Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Jornalista desde 1983, passou por diversas redações de rádios, jornais, revistas e sites. Lecionou em faculdades de jornalismo e hoje é comentarista dos canais ESPN

Cheirinho de vexame em competições internacionais é rotina do Flamengo no Século 21

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

A eliminação do Flamengo para o Palestino, modesto time chileno, em pleno solo brasileiro, não deveria surpreender como à maioria escandaliza. Na realidade é uma rotina do clube em competições internacionais no Século 21.

Seja na Libertadores e agora na Copa Sul-americana, os rubro-negros acumulam eliminações vergonhosas em temporadas diferentes e com elencos distintos. Não é uma marca deste ou daquele grupo de atletas, mas algo que "colou" no clube.

Em 2012 o blog registrou os vexames rubro-negros, que até hoje se acumulam

Em 2008 Cabañas humilhou os flamenguistas que faziam festa para Joel Santana, então embarcando para treinar a África do Sul. Um ano antes o time perdeu de três para o pequeno Defensor e não conseguiu devolver o placar aos uruguaios.

EFE
Palestino venceu o Flamengo por 2 a 1: mais um vexame rubro-negro em certame internacional
Palestino venceu o Flamengo por 2 a 1: mais um vexame em certame internacional

Teve quedas em fases de grupos também, com o caríssimo time dos tempos da grana farta via ISL, em 2002, em 2012 e no pós-conquista da Copa do Brasil, em 2014. Nesta ocasião chegou a empatar com o Bolívar(!) no Rio de Janeiro.

Em 2011 a Universidad de Chile, algoz na Libertadores um ano antes, voltou a cruzar o caminho do Flamengo, desta vez pela Sul-americana. Perdeu pênalti e ainda assim a equipe de Jorge Sampaoli e Vargas humilhou o time de Ronaldinho e Luxemburgo.

Os certames da Conmebol têm suas peculiaridades. Times aparentemente inofensivos, mas organizados, vêm ao Brasil para jogar tudo o que podem e costumeiramente superam equipes nacionais. O Palestino é mais um a ensinar a velha lição.

Será pra isso que o time busca participar da próxima Libertadores? O Flamengo é um especialista em protagonizar derrotas que cheiram mal, muito mal. Se você acha exagero, veja a lista abaixo, refresque a memória e tampe o nariz.

Que cheirinho é esse?

"La Copa se mira y no se toca"
* Lanterna do grupo com Olímpia, Once Caldas, Universidad Catolica e Olímpia em 2002
* Desclassificado pelo Defensor nas oitavas-de-final em 2007 (0-3 e 2-0)
* Pateticamente eliminado na mesma fase pelo América do México, em 2008 (4-2 e 0-3)
* Eliminado pelo Universidad de Chile em 2010 (2 a 3 e 2 a 1) já nas quartas-de-final
* Novamente a 
Universidad de Chile, que pela Sul-americana fez 4 a 0 no Engenhão e 1 a 0 em Santiago, somando nove gols em quatro confrontos em duas temporadas
* Despachado em 2012 na fase de grupos, mesmo vencendo o Lanús, devido ao 3 a 3 com o Olímpia de Maxi Biancucchi no Engenhão — vencia por 3 a 0 e levou 3 gols em 13 minutos
* Derrotado e eliminado pelo León, na fase de grupos, num Maracanã cheio em 2014 (2-3).
* Eliminado da Copa Sul-americana pelo Palestino (1-0 e 1-2)

Candidato a presidente planeja casa que será estádio, não arena, onde time seja mais forte

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Pedro Abad é o candidato à presidência do Fluminense pela situação. O pleito acontecerá na segunda quinzena de novembro e também concorrerão Pedro Trengrouse, Celso Barros, Carlos Eduardo Cardoso e Mário Bittencourt. O blog conversou com Abad, auditor fiscal da Receita Federal que assegura: terá tempo para se dedicar ao clube como o Fluminense necessita.

Você é o candidato da situação, seu projeto de 'governo' é a sequência do que Peter Siemsen começou? Como será?
Pedro Abad: Sim. É um projeto de futuro importantíssimo para o Fluminense. Manter as conquistas relativas ao trabalho nas divisões de base do Futebol, no cumprimento das obrigações fiscais e trabalhistas, na internacionalização da marca. Por outro lado, precisamos avançar em alguns pontos fundamentais. Um novo modelo de gerenciamento do futebol, incentivar a obtenção de recursos para os esportes olímpicos, criação de mecanismos de governança que deem uma organização ao clube mais próxima de uma empresa. Enfim, a base para o futuro está mais sólida, mas os desafios são grandes também.

