Secretário-geral da CBF diz que são 'casos do passado' e que Marin tem hoje papel decorativo

Marcus Alves, do ESPN.com.br
Mowa Press
O vice-presidente da CBF está entre os cartolas detidos em operação por corrupção na Fifa
O vice-presidente da CBF está entre os cartolas detidos em operação por corrupção na Fifa

O secretário-geral da CBF, Walter Feldman, não acredita que a prisão de um dos vice-presidentes da entidade, José Maria Marin, na madrugada desta quarta-feira (horário de Brasília), em operação comandada pela FBI na Suíça, acarretará em maiores consequências. Segundo ele, a confederação está sob "uma nova gestão que assumiu compromisso com o presente e o futuro" e esses são "fatos do passado".

"É claro que recebemos essa notícia com muita surpresa, mas não temos dúvida de que tudo que tem de suspeita tem que ser investigado. Acho que, na vida, se há suspeita investigue-se. Não há nenhuma restrição nesse caso", afirmou Feldman ao ESPN.com.br.

Marin assumiu a CBF em 2012 em substituição a Ricardo Teixeira, que renunciou após escândalos públicos, e se despediu no último mês de abril do cargo. Ele ocupa atualmente a vice-presidência na região Sudeste.

"Não acredito que terá nenhuma implicação na CBF (a prisão de Marin). São fatos do passado. A nova gestão que assumiu tem um compromisso com o presente e o futuro. Vice na CBF não tem funções. É uma função política", prosseguiu.

Marco Polo Del Nero, que sucedeu Marin, também se encontra na Suíça e, segundo Feldman, prestando toda a assistência no caso.

A entidade deve se pronunciar ainda hoje através de comunicado em seu site oficial.

Reuters
Às vésperas do congresso anual da Fifa, executivos da entidade foram detidos
As eleições presidenciais acontecem na sexta-feira

Entenda o caso

A dois dias da eleição para a presidência, um terremoto sacode a Fifa. Na madrugada desta quarta-feira, horário brasileiro, uma operação especial das autoridades suíças, sob liderança do FBI, prendeu sete executivos importantes da entidade sob a acusação de corrupção, entre eles José Maria Marin, ex-presidente da CBF. O grupo dos detidos será extraditado para os Estados Unidos a fim de uma maior investigação sobre o assunto na federação mais importante do futebol mundial.

Segundo nota oficial do Departamento de Justiça norte-americano, 14 réus são acusados de extorsão, fraude e conspiração para lavagem de dinheiro, entre outros delitos, em um "esquema de 24 anos para enriquecer através da corrupção no futebol". Sete deles foram presos na Suíça. Além de Marin, Jeffrey Webb, Eduardo Li, Julio Rocha, Costas Takkas, Eugenio Figueredo e Rafael Esquivel. Um mandado de busca também será executado na sede da Concacaf, em Miami, nos EUA.

O brasileiro J.Hawilla, dono da Traffic, conhecida empresa de marketing esportivo, é um dos réus que se declararam culpados, assim como duas empresas de seu grupo, a Traffic Sports International Inc. and Traffic Sports USA Inc. Em dezembro de 2014, segundo a justiça dos EUA, ele concordou em pagar mais de 151 milhões de dólares, sendo que US$ 25 mi foram pagos na ocasião. As acusações são de extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.

Além de Hawilla, também se declararam culpados o norte-americano Charles Blazer, ex-secretário-geral da Concacaf e ex-representante dos EUA no Comitê Executivo da Fifa; Daryan e Daryll Warner, filhos do ex-presidente da Fifa Jack Warner.