Fórum de Bicicleta de Manaus marca recorde de participantes | Bike é Legal

Renata Falzoni

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Pelo terceiro ano consecutivo, Manaus sediou o Fórum de Bicicleta organizado pelo Pedala Manaus, um coletivo que há quatro anos promove o ciclismo urbano e esportivo na capital do Amazonas. Foram três dias de palestras sobre o tema "A Cidade que temos e a Cidade que queremos", tema esse muito apropriado de ser discutido por todos desse país.

Renata Falzoni
Com sede na capital amazonense, Fórum é promovido pelo Pedala Manaus
Com sede na capital amazonense, Fórum é promovido pelo Pedala Manaus

Zé Lobo, da Associação Transporte Ativo, mais uma vez expôs, sempre em palestras diferentes entre si, novas técnicas e ações positivas que podem ser replicadas para acelerar o necessário processo de mudanças. "Se o poder público não age, a sociedade civil vai lá e mostra o que e como fazer".

Zé fotografa os mínimos detalhes em uma cidade e, com pitadas cheias de humor, ajuda o público a afinar foco, como por exemplo ao analisar a publicidade de dois Shoppings Centers cariocas. O primeiro "do século 20", que premia compras com o cupom de sorteio para um automóvel _ "a maior roubada, IPVA, estacionamento..." e o segundo "do século 21" com o sorteio de 14 bicicletas. As aspas são o Zé falando.

A Transporte Ativo reinventa-se todos os dias e disponibiliza em seu site inúmeros manuais para serem baixados.

Renata Falzoni
Zé Lobo, da Transporte Ativo, palestra no Fórum de Manaus
Zé Lobo, da Transporte Ativo, palestra no Fórum de Manaus

Altamirando de Moraes, o Sub Secretário do Meio Ambiente do Município do Rio de Janeiro, um dos grandes aliados da Transporte Ativo, apresentou um relato detalhado da mobilidade carioca para os Jogos de 2016. A cidade já tem 380 km de ciclovias e contará com 450 km integrados ao transporte público. Em breve, o sistema do Centro, Flamengo Botafogo, Copacabana, Leblon, São Conrado, será ligado ao da Barra com a adequação da Av. Oscar Niemeyer. A ciclovia passará pela borda de fora da avenida, que é um imenso viaduto incrustado na rocha, por sobre o mar. Sem dúvida e modéstia alguma, será a ciclovia urbana mais linda do Planeta, um emblemático cartão postal da Cidade Maravilhosa para o Mundo.

Minha palestra versou sobre a definição de Mobilidade Sustentável pela ótica do Ministério das Cidades, a Política Nacional de Mobilidade Urbana, o Desenvolvimento Orientado para o Transporte copilado pelo ITDP, o recém sancionado Plano Diretor de São Paulo, o CicloviaSP, a implantação dos 400 km de ciclovias segregadas e o rápido processo de resgate do espaço público hoje privatizado pelo uso desiquilibrado do automóvel.

Glaudston Pinheiro, o primeiro gestor de Niterói a implantar estrutura cicloviária naquela cidade, falou sobre o avanço de sua trajetória, dessa vez no Estado do RJ como gerente da Coordenadoria de Planos Regionais com foco na mobilidade sustentável. Glaudson deu uma aula de como encaixar a mobilidade humana em todos os setores.

Renata Falzoni
Programação do Fórum teve palestras e discussões sobre a bike na cidade
Programação do Fórum teve palestras e discussões sobre a bike na cidade

O Professor sobre Rodas Thérbio Felipe traduziu toda a magia por trás do estilo de vida do ciclismo e cicloturismo em uma única palavra: Paz. A poesia simples e por si só revolucionária.
A única autoridade manauara presente foi a secretária Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade Kátia Schweickardt, agrônoma, mestre em sociedade e cultura na Amazônia, doutora em sociologia e antropologia, sensível à causa dos ciclistas de Manaus.

Kátia não teve papas na língua e iniciou seu discurso dando um pito no seu par carioca Altamirando de Moraes que "logo no primeiro aperto de mão veio dizer que Manaus poderia ter ciclovias", e emendou: "Nós aqui temos outros problemas como a falta de saneamento básico a serem equacionados antes que ciclovias; não precisamos de gente de fora vir aqui dizer o que precisamos fazer".

Renata Falzoni
Terceira edição do evento teve o mote
Terceira edição do evento teve o mote "A cidade que temos e a cidade que queremos"

O pouco tempo de plenária não permitiu que o público argumentasse sobre esse ponto de vista, já que entende-se que todas essas infraestruturas básicas da pasta Sustentabilidade que ela representa devem acontecer concomitantemente, associadas a educação e nunca "uma em vez da outra". A Secretária também não se deu a chance de assistir às palestras de Altamirando e de Zé Lobo, perdeu.

