Saiba tudo sobre rivais de times brasileiros na Libertadores

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

por Joza Novalis

Rival do Flamengo - Universidad Católica

EFE/Hedeson Alves
Universidad Católica buscou o empate com Atlético-PR na estreia
Universidad Católica buscou o empate com Atlético-PR na estreia

La UC, como é chamada a equipe de San Carlos de Apoquindo, é um gigante do futebol chileno. A afirmação aponta para duas questões: para a grandeza da esquadra "cruzada" e para sua tendência a refugar no momento decisivo. Assim como o futebol peruano, o chileno tem se habituado a frustrar as expectativas de seus torcedores nas competições interclubes do continente. Questão é saber quando ocorrerá esse refugo.

Ao fim de dezembro de 2016, a Católica era altamente competitiva e costumava ser um rival dificílimo para qualquer um. Contudo, bastou que Nico Castillo e Sebastián Jaime saíssem para que a equipe se perdesse. Este é um ponto, o outro é o condicionamento físico. Pela forma como Salas arma e manda sua equipe a campo ela só funcionará bem se a condição física de seus jogadores estiver em alto nível. Não é o que acontece agora. Pelo contrário, La UC ainda demonstra necessidade de tempo para que ritmo competitivo e padrão de jogo estejam alinhados. No atual momento, os jogadores tentam executar as mesmas funções do ano passado, porém são traídos, em muitos momentos, por uma condição que ainda deixa a desejar.

Esquema de jogo

Ninguém consegue ocupar os lugares de Catillo e Jaime na atual Católica. Para o lugar do primeiro, chegou Santiago, "el Tanque" Silva, "tradicional amigo de Thiago Neves" e tido nos países da América do Sul como um dos atacantes que mais se doa à equipe em que joga. Ao menos era assim há uns dois anos atrás; hoje, certa dúvida parece ocupar a preocupação da torcida, pois o atleta não começou bem na Católica. Sua doação continua a mesma, com o mesmo ímpeto em retornar para o primeiro terço do campo e fortalecer o setor defensivo. No Lanús, Silva era o segundo jogador que mais cortava cruzamentos em cobranças de falta ou escanteios. Problema é que não foi contratado só por isto, mas principalmente para fazer gols. Para piorar, os jogadores pareciam bem adaptados a Nico Castillo, centroavante que oferecia muito mais opções do que "el Tanque" charrua. Apesar disso, o fato de Silva ter desencantado na última rodada do Chileno reabre à equipe a possibilidade de novamente dispor de um goleador. Já para a vaga de Jaime não chegou nenhum ocupante. Ricardo Noir e Carreño tem atuado pelo setor, mas com pouco sucesso, já que a irregularidade tem marcado a carreira de ambos. Jaime não era só um extremo pela direita, era um meia moderno que trocava de posição constantemente com Fuenzalida. Este era um dos pontos mais positivos da Católica bicampeã do Chile.

Claro que a tentativa de Salas é a de fazer com que o time atue da mesma forma e com suas principais jogadas acontecendo. Nos treinos, sua grande preocupação é com a reconstrução da jogada que tinha em Jaime seu protagonista. Contudo, ele parece não entender que embora jovem, Ricardo Rodríguez, de 18 anos, é quem mais se aproxima de Jaime. Em muitos aspectos, chega a superar o seu conterrâneo argentino. Em vez disso, Salas tem insistido com os dois jogadores citados ou modificando o desenho ofensivo, elegendo um centroavante, Gutiérrez, para atuar pelo setor.

Outro problema é que em virtude do mau momento, Salas tem modificado não somente os jogadores, mas o esquema, o que dificulta o ganho de conjunto. Diante do Furacão, o esquema foi um 4-2-1-2, não deixando de lado a presença de três zagueiros, junto com o lateral Espinoza. Mais à frente, Buonanotte atuou como enganche. Esse esquema pode ser o mesmo contra o Flamengo ou se modificar para um 3-4-1-2. A ideia é a de reforçar a defesa e facilitar o contragolpe, já que as linhas são próximas e o meio-campo é altamente povoado. Porém, o momento da equipe denuncia o que é essa realidade na prática. Quando atua fora, a Católica estuda mais o rival, prendendo seus laterais, formando uma linha de cinco à frente da área e avançando suas linhas com moderação. Percebe-se uma equipe mais ajustada e que pode dar trabalho para seus rivais, obrigando-os a terem um jogo de altíssima intensidade ou de profunda paciência. Se o rival se desespera, ele gera os espaços para o contragolpe comandado principalmente por Fuenzalida, Cordero e Buonanotte. Foi precisamente isto que aconteceu diante do Furacão, na Arena da Baixada. Contudo, quando atua em San Carlos de Apoquindo a situação é diversa.

A pressão do momento, o apoio das arquibancadas e os maus resultados recentes influem decisivamente para que todo mundo se mande para o ataque, deixando a trinca de zagueiros a ver navios. Isto funcionava bem no ano passado, pois o nível de ajustes era altíssimo. Hoje em dia, nem tanto. De tal forma que, fora de casa, o melhor que Flamengo e Atlético podem fazer é montarem suas equipes para esperar a Católica, pois inúmeros espaços serão oportunizados pelo "jogo doido" dos chilenos. Todos que têm ido a San Carlos de Apoquindo e se comportado desta forma têm vencido a "los Cruzados". Já no Rio de Janeiro, o Flamengo precisa aplicar o jogo intenso quase perfeito, sem deixar brechas no segundo terço do campo, ou como já descrito acima, o jogo da paciência, do toque de bola e das inversões.

A depender da situação, Salas poderá formar a equipe com até seis jogadores no meio-campo e apenas um atacante. Muitos deles possuem características defensivas e principalmente fora de casa reforçarão a linha de três liderada por Afonso Parot. Destaque para Fernando Cordero, lateral colocado como volante interior e com a dupla função de atacar e segurar a marcação pelo setor direito do ataque rival. Este é o setor menos indicado para as equipes que pretendem furar o bloqueio defensivo da Católica. Em algumas situações, como ocorreu na Arena da Baixada, Salas retira Cordero e reforça a defesa, levando a campo um dos laterais, Espinoza ou Magnasco pela direita ou ainda o ótimo zagueiro Benjamin Kouscevic, jovem promessa da cantera cruzada. Devido à péssima campanha no campeonato local, o técnico tem alterado o esquema, elegendo mais um atacante para a companhia de Santiago Silva, Gutiérrez tem sido este jogador, quando atua em casa e, quando fora, o eleito tem sido o argentino Ricardo Noir.

Jogador-chave

Fuenzalida, Parot e Kalinski são três jogadores vitais para o esquema de Salas. Estarão em todas as formações e estarão em campo contra Flamengo, assim como estiveram contra o Furacão. Contudo, o cérebro da Católica é Diego "el Enano" Buonanotte. A carreira deste jogador tem sido marcada por polêmicas, dificuldades de adaptação e falta de sorte. Em 2009 a grande promessa da cantera do River, protagonizou um acidente de carro em que três de seus amigos faleceram. A justiça argentina concluiu que as condições da rodovia, chuvas torrenciais e nebulosidade absolviam o jogador de qualquer culpa. Mesmo assim o trauma foi terrível. Após ficar vários meses se recuperando, Buonanotte nunca mais foi o mesmo. Em seu corpo leva tatuados os nomes de seus três amigos, com os quais, segundo algumas provocações, era visto conversando durante os jogos. A indisciplina, fruto da impaciência do Enano com as provocações, o levou a ser expulso de um grande número de partidas, o que dificultava suas relações dentro e fora de campo com torcida, comissão técnica e jogadores. Buonanotte se perdeu na carreira e para todos os cantos em que ia não se adaptava, frustrava as expectativas e aumentava suas chances de desaparecer como jogador de futebol. Porém, aos 28 anos, o Enano dá sinais de que esse tempo já passou.

Figura central no esquema de Salas, o argentino atua como enganche e é o principal responsável pela criação das jogadas na Católica. Trata-se de um jogador que pensa rápido e dificulta a marcação adversária. Buonanotte exige dos rivais marcadores eficientes e bloqueio em círculo para que os dribles e passes rápidos não façam estragos em seus sistemas defensivos. Ter sucesso contra a Católica passa muito pela qualidade da marcação sobre o jogo do habilidoso meio-campista argentino.

Com time grande, respeito é sempre bom

A Católica mudou de um time consistente para uma equipe que por vezes parece desencontrada ou a própria desorganização em movimento. Mas é uma equipe tradicional, daquelas que costumam crescer em momentos decisivos, embora, como apontamos no início, leva sobre si a desconfiança de muitos pelos fracassos dos clubes chilenos. Não está morta, é bom que o diga. Além disso, é bem capaz de tirar mais pontos dos seus rivais fora de casa do que em San Carlos do Apoquindo.

