Qual o papel da Ciclocidade? | Bike é Legal

Renata Falzoni

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No final de abril ocorreu no Rio de Janeiro o segundo Workshop da Transporte Ativo. Com o tema " A Promoção da Mobilidade por Bicicleta no Brasil", a organização premiou diversas entidades que promovem o uso da bicicleta.

Também durante o Workshop, ocorreram palestras sobre organizações que lutam pelas magrelas, explicando quem elas são, como funcionam e se organizam. Na série especial, você já viu aqui o resumo da fala de é Zé Lobo, que palestrou sobre o funcionamento da própria Transporte Ativo e também a participação de JP Amaral, líder do Bike Anjo.

No terceiro vídeo da série, Thiago Benicchio explica qual a função da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo, a Ciclocidade. Veja!

A dinâmica e os desafios do Bike Anjo, com JP Amaral | Bike é Legal

Renata Falzoni

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No final de abril ocorreu no Rio de Janeiro o segundo Workshop da Transporte Ativo. Com o tema " A Promoção da Mobilidade por Bicicleta no Brasil", a organização premiou diversas entidades que promovem o uso da bicicleta.

Também durante o Workshop, ocorreram palestras sobre organizações que lutam pelas magrelas, explicando quem elas são, como funcionam e se organizam. Na semana passada, você viu aqui o resumo da fala de é Zé Lobo, que palestrou sobre o funcionamento da própria Transporte Ativo.

No segundo vídeo da série, JP Amaral fala sobre a dinâmica e os desafios do Bike Anjo, que hojje já está espalhado pelo Brasil, sempre ensinando novos ciclistas a ganhar as ruas de bike. Veja!

Zé Lobo palestra sobre como funciona a Transporte Ativo | Bike é Legal

Renata Falzoni

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No final de abril ocorreu no Rio de Janeiro o segundo Workshop da Transporte Ativo. Com o tema " A Promoção da Mobilidade por Bicicleta no Brasil", a organização premiou diversas entidades que promovem o uso da bicicleta.

Também durante o Workshop, ocorreram palestras da Transporte Ativo e de outras organizações, explicando quem elas são, como funcionam e se organizam. A partir de hoje você confere um pouco de algumas palestras aqui no Bike é Legal.

Para começar Zé Lobo conta sobre a Transporte Ativo.

Adelaide na Austrália recebe o Velo City 2014 | Bike é Legal

Renata Falzoni

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A cidade australiana de Adelaide recebe entre os dias 27 e 30 de Maio, mais uma edição do Velo City Global, a mais importante conferência internacional que discute a mobilidade urbana em bicicleta.

Esse ano, o lema é a "celebração do ciclismo" sendo que a palavra ciclismo aqui significa a função de transporte, estilo de vida, a decorrente prática esportiva e o lazer.

Devido a isso, eu considero o cicloturismo a celebração máxima do ciclismo e não as competições de velocidade máxima, como a esmagadora maioria o faz. É a visão global vista pela perspectiva de um ciclista.

Veja aqui o vídeo teaser da conferência:

E nesse outro link a extensa programação deste ano.

Nesse outro link o download de toda a programação.

O primeiro Velo City aconteceu em 1980 na cidade de Bremen, na Alemanha, sob a coordenação da Federação Européia de Ciclistas.

Londres, Copenhagen , Milão, Bruxelas, Amsterdã, Barcelona, Munique, Dublin, Montreal, Vancouver e Viena são algumas das cidades que receberam esse evento, todas elas cidades amigas da bicicleta, há décadas, em países de primeiro mundo.

Depois de Adelaide na Austrália, as cidades de Nantes, na França, e Teipei em Taiwan serão as próximas sedes.

Já se cogitou candidatar o Rio de Janeiro para sediar o evento, no entanto o custo para receber essa conferência é alto. Uma ninharia comparando-se a uma Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos, mas a bicicleta é tão genial quanto simples, e no Brasil há muito que se trabalhar para a valorização do simples.

As discussões dentro de um Velo City são um tanto inatingíveis para nós. Digo isso até em relação ao nível das discussões, das soluções adotadas e do estágio em que essas cidades já se encontram depois de décadas trabalhando em prol da mobilidade sustentável.

Um Velo City aqui no Brasil seria um choque cultural imenso, de difícil absorção pelos nossos atuais gestores públicos, ainda agrilhoados ao paradigma de que não se pode dizer não à atual e ilegal prioridade dos carros. Esse prurido todo, só adia o inevitável. A gradativa restrição de espaço dos automóveis com retomada das áreas públicas para as pessoas.

Analisando a programação, a única palestra referente ao países de terceiro mundo acontece no primeiro dia. Nigéria, Namíbia e Índia darão exemplos de atitudes em países emergentes e em desenvolvimento. "Cycling in developing and emerging countries". O resto é para os iniciados.

A última edição do Velo City aconteceu em 2013 na cidade de Viena. Zé Lobo e Gabriela Binatti, ambos da ONG Transporte Ativo receberam a Cycling Visionaries Awards uma condecoração que a cidade de Viena concedeu a 50 iniciativas interessantes pela mobilidade em bicicleta.

Veja aqui o vídeo sobre os trabalhos por eles apresentados:


Veja aqui nesse vídeo uma entrevista com Manfred Neun então presidente da Federação Européia de Ciclismo, onde ele fala entre outras coisas da necessidade de se diminuir a velocidades dos automóveis nas ruas de todas as cidades do Mundo para garantir uma melhora de qualidade de vida a todos.

