Para STJD, caso Victor Ramos 'beira má fé' e 'intenta contra a inteligência'

Marcus Alves, do ESPN.com.br
Gazeta Press
O zagueiro Victor Ramos comemora título estadual pelo Vitória
O zagueiro Victor Ramos comemora título estadual pelo Vitória

O prazo final estipulado para que CBF e Vitória se manifestem sobre a suposta inscrição irregular do zagueiro Victor Ramos se encerra nesta quinta-feira.

A partir disso, a Procuradoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) irá decidir se acolherá ou não a denúncia feita pelo Inter. A princípio, conforme antecipado pelo ESPN.com.br, a diretoria colorada se mostra otimista após requerimento de 42 páginas acusando a entidade de ter distorcido carta e induzido a Fifa e o rubro-negro baiano de "dolo e má fé para burlar regulamento".

Em seu pedido, os gaúchos pedem a reabertura de investigação sobre o processo instaurado após notícia de infração do Bahia contra o Vitória e o diretor da CBF, Reynaldo Buzzoni, ainda no primeiro semestre.

O STJD se manifestou sobre o caso recentemente.

Em despacho para arquivamento do caso enviado no fim de novembro e que o ESPN.com.br teve acesso, o então auditor Ronaldo Piacente, hoje presidente do órgão, afirmou que a argumentação feita pelo Bahia na ocasião - e agora repetida pelo Inter - "beira a litigância de má-fé e intenta contra a inteligência" (veja foto abaixo).

Ele ainda prosseguiu dizendo que são feitas "interpretações absurdas no texto do ofício enviado pela CBF à Fifa, para tentar buscar direito no que não tem".

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Documentos - montagem
Despacho encaminhado ao Bahia em 29 de novembro

A exemplo do Inter, o Bahia também protestou contra uma suposta tentativa da CBF de induzir a Fifa a reforçar a sua posição ao alterar o conteúdo da pergunta encaminhada por Piacente à entidade máxima do futebol.

"É tudo besteira. Mera alegação. É uma tese que diria para você sem sentido. Uma interpretação do documento da maneira que lhe favorece, isso é, como escrevi (no despacho), ilação", afirmou o presidente do STJD, na última quarta-feira, em contato com a reportagem.

"O que acontece? A base da minha decisão foi o documento enviado pela CBF. De qualquer forma, determinei intimação da Fifa. Como a discussão envolvia o clube do México, era necessária essa investigação. E a própria Fifa diz que essa é uma transferência nacional, por isso, o arquivamento. Agora, existe um processo autônomo, independente na Fifa. O procurador, tomando ciência disso, determinou que CBF e Vitória juntem qual a posição desse processo, se encerrou, em andamento ou julgado e, a partir disso, pode oferecer ou não (a denúncia)", prosseguiu.

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Outro detalhe que causa estranheza, e é, inclusive, citado pelo Inter em seu requerimento, é a demora na notificação ao Bahia do arquivamento do caso.

O despacho, conforme mostrado na foto, é de 26 de junho.

A intimação foi encaminhado ao Bahia somente no último dia 29 de novembro, exatamente quando se ventilava a possibilidade do Inter reabrir o caso.

Como um documento foi distribuído apenas cinco meses depois? O STJD alega falha interna.

"Foi uma falha da secretaria, por isso, foi publicado muito depois. O Inter pediu cópias de todos os processos e, quando fui ver, o despacho estava até agora sem publicar. O processo já estava decidido, foi para a secretaria, estava na mão deles e acabou não saindo. Talvez se o Inter não tivesse feito o movimento do processo, ainda estaria na secretaria. Não teve prejuízo a ninguém, de qualquer forma", explicou Ronaldo Piacente.

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Em caso de punição do Vitória, o Inter escapa do rebaixamento pelos pontos a serem tirados do clube baiano nas 26 partidas em que Ramos entrou em campo na Série A.

A Procuradoria do STJD definirá o que fará após CBF e Vitória se pronunciarem nesta quinta-feira.