Neste sentido, mesmo que não se classifique pode ser decisiva para determinar as duas esquadras do grupo que passarão às oitavas-de-final. Se este cenário pode ser favorável para o Flamengo, vale lembrar que após o heroico empata na Baixada curitibana a Católica fez 4x1 no Deportes Antofagasta, na última rodada do Chileno. Foi a primeira grande partida da esquadra chilena, em casa, após o título de 2016. Em outras palavras, embora ainda prevaleça desorganizada e distante daquela equipe do ano passado, La UC sinaliza recuperação futebolística no melhor momento para ela e no menos indicado para aqueles que a enfrentarão a partir de agora.

Provável equipe titular contra o Atlético Paranaense e Flamengo: Toselli; Álvarez/Genaro, Maripán e Parot; Fuenzalida, Kalinski, Lobos/Fuentes e Cordero/Espinoza; Diego Buonanotte; Silva, e Rick Noir.

Rival do Atlétio Mineiro - Libertad

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Libertad estreou com um empate fora de casa diante do Sport Boys
Libertad estreou com um empate fora de casa diante do Sport Boys

O Libertad é o atual campão do Apertura paraguaio, mas o título veio sob o comando do técnico Roberto Torres, demitido após a eliminação da equipe na Sul-Americana. A partir de então, a equipe tem encontrado dificuldades com a nova transição proposta pelo elogiado técnico Fernando Jubero. Este é, no momento, o principal problema da equipe paraguaia.

Ocorre que após a saída de Torres, a direção do Gumarelo elegeu como técnico a Eduardo Villalba, que então o era o treinador da equipe reserva. O estilo de Torres preconizava um time que se guardava em seu campo de defesa e saía com velocidade para o campo de ataque. Com Villaba, a defesa seguia priorizada, mas quando a bola era recuperada ela era lançada ao ataque em busca de Salcedo ou Leiva, os dois centroavantes isolados na frente. Como faltava qualidade para o lançamento, o que acontecia eram os tradicionais "chutões". Com o passar do tempo, a equipe aperfeiçoou o estilo e o jogo feio passou a ser algo normal no Libertad.

Jubero foi contratado no início do ano justamente para comandar o time no torneio continental. As expectativas no clube não condizem muito com sua realidade. Por Jubero ter levado o Guaraní às fases decisivas da última Libertadores, a direção do Gumarelo não espera nada menos que isto também para a sua equipe. Disto resulta certa pressão que inevitavelmente respiga no elenco e afeta a tranquilidade do seu dia-a-dia. Porém, as coisas não estariam tal mal, se a filosofia de jogo de Jubero não fosse diametralmente oposta as de seus dois antecessores. Já seria complicado se a transição fosse de Torres para o treinador espanhol. Problema é que Villalba esticou ainda mais essa diferença.

É perceptível que os jogadores do elenco atual têm dificuldades para tocar a pelota ou em velocidade ou para controla-la no meio-campo à espera de uma oportunidade para fazer o passe certeiro. Já nos treinos, Jubeiro parou inúmeras vezes a atividade para corrigir o problema. Em certas situações, chegou a se mostrar irritado com alguns jogadores que pareciam fazer poucos esforços para se adaptarem à nova filosofia. Difícil medir rebeldia, mas nos primeiros jogos, muitas vezes alguns atletas faziam em campo justamente o contrário do que o técnico espanhol esperava deles.

Outro problema que se observa é a dificuldade do elenco de aceitar as modificações constantes que Jubero faz na equipe. Na perspectiva do técnico, ele deseja que o maior número possível de atletas entenda, na prática, o novo estilo. Na perspectiva destes, automatizada por alguns vícios antigos que tanto afetam o futebol moderno, as modificações do técnico são bizarrices ou no mínimo uma prática que não favorece o ganho de conjunto. E não se tratam apenas de modificações no desenho da equipe titular, mas também nas alterações inesperadas seja pelo pouco tempo decorrido de um jogo seja pela entrada de atacantes no lugar de meias, meias no lugar de laterais e assim por diante.

Neste momento, talvez em função da disputa da Libertadores, percebe-se uma notável disposição do elenco para fazer tudo de acordo com o que deseja o novo técnico. Contudo, esses esforços ainda esbarram no pouco tempo de treinamento e na memória futebolística dos dois comandantes anteriores.

Esquema de jogo

Jubero deixou de lado seu esquema preferido com três jogadores na primeira linha e adotou um 4-4-2. A primeira linha apresenta boa marcação, pois recebe o auxílio de Orue e Aquino, a dupla de volantes tem uma dupla função. Fixar-se aos zagueiros, quando a equipe é atacada e também fazer duplas como os laterais, quando a esquadra de Jubero se manda para o ataque. Desta forma, fica claro que as investidas ofensivas ocorrem principalmente pelos lados do campo. Jubero tem intensificado, nos treinos, o jogo aberto pelos dois flancos, de forma a que as defensivas rivais tenham dificuldades para o encaixe da marcação. Contudo, até em função do setor esquerdo ser melhor, as principais jogadas ocorrem justamente por ali. Muitas vezes, Aquino vira o lateral, fazendo parceira como Albono, enquanto o lateral Candia ocupa o seu lugar como volante. De qualquer forma, importa mais que a bola chegue a Santiago Salcedo, o jogador-referência deste atual Libertad.

Se falta conjunto para o Libertad, tem sobrado disposição, como já percebido nos últimos jogos. A entrega ocorre durante os 90 minutos tanto para chegar ao gol quanto para o bloqueio defensivo da meta do arqueiro Muñoz. Embora seja partidário do jogo refinado, com o bom toque de bola, Jubero é um treinador que trabalha bem suas linhas defensivas, compactando-as, sempre que os seus comandados sofrem a pressão adversária. Jogar contra suas equipes exige paciência e a expectativa de que poucos gols ocorram numa partida. Placares mínimos podem ser a tônica. Se a favor ou contra os paraguaios dependerá muito da paciência de equipes como o Atlético mineiro. Portanto, o desespero para chegar à marcação de gols talvez não seja o mais indicado como modelo de jogo diante do conjunto de Fernando Jubero. Isto porque se a equipe paraguaia se aproveitar de uma brecha oferecida pelo rival, e fizer 1x0, a reversão do placar poderá ser algo muito doloroso.

Provável equipe titular: Muñoz; Benítez, Cardoso, Alcaraz e Candia; Orué, Aquino, Bareiro e Albono; Salcedo e Valiente.

Rival do Botafogo - Atlético Nacional

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Atlético Nacional, o atual campeão da Libertadores
Atlético Nacional, o atual campeão da Libertadores

O campeão da Libertadores entra na atual competição com uma equipe muito renovada, algumas limitações no banco de reservas e o desafio de defender seu título em uma edição do principal torneio continental bem superior ao de 2016. Ainda assim, a pretensão é a de chegar à final e, de preferência, a de conquistar o bicampeonato.

Dentre reservas e titulares, o Atlético Nacional vendeu ou emprestou quase 30 jogadores do meio do ano passado até o início de 2017. Está claro que embora prevaleça uma organização institucional ímpar no clube ele não deixa de ser, em muitos aspetos, um balcão de negócios. Os dirigentes não negam o fato, mas dão a entender que isto é possível na atualidade, sem que a instituição interrompa seu processo de crescimento e conquista de títulos. Dos jogadores emprestados, muitos saíram para ganhar experiência. Outros, por não terem rendido o esperado, recebem uma espécie de segunda chance, já que eles podem retornar um ou dois semestres depois.

Diante desta situação, esperava-se que o Atlético Nacional fosse ao mercado e buscasse um número altíssimo de jogadores, visto que disputa três competições atualmente. Não foi o que aconteceu. Em vez disto, a direção do clube resolveu fazer contratações cirúrgicas. Dos jogadores que chegaram, destaque para

Aldo Leão Ramírez, de 35 anos e proveniente do Cruz Azul. Embora quase veterano, Ramírez se encontra em ótima forma física e técnica; atua como segundo volante; possui ótimo passe e tem o traço positivo de orientar constantemente o posicionamento de seus companheiros, dentro de campo.

Ramírez entrou na equipe para bloquear as chegadas dos adversários pela direita, estabelecendo parceria com o extremo que ocupa o setor, no caso, Matheus Uribe. Mas sua presença importa também porque a bola recuperada por ele, ou por Arias, recebe um tratamento especial, sendo desprezada para Macnelly Torres ou para os atacantes com a qualidade que tem marcado o Atlético Nacional nas três últimas temporadas. Ramírez foi um achado; deu encaixe à equipe e ampliou sua leitura das possibilidades ofensivas.

Dayro Moreno, de 31 anos e proveniente do Tijuana. Poucos imaginavam que o Atlético Nacional encontraria um centroavante de alto nível em tão pouco tempo. Moreno foi uma solução inteligente, já que o atacante tem um histórico de rápida readaptação ao futebol colombiano. Chegou há pouco, mas é como se estivesse no Verdolaga há vários anos. Além dos muitos gols, o recém-contratado tem gerado muita intensidade ao ataque, pois se desloca por dentro e fora da área com facilidade. Trata-se de um especialista em atrair a atenção dos zagueiros, facilitando a aproximação dos meio-campistas centralizados ou dos extremos.

