Racismo outra vez: Arouca é chamado de 'macaco' na saída de campo

Fellipe Camargo, de Mogi Mirim (SP), com redação do ESPN.com.br

Em uma quinta-feira que seria de comemoração pela vitória do Santos e também por ter marcado um belo gol, o volante Arouca teve uma saída de campo triste em Mogi Mirim. Enquanto ele conversava com os jornalistas a caminho do vestiário, alguns da arquibancada do Estádio Romildão o chamaram de "macaco", e tudo isso na frente de policiais que faziam a segurança do local.

Nada foi feito.

Arouca ficou completamente desconcertado com o racismo e, enquanto tentava falar com a imprensa, se voltou para a arquibancada à procura dos responsáveis pelo ato preconceituoso.

Arouca é vítima de racismo em Mogi Mirim; ouça
Arouca é vítima de racismo em Mogi Mirim; ouça

"Isso é bom nem ouvir, né, nem dar ouvidos a esses pessoas, se dá para chamar isso de pessoas. Situação hoje em dia é difícil comentar, isso não acontece só no meio do futebol. Espero que alguém possa tomar uma providência muito severa, porque isso é lamentável", disse o jogador.

O caso contra o Arouca acontece um dia depois de o árbitro Márcio Chagas da Silva relatar ter sido vítima de racismo na partida entre Esportivo e Veranópolis, em Bento Gonçalves, em duelo válido pelo Campeonato Gaúcho. Segundo o juiz, alguns torcedores o insultaram antes da partida e, na saída do estádio, ele encontrou bananas em cima do seu carro.O técnico Oswaldo de Oliveira lamentou o incidente e cobrou rápida punição aos torcedores preconceituosos. "Principalmente com a Copa do Mundo se aproximando, a gente não pode dar essa brecha, né? Têm pessoas que gostam de fazer coisas desabonáveis. Eles têm que ser punidos, como em outros casos que estão acontecendo no esporte brasileiro. (A Copa) Tem dado margem a muito mau-caratismo. Não tem que esperar a súmula do árbitro, tem que ser punidos".

"Infelizmente, está voltando à tona esse tipo de atitude por parte de alguns infelizes torcedores. Não posso generalizar, porque foram alguns que se manifestaram de forma racista, com expressões como ‘macaco', ‘seu lugar é na selva' e ‘volta para o circo'", disse o árbitro à Rádio Gaúcha.

Em 2014, Tinga, do Cruzeiro, foi alvo de preconceito racial no confronto contra o Real Garcilaso, no Peru, pela Libertadores - torcedores imitavam som de macaco quando o volante estava com a bola.