'Esquecido' no draft e com 24 minutos na NBA; o calouro 'desconhecido' que promete no torneio de enterradas

Matheus Zucchetto, do ESPN.com.br
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Derrick Jones Jr. é o 'desconhecido' que pode surpreender no torneio de enterradas
Derrick Jones Jr. é o 'desconhecido' que pode surpreender no torneio de enterradas

Michael Jordan, Dominique Wilkins, Clyde Drexler, Kobe Bryant. Esses são apenas quatro dos grandes nomes que já disputaram o torneio de enterradas do All-Star Weekend da NBA. Mas 2017 terá uma exceção.

Aos 20 anos, Derrick Jones Jr. não viu Jordan em suas disputas com Wilkins e Drexler nos anos 80. Em 1997, quando nasceu, era Kobe quem surpreendia e vencia a competição. Jones Jr. também pouco jogou na NBA, são pouco mais de 20 minutos de quadra com a camisa do Phoenix Suns.

Mas nada disso importará para ele na noite deste sábado - desafio de habilidades, torneio de bolas de 3 e de enterradas serão transmitidos pela ESPN e pelo WatchESPN a partir de 23h. 

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O ala não teve vida fácil para se tornar profissional. Após crescer na Pensilvânia, ele cruzou o país, até Las Vegas, em Nevada, para tentar espaço no basquete universitário. Mas problemas acabaram com sua passagem pela UNLV (University of Las Vegas, Nevada) antes do fim de uma temporada.

Depois de se formar na Archbishop John Carroll High School, em seu estado natal, Jones Jr. passou por uma prova chamada ACT, que testa o nível de alunos do ensino médio e avalia se eles estão prontos para a faculdade.

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O ala foi liberado para atuar no começo da temporada 2015-16. Mas após 30 jogos, média de 11.5 pontos e quatro double-doubles, ele recebeu a notícia de que seu teste havia sido cancelado e que estava proibida de defender UNLV nos jogos finais.

"Quando meu treinador me contou, partiu meu coração. Comecei a chorar. Não sabia por qual motivo estavam fazendo aquilo", disse Jones Jr. para a ESPN, na época. "Coisas acontecem na vida e nós temos que continuar lutando. Ninguém tem o amanhã garantido", lamentou.

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Com os problemas, Jones Jr. decidiu deixar sua carreira universitária para trás, contratou um empresário e se arriscou no draft de 2016. Mas o resultado foi nova decepção, quando as 60 escolhas se passaram se que o nome do ala fosse chamado.

Ele teve chance com o Sacramento Kings na Summer League, só que uma lesão na virilha atrapalhou. Em setembro de 2016, foi o Phoenix Suns que resolveu apostar no garoto. Suas oportunidades chegaram na D-League. "Sei que irei jogar muito por lá. Sei que meu corpo precisa se desenvolver, e é isso que vou fazer", garantiu Jones Jr, que se tornou sensação na internet por suas enterradas com o Northern Arizona Suns.

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E assim, entre idas e vindas, 11 pontos marcados e apenas três enterradas na NBA, ele chegará ao torneio de enterradas como um dos favoritos - em casas de apostas de Las Vegas, fica atrás apenas de Aaron Gordon. 

"É uma benção. Me deram a oportunidade, e farei de tudo para aproveitar esse momento ao máximo."

O inesquecível dia que jamais existiu na vida de Oscar

Gustavo Hofman

O texto a seguir é uma obra de ficção, com pitadas de realidade

Foi uma decisão surpreendente. No primeiro semestre de 1984, a Fiba informou que não haveria mais a proibição a atletas profissionais da NBA para participarem de suas competições a partir do ano seguinte. Nos bastidores, os comentários eram de que a USA Basketball pressionara a entidade pela mudança da regra.

Nos Jogos Olímpicos a medalha de prata de 1972 ainda gerava polêmica, enquanto no Mundial os universitários norte-americanos não conquistavam o ouro há muito tempo. Como a próxima edição dos Jogos Pan-Americanos aconteceria em Indianápolis, em 1987, eles queriam evitar surpresas desagradáveis em casa. Além disso, um jovem talentoso de North Carolina chamado Michael Jeffrey Jordan parecia ser uma estrela, que inclusive já estava treinando com a seleção para a Olimpíada de 1984. Depois dessa edição, quando assinasse contrato com um time da NBA, não poderia mais defender a equipe.