Mariano Vázquez, de 24 anos e proveniente do Fortaleza FC. Após uma excelente temporada no modesto Fortaleza, o argentino Vázquez chegou ao Atlético Nacional para ocupar o lugar de "Lobo" Guerra. Porém, como os extremos não têm rendido o esperado, Vázquez foi improvisado no setor esquerdo. Nada de novo, pois chegara a jogar nesta posição no seu antigo clube, assim como de enganche, segundo atacante ou mesmo como falso-9. Sua polivalência e seus recursos técnicos chamam a atenção e credenciam o argentino a entrar nas listas de reforços dos clubes brasileiros, após a Libertadores de América.

Sistema de jogo

A forma de jogar segue a mesma, com prioridade para o 4-2-3-1, com os dois extremos sendo vitais para o esquema de Rueda. Se este é o ponto alto do Verdolaga é também o ponto que pode ser um problema. Claro que na Libertadores anterior alguns rivais já tentaram tirar proveito desta situação, como o Rosário Central. Se a tarefa não é fácil isto ocorre pelo nível de ajuste que o sistema possui. Daí a preocupação de Rueda e de seu assistente, Bernardo Redín em não fazer apostas em jogadores que não correspondem, como Ibargüen, Mosquera e Quiñones.

A defesa segue forte capitaneada por Henríquez e tendo a seu lado Felipe Aguilar, o jovem estudante universitário de administração de empresas, fora de campo, e o zagueiro altamente focado, dentro dele. Os dois laterais se comportam mais como defensores do que alas. Muitas vezes, se juntam a Diego Arias na recuperação da bola um pouco antes do círculo central. Apenas em situações muito especiais, que esses dois laterais se apresentarão no ataque.

Ponto fraco

O principal problema do Atlético Nacional está no fato de que o banco de reservas já não é mais o mesmo. Ocorre que muitos jogadores que receberam preparação para serem levados em conta no atual momento não estão correspondendo. Destes, Mosquera é a principal decepção, enquanto Cristián Dájome começa a deixar de lado sua irregularidade. O plano é que com a chegada de Ramírez, Matheus Uribe virasse seu reserva imediato. Porém, por deficiência dos ponteiros reservas, Uribe foi deslocado para o setor direito. Felizmente, para o Verdolaga, se a equipe perdeu um ótimo segundo volante ganhou um extremo habilidoso e inteligente que a cada dia surpreende a torcedores e comissão técnica do campeão da Libertadores. Porém, se Uribe se lesiona não há nenhum outro jogador na reserva capaz de entrar no time e manter a qualidade do seu nível técnico.

Pelo outro lado, o esquerdo, o dono da posição é Mariano Vázquez. Seu reserva, Ibargüen segue a ser irregular; Dájome apresenta leves sinais de recuperação, enquanto Arley Rodríguez está mais próximo de retornar aos treinos com os jogadores da base do que ocupar um lugar no banco de reservas.

Outro problema está em que também Macnelly Torres não dispõe de um reserva com um nível técnico parecido. No ano passado, muitas vezes ele reversava com Guerra, o que permitia a um e outro que descansassem. Atualmente, se Torres deixa a equipe, a criação das jogadas pode ser drasticamente afetada. Solução poderia estar em "Índio" Ramírez, que tem características parecidas as de Torres e poderia ser seu reserva. Mas o habilidoso garoto da "cantera" verdolaga ainda não parece contar com a confiança necessária de Rueda e Redín.

Rival do Santos - The Strongest

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Pablo Escobar é um dos líderes do The Strongest
Pablo Escobar é um dos líderes do The Strongest

Conta já um bom tempo que Strongest e Bolívar já não justificam as piadas recorrentes em torno do futebol que praticam. Destes, o "El Más Fuerte" já pode ser considerado um rival difícil mesmo fora de seus domínios, no Altiplano boliviano. Nas etapas prévias da fase de grupos o Aurinegro arrasou seus adversários impiedosamente. E mesmo que o grupo II seja muito difícil, tudo indica que uma das vagas deva ficar com os bolivianos. O que significa que a conquista da outra se tornará uma duríssima batalha entre Santos, Santa Fe e Sporting Cristal.

Conjunto e estilo de jogo

Se há algo de muito positivo no Strongest é o seu conjunto. A base se mantém intacta há mais de três anos. Jogadores se conhecem dentro e fora de campo; são amigos e têm profunda identificação com o Aurinegro. O ambiente familiar é motivado por uma ideia, praticada desde 2015, que consiste em atrair os familiares dos atletas para o dia-a-dia do clube. Quando os jogos ocorrem no exterior é comum que esposas e filhos dos jogadores vejam as partidas nas instalações do também chamado clube "Atigrado". O capitão Pablo Escobar, que decidiu que encerraria sua carreira no Strongest, recebera em 2015 uma proposta de trabalho, no próprio clube, quando decidisse parar. Como ainda não parou, seu trabalho já começou e consiste em integrar os atletas da base com a equipe profissional. Sete jogadores já subiram por determinação do capitão, destaques para o meio-campista Diego Wayar e para o atacante goleador, Percy Loza.

Por que o conjunto do Strongest é um ponto a se destacar? Isto ocorre porque ele facilita qualquer modificação no esquema de jogo sem que a equipe perca qualidade. O atual comandante é o venezuelano César Farias, treinador estudioso e cheio de ideias, que sempre reclamou da disposição dos jogadores em praticar algo novo. Desde que chegou, Farias não se deparou com este problema no novo clube. Com boa estrutura e a desejada disposição dos jogadores à sua disposição, o técnico venezuelano levou o Strongest à conquista do campeonato boliviano, ficando 21 jogos sem perder.

O Strongest mantém uma defesa sólida, com uma linha de quatro, seguida por um doble cinco, composta por Veizaga e Wayar. São bons marcadores, mas possuem bom passe, principalmente o jovem Wayar, que embora jovem já conta com um chamado para a seleção do país. A forte marcação ocorre para que o capitão Escobar tenha liberdade para a criação e também para chegar ao ataque. Em geral, o Strongest solta seus dois laterais, que não têm a função só de marcação, mas também a de ampliar o jogo pelos lados do campo. Quando isto acontece, Chumacero tende a ocupar o centro do ataque, enquanto Castro recua para formar uma linha de três volantes marcadores. Proposta é a de abrir ao máximo as linhas defensivas dos rivais, além de ampliar as opções ofensivas, como a dos arremates do lateral direito Diego Bejarano. Já quando atua fora de seus domínios, os laterais sobem menos pois a função de atacar pelos lados fica sobretudo com Castro e Alejandro Chumacero. Em qualquer situação, apenas o centroavante Matías Alonso ocupa, em tese, o setor do ataque.

O alto povoamento do meio-campo é um dos segredos do Strongest. Escobar regula a temperatura da equipe conforme o andamento da partida. Há momentos em que ela se retrai para chamar o adversário, cede o campo e passa a falsa impressão de que está sendo dominada. Talvez seja este o momento de maior perigo para quem enfrenta os bolivianos. Isto ocorre dentro e fora de casa, ao contrário do que ocorria antes, quando o Tigre praticava a pressão incessante sobre os rivais, até para tirar proveito da altitude. Em outros momentos, a pressão é decretada por alguns minutos, dando a impressão de que é algo previamente determinado por treinamentos e orientação de César Farías. De qualquer forma, se há algo de notável é a determinação em ferir impiedosamente o rival com o máximo de gols possível.

Fora de casa, o comportamento é naturalmente mais defensivo, desde que o adversário exerça pressão. Porém, o Tigre do Altiplano já aprendeu a jogar fora de seus domínios. Seu jogo defensivo é articulado, com linhas bem mais aproximadas e com um rápido contragolpe, puxado principalmente por Chumacero. A situação não é das mais tranquilas para os anfitriões do Atigrado. Pelas dificuldades na obtenção de vitória no Hernándo Siles, eles se veem na obrigação de vencerem em casa, o que converte a recepção e jogo com o Strongest numa verdadeira final. Se tentarem praticar o jogo ofensivo, encurralando os bolivianos, precisam fazê-lo bem e sem deixar brechas, sob o risco de levar o contragolpe fatal. Se por outro lado tentam praticar o jogo calmo, com chegadas refletidas ao ataque, correm o risco de parecer amedrontados, o que costuma ser fatal diante da equipe de César Farias.

