Entenda como 7.779 cadeiras que WTorre ainda tem para vender afetam Palmeiras no Allianz Parque

Thiago Cara, do ESPN.com.br
Gazeta Press
Cadeiras do Allianz Parque, na partida entre Palmeiras x Botafogo, no Paulista 2017
Cadeiras do Allianz Parque, na partida entre Palmeiras x Botafogo, no Paulista 2017

Em 2016, Palmeiras e WTorre travaram uma intensa disputa nos bastidores por cadeiras do Allianz Parque. A construtora, que entendia ter direito a comercializar todos os assentos do estádio, acabou perdendo processo de arbitragem e teve estabelecido em 10 mil o número de lugares que lhe cabia - o clube, por sua vez, ficou com cerca de 30 mil.

Em meio à disputa, em março de 2016, a WTorre deu início a seu programa de venda de cadeiras no estádio e, após quase um ano, ainda tem 7.779 lugares para negociar, segundo consulta feito pelo ESPN.com.br em 16 de fevereiro, dia da vitória sobre o São Bernardo. Esses assentos impactam tanto no público, quando na renda do Palmeiras.

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WTorre ainda tem 7.779 cadeiras em três setores do Allianz Parque para vender
WTorre ainda tem 7.779 cadeiras em três setores do Allianz Parque para vender

O programa da empresa, o "Passaporte", é comercializado a partir de R$ 219 mensais e garante um lugar no estádio em todos os jogos do Palmeiras como mandante - em uma média de R$ 75 por partida. Segundo a WTorre, que tem cadeiras em todos os setores do Allianz Parque, 60% desse valor vai diretamente para os cofres do clube.

Também por determinação da arbitragem, as cadeiras que a construtora ainda não vendeu até entram na carga de ingressos vendida pelo Palmeiras para cada jogo. O clube, porém, não pode incluí-las entre os descontos de seu próprio programa de sócio-torcedores, o Avanti, o que faz com que os lugares sejam vendidos pelo preço cheio, mais caro.

São as cadeiras da WTorre que fazem, por exemplo, com que nem todos os assentos do Gol Norte sejam vendidos já na pré-venda do Avanti, como foi comum desde a inauguração da arena até a determinação da arbitragem. O setor, que tem os ingressos mais baratos do estádio, é o único que ainda não foi incluído no programa Passaporte.

Entre os lugares que a construtora ainda tenta comercializar, 1.741 estão no setor Sul (vendido por R$ 2.628 anuais ou R$ 219 mensais), 2.877 no Leste (R$ 3.348/ano ou R$ 279/mês) e 3.161 no Oeste (R$ 4.788/ano ou R$ 399/mês). Apesar de serem quase oito cadeiras ainda disponíveis (tirando o Norte), a WTorre não considera as vendas baixas.

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"Com a definição do processo (de arbitragem), já percebemos uma forte demanda pelo produto, com crescimento superior a 400% no número de cadeiras vendidas em comparação com todo o ano passado. Somente em janeiro e nesta primeira quinzena de fevereiro, foram comercializados mais de 600 assentos", disse a empresa, através de sua assessoria de imprensa.

Apostando no crescimento das vendas, a construtora também não pensa em abaixar os preços em seu programa - que foi lançado com mensalidades a partir de R$ 199. "Se pensarmos que o torcedor palmeirense gastou, em média, R$ 230 no ingresso para assistir ao jogo do título do Campeonato Brasileiro, no confronto diante da Chapecoense, e que no passaporte temos cadeira a partir de R$ 219 mensais, chegamos à conclusão que o produto é bastante vantajoso", avalia.

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Quando o Passaporte foi lançado, também houve preocupação que ele funcionasse como uma espécie de "concorrente" ao Avanti dentro do mesmo estádio. Desde a decisão da arbitragem, de fato, o programa da WTorre diminuiu a carga disponível aos sócios-torcedores do clube - já que os ingressos das cadeiras não vendidas têm preço cheio -, mas a empresa não vê rivalidade.

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"Os dois produtos podem coexistir, essa é apenas uma nova fonte de receita para o Palmeiras. A arena tem capacidade para pouco mais de 40 mil pessoas, e o Avanti já possui 127 mil associados. Uma coisa não tem nada a ver com a outra porque, se tivesse, o Avanti poderia contar com um máximo de 40 mil sócios", explica a WTorre.