Camaradagem, efeito Leicester e nem Messi nem Ronaldo: curiosidades do prêmio da Fifa

Guilherme Nagamine e Rafael Valente, do ESPN.com.br
Mike Hewitt - FIFA/FIFA via Getty Images
Sorrisos: Gianni Infantino, presidente da Fifa, ao lado de Cristiano Ronaldo
Sorrisos: Gianni Infantino, presidente da Fifa, ao lado de Cristiano Ronaldo

Lista que é lista sempre causa discussão. E com a premiação da Fifa não é diferente. Tem sempre aquele camarada para votar no compatriota; tem sempre aquele técnico amigo; tem sempre aquele nome que aparece e você pensa "até que faz sentido (ou não)"; e tem sempre aquela escolha classificada por alguém como altamente duvidosa.

Curiosidades, bizarrices e companheirismo corporativismo não faltaram na cerimônia de gala realizada em Zurique, na Suíça. Abaixo, o ESPN.com.br separou algumas delas para você.

  • Camaradagem

Como em toda votação para o prêmio de melhor do ano, as camaradagens existem. Messi, por exemplo, só votou em companheiros do Barcelona (Suárez, Neymar e Iniesta); Neuer, em parceiros da seleção alemã e do Bayern (Kroos, Ozil e Lewandowski, que, como capitão da Polônia, votou em Neuer como melhor do mundo); já Cristiano Ronaldo escolheu três companheiros de Real Madrid (Bale, Modric e Sergio Ramos).

O coração alemão também gritou mais alto para o técnico da Alemanha, Joachim Low (que votou em Kroos, Ozil e Neuer) e para Christoph Daum, técnico alemão que comanda a Romênia (Kroos, Neuer e Ozil). Na Suécia, o capitão Andreas Granqvist e o técnico Jan Andersson escolheram Zlatan Ibrahimovic como melhor do mundo.

Entre jornalistas, o argelino Mohamed Saad escolheu o compatriota Riyad Mahrez como melhor de 2016, o galês Paul Abbandonato optou por Gareth Bale, assim como o português Vitor Serpa escolheu Cristiano Ronaldo e o argentino Enrique Márquez, Messi.

  • Nem Messi, nem Ronaldo
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Cristiano Ronaldo e Lionel Messi jogam em dois dos maiores clubes do mundo, estão sempre entre os artilheiros, produzem lances mágicos e são, cada a um a sua maneira, midiáticos. Um prato cheio para estarem sempre entre os três primeiros nas listas de melhores do mundo de técnicos, capitães e jornalistas, certo?

Bem, errado. Na lista de 2016, 14 eleitores não colocaram nenhum dos dois entre os três primeiros. São eles:

⚽ Nicolás Cabrero (capitão do Porto Rico): Sergio Ramos, Antoine Griezmann e Jamie Vardy

⚽ Diego Godín (capitão do Uruguai): Luis Suárez, Antonine Griezmann e Andrés Iniesta

⚽ Larry Mana'O (capitão da Samoa Americana): Alexis Sánchez, Robert Lewandoswki e Neymar

⚽ Constantine Phillip (técnico da Índia): Gareth Bale, Robert Lewandoswki e Luis Suárez

⚽ Stuart Gelling (técnico da Jordânia): Luis Suárez, Kevin de Bruyne e Jamie Vardy

⚽ Valakone Phomphakdy (técnico de Laos): Antoine Griezmann, Mesut Özil e Neymar

⚽ Igor Dobrovolskiy (técnico de Moldova): Antoine Griezmann, Robert Lewandowski e Neymar

⚽ Junior Mendes (técnico de Montserrat): Gareth Bale, Kevin de Bruyne e Jamie Vardy

⚽ Adam Nawalka (técnico da Polônia): Robert Lewandowski, Antoine Griezmann e Manuel Neuer

⚽ Martin O'Neill (técnico da Irlanda do Norte): Gareth Bale, Ginaluigi Buffon e N'Golo Kanté

⚽ Scott Easthope (técnico de Samoa): Alexis Sánchez, Paul Pogba e Dimitri Payet

⚽ Chris Coleman (técnico do País de Gales): Gareth Bale, Alexis Sánchez e Jamie Vardy

⚽ Michael Bascombe (jornalista de Granada): Sergio Aguero, Neymar e Kevin de Bruyne

⚽ Didier Muller (jornalista do Uruguai): Luis Suárez, Antoine Griezmann e Andrés Iniesta

  • Buffon melhor do mundo

Aos 38 anos, Gianluigi Buffon certamente será lembrado como um dos melhores goleiros da história. E mais uma prova disso foi o seu ano de 2016, com ótimas atuações. Tão boas que o veterano foi eleito o melhor por 10 pessoas - com algumas camaradagens mais claras também.