Jogador-chave

Apenas com sua participação estupenda na fase prévia da Libertadores que Alejandro "Chummasteiger" Chumacero começou a quebrar a enorme rejeição ao seu futebol, aqui no Brasil. Trata-se de uma injustiça. Em 2013, o jogador foi contratado pelo Sport Recife, então dirigido por Geninho. O jogador quase não entrava em campo; muitas vezes não era nem relacionado para o banco de reservas, sem que o treinador se preocupasse em lhe fornecer quaisquer explicações. Entrava geralmente naquelas situações, conhecidas como "roubadas" e sempre fracassava. Não era comum em 2013 a existência de tantos estrangeiros atuando no Brasil e principalmente no Nordeste. E se o técnico não "dava bola" para o boliviano era natural que, em campo, os jogadores fizessem o mesmo. Além disso, o garoto tinha apenas 21 anos de idade e era a primeira vez que saia de seu país. Entrou em depressão e, diga-se, não recebeu a devida atenção para isto. Muitos em seu lugar também fracassariam, mas como se trata de um boliviano o rigor das críticas tende a ser mais impiedoso.

Chumacero é um jogador moderno, com capacidade de atuar de primeiro e segundo volante, de ponteiro, meio-campista organizador ou centralizado e próximo da área. Possui velocidade, leitura de jogo, ótimo arremate de longa distância e infiltração na área como atacante decisivo. Embora seja posicionado do lado direito, ele pode aparecer também do outro lado, trocando de posição com o extremo pela esquerda. Além disso, é o melhor marcador da equipe do meio-campo para frente. Não bastasse isso e tem refinado o seu faro de artilheiro. No momento, é o grande goleador da Libertadores, além de um de seus melhores assistentes. Ter sucesso contra o Strongest passa obrigatoriamente pela boa marcação a este jogador.

Ponto fraco

Escobar e Chumacero não possuem substitutos à altura no elenco atigrado. Sem esses dois jogadores, o conjunto boliviano é uma outra equipe. Bastam a seus rivais saberem bloquear o jogo de ambos ou contar com a sorte de não tê-los em campo por algum motivo. Caso Escobar não esteja presente, Chumacero pode atuar centralizado, ocupando sua posição. Mas o contrário não é verdadeiro. Como são muito disciplinados e experientes, não serão baixas por suspensão, mas somente por eventuais lesões. Portanto, se ambos constituem o ponto forte dos bolivianos também podem facilmente se converter em sério problema para o técnico César Farías.

Provável equipe: Daniel Vaca. Bejarano, Maldonado, Martelli e Marvin Bejarano; Waiar e Veizaga; Chumacero, Escobar e Casto; Matías Alonso.

Rival do Grêmio - Guaraní do Paraguai

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Guaraní bateu o Deportes Iquique por 1 a 0 em seu primeiro jogo na fase de grupos
Guaraní bateu o Deportes Iquique por 1 a 0 em seu primeiro jogo na fase de grupos

O campeão do Paraguai é uma das equipes mais ofensivas da atual Libertadores. Ao menos é o que se vê, quando ela se lança para cima de seus rivais com um grande número de jogadores. O técnico Daniel Garnero chegou em 2016, após um surpreendente trabalho no modesto Sol de América. Sua proposta é a de atacar os rivais de forma incessante até chegar à marcação do primeiro gol. A marcação é alta, asfixiando a saída de bola e com forte bloqueio aos jogadores criativos dos rivais, impedindo que a bola chegue neles. O sucesso no Clausura paraguaio foi gigantesco, contudo, o desafio é o de manter a proposta frente a rivais mais conceituados, como o Grêmio e demais membros do grupo oito.

Sistema de jogo

Garnero leva a campo um esquema com quatro jogadores no fundo, Palau e Aguilar como os dois volantes responsáveis pelo corte das jogadas pelo centro e também pela cobertura aos laterais. Romero Gamarra e Novick atuam pelos lados, mas costumam centralizar, permitindo as subidas dos laterais e se convertendo em atacantes. O principal jogador do sistema é Nestor Camacho, brasileiro em ótima fase e que atua armando a equipe, bem próximo do atacante García.

Ponto forte do Cacique paraguaio é a preparação física do elenco, necessária para subsidiar a profunda entrega dos jogadores em atacar e defender ao mesmo tempo. É muito comum que os rivais caíam na armadilha do Guaraní de incendiar a partida, gerando uma alta intensidade que cobra um alto preço da condição física. Foi o que aconteceu no jogo Deportes Iquique vs Guaraní. No segundo tempo, os chilenos sofriam em campo, se arrastando após o desgaste dos primeiros 45 minutos. Então, a oito minutos do fim, o Guaraní fez 1x0 e venceu, no Chile.

Ponto fraco

A debilidade está justamente na defesa. Como a marcação é alta a primeira linha fica desprotegida e muitas vezes sobrecarregada. O jogo do Cacique é materializado na entrega, coragem, vigor físico e tentativa de assumir o protagonismo. Porém, este protagonismo só ocorre quando o rival não sabe se comportar na partida, ou entrando na armadilha da correria ou se acovardando, frente a um rival brioso, mas com suas limitações. Encarar o Guaraní é aceitar o desafio de acreditar no seu próprio protagonismo e fazê-lo acontecer dentro de campo. O toque de bola e as inversões costumam ser complicadas para a equipe de Garnero e uma boa receita para os rivais. Portanto, o Guaraní é uma equipe "pequena" com a pretensão de ser grande na Libertadores. Se vai conseguir ou não dependerá bem mais de seus rivais do que dele próprio.

Provável equipe: Aguillar, Bareiro, Báez, Cabral e Aranda/Rolón; Juan Aguillar, Camacho, Palau e De La Cruz/Novic; Gamarra e García.

Fla planeja estrear casa na Libertadores, mas Maracanã segue nos planos. Veja como está ficando a Ilha

Mauro Cezar Pereira, do ESPN.com.br

O Flamengo espera inaugurar sua nova casa em 12 de abril, na partida pela Copa Libertadores contra o Atlético Paranaense. Para isso, voltou a acelerar as obras no estádio da Portuguesa, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro.

Serão cerca de 20.500 lugares e o aluguel, renovável, inicialmente é de três anos com a Lusa carioca. A entrega das torres de iluminação sofreu um atraso, mas elas enfim chegaram ao local onde o time mandará muitos jogos nas próximas temporadas.

Mas não será este o palco de todas as partidas dos rubro-negros, pois o Maracanã segue nos planos. O próprio confronto com o Atlético poderá lá acontecer, dependendo dos próximos capítulos da "novela" do estádio de R$ 1,2 bilhão, cujos personagens principais são governo estadual e consórcio encabeçado pela Odebrecht.

De qualquer forma, o estádio da Ilha se aproxima da conclusão. Partidas como a de sábado passado, contra a própria Portuguesa, disputada em Volta Redonda, em breve poderão ser realizadas na nova casa. Com natural expectativa de maior público por serem na cidade do Rio de Janeiro.

EXCLUSIVO: veja como está ficando o estádio do Flamengo, na Ilha do Governador

As fotos e o vídeo deste post são de Wilson Pimentel - no Twitter siga @pimentelmidia. Confira que no setor de visitantes, no canto à direita atrás do gol Sul (também à direita) não há cadeiras e será possível torcer de pé, como em toda a extensão da arquibancada norte, à esquerda, que deverá receber, inclusive, as torcidas organizadas.

Exclusivo: Patrocinador admite que paga ao Palmeiras mais do que vale, e diz que compensa

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

José Roberto Lamacchia é o homem que mais investe num clube de futebol no Brasil. O dono da Crefisa e da Faculdade das Américas (FAM) lutou contra o câncer, foi aos Estados Unidos em busca da cura e depois deu continuidade com alguns dos melhores médicos do Brasil. Após o tratamento, tomou decisões, entre elas a de colocar (muito) dinheiro no Palmeiras, seu clube de coração. São perto de R$ 100 milhões anuais em patrocínio, fora os "presentes", como Vítor Hugo, Thiago Santos, Fabiano, Lucas Barrios, Dudu, Guerra e Borja, jogadores contratados graças aos elevados aportes extras feitos pelas duas de suas 13 empresas. Por intermédio de sua assessoria, ele respondeu às perguntas do blog.

Reprodução
José Roberto Lamachia, o então presidente Paulo Nobre e Leila Pereira: donos da Crefisa e FAM
Lamachia com o então presidente Paulo Nobre e Leila Pereira: casal é dono da Crefisa e FAM

Vale a pena investir em patrocínio no futebol?
José Roberto Lamacchia - Você conhecia a Crefisa antes de patrocinarmos o Palmeiras?

Não me lembro antes de ver a marca na camisa do clube. Possivelmente já havia visto, mas não fixou...
Lamacchia - E faço anúncios na (TV) Globo há anos. Mesmo assim muita gente só passou a conhecer mesmo a Crefisa depois que colocamos nossa marca na camisa do Palmeiras.

É um bom negócio então.
Lamacchia - Ótimo negócio. Não entendo como outras grandes empresas, como bancos e montadoras, não patrocinam os times do país. O retorno é excelente. Vale a pena patrocinar, no nosso caso, para a FAM mais ainda do que para a Crefisa. Muitos empresários e executivos têm desconfiança, por isso não investem em futebol, talvez por culpa de dirigentes que endividaram os principais clubes, criaram essa fama, isso é ruim. Mas eu digo sempre a eles que anunciem, porque é um excelente negócio, vale muito a pena. Posso dizer isso com toda certeza.

