Sabia que o crossfit pode ajudar quem pratica Jiu-jitsu?

Uma dupla que muitas pessoas criticam, mas que dá certo!

Você sabia que o Crossfit, atrelado ao Jiu-jitsu, pode trazer grandes benefícios? 

Muitas vezes, é difícil explicar como alguns movimentos do cross são, de fato, usados durante uma luta de jiu-jitsu. Pensando nisso, fui até a Crossfit Voraz para conversar com o Head Coach Thiago Almeida, que selecionou alguns movimentos que, claramente, usamos nas duas modalidades. Ele contou também um pouquinho sobre como um esporte pode completar o outro.

Crossfit Voraz: Rua Dr. Baeta Neves, 20. São Bernardo do Campo
Academia Ono
: Rua Maranhão 366, São Caetano do Sul
Predator MMA
Imagens: Renato Corrêa

Ela era 'guitar hero', ficou famosa em reality show, teve duas filhas e conquistou faixa preta no jiu-jitsu

Arquivo pessoal
Manu com os pais cascas grossas.
Manu com os pais cascas grossas.

Sabem a Syang? Guitarrista, participante da Casa dos Artistas em 2002... Pois bem, ela é faixa preta de jiu-jitsu. E eu conversei com ela para conhecer sua história e entender como é conciliar a música com o tatame.

Syang começou sua vida na música bem cedo. Já aos oito anos tocava piano, mas um tempo depois ganhou um violão. Seu sonho era tocar guitarra. "Essa história é velha", relembra, rindo - "meu pai não me deixava tocar guitarra porque dizia que era coisa de sapatão. Meu avô e minha mãe me levavam escondidos às aulas de violão". 

E então, perceberam que ela estava curtindo e a presentearam com uma guitarra. Foi quando ela começou a tocar, aos 12 anos. Com 17, gravou seu primeiro disco com a banda 'Detrito Federal', pela gravadora Poligram. Ficou bastante tempo tocando com o grupo e, em seguida, criou uma banda feminina, chamada 'Autópsia'. Mas foi com a 'P.U.S.' que fez mais sucesso e na qual passou mais tempo.

"Entrei para o P.U.S. e toquei 12 anos. Era uma banda de metal pesada. Gravamos seis ou sete discos, nos lançamos até no Japão. E aí foi minha maior trajetória na música. Eu passei a fazer bastante coisa na MTV, chamavam a gente sempre pra tocar. Eu tocava ao vivo com  Skank, Chico Science, Jota Quest... Eu sempre estava no meio como guitarrista mulher, que era diferenciado, né."

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Syang em sua época de banda.
Syang em sua época de banda.

Depois do P.U.S., Syang lançou sua carreira solo e seu disco pela Warner. Então, passou a fazer muitos shows, tocou no Rock in Rio e entrou para a Casa dos Artistas, que a tornou conhecida além da música. "Eu já era famosa no mundo underground", conta. "Todo mundo se conhece, é igual no jiu-jitsu (risos)". 

Mas paralelamente, a guitarrista sempre teve sua história com o esporte. Seu pai era jogador profissional de futebol em um dos maiores times de Brasília e sua mãe era atleta de saltos ornamentais. Por conta disso, sempre carregou o DNA esportivo dentro de si e sempre competiu em diferentes modalidades, desde criança. 

"Um dos meus sonhos, mesmo novinha, era fazer Kung Fu. Achava o máximo, sempre quis um kimono. E com o tempo, comecei a treinar boxe, logo que sai da Casa dos Artistas. Fiz quatro anos de boxe na Companhia Atlética, treinei com o Cebola e foi nessa época que eu conheci o Portuga (Eduardo Santoro). Ele treinava jiu-jitsu do lado, no mesmo horário que eu treinava boxe. E a gente sempre se cruzava, começamos a nos paquerar, nos olhar..."

Arquivo pessoal
Syang e seu marido, Eduardo Santoro
Syang e seu marido, Eduardo Santoro

E aí começou sua história: com o jiu-jitsu e com o seu marido, o faixa preta Eduardo Santoro, ou Portuga, para quem conhece a fera. Um dia, depois de tantos olhares entre tatames e ringues, Syang e Portuga trocaram telefone na musculação, combinaram de sair e, desde então, não se largaram mais. E isso faz 13 anos.

