Unimed tem prazo para se livrar de jogadores do Flu: abril

Gabriela Moreira, para o ESPN.com.br
Flickr - Fluminense
Jogadores do Fluminense, Walter, Wagner e Jean têm contrato com a Unimed
Jogadores do Fluminense, Walter, Wagner e Jean têm contrato com a Unimed

A renovação do ídolo Fred com o Fluminense aliviou a pressão em cima de Celso Barros na Unimed. O atacante é menos um peso na folha de pagamento da operadora, que fixou limite até abril para que todos os contratos de jogadores sejam rescindidos com a empresa. Esta é mais uma das medidas determinadas pelo novo Comando Executivo da Unimed, que tem como novo chefe, desde dezembro do ano passado, o médico Alfredo Luiz de Almeida Cardoso.

A troca de comando da operadora enfraqueceu os poderes e a automomia do presidente Celso Barros. Na prática, as decisões têm sido conduzidas por Dr. Alfredo e os novos diretores. O fim do contrato com o Fluminense já foi uma decisão do novo comando, assim como as demissões de antigos executivos da confiança de Celso. Alfredo é ex-diretor da Agência Nacional de Saúde (ANS), ex-diretor-geral dos hospitais Barra D'or e Copa D'or, além de ter sido executivo do Grupo Amil.

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O prazo para a rescisão dos demais jogadores está contando. Restam apenas dois meses para que Celso conduza o fim do vínculo com atletas como Wagner, Walter e Jean. Cícero foi emprestado para o Al Gharafa, do Catar - o meia tinha contrato com a Unimed até 2018 e só começaria a receber pela operadora em janeiro. 

A renovação do contrato de Fred com o clube e o empréstimo de Cícero, no entanto, não aliviam o passivo jurídico da cooperativa com os atletas. Já são três meses de atraso de direitos de imagem. O não pagamento, juridicamente, já configura rompimento. Os jogadores começam a pensar em notificar a empresa para que quite os atrasados e a multa pela rescisão unilateral.  

No caso do atacante, independentemente do novo contrato com o Fluminense, a Unimed ainda tem contrato vigente de imagem até dezembro deste ano. Os direitos econômicos do jogador pertencem 70% à cooperativa e 30% ao clube.  

A urgência na dissolução dos compromissos vem acompanhada de mais notícias ruins para a cooperativa, que acumula dívidas de mais de R$ 1,1 bilhão. No fim do ano passado, pouco antes da decisão de rompimento com o Fluminense, a empresa foi rebaixada pela agência de risco Fitch Ratings. Era A+ e foi rebaixada para A-. Agora em janeiro, em nova análise financeira, caiu para BBB.

A nova diretoria da cooperativa foi questionada sobre os prazos para negociar os jogadores e respondeu: "Tudo tem de ser resolvido no menor tempo possível. Não há prazo fixado". Sobre o novo rebaixamento, informou que a operadora continua com "grau de investimento", apesar das turbulências e que "todos os esforços estão sendo feitos para retorno ao nível A".

Venda de hospital e troca da comunicação

Se os jogadores devem sair para aliviar a vida financeira, o hospital é o grande trunfo da empresa. Maior ativo da cooperativa, o empreendimento recém-construído custou R$ 80 milhões a mais do que o estimado e ainda não conseguiu equilibrar as operações desde a inauguração em 2013. Foi avaliado pela Fitch entre R$ 450 milhões e R$ 550 milhões. A agência aponta a venda do hospital como caminho para salvar as contas da Unimed.

Sobre a possível venda, a informação da diretoria é que: "O hospital Unimed Barra ainda está em fase de maturação, com grande probabilidade de melhoria de sua performance, decorrente do aumento da ocupação e da maior credibilidade alcançada. A maximização do resultado dos ativos da cooperativa admite, inclusive, a análise de venda de qualquer ativo, inclusive o Hospital".

Além de se debruçar sobre os contratos do futebol, o novo comando fez auditorias internas e constatou que operadoras concorrentes usavam tabelas de preço para compra de materiais mais baratas que a Unimed. A nova gestão sentou com fornecedores e conseguiu readequar os preços.

A troca de procedimentos também passou pela comunicação. Há 45 dias, assim que trocou o comando a Unimed, contratou a empresa com experiência na área médica Século Z e rescindiu o contrato que mantinha havia quase 15 anos com a In Press Media Guide, contratada por Celso.