Antes rivais como jogadores, agora eles vão duelar como treinadores no Paulista

Rafael Valente, de São Paulo (SP), para o ESPN.com.br
Montagem GazetaPress
Os técnicos Guilherme, Fernando Diniz, Fábio Carille e Rogério Ceni
Os técnicos Guilherme, Fernando Diniz, Fábio Carille e Rogério Ceni 

Se você tem 30 anos ou mais vai se sentir um pouco saudosista ao assistir aos jogos do Campeonato Paulista. Isso porque 15 dos 16 técnicos do torneio foram jogadores e a maioria esteve em ação nos anos 90. Alguns pelo mesmo clube, outros como rivais.

É o caso de Rogério Ceni, 43, e Fernando Diniz, 42, dois treinadores que vão se enfrentar já na estreia do Estadual por São Paulo e Audax, em 5 de janeiro, em Osasco. 

A partida será a estreia oficial de Ceni como treinador, enquanto Diniz dará início ao quarto ano consecutivo comandando o Audax na elite do futebol paulista. 

Em 8 de março de 1995, quando ambos ainda eram jovens em busca de sucesso, eles estavam em campo como rivais. Na época, Ceni substituiu Zetti na meta tricolor, enquanto Diniz deixou o banco para entrar no Juventus no decorrer do jogo.

A partida terminou 1 a 0 para o São Paulo, no estádio Bruno José Daniel, em Santo André, pelo Campeonato Paulista daquele ano, e é apenas um exemplo.

Ceni e Diniz protagonizaram outros duelos depois disso. O primeiro sempre defendendo as cores do São Paulo, enquanto o segundo trocou de clubes - na carreira tem passagens por Palmeiras, Corinthians, Fluminense, Cruzeiro, entre outros.

Os duelos chegaram até os anos 2000, como um encontro em 2001 quando se enfrentaram São Paulo e Fluminense pelo extinto Torneio Rio-São Paulo, duelo que terminou com goleada carioca por 5 a 2, no estádio Caio Martins. Ou em um empate sem gols em 2004 quando Diniz estava no Cruzeiro, pelo Campeonato Brasileiro.

Fernando Remor/Mafalda Press/Gazeta Pres
Felipe Moreira, técnico da Ponte
Felipe Moreira, técnico da Ponte Preta

Felipe Moreira, treinador da Ponte Preta, o segundo adversário de Ceni, poderia ter sido um rival. Mas eles não chegaram a se enfrentar. Isso porque o então meio-campista ponte-pretano se aposentou cedo, aos 22 anos, em 2000, com grave lesão no joelho esquerdo.

Já Alberto Valentim, 41, e Guilherme, 42, foram companheiros de Ceni no São Paulo. O primeiro foi um esforçado lateral direito do clube entre 1997 e 1998. O segundo foi um bom centroavante de 1993 e 1994 - juntos foram até campeões da Copa Conmebol.

Mas como eles são técnicos do Red Bull Brasil e do Linense, respectivamente, clubes que estão na mesma chave do São Paulo no Paulista, não vão se enfrentar na primeira fase. Mesmo assim eles jogãrão contra Corinthians, Palmeiras e Santos.

Também não poderá duelar na primeira fase contra o técnico Antonio Picoli, da Ferroviária. O comandante de 44 anos foi zagueiro de Juventude, Coritiba, América-RN. Se aposentou em 2008 pelo Eastern, de Hong Kong.

  • OUTROS CASOS

Exemplos não faltam dos técnicos do Paulista para os saudosistas.

Fabio Carille, 43, oficializado como técnico do Corinthians em 22 de dezembro, foi um esforçado zagueiro e lateral esquerdo.Teve uma passagem pelo clube do Parque São Jorge em 1995, mas não entrou em campo nenhuma vez.

Defendeu Sertãozinho, XV de Jaú, Paraná, Coritiba, Juventus e Barueri, entre outros. Ainda chegou a enfrentar Ceni em 2002 pelo Campeonato Brasileiro, quando estava no Paraná. O jogo terminou com vitória do time tricolor por 3 a 2, no Couto Pereira, em Curitiba.

Gazeta Press
Dorival Júnior, técnico do Santos
Dorival Júnior, técnico do Santos

Dorival Júnior, 54, técnico do Santos, foi um bom volante que começou a carreira em 1982 na Ferroviária e jogou até o final dos anos 1990. Em 1997, foi um dos protagonistas no acesso da Matonense para a primeira divisão do Campeonato Paulista.

No Santo André, Toninho Cecílio, 49, tem um passado como zagueiro para relembrar. Começou a carreira em 1986 no Palmeiras e passou por equipes como Botafogo, Cruzeiro, Coritiba, entre outros, até pendurar as chuteiras em 2001.

Moisés Egert, 39, técnico do Mirassol, foi atacante com passagens por XV de Piracicaba e Chapecoense, por exemplo. Júnior Rocha, 35, do Grêmio Novorizontino, foi atacante com passagens por Ulbra, Novo Hamburgo, 15 de Novembro e Luverdense.

Moacir Júnior, 49, técnico do Botafogo, e Paulo Roberto Santos, 58 (o mais velho do Paulista de 2017), do São Bento, também foram jogadores, mas de pouca expressão.

  • POUCA RODAGEM E EXCEÇÃO
Reprodução
Eduardo Baptista, técnico do Palmeiras
Eduardo Baptista, técnico do Palmeiras

Assim como Felipe Moreira, há dois técnicos do Paulista que foram jogadores, mas atuaram por pouco tempo. Filho de Nelsinho Baptista, Eduardo Baptista, 46, do Palmeiras, começou a carreira como zagueiro no Juventus (ganhou a Copa São Paulo de futebol júnior), chegou a ir para a base da Ponte Preta, mas desistiu de carreira pela dificuldade.

Em Portugal, Sergio Vieira, 33, jogou por pouco tempo pelo Amares, equipe da terceira divisão. Sentindo que a carreira dificilmente decolaria, desistiu para estudar. Neste Campeonato Paulista, ele vai comandar o São Bernardo.

Já a exceção entre os 16 técnicos é Tarcísio Pugliese. O técnico de 36 anos do Ituano nunca foi jogador. O início da carreira foi como preparador físico.