Alguns temem patrocinar um clube e despertar rejeição dos torcedores rivais. O que o senhor pensa disso?
Lamacchia - Bobagem. Isso não acontece com a Crefisa e com a FAM. Pelo contrário, muitos nos veem como quem está apoiando o futebol, ajudando um grande clube. Deveria haver mais empresas assim. Então nosso futebol seria melhor do que o da Europa. Você imagina um grande clube com apoio de grandes empresas, que tamanho teria?

Como resolveu patrocinar o Palmeiras?
Lamacchia - Eu tive câncer e me curei. Um dia tomava café da manhã num clube com a Leila (mulher de José Roberto Lamacchia, que com ele administra as empresas) e falava sobre o Palmeiras. Então ela me questionou: 'Você gosta tanto do clube, mas o que faz por ele?' Resolvi patrocinar, então.

Reprodução TV
Dudu comemora golaço contra o São Paulo apontando o logo do patrocinador
Dudu comemora apontando o logo do patrocinador

Soube que quando ligou para o Palmeiras bateram o telefone...
Lamacchia - Duas vezes. Não conseguia falar com os dirigentes. Então fomos ao CT, lá um funcionário teve uma boa ideia e entrou em contato com o Francisco, do marketing. Quando falamos eu deixei claro que não tinha nada contra ele, mas que a conversa deveria ser de presidente para presidente. Fomos nos encontrar então com o Paulo Nobre, que estava na presidência, e acertamos por R$ 23 milhões anuais (o acordo foi anunciado em 22 de janeiro de 2015).

Qual a importância do seu patrocínio para o Palmeiras?
Lamacchia - O clube quase foi novamente rebaixado pouco antes, no final de 2014. Aí veio o Alexandre Mattos (diretor executivo de futebol) e ajudamos a trazer muitos jogadores. Então as coisas começaram a mudar no futebol do Palmeiras, que foi campeão da Copa do Brasil já naquele ano e do Campeonato Brasileiro em 2016.

Como é esse tipo de situação na qual o Palmeiras contrata novos jogadores com dinheiro extra dos patrocinadores?
Lamacchia - Pagamos a segunda metade do Dudu, um jogador que o clube poderia perder. Pagamos o Guerra, o Borja... O combinado é, se o jogador custou R$ 10 milhões, amanhã, caso o Palmeiras o venda por R$ 30 milhões, terá de me devolver os mesmos R$ 10 milhões, sem juros e correção monetária.

Provavelmente se um deles for vendido, o clube vai querer usar o dinheiro para fazer novas contratações...
Lamacchia - E eu sei bem disso. Não sou bobo, faço isso por que quero, faço isso pelo Palmeiras. Nesse momento sentaremos e analisaremos a situação.

O senhor paga pelos espaços no uniforme muito mais do que seria o valor de mercado. Ainda assim vale a pena?
Lamacchia - Muito. Vale muito a pena porque o retorno é ótimo. Você mesmo só gravou mesmo o nome da Crefisa depois que viu na camisa do Palmeiras, certo? E eu não sou um idiota, sei muito bem que estou pagando bem mais do que vale. Mas faço isso porque posso e quero. Da mesma maneira faço doações ao Graac (Grupo de Apoio ao Adolescente e a Criança com Câncer) e reformei dois andares do Hospital das Clínicas. Quis ajudar depois do que passei. E quero ajudar o Palmeiras, onde coloco dinheiro. E não retiro.

O senhor já socorreu o clube em situações específicas?
Lamacchia - Sim. Em uma delas o Palmeiras precisava fechar as contas e faltavam R$ 8 milhões. Sugeriram que colocássemos nossa marca nas meias dos jogadores por essa quantia. Ora, eu sei bem que aquele espaço não vale isso, mas fiz. Pelo Palmeiras, para o Palmeiras. A estrutura e o Centro de Excelência paguei a reforma e a construção. Depois houve um problema lá dentro e então parei, mas era um investimento de aproximadamente R$ 8 milhões e paguei uns R$ 6,5 milhões, depois só completaram o que faltava, a menor parte.

Quem merece elogios entre as pessoas com as quais conviveu nesse tempo de patrocínio ao clube?
Lamacchia - O Maurício Galiotti, ótimo dirigente, excelente. O Alexandre Mattos é o melhor no que faz. Acertou muito mais do que errou. O Lucas Barrios, num primeiro momento, foi muito importante na Copa do Brasil (o blog apurou que entre a contratação e salários o argentino naturalizado paraguaio custou ao patrocinador cerca de R$ 37 milhões). Mas o Mattos acertou em muitas coisas, foi lá na Colômbia e convenceu o Borja a não ir para a China, formou time forte, ganhamos a Copa do Brasil e o Brasileiro.

Arquivo pessoal
Carteirinhas de sócio vitalício palmeirense de José Roberto Lamacchia
Carteirinhas, antiga e atual, de sócio vitalício palmeirense de José Roberto Lamacchia

Por que a sua mulher, a Leila, fez aquela campanha para ser conselheira do Palmeiras?
Lamacchia - Ela queria tanto contribuir com o Palmeiras, que quis se tornar conselheira. E ela acha que pode colaborar. E eu sou associado desde 1955.

O senhor diz que não quer poder no Palmeiras, mas apenas ajudar o clube. A Leila deseja ser presidente?
Lamacchia - Como? Ela não tem tempo. A Leila toca as nossas empresas, ela é uma excelente executiva, se for para a presidência do Palmeiras de que maneira iríamos cuidar de nossos negócios? E se um dia ela se tornasse presidente do Palmeiras ia acontecer uma revolução lá dentro. Cada fornecedor seria definido depois de uma concorrência, buscando o melhor preço, as melhores condições. Ela só trabalha assim. E clube de futebol tem muito negócio que envolve amizades, conhecimento.

Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação
Mauricio Galiotte e Leila Pereira: Palmeiras e Crefisa ampliaram contrato em 2017
Mauricio Galiotte e Leila Pereira: Palmeiras e Crefisa ampliaram contrato em 2017

Ela é mesmo vascaína como dizem?
Lamacchia - Nada, isso é uma mentira que inventaram.

Quando estava no Fluminense, a Unimed era o patrocinadora e também colocava jogadores lá, mas sempre quis participar das decisões do futebol...
Lamacchia - Mas nós não queremos decidir nada sobre isso. Sou torcedor, não entendo de tática, dessas coisas, quem tem de escolher os jogadores que serão contratados é o departamento de futebol, é o Alexandre Mattos.

Mas o futebol o tornou mais conhecido...
Lamacchia - Isso acontece. Hoje mesmo um pessoal de um banco veio ao meu escritório para uma reunião. Ficamos o tempo todo falando de futebol e o assunto da reunião nem foi lembrado. Sempre gostei de futebol. Antes de criar a Crefisa, fui repórter, foi a maneira que encontrei para ver os jogos, mas nem sempre me colocavam nos do Palmeiras.

O senhor se incomoda quando dizem que é o mecenas do Palmeiras?
Lamacchia - Não. Me incomoda quando dizem algo que não é verdade. A Crefisa passa por fiscalizações da Receita Federal, do governo, como qualquer outra empresa do setor. Não tenho dívidas, não faço dívidas. É tudo legalizado, sempre foi.

Palmeiras inicia preparação para encarar Jorge Wilstermann; Dudu espera repetir boa atuação

Árbitro que quase não dá pênaltis, e até já voltou atrás em um, 'presenteou' o Barça com dois

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Em 19 jogos — 11 pela Bundesliga, quatro da Champions League, três da segunda divisão alemã e um da Europa League —, o árbitro alemão Deniz Aytekin marcou apenas quatro pênaltis. Dois generosos, aliás, generosíssimos para o Barcelona, nos 6 a 1 que eliminaram o (amarelão) Paris Saint Germain.

A interferência do apitador germânico no andamento do jogo, no placar, na disputa pela vaga, foi uma das mais constrangedoras em muito tempo. Quando os catalães não pareciam ter mais chances, entendeu como penalidade máxima uma cavada descarada de Luis Suárez, que Neymar transformou em gol.

O Barça é um clube imenso, sua relevância extrapola o futebol, é um símbolo da Catalunha e dos históricos confrontos com a coroa espanhola, com Madri. Não se sabe os motivos, mas os árbitros parecem se apaixonar pela causa, afinal, não é uma novidade esse tipo de situação, como Milan, Chelsea e outros já sentiram.

Dois pênaltis em 18 jogos na temporada havia marcado o Aytekin antes desta partida. E no Camp Nou ele deu mais um par (e aqueles dois!) durante 90 minutos. Em 142 aparições domésticas e internacionais, ele assinalou 41, média de apenas 0,29 por peleja, ou seja, passa mais de três cotejos sem marcar tal infração.

