Por que zagueiro do Grêmio é conhecido como 'Tiranossauro Rex'?

Maria Victoria Poli e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Gazeta Press
Lucas Rex marcou o seu primeiro gol com a camisa do Grêmio
Lucas Rex marcou o seu primeiro gol com a camisa do Grêmio

O relógio marcava oito minutos do segundo tempo. Wallace Oliveira cobra falta de longe, levanta a bola para dentro da área e um jovem zagueiro completa de cabeça para marcar seu primeiro gol como profissional do Grêmio. O jogo foi contra o Ceará, válido pela primeira fase da Primeira Liga, no início do mês de março.

A comemoração na primeira vez em que Lucas Rex balançou as redes foi tanta que chegou a levar a mãe do jogador para o hospital. "A emoção foi enorme", disse Lucas. "Todo mundo de Nova Iguaçu me acompanhou, depois do jogo me mandaram muitos vídeos e mensagens no WhatsApp. Meus amigos aproveitaram esse momento, tão aguardado por todos. Tirando a minha mãe, que foi parar na UPA com pressão alta de tanta emoção", completou.

Foi só um susto e dona Rosita está bem, mas Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, passou a conhecer um filho que começa a se destacar no cenário nacional - não somente pelo talento, mas, também, pelo imponente apelido.

O garoto tinha oito anos de idade quando se transformou em "dinossauro". "Foi no Nova Iguaçu, quando comecei. Do nada, os caras olharam para mim correndo e disseram que eu parecia um tiranossauro rex (risos). Daí eles só me chamavam de Rex, e pegou". A partir daquele dia, o pequeno Lucas Gonçalves Reis Santos virou Lucas Rex. Hoje, não tão pequeno, o tiranossauro de 1,90m já tem 100% de aproveitamento em jogos pelo clube gaúcho.

Assista aos gols do empate entre Grêmio e Ceará por 1 a 1!
  • Pai o colocou no futebol para descansar

Apesar da habilidade com a bola nos pés, a escolha pelo futebol surgiu de um jeito incomum: veio de uma necessidade um tanto curiosa do pai. "Quando era criança, era muito hiperativo, e meu pai queria que eu gastasse energias. Ele precisava descansar um pouco (risos)", confessou Lucas. "Fui criando gosto pelo futebol. Nunca tive essa pressão para ser jogador, foi uma escolha minha", continuou.

A escolha foi certa, virou profissão e mudou o rumo da vida do defensor. A jovem promessa acabou trocando uma equipe modesta de um Rio para uma gigante de outro Rio, e construiu uma trajetória de sucesso ao longo do caminho.

"Comecei na base do Nova Iguaçu, com oito anos, e fui levado para disputar os campeonatos. Passei por América-RJ, Botafogo, Internacional, Vitória e, depois, Grêmio. Na maioria dos times fui campeão na base", contou.

  • Lesão e volta por cima
Arquivo Pessoal
Lucas nos tempos de Nova Iguaçu
Lucas nos tempos de Nova Iguaçu

A chegada ao Grêmio, em 2013, marcou um dos episódios mais duros na curta carreira do jogador de 22 anos. Três meses depois de chegar a Porto Alegre, machucou o joelho e teve de acompanhar de longe o desenvolvimento da base gremista. "Tive uma lesão de menisco externo e houve uma rejeição. Aí, precisei fazer uma segunda cirurgia para fazer uma raspagem e isso retardou a minha volta aos gramados", disse.

Foi quase um ano de recuperação, tratamento, fisioterapia e apoio até que ele pudesse voltar ao campo de futebol. "Eu morava no alojamento do clube e fazia tratamento em dois períodos. Era fisioterapia o dia todo. Tive muita força da família e dos amigos para superar essa dificuldade", relembrou Rex.

Por isso, a cena da comemoração do gol e a alegria dos familiares e amigos na cidade carioca são tão importantes para o jogador. "Foi especial. Venho trabalhando há dois anos no grupo de transição esperando por essa oportunidade. Eu consegui me sair bem e fui coroado com um gol. Foi um momento inesquecível para mim. Consegui mostrar para a torcida e para a diretoria um pouco da minha capacidade, talento e personalidade. Agora, é esperar por novas oportunidades", afirmou Lucas.

  • Sonha com time principal

Ainda no grupo de transição do time tricolor, o zagueiro recebeu a chance de Felipe Endres, técnico que substituiu Renato Gaúcho no jogo contra o Ceará, na Arena do Grêmio.

A concorrência por posições com ídolos como Pedro Geromel é mais um capítulo no amadurecimento de Rex. O jogador, que estava emprestado ao Macaé no ano passado, equipe com a qual disputou apenas seis jogos, retornou por pedido do próprio clube gaúcho e garantiu encarar os desafios da temporada 2017 de uma maneira mais organizada.

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Lucas Rex está no grupo de transição do Grêmio
Lucas Rex está no grupo de transição do Grêmio

"Diferente dos anos anteriores, esse ano tracei um planejamento pessoal para a minha carreira. Algumas etapas já foram alcançadas e outras estão por vir", avaliou. "Eu venho trabalhando muito forte em busca de oportunidades. Tivemos o jogo pela Primeira Liga contra o Ceará e acredito que tenha deixado uma boa impressão. Tenho convicção de que não alcancei o objetivo principal, mas seguirei firme para conseguir o meu espaço aqui no Grêmio", revelou Rex.

Seja porque corre engraçado ou porque tem outras características de um dos maiores predadores que já pisou no planeta, como a fome - de bola! -, o fato é que Lucas Rex promete dedicação à camisa tricolor. "Sou feliz aqui e mais feliz ainda em representar a nação imortal em campo", finalizou o atleta, que tem contrato até o final do ano e deixou clara a sua vontade e a sua intenção de permanecer no clube.