O clube sobreviveu melhor do que as pessoas imaginavam após a saída da Unimed. Quais os passos seguintes?
Pedro Abad: Avançar na estruturação do clube. O nosso CT precisa ser concluído, o Futebol precisa ser gerido de forma mais eficiente. Ontem demos um primeiro passo na direção de um novo estádio. O que posso dizer é que o trabalho é feito para formar um clube forte em estrutura e que vai dar condição para que o Futebol seja sempre capaz de disputar títulos.

Você falou da internacionalização da marca, o Fluminense comprou um clube na Eslováquia. De que maneira e quando isso renderá frutos? E quais frutos?
Pedro Abad: Os frutos dessa ação são muitos e ocorrerão em vários momentos. Hoje, levamos atletas para a Europa com o fim de dar-lhes uma formação mais completa, de forma que seja uma pessoa melhor, sem as características que fazem o mercado do futebol às vezes olharem com desconfiança para o jogador brasileiro. Além disso, conseguindo o acesso para a primeira divisão, teremos visibilidade ainda maior, sendo capazes de atrair investidores, da mesma forma que foi feito em outros clubes da Europa. Esse modelo pode, uma vez alterada a legislação que rege os clubes, ser aplicado ao próprio Fluminense. Isso sem falar no acesso a toda a tecnologia disponível na ECA (Europeia Club Associativo), que será repassada aos profissionais de Xerém e do profissional.

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Abad e Peter Siemsen: objetivo é dar sequência ao trabalho iniciado pelo presidente atual
Abad e Peter Siemsen: objetivo é dar sequência ao trabalho iniciado pelo presidente atual


Você já deu entrevistas sobre como será sua rotina se vencer a eleição, com um afastamento temporário de suas atividades profissionais. Seria presidente em tempo integral?
Pedro Abad: É corriqueiro que os presidentes tenham atividade profissional além do clube. Consegui autorização para exercer as duas funções. Meu trabalho fora do clube será por metas e é perfeitamente conciliável com o cargo de Presidente. Se sentir que há necessidade, me licencio do meu trabalho sem problemas.

Os sócios torcedores votarão nesta eleição. Será a primeira vez na história do Fluminense e no futebol do Rio de Janeiro. Acreditas que por isso o resultado das urnas fique muito vinculado ao momento do futebol?
Pedro Abad: Fico muito feliz que isso esteja acontecendo. Trabalhei pesadamente para que o clube fosse aberto à sua torcida para que esta decidisse os rumos do clube, antes e durante a gestão do presidente Peter. Entendo que o sócio é perfeitamente capaz de entender que o futuro do clube não depende de uma bola entrar ou não.

O grupo que ajudou Peter Siemsen a se eleger, o Flu Sócio, o apoia. Qual a importância do surgimento de movimentos do gênero dentro dos clubes de futebol com o intuito de mudar o perfil administrativo?
Pedro Abad: O importante é que pessoas que querem um clube mais organizado, conduzido com correção e de forma profissional se organizem, se associem e participem da vida política de seus clubes. Se uma quantidade de pessoas relevante consegue se organizar para influenciar a gestão de um clube, os resultados são fantásticos, como foi o caso da Flusócio.

Sobre o estádio, a área do Fluminense na Barra da Tijuca é de um fundo de investimentos, certo? O Fluminense precisaria modificar a destinação do terreno, certo? Quais os planos?
Pedro Abad: Não podemos detalhar muita coisa neste momento. O que podemos dizer é que ontem foi dado um passo importante e que muito trabalho precisa ser feito. De qualquer forma, é um projeto que interessa ao bairro e à própria cidade também. Vou trabalhar todos os dias nesse projeto.

As pessoas poderão fazer investimentos imobiliários ao lado em caso de mudança? Isso poderia transformar a região a partir do estádio tricolor?
Pedro Abad: O que dá para dizer é que é um projeto que interessa à Barra da Tijuca, ao Rio de Janeiro e ao Fluminense. Vai ser importante para a área toda. Vai dar uma ocupação importante e ampliar o desenvolvimento do bairro.