"Quando a gente começou a namorar, eu lembro que o Du saiu do lugar que ele dava aula há muito tempo e a gente foi procurar uma academia nova pra ele dar aula, em Moema. Aí, quando achamos, tinha poucos alunos e ele falou 'pô, vem treinar comigo'. E eu já era louca pra treinar jiu-jitsu. Mas era sempre só homem e eu não sabia como chegar. Inclusive namorando com ele, lembro do meu primeiro treino: eu não tinha kimono ainda e eu falava 'que roupa eu vou?'. Aí ele falava: 'ah, bota uma calça de treino, blusa... Como se fosse fazer capoeira'. Me troquei e fiquei muito sem graça de entrar no tatame primeira vez. Mas me apaixonei pelo jiu-jitsu e nunca mais parei. Comprei kimono e, agora, sou aluna dele desde a faixa branca, há 12 anos."

Syang parou por dois anos, para ter as filhas Manu e, dois anos depois, Nina. 

Em outubro de 2016, recebeu sua faixa preta. Hoje, ela e sua família moram em Redondo Beach, na Califórnia, onde foram para abrir uma academia, que funciona há oito meses e está indo super bem. "Estamos com sessenta alunos e muitas crianças. Estou com uma turma feminina bem bacana e, aos poucos, fui trocando a música pelo jiu-jitsu."

Antes de ir para os Estados Unidos, Syang fazia muitos shows. Durante três anos, tocou com uma banda de sertanejo/rock, em que fazia participações especiais no meio do show, tocando rocks famosos. "Era muito legal", disse. "Fiquei uns três anos fazendo show todo final de semana e viajei bastante, mas era algo que me deixava muito cansada". Chegava em casa sempre de madrugada e suas pequenas acordavam cedo. Acabava ficando muito cansada e, por já estar muito inserida no meio do esporte, deixou a vida musical de lado.

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Time feminino da Syang - ESJJ.
Time feminino da Syang - ESJJ.

"Nós já tínhamos nossa academia aqui no Brasil há quatro anos. Nossa equipe é a Excellence School of Jiu-Jitsu (ESJJ), fica na Chácara Santo Antonio. Eu já dava aula pra mulheres, crianças... Ficava muito na academia, treinando, e ainda tinha os shows no final de semana. Eu já estava me desligando dos shows. E então decidimos vir para cá (EUA) e entrei de cabeça no jiu-jitsu. Hoje, a gente administra a academia juntos. Estou totalmente dentro do jiu-jitsu, só não voltei a competir. Fui campeã do SP Open na branca e, na azul, fui campeã Internacional. Na roxa, disputei o Mundial na categoria adulto e perdi... Depois  na marrom, em Portugal, no Europeu, fui campeã. Agora falta a preta. Competi um em cada faixa. Agora que estou bem focada no jiu-jitsu, quero entrar em algumas competições. Era para eu ter ido para o Mundial de Masters e muita gente fala que é desculpa. Pode até ser desculpa (risos), mas eu estava aqui com as crianças, de férias... Sou bem competitiva. Então, para entrar numa competição, gosto de estar bem preparada". 

Syang nunca entrou no jiu-jitsu pensando em competir, mas por estar treinando bem, seu mestre a colocou num campeonato ainda de branca. Competiu na azul, e logo em seguida, engravidou. Teve a Manu, depois voltou a treinar, pegou faixa roxa grávida da Nina, parou novamente e, depois, treinou bastante para lutar o Mundial. "Toda vez que entro numa competição, penso que vou entrar em todas, porque é legal demais, a adrenalina e tal. Eu tenho vontade de voltar. Nos próximos campeonatos, vou tentar. Se eu conseguir treinar direito será neste ano. Mas tudo o que treino acabo competindo porque gosto de treinar forte."

Arquivo pessoal
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E a música?! Syang também pretende voltar a tocar daqui um tempo. Uma banda a chamou para tocar lá nos Estados Unidos e ela não chegou a ir ao ensaio, porque o tempo ainda está curto e está focada na academia. Portanto, acha que ainda não é hora. "Sinto saudades de tocar e estar no palco, mas estou focada na academia e na minha família, mas em breve pretendo voltar".

Em relação aos treinos femininos, Syang destaca uma importância muito grande para quem quer começar, principalmente tendo em vista que muitas meninas se sentem intimidadas por verem muitos homens. Ela conta que está percebendo uma ascensão muito grande no público feminino e destaca que uma das suas maiores vontades quando quis montar uma turma de mulheres é porque muitas não gostam de treinar com homens. 

