertura para times profissionais de eSports", explicou Danilo, que também comentou sobre a diferença de cenário entre as regiões. "A estrutura do Challenger Series norte-americana é compatível com o CBLoL", opinou.

Já para Gustavo "Baiano" Gomes, suporte e único jogador brasileiro da equipe, a Challenger Series norte-americana é muito mais disputada que o CBLoL. "Aqui nós temos praticamente todos os times com chances reais de vencer a Challenger Series e subir, mas isso não quer dizer melhor [do que o CBLoL]", explicou.

"Acredito que um dos times Top 3 [do CBLoL] teria totais chances de ganhar a Challenger Series, mas não tenho certeza sobre subir para a LCS, já que aqui o dinheiro muda muito as coisas e pode dificultá-las. Por exemplo, a Liquid que estava em uma das últimas posições na LCS, contratou em uma semana o Doublelift e o Adrian", continuou o suporte.

Vale lembrar que o sistema de classificação do Desafiante para a liga principal também é diferente entre as regiões. Enquanto no Brasil o campeão do Desafiante é automaticamente classificado para a próxima etapa do CBLoL, nos EUA os dois primeiros times do Challenger disputam a Série de Promoção com os dois últimos lugares da LCS NA. 

Big Gods / ESPN
O brasileiro Baiano está jogando no Desafiante da LCS NA pela Big Gods Jackals
O suporte Baiano é o único jogador brasileiro da equipe da Big Gods Jackals

Para o jogador, a principal diferença de disputar um campeonato nos EUA e no Brasil é a estrutura. "A estrutura aqui é surreal", revelou. "O estúdio da Riot NA é absurdo. Você se sente andando nos bastidores de um estádio de Copa do Mundo, não pelo tamanho, mas pela organização e pelo fato de que tudo funciona perfeitamente".

Perguntamos a Baiano se é verdade que jogadores norte-americanos do nível Mestre ou Challenger costumam levar a famosa SoloQ mais a sério. Segundo o suporte, a grande diferença é que existem muitas "divisões" profissionais nos EUA.

"Além do Challenger a região conta com um Challenger Series com uma estrutura melhor e que atrai mais investimentos, e há também a Liga Universitária que movimenta bastante dinheiro e talentos, então a maioria dos jogadores do nível Mestre e Challenger estão em algum time profissional e tentam o seu melhor, jogando dentro do meta etc.", explicou. "Enquanto no Brasil a grande maioria é só jogador de SoloQ e uns 40% são "monochampions"".

Elogiado por Doublelift, Baiano também opinou sobre a visão que os estrangeiros possuem do Brasil no competitivo de League of Legends. Segundo o suporte, foi legal ter sido elogiado, mas que ainda "estamos longe de conquistar o respeito". "O cenário norte-americano como um todo tem uma visão muito negativa do Brasil. Espero logo poder mostrar um jogo ainda melhor e ajudar o País a conquistar o espaço que merece no LoL", afirmou.

Riot Games
Jukaah será o técnico - e único brasileiro - da equipe da Big Gods no competitivo internacional
Jukaah será o técnico - e único brasileiro - da equipe da Big Gods no competitivo internacional

Sendo um técnico na gringa

Além de Baiano, a Big Gods possui mais um brasileiro em sua comissão, o técnico Ednilson "Jukaah" Vargas. Com passagem por equipes como paiN Gaming, KaBuM e Keyd Stars, Jukaah contou um pouco sobre a experiência de ser um técnico no exterior.

Para ele, a principal diferença entre o cenário brasileiro e o norte-americano é a estrutura geral dos times e a do campeonato em si. "Aqui nos EUA o cenário é bem mais evoluído se compararmos com o Brasil", revelou. Já a rotina de treinos entre as regiões, segundo Jukaah, é bem semelhante - inclusive na hora de conseguir scrims (treinos) com times de ponta. "Para conseguir bons treinos, assim como no Brasil, é preciso mostrar resultados positivos primeiro", afirmou.

Jukaah também revelou que aprendeu muito nesse primeiro split. "Entrar nesse novo cenário com a cabeça aberta para aprender novos métodos de coaching foi a maior lição", contou. "Tive muitas conversas com técnicos de grandes times e mudei muito minha forma de ver meu trabalho aqui.

Aprendendo com os erros para um futuro melhor

Comentando sobre o desempenho da Big Gods em sua estreia no exterior, Jukaah afirmou que o principal fator para a equipe não ter conseguido mais vitórias foi o momento de estruturação. "No início, todos nós estávamos em um momento de estruturação, tanto de gaming house, quanto de métodos de trabalho, e tudo foi arrumado e se encaixando mais para o meio da temporada", explicou. "Agora, para o segundo split, não teremos esses contratempos".

Riot Games
Equipe da Big Gods, que joga pelo nome de Big Gods Jackals na Challenger Series NA
Equipe da Big Gods, que joga pelo nome de Big Gods Jackals na Challenger Series NA

Por sua vez, Baiano reiterou que teve problemas iniciais de comunicação com o restante da equipe por conta da diferença linguística, mas garantiu que já não tem mais essa dificuldade dentro do jogo. "(...) Ainda estou aprendendo. No dia a dia ainda tenho algumas dificuldades, mas nada que comprometa o desempenho do time", afirmou.

Para o suporte, a equipe conseguiu encontrar todos os erros cometidos durante o split e está trabalhando neles para a próxima temporada. "Daremos o nosso melhor para isso. Como teremos mais tempo para nos preparar, agora teremos mais chances", garantiu.

Danilo ecoou os comentários de Jukaah e Baiano. "Já estamos muito focados para que no próximo split façamos uma campanha melhor. Em nossa análise, nosso maior problema não foi o jogo das playoffs, e sim os dois jogos que deveríamos ter vencido na fase regular", explicou. Por fim, o CEO garantiu que JukaahBaiano continuarão na equipe.

A segunda etapa da Challenger Series NA, o Desafiante norte-americano, ainda não tem data certa para começar.