O Draft aconteceu em 19 de junho. Akeem Olajuwon, pivô nigeriano da Universidade de Houston, foi a primeira escolha, indo para o Houston Rockets - posteriormente ganhou um H no primeiro nome. Era realmente muito talentoso, merecia ser o jogador número 1. Depois muitos foram surpreendidos com a opção do Portland Trail Blazers, que já tinha Clyde Drexler no elenco, e optou por se reforçar com Sam Bowie ao invés de outro armador, no caso Michael Jordan, que acabou no Chicago Bulls.

Depois saíram Sam Perkins (Dallas Mavericks), Charles Barkley (Philadelphi 76ers), Melvin Turpin (Washington Bullets), Alvin Robertson (San Antonio Spurs), Lancaster Gordon (Los Anfegeles Clippers), Otis Thorpe (Kansas City Kings) e assim por diante, passando por um promissor armador escolhido pelo Utah Jazz (John Stockton, 16o) até a 47a escolha ao final da segunda rodada.

O comissário David Stern, que realizou seu primeiro Draft, anunciou só os nomes de primeira rodada, deixando depois todos os scouts e general managers trabalharem alucinadamente nos dias seguintes em busca de mais reforços. Foi assim que Oscar Schmidt acabou recrutado pelo New Jersey Nets na sexta rodada e na 131a posição.

Para os norte-americanos aquele ala brasileiro de 2m05, que jogava na Itália, ainda era um desconhecido. Não chamou a atenção da grande mídia, que se preocupava apenas com os relatos de seus repórteres enviados sobre as primeiras escolhas. Aquela classe do Draft parecia ser realmente muito boa.

Só que no Brasil, Óscar, como os americanos diziam, já era uma estrela. Campeão mundial com o Sírio em 1979, medalha de bronze no Mundial com a Seleção no ano anterior, ele já era uma figura conhecida para quem gostava de esporte. Desde 1982 estava no Caserta, do basquetebol italiano, onde fora campeão da segunda divisão e ganhava ótimo salário.

Jamais, porém, cogitou atuar na NBA já que não poderia seguir com a Seleção. Aquela decisão da Fiba mudou tudo.

Oscar ficou sabendo pela TV que fora escolhido pelos Nets. Ninguém ainda tinha ligado para a casa dele ou para seu clube. O primeiro contato foi superficial, de um diretor que ele não entendeu bem o nome, e informou que eles o encontrariam no período de treinamentos da Seleção para a Olimpíada de Los Angeles nos Estados Unidos.

O Brasil fez diversos treinos em território norte-americano, chegando a enfrentar a Universidade de Auburn, de Charles Barkley. Nessas partidas, Oscar arrebentou, com amplo domínio sobre seus marcadores, que não conseguiam impedir os arremessos que saíam do alto de suas cabeças. Ficavam com torcicolo de tanto olharem para cima.

Em um desses dias, Stan Albeck, técnico dos Nets, encontrou Oscar. A conversa foi rápida, mas suficiente para o treinador passar toda confiança no brasileiro, o qual já tinha acompanhado nos amistosos recentes e o conhecia das competições de seleções. No entanto, não podia oferecer um grande salário por causa das limitações da liga e do grande elenco que tinha em mãos. Sem a proibição de defender o Brasil, Oscar Schmidt aceitou o desafio, passou a ganhar menos e se tornou o primeiro jogador brasileiro na NBA.

Veio a Olimpíada e o Brasil decepcionou ao cair ainda na fase de grupos com uma vitória contra o Egito e quatro derrotas para Austrália, Itália, Iugoslávia e Alemanha Ocidental. Depois ainda teve que jogar a fase de consolação, onde ganhou de França e China para terminar na modesta nona colocação. Oscar foi o terceiro cestinha da competição - que teve os Estados Unidos com a medalha de ouro e o boicote da União Soviética e os países socialistas - com 24.1 pontos de média.

