Lateral que deu baile no Corinthians é xodó de D'Alessandro e 'veterano' com 20 anos

Leonardo Ferreira e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Gazeta Press
William foi um dos destaques do Internacional na vitória diante do Corinthians
William foi um dos destaques do Internacional na vitória diante do Corinthians

Depois de muito tempo rezando por um lateral-direito titular confiável, o torcedor do Internacional finalmente pôde comemorar. Em 2015, a solução não veio do mercado "doméstico", muito menos do exterior, mas das categorias de base do próprio time colorado.

Willian Asevedo Furtado nasceu 3 de abril de 1995 e tem apenas 20 anos, mas já é considerado uma das peças principais do elenco e, mesmo sendo um dos mais jovens, ele se casou aos 18 anos e tem um apelido incomum para a idade: "veterano".

"Às vezes, nos jogos, acabo tomando decisões diferentes de um jovem. Estou sempre concentrado no jogo, sempre acompanhando o esporte, tenho uma maturidade maior e sou casado também, isso ajuda a amadurecer", explicou William, um dos destaques da vitória do Inter sobre o Corinthians, na última quarta-feira, por 2 a 1, em entrevista ao ESPN.com.br.

Sempre que os novos jogadores são alçados para o time profissional, cabe aos mais experientes aconselharem e darem total respaldo. No caso do lateral, entretanto, é bem diferente. É ele quem faz o papel desses atletas.

"Alguns meninos sobem da base e estou sempre tentando aconselhar eles, sempre tentando ajudar eles. Converso sobre coisas pessoais, convido para virem comer algo em casa, falo sobre meu casamento, sobre minha esposa", contou.

Sua maturidade adquirida tão cedo tem um certo "culpado": seu avô. Era com ele que William passava o tempo ouvindo músicas, vendo filmes e escutando histórias sobre o futebol antigos.

"Fui criado na roça, meu avô trabalhava muito lá e escutava essas musicas. Ouvia muito Teixeirinha. Assistia filmes com esses caras antigos, via vídeos de futebol antigos, sou apaixonado por futebol. Acabo dando um pouquinho a mais de experiência vendo os mais velhos jogarem", disse o jovem.

Xodó do craque

William e seus companheiros têm uma diversão em comum nos dias de concentração pós-treino. Eles se juntam no quarto de um deles e jogam "Uno", famosa brincadeira de cartas.

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William é destaque do Internacional na Copa do Brasil Sub-20
Lateral se destacou no Brasileirão Sub-20

"Eu, o Taiberson, o D'Alessandro, o Valdivia, a gente fica jogando 'Uno' na concentração. Quem perde, toma um peteleco na orelha, então quando alguém perde, sai com a orelha parecendo de lutador de UFC (risos)", disse.

E é exatamente com o craque argentino com quem o garoto cultiva grande amizade. Desde que o lateral subiu aos profissionais, foi D'Alessandro que o aconselhou e o ajudou no que fosse preciso.

"D'Alessandro é ídolo do Inter, eu assistia ele desde pequeno, tinha maior respeito por ele e já considerava ele como ídolo. Quando cheguei aqui, ele conversou bastante comigo, ele é super brincalhão, me vê e já vem brincar. Nossa amizade ficou muito forte. Uma amizade que a gente leva pra vida toda", contou, orgulhoso.

"Antes ele brigava bastante, falava que ele queria sempre ser expulso. Eu o admirava porque ele era aquele cara aguerrido, queria ganhar a todo custo e quando subi para o profissional, criamos essa amizade. É um cara que tem fôlego de novo", completou William, lembrando do "sangue quente" do argentino, que o fez colecionar diversas expulsões pela carreira.

Início foi do lado de lá

Apesar de ter sido revelado pelo Internacional em 2015, William não jogou a vida inteira pela equipe colorada. Pior que isso, teve início em uma escolinha pertencente ao rival Grêmio. Nascido na cidade de Pelotas, no interior do Rio Grande do Sul, ele era craque no salão e recebeu a chance de tentar a sorte no campo.

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William tem apenas 20 anos, mas é chamado de 'Vetereno' pelos colegas
William é chamado de 'Vetereno' pelos colegas

"Comecei na escolinha de salão que tinha no meu bairro, não jogei nem no Brasil, nem no Pelotas. Na época, a escolinha se chamava "Galera Gremista", conveniada do Grêmio. Uns caras do Juventude me viram jogando e se interessaram, pediram para eu tentar jogar no campo, joguei um torneio, joguei bem e me pediram para fazer um teste lá. Passei e fiquei três anos", lembrou.

"Depois, passei pelo Grêmio, acho que por oito meses e fui para o Inter. Deu uns problemas com meu contrato, estava demorando para assinar, ai meu empresário decidiu que era melhor sair de lá e fui para o co-irmão, o Inter, e deu certo", continuou o garoto de 20 anos.

Outra paixão, desistência e o presente

Antes de se apaixonar pelo futebol, o pequeno William tinha outra paixão, muito comum entre os garotos até os 10 anos.

"Era apaixonado por videogame. Às vezes ajudava minha vó na faxina para ganhar um dinheirinho e ir comprar videogame (risos)", contou. "Mas ai encontrei o futebol e me esqueci do videogame, me concentrei só nele", comentou.

Mas nem tudo eram flores. O garoto certa vez pensou em desistir do sonho.

"Quando cheguei no Juventude, cheguei pequeno, era muito criança, então não tinha uma mentalidade muito boa. Vi como era o futebol realmente, porque só jogava salão. Eu pensava em desistir, mas como era um sonho, acabei não desistindo. Toda vez eu lembrava disso e me motivava a seguir. Até eu me aposentar eu vou querer dar meu melhor, fazendo partidas boas, ajudando minha equipe e espero levar isso para a vida toda. Se eu achar que estou bem, vou melhorar ainda mais", disse.

Agora, o sonho deve seguir. O objetivo de William no Internacional é certo: conquistar títulos. E, quem sabe, voltar à seleção brasileira olímpica.

"Principalmente agora quero ajudar a equipe no Brasileiro, na Copa do Brasil, conseguir o título e me firmar cada vez mais, continuar jogando bem. E o futuro eu largo nas mãos de Deus. Se tiver que ir embora algum dia, sei que vou no momento certo, mas agora o foco é no Inter. Seleção é um sonho, a gente está trabalhando também para isso, para que o prefessor Dunga assista nossos jogos e me convoque", concluiu.