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Simeone recorre até a horóscopo em sucesso do Atlético de Madri

Marcus Alves, do ESPN.com.br
Getty
Simeone não baseia o seu trabalho apenas na cobrança de entrega aos atletas
Simeone não baseia o seu trabalho apenas na cobrança de entrega aos atletas

Desde que Diego Simeone retornou ao Atlético de Madri, no fim de 2011, não foram apenas as cores das redes dos gols que mudaram de preto para vermelho e branco, como na sua passagem como atleta, em 1996. O tradicional time da capital espanhola voltou também ao caminho dos títulos: conquistou a Copa do Rei, venceu a Liga Europa e ainda comemorou a Supercopa Europeia.

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Para isso, o argentino manteve a base que encontrou de Gregorio Manzano e reforçou o elenco com outros nomes.

Nenhuma dessas novidades desembarcou no Vicente Calderón sem que o treinador tivesse observado antes um detalhe que põe como prioridade em todas as suas contratações: o signo. Simeone não carrega a mesma fama de Raymond Domenech, que provocou controvérsia com a seleção francesa por sua metodologia baseada no horóscopo. Não faz alarde em torno da herança de dona Nilda, sua mãe. Mas não contrata qualquer atleta antes de verificar o seu mês de nascimento.

No elenco, a superstição é tratada com naturalidade.

"Ele tem isso, porém, é algo muito pessoal, respeitado por todos, quem acredite ou não. Não deixa de ser válido para quem confia. Eu sou um cara, por exemplo, que acredita em Deus. Tenho comigo que, se você é responsável por aquilo que você faz, nada acontece por acaso. Tudo é provocado na vida. Se você trabalha bem, vai ter sucesso", afirma o zagueiro Miranda ao ESPN.com.br.

O brasileiro é do signo de virgem.

Simeone, por sua vez, de touro, o mesmo de Courtouis. Juanfran e Koke são de capricórnio. Diego Godín e Arda Turan de aquário. Filipe Luís é de leão. Mario Suárez, peixes. Gabi, câncer. Villa, sagitário. E Diego Costa, libra.

Coincidência ou não, para a atual temporada o comandante argentino privilegiou os signos de virgem - Léo Baptistão, Dani Aranzubia e Josuha Guilavogui - e peixes - Toby Alderweireld e Diego. Completam a lista José Sosa, gêmeos, e Villa, claro, sagitário.

Em entrevista recente à revista espanhola Jot Down, o próprio Simeone reconheceu esse lado ao ser perguntado se era sério mesmo que checava o horóscopo antes de se decidir pela vinda de determinado jogador. "Sim, faço isso. Porque as características e as personalidades são parecidas", disse. "As características das pessoas segundo o horóscopo são semelhantes e prestamos atenção nisso para ver como podemos aproveitar melhor. Gosto dos mais valentes", completou.

O ex-técnico de Racing e River Plate, dentre outros, carrega um mantra consigo: o esforço não se negocia. Fez com que a ideia entrasse na mente de seus atletas e estabeleceu no futebol espanhol mais do que um estilo de jogo. Um estilo de vida: o ‘cholismo'. Morar dentro do CT do clube contribui obviamente nesse sentido.

"Tive pouco tempo com o (Gregorio) Manzano, praticamente seis meses, porém, ele não mostrou seu trabalho. Mudou demais o time, não repetia a forma, não conseguia se impor. A partir da vinda do Simeone, ficaram definidos os 11 titulares, entra um, sai outro, mas a base é a mesma, os atletas em que confia e a equipe. Isso fez com crescêssemos e transmitia uma confiança muito grande. Os jogadores jogam por ele também", explica Miranda.

Simeone conseguiu afastar o complexo de inferioridade impregnado ao Atleti. Para isso, tiveram de vir os resultados. Veio a entrega a campo. E veio também a torcida. Tudo isso à custa em parte também do acerto dos 'astros' do ex-volante. Até o fim do primeiro turno no Campeonato Espanhol, havia um pacto entre todos no Vicente Calderón: não se deveria falar de futuro em entrevistas. Hoje, a oito rodadas do fim, ele naturalmente perdeu força.

As manias de Simeone, não.

Além de trocar as redes da casa do clube madrileno, antes da final da Copa do Rei contra o Real Madrid, ele concentrou todo o grupo colchonero em Los Ángeles de San Rafael, na província em Segóvia, mesmo lugar em que esteve em sua época de atleta na rota para o doblete de 1996. A meia hora de cada partida, ele se afasta de todos também e faz três ligações para a sua casa na Argentina: uma para cada filho. Fotos no gramado nem pensar.

"Sou muito supersticioso. Cada um encontra a paz antes da partida de maneiras diversas. Alguns leem a bíblia, alguns rezam, outros não param de fazer brincadeira. Eu sou supersticioso, cumpro sem deixar passar todas as manias que tenho. Amarra os sapatos de determinada forma, vestir-me de tal modo, entrar no campo com tal pé", reconheceu ao jornal La Verdad.

Atlético peleador, diriam os argentinos. Atlético cabulero, diriam os espanhóis. E, assim, na briga pelos títulos da Liga e da Uefa Champions League.

Veja o gol de Atlético de Madri 1 x 0 Granada
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