Títulos, mas com explosão da dívida, do prejuízo e do custo de futebol: os anos Gilvan no Cruzeiro

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
Nicola revela dificuldades financeiras no Cruzeiro e demora em pagamento por Diogo Barbosa: 'A venda do Sóbis será festejada pela diretoria'

O final da gestão de Gilvan de Pinho Tavares no Cruzeiro mostra um clube em dificuldades financeiras. O time mineiro admite que teve que se desfazer do lateral esquerdo Diego Barbosa por não ter como cobrir a oferta do Palmeiras. Segundo o site Superesportes, o clube tem dificuldades para pagar salários neste final de temporada e é cobrado na Fifa por falta de pagamentos em valores que já chegam a R$ 50 milhões.

Situação que deve deixar ainda pior as finanças cruzeirenses em relação a 2016, quando o cenário já era assustador. Com Gilvan, a equipe ganhou o Brasileiro  duas vezes e acaba de conquistar a Copa do Brasil deste ano. Mas viu sua dívida e seus gastos com o futebol explodirem e o prejuízo acumulado disparar.


Dados compilados pelo especialista Amir Somoggi mostram como o cartola faz as finanças cruzeirenses ficarem corroídas.

Entre os 12 times mais tradicionais do país, nenhum viu sua dívida aumentar tanto em relação a 2011, o último ano antes de Gilvan assumir, até 2016. O valor passou de R$ 120,3 milhões para R$ 363,1 milhões, ou estratosféricos 202%. O segundo no ranking fica bem distante: o São Paulo, com com 143%.

Computando o grupo dos 12 grandes, só o Botafogo, com receitas muito mais modestas e com curva positiva hoje nas finanças, perdeu mais dinheiro do que o Cruzeiro nos anos Gilvan. Entre 2012 e 2016 o clube mineiro sempre ficou no vermelho, com um déficit acumulado de R$ 147,6 milhões.

Tudo isso mesmo com um desmanche do time bicampeão brasileiro em 2013 e 2014 que rendeu cerca de R$ 100 milhões para o clube.

Antes de Gilvan, o Cruzeiro era um dos times em que as despesas de futebol tinham a menor fatia no total de receitas do clube: 69%. Em 2016, a equipe era em que os gastos com seu time mais comiam suas receitas: 81% (no flamengo esse percentual é de apenas 39% e no 74% no rival Atlético-MG). Em números brutos, isso significa que o Cruzeiro gastava R$ 88,1 milhões por ano com seu futebol antes de Gilvan e passou a gastar R$ 193 milhões com ele.

Campanha de rebaixado: em jogo entre grandes, Flamengo é o mais medíocre do Brasileiro

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Se um grande time é testado nos grandes jogos, o Flamengo é, entre os clubes mais tradicionais do país, o clube mais medíocre do Brasileiro. Computando apenas os duelos entre os 11 gigantes do país (o Inter está na Série B), a equipe da Gávea é que tem o pior desempenho.

Foram 14 confrontos contra grandes até agora na competição, e o Flamengo venceu apenas dois, com sete empates e cinco derrotas. Isso significa um aproveitamento de 30%. Na classificação geral, só o lanterna Atlético-GO tem uma campanha pior (28%).


Líder do Brasileiro, o Corinthians também lidera nos clássicos, com aproveitamento de 76%. Quem chega mais perto da ruindade do Flamengo nos grandes jogos é o Fluminense, que ganhou 33% dos pontos que disputou nesse tipo de partida.

Já são mais de três meses sem vitória flamenguista em clássicos: a última foi em 8 de julho, quando venceu o Vasco. A situação do time na classificação só não é pior graças ao bom desempenho conta os demais rivais, com aproveitamento de 69%, com 10 vitórias, 3 empates e 3 derrotas.

O aproveitamento de cada time nos jogos entre grandes

1º        Corinthians            76%
2º        Santos                       55%
3º        Palmeiras                52%
4º        Grêmio                     50%
5º        Cruzeiro                  47%
6º         Botafogo                43%
7º         Atlético-MG        42%
8º         São Paulo               40%
9º         Vasco                        38%
10º      Fluminense           33%
11º      Flamengo               30%


Chuveirinhos, poucos gols, muitas faltas: em números a mediocridade do Brasileiro-2017

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
Juca Kfouri: 'Nós perdemos a nossa essência; aquilo que nos encantava, não existe mais no futebol brasileiro'

Assistir o Campeonato Brasileiro em 2017 é uma dureza. Não faltam números para provar que esta edição é, com raras exceções, um desfile de mediocridade. Dá para notar isso até quando se olha os melhores times em algumas estatísticas.

O Grêmio é o time com o ataque mais eficiente da competição. Em 28 rodadas,  marcou 42 gols.  Isso dá uma média de 1,50 gol por partida. Mantendo esse número até o final, a edição 2017 do Brasileiro terá o melhor ataque com a menor média dos pontos corridos, que começou em 2003.


Tem time que ainda sonha com o título com um número elevado de derrotas, casos de Palmeiras e Grêmio. Eles já saíram derrotados nove vezes. Com mais uma, poderão fazer algo inédito: nunca um campeão nos pontos corridos com 20 times foi campeão perdendo dez partidas.