"Elas não se sentem bem, tem vergonha de começar... Tenho duas alunas que não gostam, que dizem que os homens a deixam roxas, mesmo que façam de leve. A gente tem que respeitar, tem gente que não gosta e não se sente bem mesmo. Tem outras que o marido não gosta, que não se sente bem por ser um esporte de contato. Então, esse treino feminino veio para agregar e trazer essas meninas para treinar também". 

Para Syang, os maridos têm receio de as esposas treinarem e ainda que eles sejam faixas pretas, não se sentem seguros. Uma pena, porque jiu-jitsu é um esporte como qualquer outro. "O crescimento é absurdo. A Manu já está treinando, vai começar a competir e pegar faixa cinza agora em outubro. A mulherada está dominando e treinando forte".

Arquivo pessoal
O casal com as lindas: Nina e Manu.
O casal com as lindas: Nina e Manu.

Esse é o outro lado da vida de Syang, que talvez muitas pessoas não conheçam. Incrível ver que a mulherada domina onde quer que esteja! E ela, no auge de seus 48 anos (sim, eu também demorei para acreditar, nem sei se acreditei ainda) está aí: tocando nas horas vagas, treinando sempre e dando muito valor para sua família.

"Estamos super felizes na Califórnia, vivendo um sonho. Aqui é muito legal de morar. O Brasil não estava fácil, muito perigoso para criar filho, e a gente está feliz aqui. A academia vai bem. E hoje, faço o que amo."

Muita sorte nessa nova jornada!

Dani Bolina e Demi Lovato merecem respeito; e quem questiona graduação é o mestre, não as redes sociais

Reprodução/Instagram
Dani Bolina, faixa azul no jiu-jitsu
Dani Bolina, faixa azul no jiu-jitsu

Hoje, decidi fazer esse texto (curto para um blog, gigante para textão de Facebook, rs) porque percebi que sempre que alguma pessoa influente na mídia recebe uma graduação no jiu-jitsu, principalmente quando ela é mulher, é duramente criticada e questionada nas redes sociais.

Vou logo explicando porque eu disse “principalmente quando ela é mulher” usando um exemplo bem fácil aqui: Malvino Salvador. Para quem não sabe,  o ator é faixa roxa de jiu-jitsu. Além disso, ele é casado com uma pioneira do jiu-jitsu feminino, a faixa preta Kyra Gracie. Mas eu nunca vi na internet ninguém questionando a graduação dele por ele ser casado com uma faixa preta.

Reprodução/Instagram
Malvino Salvador e a família Gracie
Malvino Salvador e a família Gracie

Porém, vamos ao ponto que quero chegar. Recentemente, duas mulheres influentes na mídia receberam a faixa azul de seus mestres: Dani Bolina e Demi Lovato

O mundo reclama que premiação de campeonato na categoria feminina é menor, tem poucas mulheres no tatame, não tem kimono com molde feminino em todas as marcas, o jiu-jitsu feminino não é divulgado.... Mas daí, quando mulheres grandes nesse mundo de celebridades estão no meio do jiu-jitsu e dando certo, isso também passa a ser um problema para as pessoas.

Muita gente questiona graduação dizendo que “faixa branca tem que ter, no mínimo, dois anos de permanência”. De fato, da azul para cima, a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) exige um tempo mínimo, mas segundo o artigo 3 do Sistema de Graduação da IBJJF, nos itens 3.1.2 e 3.1.3 está explícito: faixa branca não tem tempo mínimo.

Em julho deste ano, Dani Bolina recebeu sua faixa azul. Todos sabem que ela é uma ex-panicat, tem milhões de seguidores nas suas redes sociais e por aí vai. Ela começou a treinar e, depois de um tempo, apareceu namorando com um faixa preta campeão mundial. 

Bastou isso para começarem os burburinhos de que “logo a Dani gradua, namorando com um campeão mundial fica fácil”. Em seguida, Bolina foi disputar o mundial na Califórnia, que é o campeonato de jiu-jitsu mais importante do mundo. Ela ganhou duas lutas (ainda na faixa branca) e perdeu na terceira. Ainda assim, as pessoas tiveram tempo de falar que ela estava tecnicamente muito fraca, como se todos tivessem suas técnicas impecáveis.