Assim como perderam todas as outras autoridades que, em pleno período eleitoral, não se deram ao luxo de sequer responder aos convites enviados, na base do pedal, pela dedicada equipe do Pedala Manaus.

Veja aqui nesse link mais sobre os detalhes da programação do Fórum cuja organização foi impecável.

 

Equipe que realizou o III Forum de Bicicleta de Manaus:


Coordenação:

- PAULO AGUIAR
- NÁDIA AGUIAR
- SIMONE RUSSO
- RICARDO ROMERO
- WELBY BARROS
- NEYLIANDRA LAVAREDA
- CLÁUDIA VALENTE
- LANNY UCHOA
- MAYK SILVA
- NILTON LEAL
- TUZA MARTINS
- PAULO MARTINS JR.
- AROLDO
- MARILÉIA SEIXAS
- ALEXANDRA COSTA

Voluntários:

- AQUINO
- ISABEL VALENTE
- CECÍLIA XAVIER
- ELCIO OLIVEIRA
- INGRID CAVALCANTE
- ISRAEL FELIX
- LEANDRO COELHO
- LUANA DEMOSTHENES
- MARCELO MELO
- MARCO REIS
- PATRICK CRUZ
- PAULA SANTIAGO
- PRI SOUZA
- RONALDO
- SANDRO FROTA
- DAVISON MOURA
- GIOVANI
- HARLEN

Agradecimento aos Apoiadores:

-Hotel GO INN
-ALEAM - Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas
-CTTM - Comissão de Transportes e Trânsito e Mobilidade
-O CICLISTA ELÉTRICO / SENSE BIKE
-SDS - Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
-IDESAM - Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas
-Caloi
-Retifica Nacional
-ALFAMA
-ORIGEM
-Bicicletaria Oficebike
-SEMMAS - Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade
-Manaus Ambiental
-CEDOA - CENTRO DE DIAGNÓSTICO OFTALMOLÓGICO DA AMAZÔNIA
-ART DECOR - Móveis sustentáveis
-Restaurante Fish Maria
-Rede Amazônica de Televisão
-Banksia Films

 

 

Mudanças são tão necessárias quanto doloridas | Bike é Legal

Renata Falzoni

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Moradores do bairro de Santa Cecília entendem que as ciclovias que estão sendo implantadas nas ruas do bairro ferem seus direitos.

O fato foi registrado em BO no 77 0 DP de Polícia, apoiados pelo Conseg, o Conselho de Segurança do Bairro, a população quer o debate - o que é bom - mas também justificam-se pois perderam as "suas" vagas para estacionar os seus automóveis. "A população é idosa e tem dificuldade de locomoção" me argumentou Fábio Fortes, presidente do Conseg.

Não existe constituição no mundo que garante o direito a estacionar carros particulares em vias públicas, portanto o único direito aí que se pode reclamar em algum BO é justamente o da retirada de objetos particulares locados em espaço público, para fomentar a livre circulação pelo bairro, desses cidadãos que têm dificuldade de locomoção e consequentemente melhorar a vida de todos.

É o paradoxo de sempre. O mesmo veneno para combater o mesmo problema causado pelo próprio veneno! Não dá certo!

Arte de Reynaldo Berto
Na charge do dia, Reynaldo Berto mostra o ciclista tranquilo com as críticas
Na charge do dia, Reynaldo Berto mostra o ciclista tranquilo com as críticas


Explico: O espaço público é limitado, os carros particulares espaçosos, pesados, poluidores, danosos a saúde e ao meio ambiente. Todos sabemos disso. Quem só vai de carro perde a mobilidade, fica doente, sem agilidade, com problemas de locomoção e tendem a acreditar que só o fácil acesso aos carros irá salvá-los!

A população não faz essa correlação, estão com dificuldade motora justamente porque não se locomovem, são sedentários, doentes pois só vão de carro.

É visível o quanto o paulistano sofre dessa epidemia - o sedentarismo. Eles pedem mais desse veneno para "sarar" seus problemas.

Não gosto de buscar exemplos fora de nosso país, mas na Europa é uma delícia ver aquelas senhoras saltitantes, beirando os 90 anos, indo e vindo a pé, subindo e descendo ladeiras e escadas de vilas histórias, sempre rindo carregando as compras para casa.

A saúde dessa população é garantida justamente pelo fato de andarem a pé todos os dias um pouco.