Como será desenvolvido o projeto para que o clube tenha dinheiro e possa erguê-lo?
Pedro Abad: Já temos uma equipe pensando em tudo, desde o projeto até o funding. No momento certo, será exposto aos poderes políticos do clube e levado a frente.

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O candidato Pedro Abad, da situação no Fluminense
O candidato Pedro Abad, da situação no Fluminense: estádio é nova meta do clube

A ideia é ter um estádio para quantas pessoas? Barato, obra mais básica? Mais sofisticado?
Pedro Abad: O conceito é de estádio, não de arena. O número ainda não está fechado totalmente. Será um estádio totalmente voltado para resultado dentro de campo. Um caldeirão, um local extremamente incomodo para os adversários e que vai trazer um sentimento de pertencimento ao torcedor que vai fazer com que ele deseje estar sempre no estádio.

A capacidade ainda não está definida então... Terá uma Muralha Amarela, no caso Muralha Tricolor, um setor popular?
Pedro Abad: Tudo está sendo pensado para dar a melhor experiência ao torcedor.

Mas isso está nos planos? Até para criar a ideia de caldeirão?
Pedro Abad: É uma ideia que inspira, certamente.

E quanto ao contrato com o Maracanã, que ainda terá 32 anos de duração e é favorável ao Fluminense?
Pedro Abad: Estamos em tratativas com as demais partes envolvidas. Precisamos esperar o novo modelo de licitação, mas o presidente Peter vem trabalhando para que o Fluminense possa jogar no Maracanã, sempre tendo em conta que nosso futuro pode ser um estádio próprio.

O estádio, na melhor das hipóteses, ficaria pronto quando?
Pedro Abad: Depende do modelo de financiamento, o que ainda está sendo estudado, e do próprio projeto físico.

Mas não existe uma data? Uma estimativa otimista e uma pessimista?
Pedro Abad: Difícil dizer porque cria uma expectativa no torcedor que pode trazer uma frustração. Prefiro dizer que o esforço será no sentido de que o projeto seja concluído o mais rápido possível.

A Unimed só ajudou ou também atrapalhou o Fluminense, criando uma certa dependência por alguns anos?
Pedro Abad: A Unimed ajudou profundamente o Fluminense. Durante a parceria, cabia ao Fluminense se estruturar, o que não foi feito até a gestão que começou em 2011. Se o clube não fez o seu dever de casa, não cabe culpar a parceira.

Nos últimos anos foram muitos embates entre o clube e o Vasco. Fosse pelo lado da torcida no Maracanã, mudança de local de clássico por parte da Federação sem que o Fluminense fosse consultado, duelo pelos direitos de jogador da base, de 15 anos, etc. O Vasco é o maior rival do Fluminense, hoje?
Pedro Abad: O Fluminense olha para o futuro. O que os demais clubes fazem é questão que compete a eles. Defendemos sempre o interesse do Fluminense contra quem quer que seja. Tivemos muito sucesso no Futebol de dez anos para cá, ao contrário do Vasco. O maior rival do Fluminense é aquele que está do outro lado do campo.

Quais os planos para a base?
Pedro Abad: Ampliação do trabalho do Marcelo Teixeira (gerente de futebol de base do Fluminense), aproveitar todo o arsenal metodológico e tecnológico que a parceira com o Samorin nos proporciona e integrar totalmente à forma de fazer futebol profissional. O objetivo maior é tornar Xerém a maior fábrica de atletas do mundo.

Como resumiria a situação financeira do Fluminense? Endividamento x faturamento? Há dependência de vender jogadores da base para fechar no azul? Quais as perspectivas?
Pedro Abad: Tranquila nunca é. Nossas dividas estão controladas e, no que diz respeito à venda de atletas, é uma fonte de receitas extraordinárias que todos os clubes usam e, embora seja a última alternativa, o Fluminense também pode usar.

O Flamengo, por exemplo, que vem pagando dívidas desde 2013, tem como objetivo chegar ao ponto no qual a receita seja maior do que sua dívida. E seguir reduzindo-a. Quais suas metas na parte administrativo-financeira para o Fluminense?
Pedro Abad: Administrativamente, organizar a gestão com práticas de governança, de forma que o clube tenha atribuição de responsabilidades e cobrança de resultados. Financeiramente, manter o clube superavitário e, dentro do possível, reduzir a dívida.