E então, ao receber sua faixa azul, começaram os questionamentos: quanto tempo ela treina? Quem a graduou? Sendo bonita e rica fica fácil! Por que ela recebeu a faixa azul, tendo apenas dois graus na branca (isso levando em consideração que tem equipes que nem trabalham com graus)?

Ela precisou explicar publicamente coisas como: eu treino há dois anos, eu nem namoro mais “o tal faixa preta” e nem foi ele que me graduou, fui competir porque eu já estava na Califórnia. O que ela publica em suas redes sociais eu tenho certeza de que não é nem metade do que ela faz dentro do jiu-jitsu.

Ontem, bombou nas redes sociais a graduação de Demi Lovato. E, novamente, uma enxurrada de comentários negativos perguntando como ela conseguiu ou de gente falando “nossa, eu estou aqui treinando há tanto tempo e não saio da branca”.

Reprodução/Instagram
Demi Lovato agora é faixa azul!
Demi Lovato agora é faixa azul!

E fora o quesito graduação, ainda temos o caso da Paolla Oliveira. Ela está vivendo uma policial praticante de MMA na novela 'A Força do Querer', da Globo, e muita gente a tem criticado. 

Além do fato da graduação (ela tem dois graus na faixa branca, concedido pela faixa preta renomada Érica Paes), o alvo tem sido motivos fúteis como “nossa, ela está treinando de kimono e bandagem?”, como já contei nesse texto aqui

A moça tinha a chance de escolher um dublê, mas escolheu estar 100% no personagem e, ainda assim, parece que o fato de ela ser famosa tira o direito dela de treinar ou de ser apaixonada pelo jiu-jitsu.

Então, acho que é uma boa hora para cada um colocar a mão na consciência e parar de relacionar que as mulheres são graduadas sempre por um motivo além do treino.

O fato é que as redes sociais dão poder às pessoas e elas se sentem no direito de criticar as outras porque do outro lado da tela, todo mundo é valentão. Porém, sabe aquele lema de que “o jiu-jitsu é para todos”? Acho que deveria ser melhor aplicado em nosso dia-a-dia.

Alguém chega para pessoas que são “gente como a gente”, criticando a graduação recebida? O tempo que você treinou para recebê-la? Dizendo que você tem um relacionamento extra tatame com um faixa preta e por isso tem “mamata”? Pelo contrário... muitas pessoas chegam às celebridades, questionando um milhão de coisas, esquecendo que o único responsável por definir o tempo de graduação é seu mestre.  

Reprodução/Instagram
Paolla Oliveira vive a Jeiza em “A Força do Querer”
Paolla Oliveira vive a Jeiza em “A Força do Querer”

E ninguém tem nada a ver com isso. Claro, as pessoas públicas estão sujeitas a isso. E claro, também, que infelizmente hoje vemos algumas graduações sendo realmente deturpadas, vendidas ou conquistadas de forma duvidosa, vindas de academias que não são sérias. Mas ao invés de reclamar que falta mídia para jiu-jitsu feminino, que tal fazer sua parte nos tatames e ver se a mídia te enxerga, já que está enxergando tantas mulheres atualmente treinando jiu-jitsu?

E as pessoas que têm reclamado nos comentários que estão há tanto tempo na faixa branca e dão a entender que só porque não são famosas não são graduadas deviam aproveitar e analisar se o motivo da graduação não chegar logo é porque falta treino. Imagina que louco um mundo em que cada um levantasse seu bumbum da cadeira para correr atrás dos sonhos ao invés de tentar diminuir as conquistas alheias?

O que está acontecendo mostra o quanto o jiu-jitsu, no geral, está crescendo e temos que tirar proveito disso. 

É nossa chance de deixarmos de ser coadjuvantes!

'Olhar espnW' com Cris Cyborg – e eu de coadjuvante

ESPN
Gravação do Olhar espnW
Gravação do Olhar espnW

Na semana passada, fui convidada pela Regiane Wohnrath (produtora incrível aqui da ESPN que trabalha duro para manter tudo o que é relacionado ao espnW em pé - saibam disso) para participar do Olhar espnW com ninguém menos do que ela: a Cris Cyborg, detentora do cinturão peso pena do UFC. Tipo assim, ela me perguntou “se eu toparia” participar. Acho que ela já devia chegar afirmando, porque não haveria como negar.

Eu, ansiosa que sou, só pensei “eu queria dormir e acordar só no dia”. Pensa: era semana de campeonato. Então isso potencializou o meu desespero e ansiedade. Pareceu que a semana demorou bastante para passar. Mas passou, e rolou.