"Eu não invisto na doença, eu invisto na saúde, por isso faço ciclovias na minha cidade" é o que diz Victor Lippi, médico sanitarista, ex-prefeito de Sorocaba pelo PSDB. Em dois mandatos Lippi mudou a cara da cidade.

A população de Santa Cecília está repetindo o que qualquer um faz frente a mudanças; repelir. É da natureza do ser humano. Eles também pedem um debate, e isso é bom, é mesmo muito bom.

Mundialmente a circulação de carros vem sendo retirada para dar espaço a pedestres e ciclistas, apoiados por um sistema eficiente de transporte público. É o resgate do espaço público, hoje privatizado para dar espaço a veículos particulares.

Essa regra é mundial e já é Lei Federal Brasileira, garantida pela
Política Nacional de Mobilidade Urbana, a lei N0 12 587 de 3 de janeiro de 2012. A lei é clara a prioridade é do transporte público e dos "não motorizados" (Art.6 itemII) (detesto ser chamada de "não qualquer coisa"). Veja aqui a íntegra da lei.

Esse modelo também beneficia o comércio, uma vez que as fachadas das lojas ficam visíveis e acessíveis. Carros obstruem a visibilidade e a entrada de clientes. Isso é fato comprovado, outro fato é que pedestres e ciclistas efetuam compras por impulso. Aumentos de vendas aconteceram em Copenhague, Paris e Londres.

Em Seul, Coréia, em 1999 o então prefeito Lee Myung Bak, derrubou um viaduto estilo "Minhocão", esquematizou a circulação de veículos, retirou o asfalto e resgatou o rio sagrado Cheonggyecheon que estava enterrado há décadas. Durante o processo foi execrado pela mídia apoiada e patrocinada pelos comerciantes que o crucificaram.

Pois bem, finda a obra, a região atraiu uma enorme quantidade de pedestres, aumentaram as vendas a procura por turistas e o prefeito acabou eleito presidente.

São Paulo precisa mudar e o processo de mudança é sempre doloroso e o quanto mais rápido melhor. Vamos ao debate, mas com a premissa que o espaço das ruas é público e o automóvel um bem particular.

Plano Diretor de SP promove o resgate do espaço público, hoje privatizado | Bike é Legal

Renata Falzoni

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Na última quinta-feira(31), o prefeito de São Paulo Fernando Haddad sancionou o Plano Diretor Estratégico da cidade, que define as diretrizes da política urbana na capital paulista para os próximos 16 anos. A cerimônia aconteceu no auditório do Parque do Ibirapuera, repleta de discursos, palmas, puxa-saquismo e outras cenas típicas dos eventos políticos.

Mas valeu, e muito. A lei está calcada em três vertentes: moradia, mobilidade urbana e sustentabilidade. Esse tripé, em harmonia, será a chave para a humanização da cidade, a inclusão social e o resgate dos espaços públicos, hoje totalmente segregados pela prioridade da fluidez dos automóveis e a ocupação desigual do solo.

Veja aqui nesse vídeo um resumo do contexto da lei:

O texto é impecável e vai direto ao ponto: O que queremos ser? Cidade Grande ou Grande Cidade? "Grande Cidade" é o que queremos ser.

A comunicação visual dessa peça também é impecável. Veja:

Reprodução
Plano Diretor de São Paulo
Plano Diretor de São Paulo
Reprodução
Comunicação visual do plano mostra foco em pedestres e ciclistas
Comunicação visual do plano mostra foco em pedestres e ciclistas
Reprodução
Cidade está implantando plano de 400km de novas ciclovias
Cidade está implantando plano de 400km de novas ciclovias

O Plano obedece na íntegra a Política Nacional de Mobilidade Urbana, a lei e N0 12 587 de janeiro de 2012, lei esta totalmente desconhecida da esmagadora maioria da imprensa que critica antes de estudar os fatos.

Dessa forma, o transporte público tem total prioridade de circulação, assim como os pedestres e ciclistas, os chamados "não motorizados".

Aqui entre parêntesis, estar classificada de "não motorizado (a)" é irritante. Primeiro porquê o "não" usado como regra é negativista, cria uma espiral descendente, para baixo, prefiro a comunicação positiva. Em segundo, porque ao ser tratada de "não alguma coisa", sinto-me classificada como a exceção de uma regra, o que não é correto, pois eu, como a esmagadora maioria dos cidadãos de nossas cidades, me locomovo com o que é de mais natural do ser humano, as pernas, as mesmas com que todos nascemos.

Os carros tumultuam e poluem a cidade e dão conta apenas de 28% dos deslocamentos.

Se somarmos os 33% dos deslocamentos que são feitos a pé, aos 38% dos que são em transporte público teremos que, pela primeira vez na história da cidade, a política de mobilidade urbana agora coloca prioridade para os 72% dos deslocamentos que são de transporte público, a pé e de bicicleta, os "sem carro próprio" .