Os seus eleitores foram os capitães da seleções da Bulgária (Svetoslav Diakov), Jordânia (Amer Shafi), Marrocos (Mehdi Benatia, seu companheiro de Juve) e Somália (Hassan Ali); os técnicos da Albânia (Giovanni di Biasi, italiano como Buffon), da Itália (Giampiero Ventura), Malta (Pietro Ghedin, italiano), San Marino (Manzaroli Pierangelo, nascido na Itália); e os jornalistas da Macedônia (Mijalce Durgutov) e San Marino (Elia Gorini).

Outros jogadores fora da polarização Messi-Ronaldo também foram lembrados como melhores do ano por ao menos uma pessoa. Foi o caso do belga Kevin de Bruyne, eleito o melhor de 2016 pelo capitão da Nova Zelãndia, Chris Wood; e Paul Pogba, que recebeu voto de Pascalina Kabi, jornalista de Lesoto.

  • Voto quase em branco
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Certamente, uma das maiores curiosidades na lista de votação para eleger o melhor de 2016 veio de Juan Antonio Pizzi. O técnico chileno escolheu Alexis Sánchez como melhor do último ano. Até aí tudo bem: seria só mais uma caso de camaradagem.

Até seria. Mas o dado curioso é que Pizzi simplesmente deixou em branco o espaço para escolher o segundo e o terceiro melhor de 2016. Em uma lista para escolher o melhor, por qual razão não votar apenas no melhor? Talvez tenha sido esta a sua ideia.

  • Efeito Leicester

Surpresa da última temporada ao sagrar-se campeão inglês, o Leicester foi representado na eleição de melhores do mundo com Vardy, Mahrez e Kanté, que hoje está no Chelsea.

Os dois primeiros até foram escolhidos como os melhores por alguns dos representantes que votaram. Vardy esteve na preferência do capitão e do técnico das ilhas Turcas e Caicos, do técnico da China Taipei e do jornalista de Vanuatu. Já Mahrez recebeu votos dos técnico de Palestina e Qatar e dos jornalistas de Argélia e Cuba.

O mais votado, é claro, foi o técnico Claudio Ranieri, com um total de 267 votos.

  • País de Gales e Tottenham
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Para alguns eleitores, o melhor técnico do mundo poderia ser Chris Coleman, da seleção do País de Gales, ou Mauricio Pochettino, do Tottenham.

Coleman foi o comandante de Gales na surpreendente campanha da Eurocopa do ano passado. A seleção chegou até a semifinal e foi eliminada por Portugal, que terminou com a taça. Na campanha, tirou Bélgica e Irlanda do Norte no mata-mata e ganhou de Rússia e Eslováquia na fase de grupos.

Ele recebeu três votos como melhor do mundo. Quem votou? Áustria (Marcel Koller, técnico), Miamar (Aung Yan Kyaw, capitão) e País de Gales (Ashely Williams, capitão). Nove votos o colocaram como o segundo melhor técnico e 26 como o terceiro.

Já Pochettino chegou ao Tottenham em agosto de 2014 e, ao final da primeira temporada, levou o clube londrino ao quinto lugar. Neste ano, briga pelas posições de cima da tabela (é o terceiro). Recebeu 24 votos. Dois foram como o melhor técnico, dados por Quênia (Victor Mugabe, capitão) e Nova Zelândia (Anthony Hudson, técnico). Sete como o segundo melhor e 15 como terceiro.

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No geral, os jogadores mostraram preferência pelos seus atuais treinadores, ex-treinadores ou compatriotas. Por exemplo, Cristiano Ronaldo votou em Fernando Santos, técnico de Portugal, como melhor do mundo, seguido por Zidane, seu comandante no Real Madrid, e Ranieri. 

Já Messi votou em Luis Enrique, seu atual comandante no Barcelona, como o melhor do mundo. Guardiola, seu ex-técnico, foi o segundo escolhido por ele, seguido pelo argentino Simeone.

Buffon escolheu Ranieri, que além de seu compatriota foi também seu companheiro na Juventus. Depois listou Simeone e Deschamps, pela ordem. Neuer votou em Guardiola, que o comandou no Bayern de Munique até a última temporada, seguido por Ranieri e Pochettino.

  • Líder e ignorado

Ser o melhor de um campeonato nacional não necessariamente chama a atenção. Ao menos é o que ocorreu com cinco dos seis torneios mais tradicionais da Europa.

Os italianos Antonio Conte, do Chelsea, Carlo Ancelotti, do Bayern de Munique, Massimiliano Allegri, da Juventus, o francês Lucien Frave, do Nice, e o português Rui Vitória, do Benfica, lideram respectivamente Inglês, Alemão, Italiano, Francês e Português, mas não receberam nenhum voto na eleição da Fifa.

Conte estava na seleção da Itália até a Eurocopa, enquanto Ancelotti estava desempregado. Isso talvez explique a falta de votos. Mas Allegri foi duas vezes campeão nacional com a Juventus.

A exceção é Zidane, que lidera o Espanhol com o Real Madrid e recebeu 217 votos na eleição da Fifa.