Por que o Mundial de surfe de 2017 deve ser o mais disputado dos últimos tempos

Guilherme Daolio, para o ESPN.com.br
ESPN.com.br/Getty
Com Fanning, Medina, John John e Slater, Mundial de surfe de 2017 promete equilíbrio
Com Fanning, Medina, John John e Slater, Mundial de surfe de 2017 promete equilíbrio

A temporada de 2017 do surfe tem tudo para ser uma das mais disputadas dos últimos tempos. Diferente de outras épocas, em que o título ficava entre dois, três ou no máximo quatro atletas, o Mundial deste ano terá até sete surfistas começando o ano com boas chances de brigar pelo topo do ranking. Ou seja, um quinto dos 34 atletas da elite tem reais possibilidades de levantar o caneco.

Indiscutivelmente dois dos últimos três campeões mundiais são os principais favoritos. John John Florence e Gabriel Medina são considerados por todos no circuito como os mais completos e talentosos surfistas do planeta e, quando estão em um bom dia, é difícil pará-los.

Após um ano sabático em que correu apenas algumas etapas, o tricampeão mundial Mick Fanning está de volta e também pode ser colocado como um dos grandes candidatos ao título. O experiente Jordy Smith mostrou em 2016 que segue em grande forma e que vai brigar lá em cima novamente.

Atrapalhado por uma lesão durante a perna australiana no ano passado, Filipe Toledo alternou grandes atuações com derrotas precoces, mas seus aéreos seguem impressionantes, e o surfe de base melhora a cada temporada. Campeão mundial em 2015, Adriano de Souza também está sempre na briga com sua regularidade e força de vontade. Querendo voltar para a briga, Mineirinho ficou no Havaí após Pipeline e se preparou bem para 2017.

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E ninguém seria louco de descartar o onze vezes campeão mundial Kelly Slater, que parece não envelhecer nunca. De olho nos Jogos de Tóquio 2020, nos quais o surfe será esporte olímpico, o norte-americano segue em grande forma, e, claro, talento nunca lhe faltou.

  • Surpresas?

Já falamos de sete nomes que são realidade há algum tempo no circuito, mas também existem aqueles de quem sempre podemos esperar mais. Quarto colocado no ano passado com um final de ano exuberante, Kolohe Andino vem adicionando novas manobras ao repertório e pode chegar forte nesse ano. Julian Wilson ainda é jovem, mas já tem uma boa bagagem no circuito e, quando está focado, incomoda - e muito - os grandes nomes.

O brasileiro Ítalo Ferreira teve um 2015 muito bom, sendo inclusive coroado o "Novato do Ano". No ano seguinte, o potiguar fez uma perna australiana muito boa, mas diminuiu o ritmo depois do Rio de Janeiro. Sua pré-temporada tem sido forte e podemos esperar novo crescimento. O americano-japonês Kanoa Igarashi teve um último ano apenas regular, mas voou no final da temporada com um vice em Pipeline e grandes desempenhos no QS. Se conseguir imprimir mais força nas manobras, também pode beliscar bons resultados.

O circuito tem ainda muitos grandes nomes que mesclam resultados brilhantes com baterias inacreditáveis. Michel Bourez, Matt Wilkinson, Sebastian Zietz, Stuart Kennedy e Jeremy Flores são grandes exemplos disso. Os rodados Joel Parkinson, Adrian Buchan e Josh Kerr perderam um pouco de fôlego para brigar pelo título nos últimos anos, mas continuam temidos dentro da água - principalmente nas etapas mais clássicas do circuito. A volta dos lesionados e experientes Bede Durbidge e Owen Wright, que terminou 2015 na quinta colcoação, também pode mexer com a elite do surfe.

  • Outros brasileiros

Entre os demais brasileiros, diferentes expectativas para 2017. Novato do ano em 2016, Caio Ibelli precisa repetir as atuações do começo do último ano e se soltar nas ondas tubulares que tanto gosta para ir mais longe. Wiggolly Dantas, que anda treinando muito no Havaí, também precisa ser mais regular. É inegável a força que o surfista de Ubatuba emprega em suas manobras, mas as eliminações precoces em algumas etapas acabaram o deixando no bloco intermediário.

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Ninguém discute o talento e a força familiar de Miguel Pupo, mas falta pra ele um grande resultado no CT para deslanchar de vez e brigar lá em cima. Jadson Andre é um guerreiro. Mais uma vez, o potiguar não teve um ano bom no CT, mas brigou até o fim e se reclassificou pelo QS com um final de temporada muito forte. Controlando sua ansiedade dentro da água, pode voltar a conquistar grandes resultados na elite.

Alejo Muniz e Alex Ribeiro não foram bem em 2016 e terão que disputar novamente a divisão de acesso. No caminho inverso, chega o mais novo reforço da "Tempestade Brasileira": Ian Gouveia. Aos 24 anos, ele nasceu no melhor momento da carreira de seu pai, o ex-top Fabio Gouveia. Fabinho hoje fabrica as pranchas do filho, que terminou em nono no QS e garantiu a inédita vaga na elite.

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Aliando sua boa leitura das ondas, progressividade e agressividade com os conselhos valiosos do pai, o surfista de 1,66m pode brigar pelo título de "Novato do Ano". Os concorrentes do brasileiro são os também estreantes e australianos Connor O'Leary - campeão da divisão de acesso em 2016 - e Ethan Ewing, o português Frederico Morais, o francês Joan Duru, o italiano Leonardo Fioravanti - que correu três etapas do CT de 2016 como convidado - e o havaiano Ezequiel Law.