Em meio a escândalo da Fifa, Polícia Federal vai à empresa de Kleber Leite no Rio

Pedro Henrique Torre, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
Veja momento em que a Polícia Federal deixa a empresa de Kleber Leite

Em meio ao escândalo da Fifa que rendeu prisões na Suíça, agentes da Polícia Federal estiveram na empresa de Kleber Leite, a Klefer, nesta quarta-feira à noite, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O empresário, ex-presidente do Flamengo, não teve o seu nome citado diretamente, mas teria feito J. Hawilla, dono da Traffic, pagar propina à CBF pelo acordo dos direitos comerciais da Copa do Brasil entre 2015 e 2022, de acordo com relatório publicado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Os agentes permaneceram no local por mais de duas horas, chegaram por volta das 18h e saíram às 20h40. Foram dois carros da Polícia Federal, com um delegado e sete policiais, e um carro do Ministério Público, com dois procuradores. A empresa de marketing esportivo entregou os documentos que foram solicitados para a investigação e se colocou à disposição das autoridades.

Em uma nota oficial divulgada após a ação nesta noite, Kleber Leite se defendeu e negou as acusações de J. Hawilla contra ele. O empresário disse que se supreendeu com o noticiário e atacou o dono da Traffic, dizendo que ele deve ter tido a "cabeça e o caráter afetados por causa de uma grave doença". Em uma delação premiada à Justiça norte-americana, Hawilla teria entregado e citado o nome de Kleber.

"Hoje, fui surpreendido pelo noticiário dando conta que por problemas com o fisco americano, e ante a possibilidade de ser preso, negociou com quem de direito, e através de uma delação premiada fez uma série de acusações, sendo uma delas a de que teríamos nós da Klefer, a exemplo dele, réu confesso, pago propina para a obtenção do contrato mencionado aqui. Jamais usamos deste expediente para obtenção de qualquer contrato ao longo dos 32 (TRINTA E DOIS!) anos de vida da Klefer. Talvez por isso, tenhamos um tamanho normal para uma empresa de Marketing Esportivo. Em segundo lugar, o valor pago à CBF é o maior indicador de que este foi o limite do investimento. Agora mesmo, ante a crise que vivemos, são grandes as dificuldades em se conseguir o equilíbrio desejado. Desafio a qualquer empresa de consultoria afirmar que o preço que é pago pela Klefer à CBF, pelos direitos pertinentes à Copa do Brasil, não seja mais do que justo. Os contratos e toda a documentação aqui mencionada, estão à disposição. Aqui, não há nada a temer. Soube que neste período, J. Hawilla passou por momentos difíceis em função de grave doença. Provavelmente, pelo que ouço e leio, a cabeça dele deve ter sido afetada. A cabeça, o caráter e, principalmente, o sentimento de gratidão. Lamentável!!! Que fim de vida... Para encerrar, acuso que recebemos na Klefer as visitas do Ministério Público e da Polícia Federal, em ato de cooperação com o Governo Americano, e que todos os documentos solicitados foram prontamente entregues. A Klefer, através de seus dirigentes, está inteiramente à disposição das autoridades", diz a nota.

Kleber Leite explica relações de sua empresa com a CBf e a Traffic

 

Pedro Henrique Torre/ESPN.com.br
Sede da empresa de Kleber Leite, em Botafogo
Sede da empresa de Kleber Leite, em Botafogo

Entenda o caso
Pelas informações dadas pela Justiça norte-americana, J. Hawilla pagou propina para três altos dirigentes da CBF para dividir os direitos sobre a competição. O intermediário era um concorrente que aceitou repassar parte do negócio para a Traffic.

Pelos documentos, a descrição dos envolvidos tem enorme semelhança com os ex-presidentes da CBF Ricardo Teixeira (à época já fora da entidade e morando nos EUA) e José Maria Marin, o atual (Marco Polo del Nero) e o ex-mandatário do Flamengo e dono da empresa de marketing Klefer, Kléber Leite, que disputou com a Traffic os direitos comerciais da Copa do Brasil.

Gazeta Press
Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo
Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo

Em sua segunda versão do relatório, a Justiça norte-americana confirmou que um dos Co-Conspirador é José Maria Marin, preso nesta quarta na Suíça. Além disso, através de documentos da CPI do Futebol comparados à investigação do FBI, está confirmado que o Co-Conspirador #13 é Ricardo Teixeira, tudo por causa de um contrato fechado com a Nike.

Segundo a investigação, em 8 de dezembro de 2011, a "Empresa de Marketing Esportivo C" entrou na disputa com a Traffic, já parceira da CBF, pelos direitos comerciais da Copa do Brasil para depois do fim do acordo com a empresa de J. Hawilla (2014), oferecendo R$ 128 milhões pelos direitos.

Na época, o jornal Lance! publicou que a Klefer, empresa de Kléber Leite, foi a vencedora na disputa pela compra dos direitos comerciais da competição.