Pode acreditar! Atlético-MG vence Olimpia nos pênaltis e é campeão da Libertadores

Antônio Strini e Marcus Alves, de Belo Horizonte (MG), para o ESPN.com.br
Veja os gols da partida

58.620 acreditaram, cantaram e rezaram por mais de 120 minutos.

A comunhão das arquibancadas do Mineirão bastou para dar ao Atlético-MG o primeiro título da Libertadores de sua história. Atuando fora do Independência, o time sentiu demais a falta do alçapão, exagerou na bola aérea, mas conseguiu na base da pressão reverter nesta quarta-feira a vantagem construída pelo Olimpia na primeira partida. Com um gol de Jô marcado no primeiro minuto do segundo tempo e outro de Leonardo Silva aos 41, a equipe fez 2 a 0 no tempo normal, anulou a vantagem dos paraguaios e venceu por 4 a 3 nos pênaltis.

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Dono da melhor campanha no torneio sul-americano, o time encerra um jejum de 42 anos sem um título expressivo, coroa um trabalho iniciado ainda em 2011 com Cuca e realiza o sonho do presidente Alexandre Kalil de alcançar uma grande conquista antes de se despedir do cargo.

O confronto teve renda de R$ 14.176.146, a maior da história do futebol nacional, superando a despedida de Neymar entre Santos e Flamengo, em maio, no Mané Garrincha, em Brasília.

O Atlético-MG fez um primeiro tempo horrível e forçou demais no chuveirinho. Ao todo, foram 18 bolas levantadas na área nos 45 minutos iniciais. Faltava criatividade ao time, que exagerava na ligação direta ao ataque. O Olimpia chegou a desperdiçar chance de ouro com Bareiro.

EFE
Elenco do Atlético-MG posa para foto antes da partida
Elenco do Atlético-MG posa para foto antes da partida

Na volta para a etapa complementar, o Atlético-MG veio com outra atitude e não precisou de mais do que um minuto para abrir o placar, com Jô, em falha de Pittoni após cruzamento de Rosinei, substituto de Pierre. A equipe seguiu em cima tentando furar a frente de zaga congestionada dos adversários e acertou o travessão de Martín Silva. Aos 38 minutos, o zagueiro Manzur foi expulso. Com um a mais, o clube aproveitou o maior espaço e conseguiu o segundo gol em cabeçada de Leonardo Silva para levar o duelo para a prorrogação.

No tempo adicional, mais pressão e outra bola no travessão, dessa vez com Rever após cobrança de escanteio de Bernard, que atuou no sacrifício nos últimos minutos. Guilheme e Josué também passaram perto do terceiro, mas ficou no zero. Por 4 a 3, o Atlético-MG levou a melhor nos pênaltis.

O árbitro colombiano Wilmar Roldán, que teve o seu nome contestado fortemente pelos dirigentes paraguaios, teve atuação tranquila, sem chamar a atenção e repreendendo a cera dos visitantes.

Antes da partida, em confusão na entrada do estádio, torcedores sem ingresso aproveitaram falha da organização e pularam as catracas. Em contato com a reportagem do ESPN.com.br, a Polícia Militar informou que eles foram detidos por seguranças contratados pela Minas Arenas em seguida.

O Atlético-MG volta as suas atenções para o Campeonato Brasileiro. O time faz campanha apenas razoável e tem a chance de se aproximar dos líderes a partir do fim de semana, em clássico com o Cruzeiro, no Mineirão. Existe também a expectativa em torno do destino de Bernard, acompanhado nesta quarta-feira por um olheiro do Arsenal no estádio. O meia-atacante conta com uma oferta mais vantajosa do Shakhtar Donetsk, mas não quer ir. O Porto também está na briga.

O Olimpia entra em recesso e não tem a continuidade do técnico Ever Hugo Almeida assegurada. Outra preocupação da equipe é com a frágil situação financeira que rondeia os seus cofres.

O jogo

Na saída de bola, passe de Diego Tardelli para Ronaldinho, que recua para Rever. O zagueiro chutou para frente na busca de Jô. Não era o Independência, mas o Atlético-MG, atuando num Mineirão com as mesmas dimensões de sua casa, repetia a tradicional jogada.

Em busca do primeiro gol ainda nos minutos iniciais, o time partiu com tudo para cima. Logo aos 2, veio excelente chance, em roubada de bola pelo lado direito, passe de Michel para Tardelli na frente e excelente chute cruzado do atacante. Bernard e Jô chegaram atrasados e desperdiçaram grande oportunidade.

