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Aldo reclama de desvalorização do UFC e privilégio aos 'pesados'

José Edgar de Matos, do ESPN.com.br
José Aldo pede mais organização e valorização ao UFC

Enquanto os grandões recebem os louros financeiros do Ultimate Fighting Championship, os levinhos sofrem. Pelo menos essa é a análise de José Aldo, campeão da divisão dos penas. Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o lutador manauara não escondeu a decepção pelo que recebe atualmente da organização e pede uma valorização maior a Dana White e companhia.

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"Ao mesmo tempo que dão o negócio para nós, poderiam dar uma melhorada nisso (pagamento). Trazemos milhões para a organização para os eventos, eu sou um lutador muito vendável e todo mundo gosta de ver a minha luta", disse Aldo, defensor dos ‘levinhos' na organização.

"A gente vê peso leve ganhando a mesma coisa de muito iniciante. A gente vê peso pesado, não-campeão e não-desafiante, ganhando muito mais do que nós. Isso nos deixa um pouco tristes, mas tenho que continuar na batalha, com os pés no chão, não dá para perder o foco", disse.

No bate-papo com a reportagem do ESPN.com.br, Aldo, além de questionar o pagamento atual do UFC, fala também sobre o próximo adversário, o americano Chad Mendes (2 de agosto, no UFC 176), e Copa do Mundo, torneio que ‘mudará' a rotina do campeão dos penas na Nova União.

Confira na íntegra a conversa com José Aldo:

ESPN.com.br: Teremos Copa do Mundo pela frente e você é fanático por futebol. Como lidar combinar o torneio com a preparação para o duelo contra o Chad Mendes ao mesmo tempo?

José Aldo: Faz parte. O Brasil irá parar pela Copa do Mundo. Todo mundo estará ligado. Espero que a seleção consiga o título, que possa ser campeã. Vou estar torcendo e treinando ao mesmo tempo, tenho que casar os treinos nos horários em que não tenha jogo do Brasil. Aí volto a treinar depois da partida.

ESPN.com.br: Chad Mendes, seu próximo adversário, foi um cara que evoluiu muito nos últimos tempos, especialmente na trocação. Seria ele seu principal rival? (Aldo nocauteou americano em janeiro de 2012, no Rio de Janeiro)

José Aldo: Não digo que é o principal. A próxima luta é sempre a mais importante. Tenho que respeitá-lo, sempre, mas chegar lá dentro e fazer o meu melhor. Tenho todo o respeito por ele, mas vou chegar lá dentro, fazer o meu melhor e vencer a luta.

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José Aldo com o cinturão dos penas

ESPN.com.br: Fora esse combate com Chad Mendes, falou-se muito em um duelo seu contra o Anthony Pettis. Agora, ele já está com luta marcada - encarará Gilbert Melendez, na final do TUF 20 - e, obviamente, não se falará durante algum tempo sobre essa superluta. Aldo, na sua opinião, ele está fugindo de você?

José Aldo: (risos) Pois é. Falamos disso, a luta já esteve muito próxima de acontecer, negociamos, mas não deu. Todo mundo quer ver essa luta, seria um ganho muito grande para nós lutadores, mas ele machucou o joelho e tem a luta no final do ano. Prefiro seguir meu caminho no pena. Se ele tá fugindo, não vem ao caso para mim, já demonstrei vontade de querer lutar, agora é de eles virem aqui e aceitarem as condições.

ESPN.com.br: Você havia dito que faltaria esse desafio ao Pettis para se sentir uma lenda do MMA, mas mantém um retrospecto extremamente positivo e recebe elogios constantes de grandes nomes do MMA. Você, hoje, já se sente uma lenda do MMA?

José Aldo: Uma lenda não me sinto, estou em plena atividade, tenho desafio maiores para me tornar uma lenda. (Luta contra o) Pettis seria um diferencial, dois campeões lutando, seria um divisor muito grande. Estava contando com isso, mas não aconteceu. Vamos continuar nossa caminhada para chegar ao patamar que a gente quer.

ESPN.com.br: Recentemente, Renan Barão chegou a reclamar de uma certa desvalorização (ao ESPN.com.br, se disse mal interpretado). E você, Aldo, se sente desvalorizado pelo UFC?

José Aldo: Com certeza me sinto. Falar em números é difícil. O lutador sonha em chegar a um patamar, quando ganha bom dinheiro, acha que é válido. Hoje em dia tenho outra cabeça, já rodei o mundo, tenho visão grande sobre isso: Ao mesmo tempo que dão o negócio para nós, poderiam dar uma melhorada nisso (pagamento). Trazemos milhões para a organização para os eventos, eu sou um lutador muito vendável e todo mundo gosta de ver a minha luta.

A gente vê peso leve ganhando a mesma coisa de muito iniciante. A gente vê peso pesado, não-campeão e não-desafiante, ganhando muito mais do que nós. Isso nos deixa um pouco tristes, mas tenho que continuar na batalha, com os pés no chão, não dá para perder o foco

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José Aldo vê uma desvalorização dos 'levinhos'
José Aldo vê uma desvalorização dos 'levinhos'

ESPN.com.br: E o que você acha que precisa fazer para convencer o Dana a dar um aumento?

José Aldo: Não sei, cara. Nos matamos nos treinos, damos o máximo para chegar lá e dar um grande show, trazer recordes para o UFC. Damos o máximo, mas não temos esse reconhecimento devido. Agora, não sei o que tenho que fazer, chegar lá dentro e ‘matar' o adversário para alcançar algo a mais, não sei.

ESPN.com.br: Aldo, essa luta contra o Chad Mendes marcará sua despedida do peso pena?

José Aldo: Sempre se falou sobre isso, ainda mais de eu enfrentar o Pettis no peso de cima. Ficou difícil a negociação, não foi boa para nós e vantajosa para eles. Queriam que abandonasse o cinturão, se eu perdesse a disputa, teria que recuperar. Eu dei duro e não ia entregar o cinturão de mão-beijada.

ESPN.com.br: Acredita que rola um favorecimento aos americanos nessas negociações?

José Aldo: Não sei se rola. Mas podemos sentir que eu, Barão, Anderson (Silva), por não ter inglês fluente, pode nos atrapalhar. O que importa é que lá dentro é luta, não é linguagem. Temos que negociar, e quem cuida disso é o Dedé. Estou lá para dar o que as pessoas querem ver.

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