R$ 27 bilhões, futuras estrelas da NBA e diversão: por que o 'March Madness' é imperdível

Jim Caple, ESPN.com

Os atletas universitários são muito maiores e mais celebrados nos Estados Unidos do que na maioria dos países. Quando as nossas escolas jogam, nós usamos as cores do time, cantamos músicas de disputa e torcemos fervorosamente por eles. E nós também torcemos muito contra os rivais, como os torcedores de futebol do Liverpool e Manchester United ou fãs de críquete da Austrália e Índia fazem entre si.

Os torneios de basquete NCAA com duração de três semanas são tão populares nos Estados Unidos que o período é conhecido como "March Madness" ("A Loucura de Março"). Porém, se o seu time ou posições de escolha não foram selecionados, isso pode causar um "March Sadness" ("A Tristeza de Março").

Mesmo que você não seja dos Estados Unidos ou não tenha lealdade a nenhuma das 68 universidades que mereceram estar no torneio, ainda é um evento que vale a pena acompanhar. Eis a razão.

Você pode jogar junto

 

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Época de preencher os 'brackets': March Madness
Época de preencher os 'brackets': March Madness

Por mais empolgantes que os jogos possam ser, você não precisa assistir muitos -- ou talvez nenhum -- para submergir na experiência do torneio NCAA. Milhões de fãs acompanham a ação ao simplesmente manterem os olhos grudados em suas próprias escolhas nas posições que eles ocupam. Essas posições são tão proeminentes que Barack Obama, um grande fã de basquete cujo cunhado era o treinador principal em Oregon State, completou um "bracket", dando seus palpites no chaveamento, para a ESPN a cada ano de presidência.

Funciona da seguinte forma. Antes da primeira rodada do torneio começar na quinta, os fãs escolhem os vencedores de cada uma das principais apostas dos 63 jogos (não se preocupe sobre os quatro jogos conhecidos como "First Four") até a final e comparam como eles se saíram no bolão de amigos e/ou colegas de trabalho. Todos no bolão pagam uma taxa de entrada (US$ 10 ou US$ 20 por aposta é uma quantia comum nos Estados Unidos) e os três primeiros ou os quatro melhores jogadores ganham partes predeterminadas da bolada. Quanto mais pessoas no bolão, mais dinheiro as pessoas ganham.

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Há muitos sites e apps que podem ser usados para preencher as apostas e organizar bolões, incluindo o ESPN Tournament Challenge. Você não conhece ninguém que esteja começando um bolão ou não quer dividir o dinheiro? Você pode preencher quantas apostas desejar por diversão, de graça. Estima-se que 40 milhões de pessoas preenchem mais de 90 milhões de apostas todo ano, com um valor aproximado de US$ 9 bilhões (R$ 27 bilhões).

Mas não se empolgue com a quantia de dinheiro apostada. Fazer uma escolha precisa não é fácil. Atualmente, Obama previu o campeão do torneio somente uma vez em oito anos na presidência, em 2009.

Desapontamentos iguais à excitação

 

Você achou o máximo quando o Leicester City superou as apostas da pré-temporada com 5.000 a 1 na Premier League na última temporada para vencer o seu primeiro campeonato em 132 anos? Bem, prepare-se para o "March Madness".

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Há muitas coisas boas sobre o torneio, mas também há muitas surpresas. O torneio é organizado com quatro regiões, 16 times em cada região com 1-16 cabeças-de-chave baseados nos seus desempenhos na temporada regular. Os quatro times que avançam em cada região se enfrentam no Final Four -- um dos maiores eventos do calendário esportivo dos Estados Unidos no ano. Enquanto o cabeça-de-chave nº 1 nunca perdeu para um cabeça-de-chave nº 16 na primeira rodada, o cabeça-de-chave nº 15 derrotou um cabeça-de-chave nº 2 oito vezes, incluindo quando dois times cabeça-de-chave nº 15 (Norfolk State e Lehigh) chocaram seus oponentes (Missouri e Duke) no mesmo dia, em 2012.

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Villanova e a campanha histórica de 1985
Villanova e a campanha histórica de 1985

Os cabeças-de-chave nº 12 são boas apostas para desapontamentos precoces sobre os cabeças-de-chave nº 5, tendo vencido 17 dos 36 jogos da primeira rodada desde 2008. Enquanto nenhum dos times chegou no Final Four, três times cabeça-de-chave nº 11 conseguiram isso. O time cabeça-de-chave com menos pontos a vencer o campeonato foi o nº 8 Villanova, o que frustrou o esquadrão de Patrick Ewing de Georgetown no jogo do título, em 1985. Então, talvez o nº 11 Xavier ou nº 8 Northwestern, que se qualificou para o torneio pela primeira vez, estará no papel de Leicester City este ano.

