Brasileiro que jogou na seleção belga não deixou Neymar dar chapéu: 'Meti a mão no peito'

Leonardo Perri e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
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Wanderson (à esquerda) enfrentou Real Madrid pelo Getafe
Wanderson (à esquerda) enfrentou Real Madrid pelo Getafe

Todo jogador quando vai encarar Neymar pela frente já pensa duas vezes antes de tomar qualquer decisão. Mas não foi o caso de Wanderson Maciel Sousa, belga de nome brasileiro que se lembra muito bem do encontro com o astro do Barcelona, quando não teve medo e disputou firme.

Titular do Getafe na temporada 2015/2016, enfrentou o Barcelona e levou uma goleada por 6 a 0, só que não deixou Neymar fazer o que bem entendesse.

"Teve um lance engraçado com o Neymar. Ele tentou me dar um chapéu, mas dei uma braçada no peito dele, que caiu no chão (risos). Acho que ele não sabia que era brasileiro, daí eu soltei: 'Pô, rapaz quer me dar chapéu aqui ?(risos). Eu conheço essa resenha'. Ele só deu risada e continuou o jogo".

Após o jogo, Wanderson ficou tão frustrado com o resultado da partida que foi embora sem trocar camisa com o atacante da seleção brasileira.

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"Eu não consegui conversar com ele infelizmente porque fiquei "boladão" depois da goleada. Eu queria muito, mas não deu. No começo eu olhava os caras que eu nunca tinha visto. Agora estava ali do lado (risos), Tive a sorte de ser eleito o melhor jogador do Getafe na partida. Nosso time perdeu 6 a 0, foi um chocolate, mas tive a sorte de fazer um bom jogo mesmo assim".

Nascido em Liège, na Bélgica, Wanderson é filho do jogador brasileiro Wamberto, de boa passagem pelo Ajax no final dos anos 1990 e início dos anos 2000. Junto com seu irmão Danilo, que também é jogador, começou a jogar na Holanda, onde fez um teste no Ajax e passou.

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Wanderson jogou uma temporada no Getafe
Wanderson jogou uma temporada no Getafe

"Eles gostaram de mim e passei sem ninguém saber que era filho do Wamberto. Eu fiquei três anos por lá. Ia em todos os jogos do meu pai e ficávamos ao lado dos jogadores. Tinha muito contato com eles, quando tinha churrasco em casa eles vinham aqui, mas eu nem me ligava que os caras eram famosos (risos)."

Tudo se encaminhava, mas seu pai foi contratado pelo Standard Liège, e os planos da família mudaram. Como era muito novo, não ficou nas categorias de base do Ajax e foi para a Bélgica. Mas como era muito baixo, voltou a Brasil para fazer um tratamento, e quase desistiu de jogar futebol.

"Depois disso eu voltei ao Brasil para fazer um tratamento para crescer porque era muito pequeno. Fiquei um ano em uma escolinha de São Luís , cidade do meu pai. Joguei salão, beach soccer e escolares. Nessa época pude conhecer o Brasil, já que só vinha para cá de férias".

Voltou para Holanda com a primeira intenção apenas de estudar. Só que a vontade de jogar bola falou mais alto e Wanderson, através de um amigo do seu pais, conseguiu um teste no Beerschot, da Bélgica. Começava sua carreira de jogador profissional.

"Quando você gosta de bola é complicado, eu queria voltar. Fiz duas semanas de teste e fui muito bem, mesmo fora de forma e fiquei por lá. Fui subindo de categoria até o profissional. No começo eu jogava de lateral, e só depois virei ponta. Muitos times se interessaram e assinei contrato."

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"Com 17 anos eu já treinava e jogava amistosos com o time. O treinador me viu, gostou e me colocou para estrear como titular de cara. Fui muito bem na estreia e não saí mais."

As atuações inclusive lhe renderam convocações para defender os times de base da seleção belga ao lado de seu irmão, e Wanderson teve a oportunidade de jogar com muitos dos conhecidos jogadores da "ótima geração belga".

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"Fui chamado para as seleções de base da Bélgica. Eu joguei com Jordan Lukaku, irmão do Romelu Lukaku. Tinha um menino que morreu em acidente de carro que também era da seleção, o Junior Malanda, Brahima Cissé e outros. Eu participei de alguns amistosos e entrei contra a Islândia."

"O time faliu e fui para o Lierse, quando comecei a jogar mais pela Liga Belga e me destaquei bem. Três ou quatro times ingleses queriam me levar, incluindo o West Ham. Eles não me quiseram vender, mas o time foi rebaixado e saí livre por causa de uma cláusula de contrato".

O destino escolhido foi o Getafe, que iria disputar a primeira divisão da Espanha. "No começo não acreditava, uma liga boa e uma cidade linda como Madrid. Eu estava tranquilo e tinham vários jogadores que tinham passado por times grandes. Fui fazer minha parte e arrebentei na pré-temproada. Não queria ficar no banco".

"Fui titular no início do campeonato e joguei 21 jogos na Liga. Eles renovaram meu contrato em apenas dois meses por três temporadas, mas o time mudou treinador".

Com a perda de espaço, o jogador de 22 anos resolveu deixar o time espanhol no final da temporada. "Estava tudo certo entre Espanyol ou o Sporting. Meu pai ficou na Espanha para resolver tudo. Mas ele recebeu um telefonema do Red Bull Salzburg e não levou muita fé. Nem me contou no começo".

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"Eles demonstraram muito interesse e ouvimos a proposta dele. A gente não conhecia muito fizemos algumas exigências porque se caso eles não aceitassem eu não tinha nada a perder. Eles aceitaram (risos).A ideia é fazer uma boa campanha por aqui e me destacar para o cenário europeu. Aqui é um lugar muito bom para se jogar tem ótima estrutura e todo ano joga competições importantes".

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