Os brasileiros terminaram a participação em 10 de agosto e dois dias depois ainda estiveram presentes na Cerimônia de Encerramento. Depois todos foram embora, com exceção de Oscar.

De Los Angeles o jogador foi levado diretamente para Nova Jersey, onde se encontraria com os futuros companheiros. A esposa Maria Cristina ficou encarregada de levar roupas e outros documentos que ele precisaria para viver nos Estados Unidos, mas os Nets já tinham se encarregado de toda parte burocrática.

Logo no primeiro treino, Oscar recebeu o colete de titular ao lado dos armadores Otis Birdsong e Micheal Ray Richardson, além dos pivôs Buck Williams e Darryl Dawkins. Como o brasileiro apanhou naquele treinamento! Os reservas não queriam saber quem era aquele gringo, e sim bater naquele folgado que estava tomando o lugar deles. Oscar não treinou bem.

Isso fez com que ele voltasse completamente alucinado no dia seguinte. Para cada cotovelada que tomava, devolvia com outra e uma bola de três, que já existia na NBA desde 1979 e a Fiba acabara de adotá-la. Para cada pisão ou empurrão, Oscar falava meia dúzia de palavrões em português e seguia metendo bolas de longe. Uma atrás da outra, sem permitir que os marcadores sequer encostassem na bola. Ali ele conquistou o respeito de todos.

A estreia aconteceria no dia 26 de outubro de 1984, na Brendan Byrne Arena, contra o Atlanta Hawks. Era uma equipe fortíssima, com a estrela Dominique Wilkins, o ótimo Doc Rivers e os promissores rookies Kevin Willis e Antoine Carr. O ginásio lotou para a estreia.

Os jornais já divulgavam a novidade há alguns dias: "The brazilian sensation will start". Havia expectativa por parte dos torcedores.

Antes do jogo, Oscar não estava nervoso. Os companheiros conversavam com ele, o treinador passava algumas orientações, mas nada importava muito. Aquilo tudo entrava por um ouvido e saía pelo outro. Oscar já estava em transe, obcecado por destruir o adversário, fosse ele qualquer um. No aquecimento, os torcedores ao redor da quadra estava super curiosos para ver pela primeira vez em ação em um jogo oficial o tal brasileiro que arremessava de longe.

Soa o apito. Bola ao alto e Tree Rollins leva a melhor contra Dawkins. A bola cai nas mãos de Doc Rivers, que passa rapidamente para Wilkins conseguir a enterrada poderosa.

Buck Williams bate o fundo e Birdsong conduz a bola até a quadra ofensiva. Oscar se posiciona embaixo da tabela marcado por Wilkins, quatro centímetros menor. Ele sofre o corta-luz de Richardson e na troca fica com Sly Williams, também quatro centímetros abaixo, na marcação. Desloca-se para o canto direito, Birdsong percebe e acerta o passe no fundo da quadra. Na zona morta recebe e, sem baixar a bola, com Williams dando espaço arremessa de três. A bola vai alta, voa por centésimos de segundos enquanto a torcida ainda se senta nas arquibancadas. Chuá! Não dá tempo nem de comemorar. A transição defensiva é rápida e ele tem que assumir a marcação de Sly Williams.

O jogo segue equilibrado até o fim. Dominique Wilkins é um monstro, terminaria com 34 pontos, cestinha da partida. Buck Williams dominou o garrafão dos Nets com dez rebotes, enquanto Richardson distribuiu bem as jogadas com oito assistências. Oscar teve que dividir bastante o jogo. Depois daquela bola de três, passou zerado o primeiro quarto, com poucas chances de arremessar também.

Durante a partida, o comentarista da transmissão na TV percebeu a dificuldade de Oscar na marcação. "Claramente ele tem um talento sobrenatural no ataque, mas vai ter que se esforçar muito mais na defesa. Precisará evoluir defensivamente para se tornar um grande jogador na NBA".

Oscar chegou no quarto decisivo com 15 pontos. Faltando 50 segundos, o jogo estava empatado em 100 a 100. Wilkins conseguiu boa infiltração e deixou os Hawks em vantagem. Os Nets trabalharam bem a bola no ataque e conseguiram empatar rapidamente com Dawkins, faltando 20 segundos.