ESPN
Meu momento de 'Posso tocar?' - e ela 'CLARO'! Hahaha.
Meu momento de 'Posso tocar?' - e ela 'CLARO'! Hahaha.

Confesso que fiquei um pouco preocupada. Eu não sou nada ‘manjadora’ de UFC. Não sou capaz de acompanhar tanto soco na cara, chutes, com tanta precisão e velocidade. Confesso, de novo, que quando começa aquela sequência de socos e sangue, eu fecho os olhos. Eu já tentei fazer muay thai e eu amava a parte física. Mas o sparing, gente... às vezes, eu queria faltar à aula para não precisar fazer (mais uma confissão). Meus socos iam em slow motion porque eu tinha desespero de machucar alguém e eu era ninja nas esquivas e na guarda alta, afinal, eu não queria tomar soco, não.

Estudei bastante, mas como a Cris tem jiu-jitsu no sangue também, inevitavelmente tive que falar um pouco desse lado. Ela é faixa marrom da Atos, mesma equipe que treino. Mas hoje em dia, contou que treina no Cobrinha (Alliance) porque é mais perto de onde ela está morando. Identificação instantânea (eu, né, gente. Ela nem sabe que se identificou comigo, talvez. Hahaha).

Fiquei um pouco confusa pensando "que pauta eu faço?", mas aí a Regiane me mandou um "hello, você é convidada e não entrevistadora, vamos te entrevistar! Mas fique a vontade, pode perguntar o que quiser". Não sei se mentalizei um "ufa" ou um "ferrou", mas vambora!

Chegou o dia e eu fui chamada para a maquiagem. A maravilhosa da Lucilia Reis deu um jeitinho na minha face, que fez todo mundo me olhar impressionado: eu não uso um pingo de maquiagem no dia-a-dia. Então, só de fazer uma make simples, já muda tudo (e ela arrasou). Eu adorei, acho que quero trabalhar na televisão, definitivamente, hahaha.

A Cris chegou enquanto eu maquiava e eu nem sabia como reagir. Mas essa coisa de trabalhar na televisão nos acostuma a lidar com gente famosa sem a necessidade de tietar (exceto a foto abaixo rs).

Reprodução/ESPN
Momento tiete...
Momento tiete...

Gente, ela é realmente um mulherão. Alta, com corpão e cabelo colorido! A cara dela no octógono é realmente outra coisa: brava e focada. Mas pessoalmente, embora a gente tenha a impressão de que ela realmente seja brava pelo que vemos nas lutas, ela é um amor. Pessoa incrível, deu atenção para todo mundo, me deixou tocar no cinturão (eu estava com vergonha de pedir, mas né? Oportunidade única) e é um ser humano daquele jeitinho: "gente como a gente".

Eu que adoro falar, não me importei nem um pouco de ser "só" coadjuvante no programa ("só" porque isso já é muita coisa para minha pessoa, rs). Mas a Marcela Rafael me inseriu o tempo todo e, com isso, tive a oportunidade de contar um pouco como comecei no jiu-jitsu, também de responder algumas coisas sobre o esporte não fazer parte da Olimpíada, tema que já abordei aqui no espnW.

Meu maior medo? Falar m#rd@! Porque é minha cara, rs! Mas ainda bem que eu tinha Flávia Delaroli para compartilhar desse momento comigo, que me disse "fique tranquila, eu estou do seu lado, sempre virá uma m#rd@ pior". Que alívio, né? Hahaha.

No geral, posso dizer que o programa foi incrível! Só vai ao ar em outubro. Por enquanto, vocês podem assistir nossa live no Facebook clicando aqui! Se eu fosse vocês eu assistiria para não perder cenas como essa:

Reprodução/ESPN
Aquele momento que todo mundo acha que parou de gravar, tira o sapato e come pele da unha
Aquele momento que todo mundo acha que parou de gravar, tira o sapato e come pele da unha

Mas o principal não é tirar o sapato e comer pele da unha, mas sim que pudemos conhecer muitas faces da Cyborg.

Ela falou sobre lutar ou não com Amanda Nunes e unificar o cinturão. Falou sobre sua rivalidade com Holly Holm e a treta louca com Angela Magana. Sobre seus treinos diários e sua alimentação absurdamente regrada. Sobre como ela começou no esporte (eu pensava que ela já tinha nascido lutando MMA, mas não). E além das lutas, contou sobre suas visitas ao Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, onde seu pai está internado e que ela passou a apoiar um projeto incrível para crianças chamado "Erastinho", com a intenção de ter verba para criar um hospital do câncer também para as crianças.