Clube de futebol pode gastar mais do que arrecada?
Pedro Abad: As regras do Profut são bem claras. Temos que ter um orçamento previsto para ser superavitário. Existem limites para endividamento, antecipação de receitas, enfim, uma série de medidas para organizar a vida financeira dos clubes. Digo ao torcedor tricolor que pode acreditar que faremos um trabalho voltado para levar o Fluminense a vitorias e títulos, bem como a uma estruturação física e gerencial.

No futebol, números são como óculos, ajudam a ver, mas sozinhos não servem para nada

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Não sou contra maneiras diversas de jogar futebol, é óbvio. Mas time algum está isento de críticas apenas por liderar um certame. Ainda mais o nosso (futebolisticamente) pobre campeonato brasileiro. O Corinthians do ano passado era melhor que o atual líder, não só pela Liderança com L maiúsculo, com mais pontos de vantagem sobre os perseguidores mais próximos(?), como pelo futebol jogado. O futebol que se vê. Não o futebol das estatísticas, números que tanto utilizo, que são como óculos, ajudam a enxergar, mas sozinhos não servem para nada.

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Assista aos gols da vitória por 2 a 1 do Palmeiras sobre o Coritiba

Sim, o Atlético de Madrid foi muito elogiado por ser competitivo abusando da marcação forte e da bola parada, das jogadas ensaiadas. Mas Diego Simeone jamais teve condições minimamente próximas de seus gigantescos oponentes. Com muito menos dinheiro do que Barcelona e Real, os superou algumas vezes e se igualou em outras tantas. Usando as armas que possui, um arsenal imensamente inferior ao dos rivais. O Palmeiras, por sua vez, é no Brasil, ao lado de Atlético e Flamengo, um dos que mais investe em seu time de futebol. Um cenário diferente e a cobrança idem.

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Sálvio não vê falta de Leandro Pereira em Wilson: 'Gol legal'

Não é apenas o time de Cuca que tanto recorre ao arremesso lateral na área. Garotos da base vêm sendo treinados para isso e o rico Chelsea deixa o talento de Cesc Fábregas no banco para Ivanovic atirar a bola no bolo com as mãos. A reflexão é: há quem marque forte para ter a pelota e jogar, mas também existem os que, de posse da mesma, preferem desprezá-la. A atiram no meio de vários adversários para brigar pela sobra. A chamada "segunda bola". Na maioria das vezes não dá em nada. Na minha concepção de futebol é algo aceitável em situações bem específicas, arma alternativa, eventualmente a última. Qual o problema em debatermos a respeito?

Na infinidade de espaços hoje existentes para análises sobre futebol, há quase uma lei, um código velado que "proíbe" questionar, e muito menos criticar, o vencedor, mesmo que tenha jogado mal. É mais cômodo analisar olhando a tabela e apenas os números, que em alguns casos funcionam como óculos fracos para nossa miopia, e o que se enxerga é algo distorcido. Foi assim que o time de Luiz Felipe Scolari ganhou prestígio na Copa das Confederações de 2013, com apenas um ótimo jogo, contra a Espanha. E surfou numa enorme onda que levou a seleção brasileira ao encontro do tsunami chamado 7 a 1. Se quisermos um futebol melhor, temos que usar as lentes certas.

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Mauro diz que muitos técnicos deveriam se inspirar em Tite e oferecer mais ao futebol 

A melhor situação de gol criada pelo Palmeiras no primeiro tempo contra o Coritiba foi com Moisés, mas não batendo lateral. Com os pés, ele colocou Gabriel na cara do gol, mas Wilson deteve o chute de Jesus. Antes do tento que abriu o placar, o menino acertou o travessão no desfecho de um lance primitivo após outro arremesso manual: três cabeçadas na pelota, Mina e Dudu para cima, e o próprio Gabriel no poste. Sim, o primeiro gol foi em outro lance do gênero, na falha do arqueiro. Só depois que assumiu o placar a equipe foi capaz de mostrar que há vida além da bola aérea, com o belo lance do 2 a 0. Por que não reivindicar mais jogadas como aquela?

