Como Bauza tirou atacante do sério e o fez trocar São Paulo por Sport

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
MIGUEL SCHINCARIOL/Gazeta Press
Destaque do jogo, Rogério comemora o gol da vitória do São Paulo
O atacante Rogério fez 32 jogos e 8 gols com a camisa do São Paulo

Um dos responsáveis por salvar o Sport do rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2016 ainda lamenta a forma como deixou o São Paulo. O atacante Rogério teve menos de um ano para tentar se firmar no Morumbi e considera que só não conseguiu mais oportunidades por causa do técnico argentino Edgardo Bauza.

"A decisão tinha que ser essa [de sair]. Preferi vir para cá para recomeçar. Eu saí porque não tinha oportunidades com o Bauza. Foi complicada minha situação. Tem treinadores que tem os jogadores dele. Eu vesti a camisa do São Paulo com muito orgulho porque sou torcedor do clube desde pequeno, sempre acompanhei na Libertadores", disse Rogério, ao ESPN.com.br.

"Osorio me levou, me deu oportunidades e mostrei dentro de campo meu potencial. Milton Cruz como ser humano não existe o que ele fez por mim ninguém faria. Sou grato à torcida do São Paulo porque muitos jogos que entrei foi por conta dela me pedir. Eu ia lá e fazia a diferença".

Contratado pelo clube paulista após se destacar com a camisa do Vitória em 2015, ele brilhou logo no seu primeiro jogo, no triunfo sobre o Internacional por 2 a 0, no Morumbi, pela 23ª rodada do Brasileiro.

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Assista aos gols da vitória do São Paulo sobre o Internacional por 2 a 0

"A minha estreia foi o momento mais marcante da minha carreira. Fiquei uma semana concentrado e focado no que queria. Dai nesse jogo ajudei o São Paulo a conseguir os três pontos contra o Internacional e fiz um gol de cabeça".

O atacante fez 14 partidas e marcou quatro gols no ano em que chegou, mas na temporada seguinte, com a chegada de Bauza, tudo mudou.

"Na Libertadores me tiraram de dois jogos da relação. Na pré-Libertadores contra o Cesar Vallejo eu só fui porque o Alan Kardec ficou doente. Só entrei na partida porque a torcida pediu, senão eu não tinha entrado. Graças a Deus eu entrei, fui bem e fiz o gol".

Rogério deu a vitória por 1 a 0 para o time tricolor na partida de ida, no Pacaembu. Com o empate por 1 a 1 no duelo de volta, a equipe se garantiu na fase de grupos.

"Ganhei reconhecimento por isso, que é muito importante. Foi aonde começou aquela disputa: se o time estivesse mal me colocava, se estivesse bem, não queria contar comigo. Eu queria estar ali dentro bem ou mal".

Ele se sentiu preterido pelo treinador argentino que utilizava Calleri e Kelvin no time titular. A situação ficou ainda mais complicada depois do empate com o Coritiba por 1 a 1 no Couto Pereira, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro de 2016.

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Veja os gols do empate por 1 a 1 entre Coritiba e São Paulo 

"Eu optei por ficar esperando oportunidades, mas estávamos perdendo e ele me colocou para jogar aos 41 minutos. Entrei e fiz gol do empate. Na entrevista, ele falou que eu era substituto imediato do Ganso. O Ganso é uma estrela, é incomparável, joga muito. Não é que eu não teria oportunidade de jogar, eu confio em mim. Seria muito difícil, mas ainda optei por ficar".

Gazeta Press
Rogério se destacou no Mineirão neste domingo
Rogério fez 27 jogos e 8 gols no Sport

A gota d'água ocorreu na vitória por 1 a 0 no clássico contra o Palmeiras, quando ele ficou novamente no banco de reservas. Rogério só entrou aos 42 minutos da etapa final na vaga do volante Thiago Mendes.

"No jogo seguinte, ele colocou o Ytalo para jogar [como meia no segundo tempo] e demonstrou que eu não poderia estar atuando naquela posição e mostrou que não contava comigo no elenco. Eu vi que não dava para mim e pedi para sair".

O jogador foi emprestado ao Sport em junho pelo São Paulo, que detinha 65% dos direitos do atleta e comprou os 35% restantes por R$ 590 mil. Em seguida, vendeu 25% aos pernambucanos por R$ 2,5 milhões.

"Queria ficar, mas ele demonstrou tudo porque não me colocava para jogar. Ele me tirou da minha posição. Sempre fui o primeiro a chegar aos treinos e o último a sair. Era meu sonho jogar no São Paulo, mas quando você vê que não cabe e fui para um lugar onde as pessoas me queriam. Essa decisão foi certa e não me arrependo. Graças a Deus fui bem neste ano no Sport".

Apesar dos problemas, o jogador acredita que a passagem pelo São Paulo mudou sua carreira.

"Eu tinha vindo do Botafogo [em 2014] onde passamos por uma situação muito complicada com oito meses sem receber salários. Falaram que eu não rendi o esperado. Naquela situação que o time se encontrava ninguém do elenco escapou".

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Assista aos gols da vitória do Sport sobre o Figueirense por 2 a 0

"Acharam que por isso não conseguiria jogar no São Paulo, mas eu dei a volta por cima e mostrei que poderia jogar em time grande também".

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