De tudo isso, ao invés de contar sobre a minha experiência (era o que eu ia fazer, hahaha) acabei focando em como foi incrível poder fazer parte desse bate papo com a Cyborg. Ela é realmente uma mulher inspiradora, que foi atrás de seus sonhos e não é à toa que é, hoje, a melhor lutadora de MMA do mundo. E tenho certeza de que se desejar competir Wrestling, Muay Thai ou Jiu-Jitsu (suas especialidades), ela vai se dar tão bem quanto no MMA.

Queria demais ressaltar como é importante corrermos atrás daquilo que desejamos, sem nos importar com críticas, negações, acusações ou falta de apoio. Cris mesmo contou o quanto as pessoas a criticam nas redes sociais, principalmente no que diz respeito ao seu físico, mas são coisas da vida. Hoje em dia, as pessoas usam a internet como uma arma e não sabem simplesmente viver em seu quadrado sem criticar quem está se dando bem na vida. Coisas negativas sempre vão existir, mas se você realmente quer, é muito importante que vá atrás. Somos todas mulherões e todas capazes. YES, WE CAN!

O mundo do MMA cresceu muito com o UFC e, com isso, as artes marciais têm ganhado muitas praticantes. Então, ainda que não da forma que merecemos, estamos conquistando nosso espaço e temos que lutar por isso cada vez mais. Não desista e nem resista!

Em outubro o programa vai ao ar! Continuem nos acompanhando aqui e nas redes sociais que mais pra frente tem chamada ;) 

Até lá!

Ah, para acabar: quero deixar um frame com minha primeira participação como entrevistadora num programa de grande alcance na televisão, beijos! Hahahaha

Reprodução/ESPN
Quando você não sabe para onde olhar...
Quando você não sabe para onde olhar...

Karen Antunes: a história da mamãe mais guerreira do jiu-jitsu

Arquivo pessoal
A evolução de Alice ?
A evolução de Alice ?

Depois de ter falado sobre como é treinar durante a gravidez e sobre como é ter um filho e não parar de treinar, ainda que precise cuidar da criança, conversei com a Karen Antunes, que é faixa preta da equipe CheckMat e teve a Alice há um mês. Karen é faixa preta desde 2014 e 4x campeã mundial, além de ser, também, campeã mundial máster (+30 anos). Seu mestre é Mayko Araújo, que é também pai da Alice. Karen se mudou para os Estados Unidos em 2015 para treinar e competir. Atualmente, vive com o marido e a filha no estado de Idaho, onde, em breve, abrirão sua própria academia.

Quando chmei a Karen para conversar, não imaginava a história gigante e de superação que ela tinha para contar. Eu queria escrever sobre sua trajetória no jiu-jitsu, como foi a decisão da maternidade, seus objetivos daqui para frente como atleta de alto rendimento… Mas a faixa preta me surpreendeu e decidiu abrir sua vida, contando que não foi tudo tão fácil e lindo como Alice demonstra ser.

De imediato, ela assumiu nunca ter falado sobre isso, mas hoje se sente confortável e acha que sua história pode servir de incentivo para outras mulheres que talvez passem pelos mesmos problemas.

Ela começou contando que, em 2014, estava fazendo um camp muito pesado para o Mundial, morando com Michelle Nicolini, e elas treinavam duríssimo, todos os dias. “Era um ano muito importante, somos da mesma categoria e nosso sonho era fechar o peso pena”, disse. Porém, três semanas antes do início do campeonato, ecomeçou a sentir dores muito fortes, parecidas com uma cólica, e foi ao médico.

Arquivo pessoal
Alice filha karen antunes
Alice filha karen antunes

Nesse momento, Karen conta que parou imediatamente de treinar. Contou o ocorrido só para a Michelle e o Leozinho, seus professores. Em seguida, quando ela já tinha se habituado à ideia da gravidez, teve um sangramento e, com isso, seu primeiro aborto espontâneo. “Me senti a pior das pessoas, me culpei, sofri como se tivesse perdido alguém que já conhecia, fiquei uma semana trancada no quarto.” Depois da semana de luto, ela teve que tomar a decisão de lutar ou não.