Mike Fratello, técnico dos Hawks, pediu tempo e desenhou a jogada para o ótimo Eddie Johnson. Ele sabia que a defesa de New Jersey se preocuparia com Dominique Wilkins. O camisa 21 se posicionou na direita do garrafão e sofreu dois bloqueios, primeiro de Johnson e depois de Rollins. A marcação trocou e Wilkins saiu marcado, mas Johnson apareceu livre, como Fratello desenhara, na cabeça do garrafão e acertou o jump shot para deixar o placar em 104 a 102, com 4.4 segundos para o fim.

A essa altura ninguém mais no ginásio estava sentado. Oscar tinha acertado duas bolas de três, enquanto Richardson mais uma no total. Só que a jogada mais conservadora era trabalhar no garrafão com Buck Williams, e foi exatamente o que Stan Albeck programou. Richardson bateria o lateral para Oscar, que seguraria a bola e esperaria a movimentação de Birdsong por um lado e Williams por dentro, trocando com Dawkins para receber posicionado no pivô.

Quando Oscar recebeu, ele já não ouvia qualquer voz. Na verdade, ele já sabia o que fazer desde o início.

O barulho da torcida havia sumido. Ele não tinha prestado atenção nos Xs and Os do técnico, somente no momento em que percebeu seu nome sendo falado e que receberia a bola. Ela chegou nas suas mãos e o cronômetro disparou. Tudo ocorreu como previsto. Quase tudo.

Quatro, três, dois segundos para o fim... O passe não saiu.

Oscar girou de frente para a cesta, posicionado à esquerda da cabeça do garrafão. Como sempre fez, sem baixar a bola, arremessou por cima do marcador. Stan Albeck gritou algo do banco, não foram palavras amistosas.

A buzina indicando o fim do jogo ensurdeceu a todos. A bola ainda viajava.

Cesta. New Jersey Nets 105, Atlanta Hakws 104.

Oscar Schmidt venceu seu primeiro jogo na NBA naquele 26 de outubro de 1984, que jamais existiu.

Celebridades, Oscar, novatos, 'malabaristas' e craques: tudo sobre o All-Star da NBA

Igor Resende, do ESPN.com.br
Oscar Schmidt promete não brincar no Jogo das Celebridades e cobra passes de Jason Williams

A bola laranja quica de um jeito diferente neste fim de semana nos Estados Unidos. Sai aquela competitividade no mais altíssimo nível, fica a habilidade dos melhores jogadores de basquete do mundo. E ainda acrescenta-se a isso aquela pitada a mais de vontade de dar show.

Este é o Fim de Semana das Estrelas da NBA.

Como acontece em todas as temporadas, a melhor liga de basquete do mundo para seus jogos por um tempo e reúne suas principais estrelas para três dias de espetáculos. Desta vez, o show acontece na cidade de New Orleans, entre hoje e domingo.

Em 2017, o Brasil tem um lugar especial no evento. Nesta sexta-feira, a lenda Oscar Schmidt finalmente fará sua ‘estreia' na NBA. Ele foi draftado em 1984 pelo então New Jersey Nets, mas abriu mão de jogar por lá para continuar defendendo a seleção brasileira - na época, jogadores da NBA estavam proibidos de defenderem suas seleções.

Depois de 33 anos, ele recebe todas as homenagens que merece. E joga hoje no chamado Duelo de Celebridades, que reúne ex-atletas, jogadoras da liga feminina dos EUA (a WNBA) e personagens conhecidos nos Estados Unidos e no mundo, como atores e músicos.

É o pontapé inicial do fim de semana, que ainda tem o duelo entre os melhores novatos da liga hoje, com jogadores no primeiro e no segundo anos de liga divididos em Time EUA e Time Mundo.

O sábado traz as atrações mais diferentes, com Duelo de Habilidades, Duelo de 3 Pontos e o tradicionalíssimo Duelo de Enterradas.

O Grand Finale é no domingo, com o Jogo das Estrelas em si, reunido todos os grandes astros da liga separados em um time da cada conferência (Leste e Oeste).