Curiosamente, o apitador da Bundesliga chegou a voltar atrás numa marcação. Em 2014 Aytekin atribuiu uma penalidade ao Eintracht Frankfurt contra o Stuttgart. Depois de conversar com seu assistente, mudou de ideia e cancelou o pênalti (vídeo acima). Fica claro que alemão, pelo currículo, não é de marcar tantas penalidades máximas.

Por alguma razão, na noite catalã, apontou freneticamente a chamada marca fatal. Saiu de seu padrão habitual. E como saiu! Assim, o fez duas vezes num jogo em que a equipe da casa precisava de muitos gols. Azar do PSG. Time de sorte esse Barcelona, não?

Conheça os primeiros rivais de Atlético-MG, Flamengo, Grêmio e Palmeiras na Libertadores

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br*
ESPN.com.br
Conheça os primeiros rivais de Atlético-MG, Flamengo, Grêmio e Palmeiras na Libertadores
Conheça os primeiros rivais de Atlético-MG, Flamengo, Grêmio e Palmeiras na Libertadores

* por Joza Novalis

No detalhado texto a seguir, Joza Novalis, especialista em futebol latino-americano que escreve no site Futebol Portenho, mostra como jogam adversários de alguns dos times brasileiros na Copa Libertadores 2017.

  • Grupo de Flamengo e Atlético-PR

O grupo dos rubro-negros é um dos mais enrascados. Para os flamenguistas, enfrentar rivais pesados pode ser benéfico no sentido de calibrar melhor o foco sobre as dificuldades que cercam o maior torneio de clubes do continente americano. 

SAN LORENZO DE ALMAGRO

Novamente o San Lorenzo se coloca no caminho de brasileiros e especialmente do Flamengo. Na Sul-Americana, o encontro só não aconteceu porque o Rubro-Negro foi eliminado pelo Palestino. Trata-se de um rival difícil; tem camisa, tradição e mais que nunca um casamento feliz com sua torcida. A atmosfera em Boedo é de confiança e orgulho. Isto ocorre porque o clube transita de uma situação na qual era um dos mais defasados e risíveis do país para se transformar em grande vencedor recente no cenário sul-americano.

Chegaram títulos nacionais, Libertadores, participação no Mundial e sobretudo holofotes que todo clube grande necessita. No institucional, dívidas foram reduzidas para o padrão administrável, a base ganhou investimento, departamentos médicos e outros foram reestruturados; no plano do direito, ganhou uma luta antiga e feroz que se traduziu na "volta a Boedo", cenário do antigo estádio, Viejo Gasómetro, local onde o clube nasceu e se constituiu historicamente como grande.

Da relação de seus gestores com o futebol nasceu um projeto responsável e digno de nota: baixa-se a zero a intervenção de dirigentes no trabalho da comissão técnica ao mesmo tempo em que diretor, presidente ou vice assumem a linha de frente das críticas ao treinador, que passa a ser preservado para a realização plena de seu trabalho dentro de campo. Conquista de um simples torneio de verão a coisas maiores, como Sul-Americana ou Libertadores se encaixam num ajuste de perspectivas que apenas se modifica ao fim de um prazo previamente estabelecido. No momento, este prazo é de um ano. Nesse período pode até cair dirigente, mas treinador segue no cargo.

Como pensa o grupo e como joga o Ciclón

Rivais que saíram do sorteio podem ter sido os mais difíceis para o San Lorenzo, mas embora não o confesse, configuram o tipo de grupo que gosta o técnico Diego Aguirre. O uruguaio é um animador talentoso do jogo impossível. Sente-se cômodo quando seu time se encontra em situações as mais adversas. O San Lorenzo de Aguirre se notabiliza por uma saída segura, sem a doação fácil da redonda para a equipe rival. Nos treinos, o técnico tem intensificado exercícios específicos para que seus defensores ganhem tranquilidade e técnica no manejo da pelota desde o campo defensivo.

Com Campeonato Argentino paralisado, Aguirre lamenta falta de ritmo antes de encarar o Fla

O esquema preferido é o 4-2-3-1, que varia para o 4-1-4-1, com a projeção de Ortigoza para atuar como meia ofensivo. Esse jogador é peça-chave do esquema de Aguirre, assim como era dos técnicos anteriores, Pablo Guede e Edgardo Bauza. Na primeira linha, os dois zagueiros se colam à grande área, enquanto os dois laterais se posicionam quase próximos à linha do meio-campo, prontos para irromperem ao ataque. Um pouco à frente desta linha aparece a dupla de volantes, Mercier/Mussis e Ortigoza. O seu poder de marcação é relativo, pois pelo caráter criativo do jogo do "Gordo" vez ou outra ele avança, deixando seu companheiro solto e sobrecarregado no freio ao contragolpe na zona central.

Do lado esquerdo, o lateral Lautaro Montoya, possível substituto de Mas, marca melhor e equilibra as coisas. Do lado direito, Mercier/Mussis marca bem, mas o lateral Corujo nem tanto. A deficiência de Corujo se casa com a sobrecarga sobre as costas do volante mais acima (Mercier/Mussis) deflagrando uma limitação defensiva que Aguirre tem tido dificuldades de sanar. Pior ainda é quando Aguirre inverte o posicionamento dos volantes, colocando Ortigoza mais à direita. O setor fica ainda mais vulnerável. Desta forma, mais que nunca, a equipe se obriga a quebrar o jogo do rival lá no campo de ataque.

A solução estaria na promoção de algum garoto da base que vem pedido passagem. No caso Brian Mieres, de 21 anos, ou mesmo Emiliano Purita, de 19. Em virtude de os problemas defensivos serem mais relevantes que os ofensivos, Mieres ganharia a preferência já que seu poder de marcação ganha relevo sobre o aspecto mais ofensivo do jogo de Purita. De qualquer forma, ambos superam Corujo. No entanto, a insistência de Aguirre pelo uruguaio não o faz sequer pensar na possibilidade.

E por que falamos tanto na defesa do Ciclón? Porque a proposta futebolística da equipe é propositiva. Ideia é permanecer a maior parte do tempo com a posse de bola, tocá-la principalmente entre o segundo e terceiro terços do campo, rodá-la para lá e para cá em busca das brechas para as infiltrações. Quando elas custam a aparecer, a pelota tende a ficar mais tempo nos pés de Ortigoza, que é o termômetro da equipe. Cabe ao "Gordo" acelerar o jogo ou diminuir; fazer o passe entre as linhas e sobretudo acionar dois outros jogadores fundamentais no esquema de Aguirre: Belluschi e Ezequiel Cerutti. Ocorre que esta proposta de jogo exige do sistema defensivo uma atenção constante. Ideia que passa por recuperar a redonda rapidamente e ainda no campo de ataque, quando ela é perdida para a defesa rival. E quando não acontece, os problemas defensivos citados acima ficam escancarados.

Zé Ricardo analisa time do San Lorenzo e pede atenção redobrada: 'Não podemos entrar no jogo deles'

Meio-campo criativo, a excelência do Ciclón

O que anseia Diego Aguirre? Ter um meio-campo tão eficiente que os demais problemas fiquem irrelevantes. Conforme apontado, Ortigoza é peça-chave e por isso que costuma ser o jogador preferido por todos os técnicos que passam pelo San Lorenzo. Mas não é o único. Desde que chegou a Boedo , Aguirre apresentou um plano ao elenco e que consistia em ampliar as soluções no meio-campo e ataque, além de sanar os problemas defensivos. Blanco gerava dinamismo, mas em geral falhava no terço final. Além disso, seu jogo não fluía na ausência de Belluschi ou Ortigoza. A entrada de Tino Costa resolvia o problema, porém parcialmente já que este jogador tem sido invariavelmente irregular. A saída de Blanco oportunizou a contratação de um jogador que atendesse aos anseios de Aguirre. Rubén Botta chegou com status de solução. Por hora, ainda é incerta sua presença diante do Flamengo, pois a condição física não é das melhores.

Não é pouca coisa o que tem jogado Belluschi. Trata-se de um dos mais cerebrais jogadores atuando no futebol da Argentina. Arremata de qualquer distância e com qualidade; dribla, faz o breque; distribui o jogo para os dois lados do campo ou cobra a presença do meia a seu lado de forma a fazer o "toco y me voy" pelo centro do campo. Até a chegada de Botta não havia na esquadra cuerva nenhum outro jogador que fizesse o trabalho e Belluschi, ao menos com a qualidade que este consegue imprimir ao jogo da equipe. Isto ficou notório nas duas partidas contra a Chapecoense, pela semifinal da Sul-Americana, em que o meia não atuou por estar suspenso. Este jogador precisa de marcação forte, mas honesta e leal, pois costuma ganhar rendimento quando provocado ou perseguido em campo com faltas grotescas e infantis. Quanto ao jogo de Botta, tudo dependerá de sua condição física. Isto porque o jogador tende a se adaptar muito bem, e rápido, a um meio-campo povoado por jogadores de qualidade. Botta é cerebral, mas ao contrário de "Cabezón" Belluschi, não costuma se dar bem quando toda a responsabilidade de criação recai sobre suas costas.