Ninguém me pressionou, mas eu sentia que devia sim lutar, mesmo me sentindo tão mal. Lutei e lutei bem. Não ganhei, mas me deu uma satisfação e uma felicidade enorme saber que tinha dado o meu melhor.            

Depois desse mundial, Karen buscou um médico e fez diversos exames. Nenhum resultado negativo, ela não tinha nada e o médico dizia que era normal sofrer um aborto quando se engravida pela primeira vez, mas Karen ainda se preocupava. “Eu insistia na pergunta: ‘o que eu tinha feito para causar isso?’; mas nunca tive resposta”.

Após o momento complicado, Karen diz que passou a sentir uma vontade imensa de ser mãe. Seu marido a convenceu a esperar um pouco mais para que ela competisse e depois desse esse passo.

Mesmo a contragosto, eu concordei, mas não era o que eu realmente queria. “O jiu-jitsu sempre preencheu minha vida por completo, costumo dizer que minha vida se define como antes e depois do jiu. Eu me mudei para outro país pelo jiu, abandonei minha família e amigos por esse esporte e não me arrependo nem por segundo das escolhas que fiz, mas a partir daí, o jiu já não era tudo o que eu queria. Sentia um vazio enorme.”

Ela continuou, então, se dedicando e competindo até que, em novembro de 2015, teve uma segunda gravidez que a deixou muito feliz, tendo sempre em mente a velha história de que “o raio não cai duas vezes no mesmo lugar”. Porém, duas semanas depois da descoberta, ela teve outro sangramento. Foi direto ao hospital e lá ouviu que não podiam fazer nada para impedir seu segundo aborto.

“Esperei e a pior notícia veio mais uma vez”, disse Karen. “Toda aquela dor veio dobrada! Os médicos continuaram dizendo que eu não tinha nenhum problema físico, que até três abortos é normal, que só investigariam a fundo se fossem três abortos. Que absurdo alguém ter que passar por isso três vezes até começarem a investigar”. Embora a atleta tenha superado, ela também contou que o medo de tentar novamente era inevitável.

Mas em julho de 2016, ela engravidou novamente. Foi ao médico explicando tudo o que tinha acontecido e, de novo, não teve nenhuma explicação. “Na minha cabeça, ele podia me dar algum remédio que ajudasse a não acontecer novamente, mas ele dizia que não podia porque não encontrava nenhum problema”, contou Karen. E novamente aconteceu: duas semanas grávida e mais um aborto.

“Eu nunca fui uma pessoa triste ou desmotivada, mas esse período da minha vida foi bem difícil. Essa terceira vez foi um mês antes do Mundial Master em Vegas (meu primeiro ano de Master). Convencida pelo meu maior incentivador, fui lutar e ganhei categoria e absoluto. Senti uma pressão tão grande nesse campeonato e ainda não sei explicar o porquê. Talvez porque não estivesse 100% ali mentalmente (ou fisicamente).”           

E foi depois desse mundial que Karen tomou uma grande decisão: comunicar ao marido que não ia mais competir até resolver o problema de não conseguir ter um filho e obter todas as respostas às quais procurava. “Se eu tivesse algum problema e não pudesse ser mãe, tudo bem, mas eu precisava saber o que estava errado.”

Depois dos três abortos, a faixa preta procurou um especialista em infertilidade. Fez todos os exames possíveis e a cada resultado, uma frustração: não havia nada de errado e ela continuava sem respostas. Ela contou que este último médico a aconselhou a engravidar novamente e se propôs a acompanhá-la desde o primeiro dia. O método de tratamento, dessa vez, seria diferente, segundo Karen.

“Ele me dizia que faria a terapia do amor comigo, que me daria atenção e que talvez fosse isso que eu precisava. Eu até explicava pra ele que amor e atenção na minha vida não eram problema, que eu queria era algum remédio ou intervenção médica pra que isso não acontecesse mais.”                       

E em outubro de 2016, Karen engravidou novamente, pela quarta vez, com muito medo, insegurança, mas também com muita esperança. Ela ia ao médico duas vezes por semana, fazia exames de sangue e conversava muito, mas as semanas se passavam e o medo dela só aumentava. “Eu achava que estava chegando a hora de acontecer outra vez.”

Os dias foram passando, os resultados dos exames não apontavam nenhuma alteração e ela estava quase no terceiro mês de gravidez, sem qualquer tipo de tratamento ou intervenção cirúrgica.