All Star Logo

DATA E LOCAL
De 17 a 19 de fevereiro
Smoothie King Center, New Orleans

Celebrity Game

QUANDO?
17 de fevereiro, sexta-feira
22h (de Brasília)

O QUE É?
Exatamente o que o nome diz: um jogo de celebridades. Também participam ex-atletas e jogadoras da WNBA. Neste ano, o grande destaque é Oscar Schmidt.

QUEM JOGA?

Rising Stars

QUANDO?
17 de fevereiro, sexta-feira
23h55 (de Brasília)

O QUE É?
O duelo entre as novas promessas da liga, com jogadores que estão no primeiro ou segundo ano de NBA. Até 2011, o duelo era justamente entre os calouros e os segundo-anistas. A partir de 2012, porém, eles se misturaram e, desde 2015, são divididos entre o time de atletas dos EUA e o time de atletas do resto do mundo.

QUEM JOGA?

TIME EUA

Time EUA

TIME MUNDO

Time Mudno

 

Sábado

QUANDO?
18 de fevereiro, sábado
23h (de Brasília)

O QUE É?
É o dia mais diferente do fim de semana, sem jogos. São três competições diferentes: a de habilidades, a de arremessos de três e a de enterradas, a mais famosa delas.

DUELO DE HABILIDADES

Duelo de Habilidades

* Joel Embiid, machucado, deu lugar a Nikola Jokic

Os oito jogadores se enfrentam em sistema de mata-mata, um contra um, em um percurso que testa todas as habilidades: passe, condução de bola e arremessos. Ganha quem completar o percurso primeiro.

DUELO DE 3 PONTOS

Bolas de 3

Cada jogador tem um minuto para completar cinco estações de arremessos com cinco bolas em cada. Ganha quem conseguir acertar mais arremessos. Quatro das estações contam com a última bola valendo dois pontos. A outra estação, que o próprio jogador escolhe qual vai ser, tem todos as bolas valendo dois pontos.

A competição é dividida em duas partes. Os três melhores da primeira fase disputam a final na sequência, repetindo o circuito de arremessos.

DUELO DE ENTERRADAS

Enterradas

Cada jogador faz duas enterradas e é avaliado por elas. Os dois com as melhores notas fazem a final e, de novo, fazem mais duas enterradas para decidir o vencedor.

 

All Star Logo

QUANDO?
19 de fevereiro, domingo
22h (de Brasília)

O QUE É?
O Gran Finale do final de semana. É um jogo disputado entre as principais estrelas da liga, divididas em times do Leste e do Oeste. Os titulares são escolhidos por votação popular, enquanto os treinadores elegem os reservas.

QUEM JOGA?

LESTE

Quadra Leste
  • OS RESERVAS
    •   I. Thomas
    • Celtics
    •   John Wall
    • Wizards
    •   C. Anthony
    • Knicks
    •  Kyle Lowry
    • Raptors
    •  Paul George
    • Pacers
    • Kemba Walker
    • Hornets
    •   Paul Milsap
    • Hawks
  •   

OESTE

Oeste
  • OS RESERVAS
    • R. Westbrook
    • Thunder
    • K. Thompson
    • Warriors
    •     D. Green
    •     Warriors
    •   D. Cousins
    • Kings
    • Marc Gasol
    • Grizzlies
    •    D. Jordan
    • Clippers
    •  G. Hayward
    • Jazz
  •   

Sérvio dos Nuggets supera problemas com peso e 'preguiça' para revolucionar função de pivô

Matheus Zucchetto, do ESPN.com.br
Getty
Jokic revoluciona a função de pivô com os Nuggets
Jokic revoluciona a função de pivô com os Nuggets

Junho de 2003. Nova York recebia o draft da NBA mais uma vez, mas poucos sabiam o que estava prestes a acontecer. Na segunda escolha, logo após LeBron James, o Detroit Pistons "ignorou" Carmelo Anthony, Dwyane Wade, Chris Bosh e, com a segunda escolha, selecionou Darko Milicic.