Um dos traços marcantes da qualidade do meio-campo cuervo é o fato de que seus jogadores podem trocar de posição a todo instante. Se o bom Sebatián Blanco apresentava queda de rendimento quando invertia o lado, isto não costuma acontecer com o novo contratado. Rubén Botta é um jogador tão vertical quanto Blanco, mas sobre este leva a vantagem de jogar centralizado, pela direita ou pela esquerda sem perder seu nível futebolístico. Porém, essa troca de posição só ocorre em situações nas quais o Ciclón se depara com forte bloqueio a seu jogo ofensivo. Quando não acontece, cada um é orientado a guardar posição até para operar uma leitura mais profunda de seus defensores, flagrar debilidades e construir as jogadas por sobre seus erros. Botta será posicionado no setor esquerdo e exigirá atenção constantes dos defensores de Flamengo e Atlético, no setor direito de cada defesa.

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Cerutti é peça-chave para o San Lorenzo
Cerutti é peça-chave para o San Lorenzo

A peça do xadrez

Se Ortigoza é o homem da bola ainda antes da faixa central, Cerutti é o jogador mais acionado do meio-campo para frente. Ter sucesso contra o San Lorenzo passa muito pela sabedoria em saber jogar sobre essa verdadeira peça de xadrez que é Ezequiel Cerutti. A dependência do jogador é tão gigantesca, que o próprio treinador se reuniu com o grupo para discutir um tema cujo nome, dado por ele mesmo, era "Ceruttidependência". Por sorte do Fla, possivelmente o jogador não irá a campo no Rio, pois se recupera de uma lesão. Contudo, estará presente o jogo de volta e provavelmente no primeiro duelo contra o Atlético Paranaense. Cerutti é relevante por sua mobilidade, seu entrosamento com Blandi, arranques certeiros pela direita e passe final com alto grau de acerto. Mas a dependência da equipe ao jogo dele não deixa de ser um problema para o qual Aguirre ainda não achou solução. Em geral, as equipes que atuam contra o Ciclón erram quando fixam um lateral como defensor. Na prática, o jogo de Cerutti funciona menos nas situações em que ele precisa acompanhar o lateral-ala. Fica a dica.

Outro defeito do San Lorenzo é sua tendência a jogar apenas um período de jogo. Por algum tempo, a qualidade dos primeiros 45 minutos prevalecia sobre a dos 45 finais. Todavia, recentemente, após um exaustivo trabalho do técnico, vemos o contrário; como foi o caso conta a Chapecoense, na Arena Condá. E qualidades e deficiências do elenco aparecem de forma tão decisiva quanto desproporcional em cada um desses tempos. Do que se deduz que em momentos de baixa, ela será acentuada e cabe a seu rival forçar o jogo no campo defensivo dos cuervos. Frente a uma equipe como o San Lorenzo, o ideal é sempre procurar ter as ações da partida. Porém, o Ciclón de Aguirre tende a ser muito criativo domina o seu rival. Nesses casos, e apenas nesses, a preocupação defensiva precisa se acentuar para os sistemas defensivos de Furacão e Flamengo.

Possível equipe titular contra o Flamengo e Atlético-PR: Sebastián Torrico; Corujo, Coloccini, Caruzzo e Montoya; Mussis, Cerutti, Ortigoza, Rubén Botta e Belluschi; Blandi.

  • Grupo do Atlético-MG

De novo, o Galo cai em um grupo teoricamente fácil da Libertadores. Isto sempre pode ser uma armadilha para clubes brasileiros. Na edição anterior, rivais de menor expressão trabalharam mal as expectativas da equipe mineira, que foi eliminada nas quartas-de-final. Sport Boys e Libertad são assuntos para outro texto, vejamos um pouco sobre um dos favoritos para avançar na competição, o Godoy Cruz de Mendoza.

GODOY CRUZ

O Godoy Cruz é um clube pequeno no cenário argentino, mas daqueles que primam pela organização institucional, a mesma que tem o Lanús e marcara o Veléz até dois anos atrás. O investimento na base é significativo, todos recebem em dia e cada contratação precisa ser financiada pela liquidez da temporada anterior. Se não for assim, o técnico tem a obrigação de eleger jogadores da "cantera" e não a de ficar pedindo reforços.

Uma das novidades está no banco de reservas, o treinador Lucas Bernardi, de 39 anos, e ex-jogador do Newell´s Old Boys. Assim que chegou a Mendoza, Bernardi foi levado a conhecer os jogadores da cantera, antes de ser apresentado ao elenco profissional. A eleição como técnico do "Expresso Dodeguero" tem muito a ver com o fato. Lucas Bernardi foi o responsável pela reformulação das divisões de base de seu ex-clube. Seu olhar identifica o talento, sua experiência sabe promovê-lo e sua paciência, construí-lo. Além disso, a generosidade de Bernardi faz com que tanto os garotos quanto os jogadores mais experientes pratiquem por ele profunda doação dentro de campo. Portanto, o espírito do Godoy Cruz é de luta, entrega e muita garra durante os 90 minutos de jogo.

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Esquema de jogo

Bernardi, rival do Galo pelo NOB em 2013, prefere uma linha com três defensores, cinco jogadores no meio, sendo dois deles volantes com forte capacidade defensiva, uma linha de três mais adiantada, composta por dois laterais ou por dois meias que cumpram o mesmo papel, além de um enganche, naturalmente mais centralizado. Na frente, dois atacantes de mobilidade, Morro Garcia mais centralizado e González, com livre circulação pelo ataque. A ideia é a de possuir a bola a maior parte do tempo, mesmo atuando fora de Mendoza. A marcação é alta e operada pelos dois lateria-pontas e pelos dois atacantes. Durante os treinamentos, Bernardi intensificou a aproximação de Garro e Giménez aos dois atacantes e também o trabalho de aperfeiçoamento do passe de Serrano e Henríquez. Sua ideia por um lado foi a de tornar a equipe ainda mais ofensiva e, por outro, a de eliminar a solidão de Pol Fernández na criação das jogadas. No primeiro momento, foi cobrado dos dois volantes que ao menos entreguem a pelota redonda para Fernández, já que sua responsabilidade, mais à frente, é bem relevante.

Os amistosos têm mostrado que Bernardi está conseguindo fazer a equipe jogar, Dois seis duelos, o "Tomba" venceu quatro e empatou dois. O alto número de gols tem mostrado que é possível viver sem Jaime Ayovi, o principal jogador da equipe em 2016 e negociado com o futebol chinês.

Ponto a se observar

O jogo do Godoy Cruz é baseado na posse da pelota a qualquer custo. Percebe-se que a bola circula por grande parte do tempo no segundo terço. Vira bola de segurança, quando recuada para Serrano, ou pode virar a bola decisiva, caso ela saia com perfeição de Pol Fenández ao encontro de um dos atacantes. Não se sabe se Morro Morro Garcia estará em campo, já que foi criticado pelo técnico por sua pouca dedicação aos treinos e por se mostrar muito aberto a possíveis negociações com outros clubes. Caso não atue, Sigales ou Correa deve ocupar a posição. De certa forma, a equipe não perde muito com a ausência do uruguaio, pois o sistema de jogo que o favorecia pode fazer o mesmo por qualquer outro centroavante com um mínimo de entendimento do ofício.

Embora Giménez seja jogador cada vez mais importante no esquema, o jogo do Godoy Cruz passa principalmente pelo setor inverso, o direito. Toda a atenção precisa ser colocada sobre o dinamismo que Juan Garro e González atribuem ao jogo bodeguero pelo setor. Veloz, de alta mobilidade e com assistências decisivas, Garro é pode ser o homem do jogo contra o Galo. Pode virar segundo atacante, trocando de posição com González ou mesmo o centroavante, já que arremata com os dois pés. Além de ser importante para o jogo ofensivo, Garro retorna para a marcação, fazendo-se de lateral e fortalecendo a primeira linha.

Fred destaca bom preparo físico e mental do Atlético-MG para início na Libertadores

Ponto fraco

A defesa do Tomba apresenta três bons zagueiros, destaque para Ortiz, o comandante da zaga. Porém o sistema defensivo tem apresentado falhas na recuperação da bola, quando perdida no meio-campo. A pressão sobre Pol Fernández é a dica de ouro para o Galo. Quando a pelota é perdida pelo enganche, cabe especialmente a Serrano ou Henríquez recuperá-la rapidamente. Contudo, os dois jogadores não parecem adaptados ao esquema. Henríquez demonstra dificuldades para a filosofia de jogo do novo técnico, enquanto Serrano recém-chegou à equipe de Mendoza.

