Em meio a denúncias contra a CBHb, atletas e federações articulam movimento de oposição

Diego Garcia, do ESPN.com.br
ESPN.com.br

A divulgação de investigações no Ministério Público Federal e Polícia Federal, que apontam indícios de fraudes em licitações envolvendo a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb), fez com que o mundo do esporte se movimentasse.

Segundo Cláudio Dias, presidente da Federação Mineira de Handebol (FMH), algumas federações, atletas, ex-atletas, dirigentes e árbitros já estavam se mobilizando para formar uma chapa de oposição para a próxima eleição da entidade, por acharem necessária uma renovação na atual gestão que está há 27 anos na direção da CBHb. O movimento aumentou ainda mais após as denúncias publicadas pelo ESPN.com.br.

"Já havia um movimento no sentido de se formar uma chapa para disputar a próxima eleição da CBHb, anterior mesmo ao Presidente Manoel se lançar, novamente, como candidato, substituindo outro nome indicado por ele, e, é óbvio, que após a divulgação das investigações por parte da ESPN, todo o handebol nacional se movimentou, o que reforçou essa intenção de apresentar uma chapa como alternativa na próxima eleição", disse Cláudio Dias.

"Algumas federações estão conversando a respeito da sucessão da CBHb, e, participam do processo desde o início, outras que foram aderindo a proposta, e, algumas ainda estão indecisas, mas estão receptivas a ouvirem novas propostas, e, até mesmo, participarem da formulação de um documento conjunto. Para melhor estruturar este movimento de oposição, estamos agendando uma reunião mais ampla, com todos os presidentes de Federações que desejem participar, além de atletas, ex-atletas, dirigentes e árbitros, para formularmos propostas e montarmos uma chapa, mas repito, esse movimento é anterior as denúncias divulgadas pela ESPN, e, se fortaleceu devido às mesmas", continuou o dirigente.

"Antes de tudo, gostaria de deixar claro que não tenho nada de pessoal contra o Ppresidente Manoel Luiz, e, acredito que ele tenha justificativas para as denúncias apresentadas. Aproveito para informar, que na época do Mundial Feminino, eu não era presidente da FMH, e, portanto, não participei de nenhuma decisão referente ao mesmo, não podendo opinar sobre as decisões tomadas", acrescentou o dirigente mineiro.

As próximas eleições da Confederação Brasileira estão marcadas para fevereiro de 2017. A CBHb precisa anunciar a data no máximo 60 e no mínimo 30 antes.

As chapas concorrentes deverão se inscrever até 15 dias antes da eleição. O processo eleitoral ocorre provavelmente, em Aracaju, Sergipe, sede da entidade.

A CBHb foi alvo de investigações por conta do Campeonato Mundial Feminino realizado em São Paulo em 2011, quando o presidente Manoel Luiz Oliveira assinou à distância 14 atas que decretaram 14 propostas vencedoras em licitações que utilizaram R$ 6 milhões em recursos públicos. A CGU diz - e a CBHb confirma - que o cartola estava na capital paulista na data mencionada. No entanto, os encontros foram em Aracaju.

Além do que, estas 14 reuniões definiram a contratações de empresas para prestarem serviços no Campeonato Mundial Feminino foram realizadas em 3 de dezembro, mas o torneio começou no dia anterior, quando estas empresas já estavam prestando serviços.

Sua esposa, Márcia Chagas, então nomeada presidente da comissão que julgaria as ofertas, assinou 12 dos 14 documentos também à distância, segundo relatório da CGU.

De acordo com advogados consultados pela ESPN, há indícios de fraude e falsidade ideológica. O MPF pediu abertura de inquérito policial.

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Reprodução ESPN
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