Não é só incompetência: em 2017, nada é pior no futebol brasileiro que presidentes dos clubes

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
Conselheiro do SP explica entrevero com Leco: 'Ele veio como um louco para cima de mim e tentou me esganar'


Não que no resto da história tenha sido muito diferente. Mas, em 2017, eles se superam. Nada é pior nesta temporada do futebol brasileiro que os seus cartolas. Começando pelo presidente da CBF, que não pode viajar para o exterior com medo do FBI e faz trapalhadas com  o árbitro de vídeo.

Mas é nos clubes que a situação ganha ares até de pastelão.


O santista Modesto Roma acusa, sem prova alguma, repórter de TV de influenciar em decisão da arbitragem e acaba suspenso. Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco,  faz o São Paulo bater recorde de rodadas na zona de rebaixamento e culpa Rogério Ceni, o maior ídolo do clube, a quem demitiu covardemente. E ainda é acusado de agredir um conselheiro.

Os resultados em campo fazem parecer que tudo vai bem no Corinthians, mas a verdade é que a administração Roberto de Andrade faz a dívida do clube aumentar de forma vigorosa e o pagamento da Arena em Itaquera parecer cada vez mais difícil.

No Atlético-MG, Daniel Nepomuceno resolveu dividir seu tempo entre o clube e um cargo na prefeitura de Belo Horizonte. O clube fracassa mesmo gastando muito e ele resolve colocar todo a culpa nas costas dos treinadores: o clube vai para o seu terceiro na temporada e o rebaixamento já passa a ser uma ameça concreta.

No Rio, os presidentes de Flamengo e Botafogo vão bem nas finanças, mas passaram meses trocando provocações como se fossem crianças, atiçando de forma boba uma rivalidade que muitas vezes acabou em violência. Eduardo Bandeira de Mello ainda mantém uma política de preços de ingressos que faz o mais popular clube do país não conseguir encher um estádio onde cabem apenas 20 mil pessoas.

Muito pior é o que faz no  Vasco Eurico Miranda, que teve seu afastamento pedido pelo Ministério Público, acusado de apoiar uma torcida organizada que causou um caos em São Januário em jogo contra o Flamengo, e o estádio acabou interditado.

Outro que faz bom trabalho na administração do clube, Marcelo Sant’Ana faz feio no Bahia ao bater boca com jogadores do São Paulo e ameaçar árbitros.

E presidentes não podem ser demitidos, como treinadores, ou afastados, como jogadores. Que admitam ao menos seus pecados.

 



Barcelona de Guayaquil gasta 15% do Santos e 10% do Palmeiras, e eliminou e jogou melhor que os dois

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

Arnaldo comenta eliminação do Santos, vê falta de opções no banco e fala em fim de ciclo de alguns jogadores

"Fazendo um balanço dos 180 minutos, fomos muito superiores, sempre tivemos o controle do jogo". Esta frase foi de Guillermo Almada, o técnico do Barcelona de Guayaquil após eliminar o Santos em plena Vila Belmiro nas quartas de final da Libertadores. Antes, nas oitavas, ele havia feito o mesmo com o Palmeiras no Allianz Parque. E ele tem toda a razão.

O time equatoriano tem uma fração do orçamento dos gigantes brasileiros. Para 2017, a estimativa é de gastos totais de US$ 15,5 milhões, ou R$ 48,4 milhões. Isso equivale a cerca de 15% do orçamento santista (R$ 319 milhões)  ou apenas 10% do que o Palmeiras tem para gastar (mais de R$ 450 milhões).


Com esse abismo financeiro, o mais provável seria apontar o dedo para o imponderável para explicar as eliminações dos brasileiros. Mas não é o caso: como diz o técnico Almada, o time equatoriano foi quem controlou o jogo e mais criou, derrubando a tese que virou moda no Brasil, que ter a posse de bola hoje é quase um pecado.

Tudo isso fica evidente nos números do TruMedia, a ferramenta de estatísticas da ESPN. Na média, nos quatro jogos contra Palmeiras e Santos, o Barcelona teve média de 55,3% de posse de bola. Em casa, chegou então a impressionantes 62,4%. Até na Vila Belmiro, nesta quarta-feira, controlou mais a bola: 51,8%.

Posse de bola inútil? Muito pelo contrário. Contra os gigantes brasileiros Palmeiras e Santos, o Barcelona finalizou muito mais. Foram ao todo 52 chances de gol, contra as 36 finalizações somadas que Palmeiras e Santos fizeram contra a meta do clube equatoriano.

O toque de bola do time de Guayaquil também teve muito mais qualidade. Nos quatros jogos contra palmeirenses e santistas, foram 1.640 passes, com precisão de quase 75% e as bolas longas respondendo por apenas 16% do total de passes.

Somados, Palmeiras e Santos trocaram só 1.323 passes contra o Barcelona, e com menos precisão e mais "chutões". O Palmeiras teve índice de acerto de 66,4% e 19,4% de lançamentos. Para o Santos, a precisão foi de 66,7% e a participação nos passes longos ficou em 20%;

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Hora de repensar como o futebol brasileiro gasta tanho dinheiro para times que são superados, no placar e na bola, para rivais modestos.


Não é só manchete de jornal: Neymar e Cavani trocarem passes virou mesmo raridade no PSG

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
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Nesta segunda-feira, o jornal "L'Équipe", o principal nos esportes da França, publicou que a tensão entre Neymar e o atacante uruguaio Cavani no PSG chegou a tal ponto que os dois já evitam trocar passes. Exagero? Nem um pouco, como mostram os números do TruMedia, a ferramenta de estatísticas da ESPN.