Na época, o sérvio de 18 anos era uma das grandes promessas do basquete mundial, mas sua carreira nunca deslanchou. Com dificuldades logo no início em Detroit, Milicic ganhou a "ajuda" de um antigo companheiro de Sérvia: Nemanja Jokic.

Os dois jogavam juntos desde os 16 anos de idade, e Jokic deixou a Europa para tentar ganhar seu espaço no basquete universitário dos Estados Unidos. Quando se mudou para Detroit e começou a morar com Darko, Nemanja deixou dois irmãos em solo europeu. Strahinja é o mais velho, que atuava profissionalmente na Sérvia. Nikola, de apenas 10 anos, começava sua trajetória nos esportes.

Uma década depois, as carreiras de Milicic e Jokic nos EUA chegavam ao fim. O primeiro nunca teve média de pontos maior que 8.8. O segundo admite seus erros com o basquete. "Fiz besteira. O basquete não era minha prioridade. Sair, me divertir, beber, garotas, isso era minha prioridade. Eu decidia que nem iria treinar. Mas precisava de apoio da minha família", disse Nemanja para a Sports Illustrated.

Quando voltou para a Europa, ele encontrou seu irmão mais novo em situação muito diferente. Nikola já era maior, com 2,08m e quase 140kg. Apesar de não dar tanta atenção ao basquete - também gostava de futebol, vôlei, polo aquático e corridas de cavalo -, seu talento em quadra já chamava atenção.

"A primeira vez que vi jogando, ele estava dando passos por trás das costas que ninguém sequer tentava. E nunca diziam que ele não poderia. Todos sabiam de suas habilidades únicas", lembra Nemanja.

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Jokic marcou 40 pontos em vitória sobre os Knicks

"The Joker", como ficou conhecido, quase desistiu do draft de 2014 apenas dez dias antes do evento. Seu agente, Misko Raznatovic, chegou a afirmar que Nikola voltaria ao Mega Basket, na Sérvia. Ele havia sido duramente criticado por sua forma física e costumava dizer que era um "fat point guard" ("armador gordo").

"Feche seus olhos e imagine que você está jogando contra minha filha por bolachas de chocolate", falava Raznatovic para "motivar" Jokic antes de jogos e treinos. Em um evento-teste feito pela Nike antes do draft, Nikola mostrou do que era capaz ao lado de Karl-Anthony Towns. Era o bastante para o Denver Nuggets e, em 26 de junho de 2014, enquanto dormia, Jokic teve seu nome chamado na 41ª escolha.

Mesmo assim, ele ainda não pensava em se mudar para os Estados Unidos. Ele já estava próximo de um acordo com o Barcelona. "Estava quase tudo certo. Faltavam apenas detalhes. Mas em um outro jogo que eles [Barcelona] assistiram, ele foi horrível. Você nem imagina como ele foi mal, e eles pediram mais tempo", disse Raznatovic.

"Tive quatro pontos, três rebotes e não joguei na defesa. Acho que foi um sinal. Sem aquele jogo, eu estaria no Barcelona agora", lembra o próprio Jokic.

O sérvio teve seu primeiro triple-double em vitória sobre os Bucks

Enquanto isso, os Nuggets pensavam em como convencê-lo a deixar a Europa. Representantes da franquia foram até a Sérvia oito vezes. Denver contratou o treinador sérvio Ognjen Stojakovic, selecionado o bósnio Jusuf Nurkic. Mas a diferença foi Arturas Karnisovas, lenda do basquete da Lituânia que trabalhava como gerente-geral assistente. Jokic chegou a recusar um contrato para entrar na NBA durante a temporada, mas, eventualmente, ele disse sim.

Quando se mudou para Denver, Nikola foi acompanhado de seus dois irmãos. Mas os primeiros meses foram ruins. Ele chegou a ser chamado de "jogador regular" pelo treinador Mike Malone durante a pré-temporada.

Com o tempo, Jokic "aprendeu" e, ao lado do preparador físico Steve Hess, perdeu mais de 20kg."Um dia ele será como DeAndre Jordan? Não. Ele terá grande impulsão? Não. Ele ainda pode ser o melhor pivô criando chances na NBA? Claro", garante Hess.