 

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Para Mauro, 2º gol contra o Coritiba mostrou ao Palmeiras que há vida além do 'Cucabol'

Meu questionamento, e disse isso ao treinador, com quem conversei na manhã de domingo — clique aqui —, é pelo do Cuca de 2007. Onde estaria aquele técnico inquieto que fez no Botafogo o que poucos conseguiriam? E com orçamento menor e elenco inferior aos rivais. Como o Atlético de Madrid, desafiava os mais poderosos e jogava mais bola. Só não foi vencedor. Mas com a experiência que tem hoje, conseguiria ser um técnico melhor e comandaria um time mais competitivo. A crítica, Cuca já sabe, é profissional, não pessoal, tampouco para o mal. Fosse assim, o Palmeiras, ouso afirmar, seria Líder com L maiúsculo. Como seu rival era há um ano.

PS: agradeço as palavras do amigo Mauro Beting ao abordar o tema em seu blog — clique aqui para ler. A intolerância que toma nossa sociedade dificulta simples exercícios mentais. É assim sobre assuntos mais sérios, não poderia ser diferente quando o tema é futebol. Mas seguiremos tentando, é nossa missão.

 

 

Candidato à presidência busca apoio do ex-maior patrocinador

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Nesta segunda-feira Celso Barros vai lançar sua candidatura à presidência do Fluminense — eleições acontecerão na segunda quinzena de novembro. Presidindo a Unimed, entre 2009 e 2014 ele levou a cooperativa médica a patrocinar o clube, não só expondo o logo no uniforme, como contratando e pagando vários jogadores. Fora do cargo desde julho, quando conselhos administrativo e técnicos da Unimed-Rio foram destituídos, quer realizar seu sonho de se tornar presidente tricolor.

Mas um dos candidatos à sucessão de Peter Siemsen quer unir força a Barros. Pedro Trengrouse (chapa Verdade Tricolor) sugere que o ex-comandante da Unimed seja "presidente de honra". Unidos ou não, concorrerão com eles o candidato da situação, Pedro Abad (Flusócio); Carlos Eduardo Cardoso (Flu 2050) e Mário Bittencourt, ex-vice de futebol e ex-advogado do clube. O blog conversou com Trenghouse.

Pode haver uma aproximação entre a sua chapa e a de Celso Barros?
Pedro Trengrouse: Adoraria ter o apoio dele.

Depende de que?
Trengrouse: Dele. Só depende dele.

Como seria essa composição?
Trengrouse: Se for eleito presidente do Fluminense nesta próxima eleição gostaria de tê-lo como Presidente de Honra, honraria concedida até hoje a apenas cinco pessoas: Eduardo VIII (Príncipe de Gales), Getúlio Vargas, João Havelange, João Batista Figueiredo e Barbosa Lima Sobrinho.

E como funcionaria? Qual seriam a função dele e seus poderes?

Trengrouse: As mesmas funções e poderes de Eduardo VIII (Príncipe de Gales), Getúlio Vargas, João Havelange, João Batista Figueiredo e Barbosa Lima Sobrinho.

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Pedro Trengrouse pede apoio de Celso Barros em candidatura à Presidência do Fluminense


Ele decidiria sobre o clube ou o futebol?

Trengrouse: Quem decide é o Presidente, na forma dos estatutos. Sigo trabalhando.
Sim, por isso gostaria de entender o que faria, quais seriam os poderes do Celso Barros como presidente de honra. A figura de presidente de honra está prevista no estatuto (clique aqui e leia). Não tem poderes executivos.

Ele sempre foi muito poderoso junto ao futebol do clube, imagino que nesse cenário queira ter influência. Teria?

Trengrouse: Adoraria contar com o apoio dele na campanha e na gestão. Acho que o presidente do Fluminense deve respeitar a história que o Celso Barros tem no clube e ouvir a todos que poderem contribuir de alguma forma com o Fluminense. O Celso tem uma experiência grande no futebol e merece toda nossa consideração. Será ouvido sim, independente de qualquer posição eleitoral. Mesmo que não conte com o apoio dele na campanha, espero contar na gestão.

A Unimed ainda ajudaria colocando jogadores no Fluminense?

Trengrouse: A Unimed não patrocina mais o Fluminense e não acho que esteja em condições de fazer o que fazia antes. O Celso Barros não promete isso.