Basquete NCAA como um jogo internacional

 

Outra razão pela qual as pessoas do mundo inteiro devem acompanhar o "March Madness"? Os atletas do mundo inteiro jogam nele. Há 128 jogadores estrangeiros de 49 países no torneio deste ano, de acordo com dados da ESPN.

Isso dá uma outra aposta interessante. Quem venceria se o torneio fosse dividido por país ou país de origem ao invés de faculdade? Fora dos Estados Unidos, o país com mais nativos no torneio é o Canadá, com 26, seguido pela Austrália, com 21, e a Nigéria, com nove. Cinco países com três jogadores cada -- Bahamas, Nova Zelândia, França, Inglaterra e Senegal -- precisariam esperar por um playoff para uma vaga final no Global Final Four.

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Austrália tem sido um jogador importante

 

O torneio de basquete NCAA ganhou notoriedade na Austrália em 1989, quando o nativo Andrew Gaze ajudou o Seton Hall a chegar no Final Four. Gaze seguiu carreira jogando na NBA, na Europa e em cinco Olimpíadas, além de duas décadas na Liga de basquete nacional da Austrália.

Muitos australianos seguiram o caminho de sucesso de Gaze no basquete universitário nos Estados Unidos, incluindo o pivô Andrew Bogut, que foi o jogador universitário nacional do ano com Utah em 2005, antes de se tornar a escolha nº 1 do Draft da NBA naquele ano. Havia mais de 60 jogadores australianos no maior nível de basquete universitário dos Estados Unidos -- Divisão I -- somente nessa temporada.

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Heck, do St. Mary's College na Califórnia, teve ao menos um australiano em seu time em todas as temporadas desde 2001, incluindo sete -- sim, sete! -- nesta temporada.

Vários dos melhores times têm sabores internacionais

 

Com 32-1, Gonzaga tem o melhor recorde no país. Os Bulldogs, o cabeça-de-chave nº 1 na região oeste, estão jogando o seu 19º torneio NCAA consecutivo, mas nunca chegaram no Final Four. Mas Gonzaga tem uma forte influência internacional este ano, com cinco jogadores de países diferente dos Estados Unidos -- o pivô Przemek Karnowski da Polônia, o ala-pivô Killian Tillie da França, o pivô Jacob Larsen da Dinamarca, ala-pivô Rui Hachimura do Japão e o armador Dustin Triano do Canadá.

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Pzmek Karnowski, destaque de Gonzaga
Pzmek Karnowski, destaque de Gonzaga

Louisville - uma escola com três campeonatos nacionais, com o mais recente em 2013 -- é o cabeça-de-chave nº 2 e possui quatro jogadores internacionais: Deng Adel e Mangok Mathiang da Austrália, Anas Mahmoud do Egito e Matz Stockman da Noruega.

New Mexico State bate St. Mary's com sete jogadores internacionais de importantes torneios, enquanto três times além de Gonzaga têm cinco -- Carolina do Sul, Florida State e Oregon.

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Veja uma pequena amostra das futuras estrelas mundiais

 

Espera-se que quatro jogadores internacionais no torneio sejam selecionados no Draft da NBA este verão. Lauri Markkanen, o ala-pivô novato do Arizona de 2,13 metros de altura da Finlândia, é considerado o melhor do grupo. O armador de Kansas, Sviatoslav Mykhailiuk da Ucrânia, e os alas-pivôs de Oregon, Chris Boucher e Dillon Brooks do Canadá, também são considerados como possibilidade legítima da NBA.

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Markkanen, um dos destaques da universidade do Arizona
Markkanen, um dos destaques da universidade do Arizona

E não se esqueça que muitos dos jogadores americanos no torneio seguirão jogando na Europa, América Latina e China, como o caso do jogador do ano de 2011 pelo NCAA Jimmer Fredette, que jogou pelo Shanghai Sharks.

Reminiscência sobre as estrelas mundiais passadas

 

Muitos jogadores estrangeiros competiram no torneio NCAA antes de terem uma carreira de sucesso na NBA, incluindo Rony Seikaly de Syracuse (nascido no Líbano e criado na Grécia), Dikembe Mutombo de Georgetown (República do Congo), Detlef Schrempf de Washington (Alemanha), Gorgui Dieng de Louisville (Senegal), Hasheem Thabeet de Connecticut (Tanzânia), Steve Nash de Santa Clara (Canadá) e Patrick Ewing de Georgetown (da Jamaica).