Com a ajuda do TruMedia, a ferramenta de estatísticas dos canais ESPN, é possível mostrar que o Brasileiro tem um nível técnico bem distante das principais ligas nacionais da Europa. Quem gosta de gol, por exemplo, sofre com o futebol praticado no país.

Depois de 28 rodadas, a média de gols por partida é de apenas 2,35, bem longe das grandes ligas. Na Espanha, ela é hoje de 2,78. Na Inglaterra, 2,52. Na Alemanha, 2,60. Na França, é de 2,72. E na Itália, que já foi famosa por suas retrancas, está em 2,89.

No Brasileiro-2017, 20% das jogadas ofensivas acabem em cruzamentos para a área, marca acima das ligas da Europa. Mesmo na Inglaterra, que já foi a pátria dos chuveirinhos, essa estratégia é menos usada (16,7%).

Se faltam gols, sobram faltas no campeonato do único país cinco vezes campeão mundial. Na média, cada jogo do Brasileiro tem 33 faltas. Em nenhuma grande liga da Europa esse número chega a 27. Na Inglaterra, são apenas 21 infrações por partida.


Cobrando, na média, R$ 289 do torcedor, CBF vai arrecadar em 3 jogos da seleção mais do que 18 clubes no Brasileiro inteiro

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
Para Mauro, seleções jogam muito mais do que deveriam e clubes sofrem: 'Sistema absurdo'

Ver a seleção jogando no Brasil virou algo tão caro que 2017 vai terminar com algo inusitado. Em apenas 3 jogos pelas eliminatórias no ano, a CBF, já mais rica que qualquer clube do país, deve arrecadar mais com bilheteria do que 18 clubes no Campeonato Brasileiro inteiro, em que cada time faz 19 partidas como mandante.

Somando os jogos contra Paraguai, na Arena Corinthians, Equador, na Arena do Grêmio, e Chile, no Allianz Parque, a arrecadação bruta bateu em estratosféricos R$ 35,329 milhões. Nesses jogos, foram 122.428 pagantes, o que representa um salgado preço médio de R$ 289 por tíquete.

Uma comparação com o que os clubes arrecadam com ingressos no Campeonato Brasileiro mostra a montanha de dinheiro que virou um jogo da seleção.

Pela média atual de cada time, nada menos do que 18 deles vão terminar a competição com faturamento muito menor do que a CBF conseguiu em apenas três jogos pela seleção, incluindo gigantes como Flamengo e São Paulo.

O clube do Morumbi, com sua média atual de renda, vai terminar o Brasileiro com R$17,7 milhões na venda de ingressos. Para o Flamengo, serão só R$ 15 milhões. Outros grandes arrecadam só uma migalha do que a CBF consegue. O Botafogo vai ficar na casa dos R$ 5,5 milhões.

Os únicos clubes que em um Brasileiro inteiro podem arrecadar mais do que a seleção em só três jogos são Corinthians e Palmeiras. No caso do líder da competição, pela média atual na sua Arena, o faturamento total na competição será de R$ 41 milhões. Já para o Palmeiras a margem é pequena: caminha no ritmo atual para R$ 36,5 milhões.

Nuzman tem 16 quilos de ouro; em seu reinado de mais de 20 anos no COB, Brasil juntou míseras 126 gramas de ouro em medalhas

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

Juca Kfouri analisa caso de Nuzman: 'Foi tão fominha que está preso antes do Ricardo Teixeira'

Carlos Arthur Nuzman foi preso nesta quinta-feira e o mundo ficou sabendo que ele guarda 16 quilos de ouros em um cofre na Suíça. A lista de acusações contra ele é tão grande e consistente que desta vez parece certo que ele não terá como continuar no comando do Comitê Olímpico Brasileiro.

E o seu legado em medalhas nos mais de 20 anos que comandou o órgão é tão modesto que a quantidade de ouro de verdade que o Brasil acumulou em medalhas em seis Olimpíadas com ele equivale à uma mísera fração da pequena montanha de barras de ouro que o cartola guarda.

O Brasil investiu bilhões no esporte através do dinheiro da Lei Piva, que sai das apostas da loteria. E a maioria desse dinheiro foi administrado pelo COB. E com essa montanha de dinheiro o país soma apenas 21 medalhas de ouro na era Nuzman, ou média de apenas quatro por jogo.

Pelas regras do Comitê Olímpico Internacional, uma medalha de ouro olímpica deve ter pelo menos 6 gramas efetivas de ouro. Assim, com Nuzman o Brasil acumulou apenas 126 gramas do metal. Mesmo com o peso total de uma medalha de vencedor, 400 gramas, o país de mais de 200 milhões de habitantes não alcança as barras de ouro do cartola: seriam 8,4 quilos.

Nuzman não é só um dirigente ameaçado de passar anos na prisão e com uma reputação absolutamente manchada. Ele foi o comandante de um país que gastou muito, teve a oportunidade de fazer uma Olimpíada em casa e está longe, mas muito longe, de ser uma potência olímpica.

Por isso ele não será punido.

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