Ao que parece sua intenção é ter apenas o apoio de Celso Barros, que teria no papel de Presidente de Honra um status, uma honraria a poucos concedida, contudo sem poderes, algo mais, digamos, decorativo, certo?
Trengrouse: Uma justa homenagem. Minha intenção é ter o apoio dele por acreditar que sou o melhor candidato.

Haveria alguma chance de ele se tornar um vice-presidente ou diretor de futebol?
Trengrouse: Não. Na minha gestão não. Não faço toma lá dá cá. 

A ideia é fazer uma escolha técnica, não política?

Trengrouse: Tenho apresentado propostas muito concretas para mudar o Fluminense de patamar e não dá pra imaginar mudança nenhuma repetindo as mesmas práticas fisiológicas das campanhas em geral. Já fiz uma apresentação no clube, aberta pra todos e transmitida pela internet, com nossas ideias para o futebol. Antes de falar em qualquer nome para o futebol do Fluminense, é preciso um planejamento estratégico capaz de indicar o perfil das pessoas capazes de programá-lo, não acha? E já anunciei que trarei a Universidade do Futebol pra trabalhar no Fluminense.

Coritiba ou Cruzeiro, quem ameaça mais Palmeiras e Flamengo na luta pela liderança?

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Palmeiras, líder, e Flamengo, vice-líder, jogarão como mandantes neste fim de semana. Sábado às 16 horas os palmeirenses receberão o Coritiba em seu estádio; e no domingo o Flamengo terá a visita do Cruzeiro, em Cariacica (ES), no mesmo horário. É evidente que o elenco do time mineiro é teoricamente mais forte e certamente mais caro do que o do Coxa, mas seriam os cruzeirenses adversários mais difíceis como a maioria parece acreditar?

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Veja os gols do empate por 1 a 1 entre Cruzeiro e Atlético-MG

Os números abaixo, do site FutDados.com, mostram que o Coxa vive momento melhor. O técnico Paulo César Carpegiani estreou no Paraná contra a Ponte Preta (vitória por 3 a 1), e fora de casa perdeu apenas para a Chapecoense. Vem de uma vitória sobre o Sport no Recife e empatou quando esteve em Belo Horizonte encarando o Cruzeiro (2 a 2). São oito jogos, 15 pontos ganhos e 62,5% de aproveitamento. Em seus domínios com o atual treinador, quatro vitórias e um empate.

Se o Coritiba é 13º colocado, o Cruzeiro de Mano Menezes está em 15º. O treinador reapareceu contra o Santos (derrota por 0 a 2 na Vila Belmiro) e fez 15 pontos em 30 possíveis (50%). Não vence há três cotejos e fora de casa perdeu duas vezes, empatou uma e venceu duas, sendo um jogo em Belo Horizonte (2 a 0 no América, a outra foi em cima do Figueirense). Com o atual técnico o time só fez quatro jogos fora de Minas Gerais, com quatro pontos em 12 (33%).

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Fonte: FutDados.com
Fonte: FutDados.com

Quanto aos que duelam pela liderança, nos últimos seis últimos jogos no Allianz Parque o Palmeiras venceu dois (2 a 1 Vitória e 2 a 1 São Paulo), empatou três (1 a 1 Santos, 2 a 2 Ponte Preta e 1 a 1 Flamengo), e perdeu um (0 a 1 Atlético-MG). Ganhou metade dos pontos. Já o Flamengo derrotou os seus seis últimos visitantes (2 a 0 Atlético-MG, 2 a 1, América, 1 a 0 Atlético-PR, 2 a 1 Grêmio, 2 a 1 Ponte Preta e 2 a 0 Figueirense). Aproveitamento de 100%.

Na realidade os rubro-negros venceram seus últimos sete jogos em casa (antes fizeram 1 a 0 no Internacional). Desde a derrota por 2 a 1 no Fla-Flu que o time treinado por Zé Ricardo só ganha as pelejas que faz como mandante, mesmo atuando em Cariacica, Brasília e Pacaembu. Claro que o futebol não tem tanta lógica, apenas alguma, mas o retrospecto recente dos quatro times envolvidos nos dois jogos torna os prognósticos mais difíceis do que parecem.

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Veja o gol da vitória do Coritiba sobre o Sport por 1 a 0 
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