"Acredito que os únicos músculos que você precisa no basquete são os do cérebro", diz Jokic. "Gosto de diminuir o ritmo dos adversários, deixá-los no meu ritmo. Posso ver meus companheiros e sei onde eles estarão no momento seguinte. Não preciso vê-los novamente."

Oscar diz estar muito feliz e agradece oportunidade de ter uma camisa dos Nets com seu nome
  • 2017, o ano de Jokic
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Jokic tenta dois dos 40 pontos que marcou sobre os Knicks
Jokic tenta dois dos 40 pontos que marcou sobre os Knicks

Em sua segunda temporada de profissional, Jokic impressiona. Após um começo irregular, ele aproveitou a virada do ano para assombrar toda a liga.

Em dezembro, teve médias de 17 pontos, 8.9 rebotes e 4.9 assistências. Mas, em 2017, seus números melhoraram ainda mais: são 21 jogos, 22.7 pontos, 11 rebotes, 5.6 assistências. Além disso, ele acerta 59% de seus arremessos e teve três partidas que ficarão marcadas.

Exclusivo: Kobe Bryant fala sobre família, Oscar Schmidt e transformações de uma lenda do basquete

Vitória com 40 pontos no Madison Square Garden sobre os Knicks e dois triple-doubles: em massacre contra os Warriors (17 pontos, 21 rebotes e 12 assistências) e os Bucks (20 pontos, 12 rebotes e 11 assistências).

Com o pivô, Denver finalmente conseguiu espaço entre os oito primeiros da conferência Oeste. São 25 vitórias e 31 derrotas e, por enquanto, uma vaga nos playoffs pela primeira vez desde 2012-13.

Cavaliers não têm pivô reserva. Por que não tentar Varejão?

Gustavo Faldon, do ESPN.com.br
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Varejão está sem time na NBA
Varejão está sem time na NBA

Kevin Love ficará afastado por cerca de 6 semanas para fazer uma artroscopia no joelho, até o dia 28 de março mais ou menos. Sem ele, Channing Frye entra no time titular, e o Cleveland Cavaliers não tem nenhum pivô reserva neste momento.

Tristan Thompson é o titular, Frye, que irá entrar no lugar de Love, vinha atuando do banco, mas é mais um ala-pivô, apesar de jogar na posição 5. No momento, a outra opção dos Cavs é Derrick Williams, que está sob contrato de dez dias e é mais um ala do que um ala-pivô.

Oscar diz estar muito feliz e agradece oportunidade de ter uma camisa dos Nets com seu nome

A falta de opção dos Cavaliers, e a disponibilidade de Anderson Varejão - dispensado pelos Warriors na semana passada - , levam à pergunta: Por que não reatar os dois lados?

A necessidade dos Cavs em terem um pivô reserva e a necessidade de Varejão, que aceitaria um salário mínimo de veterano, fariam esse antigo relacionamento uma fácil opção, mas não é bem assim.

O que se houve dos dois lados é que, neste momento, seria muito difícil Varejão assinar com os Cavs. Sam Amico, jornalista que cobre o time, ventilou essa possibilidade na semana passada, dizendo que, por regra, ela é viável, mas que por muitos outros motivos os dois lados optaram por seguir em frente.

 

 

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Varejão nunca falou disso publicamente, mas parece ter ficado sentido com os Cavs por terem o trocado há quase um ano. Tanto é que, segundo a imprensa dos Estados Unidos, não aceitaria o anel de campeão de Cleveland caso fosse oferecido.

Caso haja uma mudança no cenário e os dois lados se reencontrem, Varejão, por regra, só poderia assinar com os Cavs em 20 de fevereiro, um ano depois de ter sido trocado pelo time.

O que parece certo é que os Cavaliers realmente devem ir atrás de um pivô para proteger o garrafão e dar opções no banco. LeBron James, que gosta muito do brasileiro, tem ficado cada vez mais frustrado e tem pedido agressividade da diretoria no mercado. Caso o "Rei" peça o pivô, quem iria falar não?

O que é triste para nós brasileiros é que as opções para Varejão permanecer na NBA parecem estar se fechando cada vez mais.

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