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Hakeem Olajuwon, nos tempos de universidade
Hakeem Olajuwon, nos tempos de universidade

Mas o jogador internacional que pode ter causado o maior impacto é Hakeem Olajuwon, que cresceu jogando futebol na Nigéria. Ele não jogou basquete até os 17 anos, e ainda assim ele ajudou a Universidade de Houston a chegar em três Final Four consecutivos antes de seguir para uma carreira digna do Hall da Fama na NBA. Conhecido como The Dream, Olajuwon ajudou a abrir caminho para os africanos no basquete universitário e na NBA.

Cinco jogadores da África foram escolhidos no "draft" da NBA do ano passado e há 25 jogadores de 12 países africanos no torneio deste ano.

Tem até sotaque latino-americano

 

Apesar da grande participação mundial no basquete NCAA, a América Latina não tem uma presença muito expressiva no torneio deste ano. Três jogadores dessa região chegaram ao campo: dois da Colômbia -- Braian Angola-Rodas de Florida State e Hanner Mosquera-Perea de East Tennessee State-- e Angel Delgado de Seton Hall da República Dominicana.

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Braian Angola-Rodas, destaque de Florida State
Braian Angola-Rodas, destaque de Florida State

Já tiveram latino-americanos notáveis no passado, incluindo Eduardo Najera, que levou Oklahoma para quatro torneios NCAA consecutivos e continuou a jogar mais jogos na NBA que qualquer outro jogador do México.

Outros antigos destaques latino-americanos incluem Francisco Garcia da República Dominicana, que ajudou Louisville a chegar no Final Four de 2005, Greivis Vasquez da Venezuela, que participou do torneio três vezes com o Maryland, e Al Horford da República Dominicana, que ajudou Florida a vencer os títulos nacionais consecutivos de 2006 e 2007.

Os treinadores também são estrelas

 

Como muitos dos melhores jogadores de basquete saem para jogar na NBA antes do fim de suas carreiras universitárias -- às vezes, depois de apenas um ano -- os treinadores principais são os rostos mais conhecidos no torneio. Embora não haja nenhum treinador estrangeiro, os maiores treinadores são conhecidos no mundo do basquete, independente das fronteiras.

Talvez o mais notável seja Mike Krzyzewski, que treinou o Duke desde 1980, liderou os Blue Devils em 32 torneios NCAA, 12 Final Fours e cinco campeonatos nacionais. O "Coach K" também comandou o time dos Estados Unidos na conquista de três ouros olímpicos.

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Coach K ao lado de Obama
Coach K ao lado de Obama

Rick Pitino foi treinador tanto da NBA quanto do universitário, quase sempre no estado do Kentucky. Ele está com Louisville desde 2001 e esteve na Universidade de Kentucky de 1989 até 1997, vencendo um título nacional em todas essas escolas. Seu filho, Richard Pitino, é o treinador de Minnesota.

E, finalmente, o treinador do UCLA Steve Alford, que levou a Indiana ao campeonato NCAA de 1987 como jogador.

Aliás, enquanto os jogadores recebiam um pouco mais de abono na mensalidade e algumas ajudas de custo, os treinadores são generosamente pagos. Krzyzewski liderou o pacote da última temporada, faturando US$ 7.3 milhões e John Calipari de Kentucky não ficou muito atrás, com um salário de US$ 6,9 milhões.

Há ação o tempo todo

 

Enquanto todo o torneio é empolgante, as primeiras duas rodadas são as melhores porque há muito mais jogos, além de um número justo de zebras.

Há 16 jogos na primeira rodada por dia na quinta e sexta-feira, abrangendo desde aproximadamente meio-dia até meia-noite do horário local. Isso fornece algumas oportunidades de exibição razoáveis na maior parte do mundo. Estes primeiros jogos começam no início da noite em Londres e a ação continua na sexta-feira e no sábado à tarde em Sydney.

Pode ser um pouco mais difícil na Índia, em que as cerca de 12 horas diárias de jogos da primeira rodada começam às 21h 30 min na quinta e sexta-feira.

Isso com certeza bate o Super Bowl, que começou às 23h 30 min em Londres, às 5h na segunda-feira na Índia e às 10h 30 min na segunda-feira em Sydney.