O Godoy Cruz é favorito para passar de fase, embora um rejuvenescido Libertad e um poderoso Atlético MG façam parte do grupo. Jogar em Mendoza ou nos domínios dos seus rivais parece indiferente para a esquadra argentina. Sua proposta é a de fazer o jogo acontecer em qualquer lugar. Mesmo que não obtenha o sucesso esperado, a equipe do Godoy Cruz está muito longe de ser o "frangote" que muitos jornalistas brasileiros já têm apontado em suas análises.

Provável formação contra o Atlético-MG: Rodrigo Rey; Olivares (Galeano), Ortiz e Benitez; Serrano e Henríque; Garro Pol Fernández e Giménez; González e Morro Garcia (Sigales).

  • Grupo do Grêmio

ZAMORA FC

O Zamora é uma equipe interessante e pode complicar bastante a vida do Grêmio. Trata-se do clube que juntamente com o Zulia FC representam o que há de mais moderno no futebol da Venezuela. E os bons sinais de tal modernidade podem ser vistos na proposta de jogo e nos jogadores que a materializam em campo. Quando vemos a seleção da Venezulea atuar, chama a atenção a quantidade de bons meio-campistas que aparecem na Vinotino. Não é por acaso, há um trabalho de revelação de jogadores meio-campistas na Venezuela e o Zamora é o melhor exemplo disso.

O técnico é o Francesco Stifano, um jovem de 37 anos e afinado com profundo estudo sobre técnicos consagrados, como Sampaoli, Guariola etc. Seus esquemas variam bem, mas em geral o mais utilizado é o 3-5-2, com três zagueiros que jogam bem adiantado e praticamente colados com um doble cinco. Por entre os três zagueiros, joga um outro volante um pouco mais adiantado e com a liberdade de avançar ou recuar a todo instante. Então, a primeira linha do Zamora apresenta, na prática, cinco jogadores muito adiantada. O intuito da equipe é o de buscar o protagonismo dentro e fora de seus domínios, independentemente do rival. Seus jogadores possuem alto entendimento da proposta de jogo de Stifano, materializada na posse da bola e na leitura constante do jogo do rival de maneira a descobrir as brechas para chegar à sua área, mas também para bloquear pontos fortes dos adversários. Para tanto, Stifano gasta muito tempo com vídeos e instrução a seus jogadores.

DataESPN e Calçade analisam a rápida movimentação do Grêmio antes da Libertadores

Marcar o rival com precisão é uma preocupação, mas claramente não a principal. Aquele tempo de times venezuelanos recuados ou perdidos no campo de ataque, especulando sem uma proposta clara, acabou. O Zamora é um clube sério, com profissionais habilitados para a construção de uma proposta ofensiva. Na cantera, os meio-campistas recebem treinamento para o desenvolvimento de suas habilidades técnicas, criativas e passe final. O rival do Grêmio não apresentará Yeferson Soteldo, negociado com o Huachipato do Chile. Ainda não há outro jogador tão eficiente no elenco. Porém, Sosa e Moreno apresentam as mesmas características de Soteldo. Há um entendimento que que não é possível manter as revelações por muito tempo. Então, então a ideia é fabricar e encontrar talentos que possam vestir a camisa titular a qualquer momento. Daí a proposta de trabalhar sistema e filosofia de jogo em todas as divisões de base. Jogador que tem apresentado um bom nível é Ángel Peña, que estará em campo no jogo contra o Tricolor gaúcho. Contudo, quem deve mesmo entrar como camisa 10 é Raymond Manco, peruano contratado após a saída de Soteldo e que já se adaptou bem ao esquema e filosofia de jogo da equipe.

Outro ponto positivo é que o técnico Stifano pode modificar muito a equipe, pois as peças são bem parecidas. Em teoria, o Zamora é uma equipe sem grandes jogadores, mas na prática seu treinador tem muitas opções para cada posição.

Ponto importante

A equipe Blanquinegra é compacta em suas linhas; apresenta um jogo rápido e forte chegada ao ataque. Sua mobilidade chama a atenção, assim como sua condição física. A posse de bola é consciente e o último passe só ocorre quando o atacante apresenta condição de fazer estragos na defesa dos seus rivais. Trata-se de uma equipe vertical e com um futebol vistoso. Porém, suas deficiências estão justamente na marcação alta. Como o conjunto venezuelano pleiteia obter o protagonismo do jogo é comum que o alto povoamento do meio-campo deixa um vasto espaço no costado da zaga.

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A dica para o Tricolor é praticar um jogo rápido e pelos lados do campo de forma a encontrar a defesa desguarnecida. De preferência, atacar por um lado, mas com outro ponta, do outro, obrigando a linha defensiva a se abrir. Outra questão tem a ver com a postura em campo. Pouco vai adiantar ao Grêmio ficar esperando uma equipe que sabe trabalhar a bola. O ideal é pressionar os venezuelanos no seu campo de defesa. Em todos os jogos recentes do Zamora seus momentos mais difíceis foram justamente quando seus rivais praticaram esse tipo de jogo.

Provável equipe contra o Grêmio:
Salazar; Faria, Flores e Fillipeto (González), Peña, Luís Melo, Vargas, Manco e Sosa (Clarke); Gallardo e Falcon.

  • Grupo do Palmeiras

ATLÉTICO TUCUMÁN

O Atlético Tucumán é um clube modesto, pequeno, mas extremamente organizado atualmente. Trata-se de uma instituição que entendeu que o investimento na reestruturação institucional e o planejamento a curto, médio e longo prazo são essenciais para se tirar proveito do atual momento do futebol argentino e até sul-americano. O investimento na base é significativo e alcança no mínimo 30% de todos os recursos que entram no clube. Seu treinador precisa estar afinado com a proposta e conhecer profundamente os garotos da base.

Pablo Lavallén é um jovem técnico moderno, estudioso e tão detalhista quanto os treinadores da linha bielsista. O técnico sofre mais quando a equipe não pratica em campo suas orientações, mas vence, do que quando perde uma partida fazendo aquilo que foi combinado. Um de seus pontos fortes é a capacidade de materializar em poucas palavras tudo aquilo que pensa sobre futebol, uma partida ou o sistema de jogo dos rivais. Seus conceitos futebolísticos são profundos, mas se comunicam de forma simples e fácil, o que favorece sua leitura por parte dos jogadores. Outra vantagem é a de aliviar para seus atletas, sempre assumindo a responsabilidade por erros dentro da cancha.

Sistema de jogo

O Tucumán possui uma linha defensiva muito forte, composta por Di Pácido, Bianchi, Canuto e Evangelista. À frente, um doble 5 de jogadores que não alivia: Acosta e Leis. A principal função dos dois volantes é a de garantir que a pelota não chegue à defesa, quando perdida no meio-campo. O esforço desses dois jogadores está diretamente ligado à maior liberdade criativa de Aliendro e principalmente Barbona, o principal homem a ser marcado pela defesa palmeirense. Mais à frente, os dois são Zampedri e Menéndez, centroavantes modernos, de muita circulação pelo ataque, troca de posições e qualidade na conclusão das jogadas.

Zé Roberto explica proposta contra Tucumán: 'Forte na marcação e contra-atacar'

Quando atua em Tucumán, por vezes, Lavallén leva a campo Luís "la Pulguita" Rodríguez, jogador tão respeitado na cidade que até mesmo os torcedores do rival, San Martín, tendem a respeitá-lo nas ruas. O motivo foi o compromisso de Rodríguez de atuar até o fim da vida no clube do coração, além de seus gestos generosos, como o de visitar crianças doentes em hospitais, mesmos que sejam torcedores do grande rival do Decano. Presença de Rodríguez é importante principalmente por seus arremates de longa distância e suas cobranças de falta.

Apesar de ser um volante com o compromisso de marcação, Acosta tem bom passe e por vezes se projeta para o centro de campo. Um dos segredos do Tucumán é que quando isto ocorre, Barbona vira extremo, enquanto Menéndez deixa o ataque para armar a equipe junto com Acosta, no centro. Neste caso, o esquema se modifica para um 4-1-4-1, deixando somente Zampedri no ataque. É necessário que a defesa do Verdão saiba perceber a modificação para evitar os problemas que afetaram Junior de Barranquilla e El Nacional.

O jogo do Decano tende a abrir a defesa rival com Menéndez ou Di Plácido bem abertos, pela direita, e Barbona ou Evangelista, pela esquerda. O centro para a área nem sempre ocorre pelo alto, mas principalmente em meia altura ou com bola rasteira. Em geral, em cruzamentos para a entrada da área, com o intuito de encontrar um jogador livre para o arremate.

Assim como era favorito contra Junior e El Nacional, o "Decano del Norte" é favorito para passar de fase. Em casa, seu jogo estudado recebe o apoio vibrante de seus torcedores e se converte em pressão durante os 90 minutos. Fora de casa a ideia principal é a de esperar o rival e contra-atacar nos momentos decisivos.

Provável equipe contra o Palmeiras: Lucchetti; Dí Plácido, Canuto, Bianchi e Evangelista; Aliendro, Acosta, Leis e Barbona; Zampedri e Menéndez.

 

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