“Tudo aconteceu nos Estados Unidos. Não contei pra ninguém, nem para minha mãe. Fui para o Brasil em dezembro e só com três meses de gravidez eu contei para a minha família. E desde então, foram muitas alegrias.”      

Karen conta que, quando engravidou de Alice, o médico disse para que ela continuasse treinando normalmente, que ela não perderia o bebê em hipótese alguma e isso a tranquilizou. Sendo assim, seguiu com os treinos todos os dias, mas diminuindo a intensidade. Porém, quando veio ao Brasil, decidiu consultar um médico por garantia e para talvez descobrir o sexo do bebê. E a surpresa foi que esse médico aconselhou que ela não treinasse mais.

“Eu me sentia ótima, mas preferi escutar e obedecer as ordens médicas. Parei com o jiu. Eu até poderia fazer posições e alguns drills, mas não era o que eu queria. Então, preferi me dar esse tempo de férias e fiz apenas musculação e treino funcional.”

Imagine uma pessoa que treina há oito anos ter passado por frustrações e, de repente, ter que parar de treinar? Eis mais um desafio, em que Karen conta que, sem treinar, ficou muito estressada.

“Eu sonhei que estava treinando durante toda minha gravidez. Acompanhar meu marido nos treinos, viagens, camps e não poder treinar me deixava mal, mas em momento algum ele cogitou parar ou diminuir os treinos. Nós vivemos de jiu, seria estressante para ele também não poder treinar. Assim ele focou mais nele, já que muitas vezes deixou de treinar para me treinar. Foi muito legal vê-lo se dedicando e pensando apenas em si. No geral, meu maior desejo estava sendo realizado. Então, eu segurava a onda e focava minhas energias no que eu podia fazer, e não no que eu não podia.” 

Karen se exercitou até um dia antes de ir para a maternidade. A atleta se cuidou bastante e não se arrependeu de nada e disse ter sido a melhor coisa. Seu parto foi normal e aconteceu há praticamente um mês. “Já perdi onze dos quatorze quilos que ganhei e estou contando os minutos para ser liberada pelo médico para voltar a treinar”, completa, muito feliz com Alice dormindo ao seu lado.

Hoje, Karen sente-se bem e Alice nasceu muito saudável. Mas apesar da felicidade, ela também assume estar muito cansada com a nova rotina e ao mesmo tempo ansiosa para voltar a treinar, além de segurar a ansiedade para a inauguração de sua nova academia, em Idaho, que está prevista para o dia 26 de agosto.

E assim sua vida mudou. Ela também contou que, embora quisesse muito ser mãe, deixar sua carreira de lado foi mais difícil do que imaginava, já que sentiu muita falta dos treinos e competições, mas que tudo valeu a pena.

Em relação à volta aos treinos, ela não vê a hora. Mas como tudo tem seu tempo, o médico disse que ela precisa esperar seis semanas após o parto para voltar aos tatames.

“Se eu pudesse, voltaria 100% hoje (risos). Algumas semanas atrás, até me inscrevi no Mundial Master porque achei que daria tempo de treinar, mas aí o médico disse que só me liberaria pra treinar jiu-jitsu seis semanas depois do parto. Esse é o tempo que o útero leva pra voltar ao tamanho normal. Outro fator que está dificultando bastante é o fato de que, aqui nos EUA, eles só começam a vacinar o bebê quando eles completam dois meses. Até lá, nada de sair de casa pra lugares públicos porque eles não têm imunidade alguma. Eu não sabia disso até Alice nascer.”

Ela pretende competir ainda neste ano, embora não tenha certeza de quando, já que isso demanda uma rotina, treinos duros e por aí vai. Mas seu plano é competir o Mundial sem kimono em dezembro e confia que estará preparada até antes.

É sempre uma decisão difícil deixar a carreira de lado para ser mãe e, claro, com Karen não foi diferente. Mas depois de tanta luta, dentro e fora dos tatames, ela agora tem Alice e creio que voltará mais forte do que nunca. Que sua história sirva de exemplo para outras mulheres e que nenhuma desista de seus sonhos. Não há nada no mundo mais justo do que seguir nosso coração, não importa o que digam. E com certeza, Karen, você seguiu o seu e o que é para ser seu ainda te aguarda! Bom retorno aos treinos e que Alice seja uma criança muito saudável. Com certeza, Alice vai dar o que falar nos tatames! E por agora, nós estamos ansiosos para te ver brilhar nos pódios novamente.

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