Na sequência, Tardelli despencou no chão e precisou de atendimento médico.

Com uma postura mais defensiva em campo, o Olimpia ameaçava no contra-ataque. Em subida, o polivalente Alejandro Silva, autor de um gol no jogo de ida, quase saiu cara a cara com Victor.

EFE
Réver e Victor se abraçam depois do gol de Jô
Réver e Victor se abraçam depois do gol de Jô


Pedindo bola a todo o momento, Ronaldinho tentava clarear o congestionado meio-de-campo. Em jogada na meia lua, ele resolveu arriscar e testou Martin Silva. O uruguaio rebateu mal, mas não havia ninguém do Atlético-MG no centro.

A equipe insistia nas bolas alçadas de um lado para o outro. Faltava maior toque de bola.

Aos 15 minutos, o Olimpia chegou com perigo duas vezes. Primeiro, em troca de passes na entrada de área interceptada pela defesa e depois em saída falha de Victor em cobrança de escanteio batida por Salgueiro.

Os paraguaios aumentaram a pressão e tiveram uma oportunidade de ouro para abrir o placar. Bareiro invadiu a retaguarda alvinegra pela esquerda e, sozinho, chutou em cima de Victor. Ele também havia perdido chance clara na partida de ida. Mais um milagre para a conta do goleiro atleticano na Libertadores.

O Atlético-MG retomou o controle do jogo em seguida, mas falhava na transição do meio para o ataque. As principais jogadas do time vinham em bolas abertas pelas laterais e chuveirinhos na defesa do Olimpia. Mesmo com cinco atletas em sua linha de trás, os visitantes davam espaço. Em um dos cruzamentos, Tardelli ‘furou' sozinho e perdeu chance preciosa.

Substituto de Marcos Rocha, suspenso, Michel atuava quase como um ponta e era a válvula de escape do time para fugir da forte marcação paraguaia.

Com a ligação direta matando a maioria das tentativas atleticanas, o Olimpia aproveitava os contra-ataques e levava perigo. Aos 33, Alejandro Silva, sempre ele, arrancou pela esquerda e chutou rasteiro. Victor fez a defesa com tranquilidade.

Atlético-MG teve atuação fraca no primeiro tempo. Ao todo, foram 18 bolas levantadas nos 45 minutos iniciais. A sensação era a de que o time sentia falta do Independência e o seu formato acanhado.

Para a segunda etapa, Cuca mexeu no time, saiu Pierre e entrou Rosinei; Almeida colocou o grandalhão Ferreyra no lugar de Bareiro. E o Olimpia mostrou na saída de bola qual seria a sua proposta: no segundo toque na bola, chutão para "tentar" surpreender Victor.

O time paraguaio, porém, contou com uma falha terrível do seu herói no primeiro jogo, e o Atlético-MG abriu o placar aos 2 minutos: após cruzamento rasteiro da direira, Pittoni furou dentro da área, e a bola sobrou para Jô, que pegou de direita, firme, e fez explodir o Mineirão.

Clique aqui e ouça o primeiro gol do jogo

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No lance seguinte, Ronaldinho cobrou lateral pela esquerda direto na área, em direção a Tardelli; o atacante tocou por cima de Martin Silva, mas a zaga tirou, colocando para escanteio.

Acuado, o Olimpia pouco ficou com a bola e apostou nos chutões para Ferreyra. Em um contra-ataque, quase o time mineiro fez o segundo. Bernard veio pela direita, cruzou alto, o goleiro Martin Silva ficou olhando a bola passar, e Diego Tardelli chegou por trás; o uruguaio fez uma defesa parcial, e Jô, de cabeça, mandou o rebote para fora.

A pressão atleticana no início da etapa final continuou, e Jô teve duas novas chances na mesma jogada: em ótima tabela na ponta direita, Rosinei tocou para o centroavante, que girou e chutou em cima de Silva; o rebote voltou para o ex-corintiano, mas a bola foi por cima.

Aos 14, em nova bola alçada na área, Leonardo Silva apareceu sozinho após cruzamento de Michel pela esquerda, cabeceou alto, mas viu a bola bater no travessão.

Dois minutos depois, os paraguaios conseguiram uma boa jogada no ataque, Candia cruzou para Salgueiro, mas frente a frente com Victor cabeceou para fora do gol.

Aos 19, Ronaldinho acha Tardelli entre os zagueiros, e o atacante dá um tapa de primeira para Júnior César avançar livre pela esquerda, invadir a área, mas bater em cima de Martin Silva.