O francês Philippe Crist, do Fórum Internacional de Transportes, discursa na abertura do Velo City.

A genialidade do simples: ITDP dá banho de comunicação | Bike é Legal

Renata Falzoni

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Ser direto e reto no Brasil é difícil. A simplicidade é tratada com desprezo e a especialidade de muitos brasileiros é criar dificuldades para depois vender soluções.

Isso não é novidade e as raízes disso tudo vão além desse colonialismo a que estamos fadados. O brasileiro tende a confundir simples com simplório.

Nós, os ciclistas urbanos, nos locomovemos com a energia própria, pensamos e valorizamos o simples e com isso somos mais sustentáveis nos mínimos detalhes. E como tudo o que é simples por aqui, somos em geral tratados com ironia quando não destratados mesmo.

Ainda bem que as exceções apimentam a nossa vida. Outro dia, em uma visita a sede brasileira da ITDP (Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento em inglês) no Rio de Janeiro, caiu em minhas mãos um panfleto dessa organização social sem fins lucrativos, que promove transporte sustentável em todo o mundo. Esse panfleto alegrou o meu dia.

Reprodução / ITDP
Princípios do desenvolvimento orientado ao transporte, do ITDP
Princípios do desenvolvimento orientado ao transporte, do ITDP

Ele trás um resumo didático do que tem que ser feito para resolver as nossas cidades no que toca a mobilidade, a equidade e a qualidade de vida como um todo. É tão simples quanto revolucionário.

O panfleto chama-se "Princípios do Desenvolvimento Orientado do Transporte" e é primoroso.

Em poucas palavras e belos desenhos ele resume:

"Caminhar e usar a bicicleta" aparece em primeiro lugar. Isso já é aceito como o óbvio!
Reprodução / ITDP
Princípios do desenvolvimento orientado ao transporte, do ITDP
Princípios do desenvolvimento orientado ao transporte, do ITDP

Logo em seguida a necessidade de se "conectar", ou seja traçar e sinalizar as rotas dos pedestres e ciclistas e garantir a sua preferência sobre qualquer outro veículo. Ok, já sabemos disso.
Reprodução / ITDP
Princípios do desenvolvimento orientado ao transporte, do ITDP
Princípios do desenvolvimento orientado ao transporte, do ITDP

"Transporte público eficiente", é claro, e depois disso, a promoção de "mudanças". Aí está o "Tendão de Aquiles" que as cidades do Brasil relutam em encarar.
Reprodução / ITDP
Princípios do desenvolvimento orientado ao transporte, do ITDP
Princípios do desenvolvimento orientado ao transporte, do ITDP

1. A adequação do real custo de estacionar um veículo mais a redução de oferta de vagas, resulta em incentivo ao uso do transporte público.

Para se ter uma ideia, estima-se que 80% do espaço público de São Paulo é para a circulação e estacionamento de automóveis, o ideal seria não mais que 12%. Esse assunto ainda é um imenso tabu!

2. Adensamento das áreas urbanas no entorno das estações de transporte público, com uso residencial e comercial.
Reprodução / ITDP
Princípios do desenvolvimento orientado ao transporte, do ITDP
Princípios do desenvolvimento orientado ao transporte, do ITDP


3. Bairros compactos com toda a infraestrutura.

No caso de São Paulo é necessário criar emprego nas periferias e habitação popular no centro. Mudar a nossa ocupação de solo, pois não há transporte público no mundo que suporte a demanda de quase 5 milhões de passageiros apenas em um sentido pela manhã e o mesmo à tarde no sentido inverso.

Essas medidas reverteriam a gentrificação, esse "fenômeno" decorrente da especulação imobiliária, que expulsa as classes de menor renda, os trabalhadores, para a periferia.

Reprodução / ITDP
Princípios do desenvolvimento orientado ao transporte, do ITDP
Princípios do desenvolvimento orientado ao transporte, do ITDP


As grandes cidades do Brasil são circundadas por bairros dormitórios, sem emprego ou infraestrutura, enquanto o centro fica com a infra toda, mais os empregos e as poucas moradias das classes mais favorecidas.

É triste saber que Brasília e Palmas por exemplo, duas cidades planejadas, já nasceram sem espaço para a classe trabalhadora habitar. Em ambas cidades, os trabalhadores moram em cidades satélites e deslocam-se dezenas de km para chegar aos seus empregos no centro. Pagam caro por essa exclusão. Essas cidades foram projetadas sob a equivocada ótica de "cidades dos automóveis". Curioso é que esse modelo foi assinado pelos arquitetos planejadores comunistas dos anos 50.

O comunismo do "luxo para todos, carro para todo mundo"!

Aqui em SP temos um transporte público de boa qualidade sim, mas insuficiente para uma demanda que é surreal.

Essa política de expulsar a classe trabalhadora para a periferia é pérfida, todos saem prejudicados. Violência, desemprego ao lado de falta de mão de obra, alto custo de serviços; tudo isso é fruto de um desiquilíbrio generalizado decorrente entre outras coisas dessa ocupação segregada do espaço de nossas cidades.

Essa carrodependência nos sai cara. E tem cura sim. Historicamente são os prefeitos que fazem a mudança, mas é o povo quem demanda mudanças e o nosso ainda não valoriza o simples.

O panfleto que deveria ser de estudo obrigatório em todas as salas de aula e gabinetes de gestores públicos deste país, pode ser baixado aqui.

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