Já estava bem passada da hora não é?

"A Mobilidade Sustentável pode ser definida como o resultado de um conjunto de políticas de transporte e circulação que visa proporcionar o acesso amplo e democrático ao espaço urbano, através da priorização dos modos não motorizados e coletivos de transporte, de forma efetiva, que não gere segregações espaciais, socialmente inclusiva e ecologicamente sustentável. Ou seja: baseado nas pessoas e não nos veículos" (1) (2) Assim o Ministério das Cidades define a Mobilidade Sustentável.

Mas voltando ao que interessa, nós, os "não motorizados" mais uma vez estamos legalmente em prioridade no trânsito dessa nossa capital. Primeiro pelas leis federais e agora, pelo Plano Diretor.

O prefeito Haddad está de fato colocando em prática essa meta. Primeiro com os corredores de ônibus, que foram massacrados pela mídia e pela sociedade carro-dependente, mas aplaudido pela esmagadora maioria dos paulistanos, aqueles que sofrem todos os dias no transporte público.

Há cerca de um mês o prefeito anunciou 400 km de ciclovias segregadas, para até o final de 2015. Essa velocidade de implantação é estratégica, uma das técnicas usadas em Nova Iorque, quando a mudança foi rápida, para que os benefícios da transformação fossem sentidos e absorvidos o mais rápido possível.

Toda a mudança é dolorida e quanto mais rápida ela acontecer, melhor.

No entanto chega a ser impressionante o que a mídia está avessa a mudanças que resgatam o espaço público, e o quanto a polêmica por polêmica é hoje colocada em pauta em vez do debate construtivo.

Ao folhear os jornais e revistas e assistir os noticiários, fica evidente que essa mídia é dependente de anúncios de carros e portanto, dá margem a concluir que existe aí um "rabo preso".

O mais indignante é que esses veículos buscam munição entre os próprios ciclistas que, ao emitir um ingênuo comentário ou mesmo crítica a um sistema ainda em implantação, dão subsídio a um monte de bobagem que vem sendo veiculada.

Nunca vi tanto "expert em mobilidade" falar tanta asneira! Não quero aqui nesse post passar os links dessas matérias estúpidas, para não dar ainda mais audiência a esses incompetentes, mas leia aqui a brilhante resposta de Willian Cruz, no Vá de Bike, a uma das bobagens veiculadas no Estadão:

Ninguém duvida da necessidade de taxis, e veja que interessante: em São Paulo, a cada viagem realizada em um taxi, duas outras são feitas em bicicleta.

Portanto, só cego não vê as bicicletas nas ruas de nossa cidade e com elas o resgate do espaço público, hoje privatizado para a circulação e estacionamento de carros particulares.

Já passou da hora de mudar. Aos que imaginam que só existe segurança dentro de um carro blindado fica o convite, saia a pé e usufrua os espaços públicos, pare de reclamar e ajude-nos a construir uma cidade mais humana.


(1) MCIdades/SeMOB/Diretoria de Mobilidade Urbana - A mobilidade urbana sustentável, texto para discussão, março de 2003.
(2) MCIdades/caderno6/Política Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável, pág 13)

Em tempos de falta d'água, um pedal pela represa de Atibaia | Bike é Legal

Renata Falzoni

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A aventura da vez é um pedal na represa de Atibaia, com muitos quilômetros de subidas. Fiz a travessia Piracaia-Joanópolis com o pessoal do Sampa Bikers e no trajeto de 35km, algumas ladeiras foram muito malvadas. Um dia de muita diversão e mountainbike na veia!

Veja na videorreportagem:

CicloIguaçu e a luta pela bike no Paraná | Bike é Legal

Renata Falzoni

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No quarto e último vídeo da série especial sobre o Workshop da Transporte Ativo, Jorge Brand, o Goura, conta como surgiu a CicloIguaçu, entidade que defende o uso da bicicleta em Curitiba e região. Veja!

Workshop TA

No final de abril ocorreu no Rio de Janeiro o segundo Workshop da Transporte Ativo. Com o tema " A Promoção da Mobilidade por Bicicleta no Brasil", a organização premiou diversas entidades que promovem o uso da bicicleta.

Também durante o Workshop, ocorreram palestras sobre organizações que lutam pelas magrelas, explicando quem elas são, como funcionam e se organizam. Na série especial, você já viu aqui o resumo da fala de é Zé Lobo, que palestrou sobre o funcionamento da própria Transporte Ativo e também a participação de JP Amaral, líder do Bike Anjo.

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