O duelo, então, ficou ainda mais emocionante e imprevisível. Primeiro, Silva fez uma defesaça em chute de fora da área, e no rebote Tardelli, sozinho, isolou - sorte que estava em impedimento. Na sequência, em contra-ataque, Ferreyra conseguiu ganhar de Victor na dividida, mas na hora de ajeitar o corpo para bater, escorregou.

A situação do Olimpia ficou bastante complicada com a expulsão de Manzur, que já tinha amarelo, por falta quase na meia-lua.

E foi então que o milagre mais uma vez aconteceu: aos 41 minutos, cruzamento da direita de Bernard, Leonardo Silva cabeceou no segundo pau, a bola encobriu Martin Silva e morreu no canto esquerdo. Explosão de emoções no Mineirão, torcedores aos prantos, narradores quase sem voz. O Galo voltou a igualar um confronto após ficar em desvantagem. ‘Yes, we C.A.M.'

Clique aqui e ouça o segundo gol

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A final foi para a prorrogação.

Com um a mais em campo e milhares nas arquibancadas gritando, pulando e cantando, o Atlético-MG transformou o duelo em um verdadeiro Davi x Golias. O time paraguaio não conseguia passar do meio-de-campo, rifava a bola a todo momento; o Atlético-MG pressionava.

Réver cabeceou no travessão. Bernard cruzou fechado, mas Silva espalmou para escanteio. Josué arrisca de fora da área, e o uruguaio defendeu. Réver outra vez de cabeça, mas agora por cima do gol. As chances pareciam não acabar para o Atlético-MG nos primeiros 15 minutos.

A etapa final foi mais equilibrada, tudo porque Bernard sofreu com câimbras e pouco pôde ajudar os companheiros. Pittoni, que falhou no primeiro gol atleticano, ficou muito próximo da redenção em nova cobrança de falta: a bola passou pela barreira e tirou tinta da trave direita de Victor.

Alecsandro teve a chance da consagração aos 14 minutos: em rápida trama do ataque, o centroavante recebeu cara a cara com Silva, encobriu o goleiro, mas Miranda salvou de cabeça.

O título, agora, seria decidido nos pênaltis.

Miranda foi o primeiro a bater, e mal, no meio do gol, para a defesa de Victor; Alecsandro chutou convicto, forte, no canto direito alto de Silva, e abriu o placar.

Clique aqui e ouça como foi a defesa de Victor

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O grandalhão Ferreyra cobrou rasteiro, baixo, na direita, mas a bola passou por baixo do goleiro atleticano, empate do Olimpia, 1 a 1. Guilherme foi o próximo e balançou as redes do uruguaio, Galo em vantagem. Candia chutou com força no meio do gol, mas dessa vez não deu para Victor, nova igualdade no placar.

Jô, autor do primeiro gol no Mineirão, bateu com estilo, deslocando Silva, 3 a 2 Atlético-MG. Aranda deixou o Olimpia vivo com um chute forte, alto, no meio do gol. Leonardo Silva acertou bem sua cobrança, colocando o Galo com uma mão na sonhada taça Libertadores.

E então Giménez foi para a cobrança. Chute alto, no canto direito, deslocando Victor. Mas a bola acertou a trave direito. A América, agora, é do Atlético-MG.

Clique aqui e ouça como foi o último pênalti do jogo

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FICHA TÉCNICA:
ATLÉTICO-MG 2 (4) X (3) 0 OLIMPIA

Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Data: 24 de julho de 2013, quarta-feira
Horário: 21h50 (de Brasília)
Árbitro: Wimar Roldan (COL)
Assistentes: Humberto Clavijo e Eduardo Ruiz (ambos da Colômbia)
Público: 56.557 pagantes
Renda: R$ 14.176.146,00
Cartões Amarelos: Bernard, Luan (Atlético-MG), Salgueiro, Martín Silva, Ferreyra, Giménez e Benítez (Olimpia)
Cartão Vermelho: Manzur
Gols:
ATLÉTICO-MG: Jô, a 1, e Leonardo Silva, aos 40 minutos do segundo tempo

ATLÉTICO-MG: Victor; Michel (Alecsandro), Réver, Leonardo Silva e Júnior César; Pierre (Rosinei), Josué, Tardelli e Ronaldinho; Bernard e Jô
Técnico: Cuca

OLIMPIA: Martín Silva; Manzur, Miranda e Candia; Alejandro Silva (Giménez), Mazacotte, Aranda, Pittoni e Benítez; Salgueiro (Baez) e Bareiro (Ferreyra)
Técnico: Ever Hugo Almeida

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