A parceria entre os dois, que começou em clima de lua-de-mel na estreia do brasileiro, contra o frágil Guingamp, ficou praticamente nula nos últimos jogos do clube francês, que ainda assim tem 100% de aproveitamento desde a chegada de Neymar.

Diante do Guingamp, Neymar passou a bola 10 vezes para o uruguaio. Nos outros cinco jogos somados com a camisa do clube, o brasileiro tocou a bola para o companheiro apenas 11 vezes.  O camisa 10 colocou o centroavante em condições de finalizar cinco vezes, sendo que três foram na estreia e apenas duas nas outras cinco partidas.

Na outra direção a situação é a mesma. No primeiro jogo juntos, Cavani passou a bola seis vezes para Neymar, mais do que nos outros cinco jogos somados da parceria, quando ele tocou a bola para a mais cara contratação da história do futebol míseras cinco vezes, sendo que nenhuma neste domingo, contra o Lyon, quando explodiu o relacionamento ruim dentro de campo dos dois.

Cavani só deu uma assistência para Neymar finalizar até agora, justamente na estreia da dupla.

Enquanto isso, Neymar colocou a outra grande contratação do PSG para a temporada como seu grande parceiro no ataque. Contra o Lyon, o brasileiro passou a bola para o francês Mbappé em dez oportunidades, que tocou a bola para Neymar seis vezes.

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Com o clima pesado, o PSG volta a campo pelo Campeonato Francês no próximo sábado, quando vai jogar como visitante contra o Montpellier.

Longe do melhor e do pior: Onde fica Muralha no ranking do 'bola que vai no gol entrou'?

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
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É claro que a conta não é 100% perfeita. Uma defesa pode ser fácil ou difícil  dependendo de onde foi a finalização, se o atacante estava dividindo espaço com um defensor e pela qualidade de quem está chutando ou cabeceando.

Mas o ranking do "bola que vai no gol entrou" da temporada, com números do TruMedia, a ferramenta de estatísticas da ESPN, é um bom indicativo da qualidade dos goleiros e também do sistema de marcação dos grandes clubes brasileiros.

Foram contabilizados os jogos de competições nacionais e internacionais em 2017 (os campeonatos estaduais e a Primeira Liga ficaram de fora). 

A primeira conclusão é que o Corinthians realmente tem a melhor defesa do país e Cássio, servindo agora a seleção brasileira, está em grande fase. No ano, o arqueiro corintiano sofreu 16 gols em jogos do Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana.  Nessas competições, os rivais acertaram 127 finalizações.  Assim, só 13% das bolas que foram na direção certa na meta defendida por Cássio acabaram em gol, a menor proporção entre os goleiros dos grandes brasileiros.

Outra constatação do ranking é o grande momento por que passa Vanderlei, que joga em um time, o Santos, de defesa não tão sólida assim. Por competições nacionais e Libertadores, os rivais acertaram 136 finalizações contra sua meta. E só em 24 as redes foram estufadas, ou apenas 18%.

O ranking ainda prova que o sistema defensivo do São Paulo é uma peneira, e seus goleiros não ajudam. O pior desempenho de todos os arqueiros é de Sidão.  Ele fez apenas três jogos somando a Copa do Brasil e Brasileiro, em que sofreu 7 gols em apenas 15 finalizações certas dos adversários, o que significa uma taxa de sucesso dos adversários de 47% contra Sidão.

Outro arqueiro são-paulino, Renan Ribeiro tem um índice de 31%, acima da média geral dos goleiros dos grandes em 2017 (30%)

E onde fica na lista o flamenguista Muralha, muito criticado por sua falhas? Sem contar o Carioca e a Primeira Liga, onde teve participação direta na eliminação do Flamengo, ele sofreu 16 gols na temporada. Isso em 53 finalizações certas dos rivais, o que dá 30% no 'bola que vai no gol entrou".

Sua marca é praticamente a mesma dos 31% de Diego Alves, contratação recente do Flamengo que não está inscrito na Copa do Brasil e na Primeira liga.

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Veja o ranking do 'bola que vai no gol entrou'

Rueda ensina no Flamengo: é possível sim vencer, e defender bem, com posse de bola

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
Reinaldo Rueda explica melhora do sistema defensivo do Flamengo: 'A equipe toda está comprometida'

O futebol nacional passou as últimas semanas repetindo, baseado nas estatísticas do Brasileiro, que o melhor caminho para vencer é não ter a posse de bola. Mas um técnico colombiano ensina que é possível sim ter um aproveitamento espetacular e ter uma defesa sólida com a essência da modalidade: a bola.

Já são quatro jogos do Flamengo sob o comando de Reinaldo Rueda, com três vitórias, um empate e nenhum gol sofrido. E os números do TruMedia, a ferramenta de estatísticas da ESPN, são um tapa na cara de quem acha que a melhor estratégia hoje é entregar a bola para o adversário.

Com o colombiano, o Flamengo tem média de 56,6% de posse de bola, quase três pontos percentuais a mais do que nos tempos de Zé Ricardo. Em todos as partidas com ele o clube carioca ficou mais tempo com a bola: variando dos 52,2% da vitória deste domingo sobre o Atlético-PR até os 59% no triunfo sobre o Atlético-GO.

O número de troca de passes aumentou de 498 para 527 com Rueda.  E nunca a quantidade de passes longos (quase sempre chutões) passou dos 15% do total.

E algumas coisas óbvias quando um time fica com a bola acontecem no Flamengo sob o comando do ex-treinador do Nacional de Medellín. A média de faltas cometidas caiu dos 15,6 por jogo com Zé Ricardo para 13,5 com o colombiano.

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A queda no número de finalizações dos rivais também caiu de forma considerável. Com Zé Ricardo, o Flamengo sofria, em méda, 11,1 finalizações por partida, Com Rueda, são apenas 9.


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