Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Jornalista desde 1983, passou por diversas redações de rádios, jornais, revistas e sites. Lecionou em faculdades de jornalismo e hoje é comentarista dos canais ESPN

Fritura no Flamengo escancara gestão antiquada no futebol

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Cristóvão Borges, Pará, Wallace e agora Rodrigo Caetano. O Flamengo segue elegendo culpados para sua ineficiência no futebol e, consequentemente, se afasta da solução. Apontam o vilão errado, ora torcedores, ora cartolas, conselheiros e corneteiros. Saem das tocas urrando por providências até ex-presidentes que levaram o clube a uma situação crítica nas partes administrativa e financeira.

A "bola da vez", como disse um dirigente ao blog, é o diretor executivo Rodrigo Caetano, fritado nos bastidores por dirigentes e conselheiros que entendem tanto de futebol como um camelo. Alguns são meros torcedores totalmente sem conhecimento e experiência no assunto, daqueles que pensam ser possível fazer um time melhorar movido apenas pelos gritos de "queremos raça". Há raras exceções ali. Raras.

Com isso desaparecem atrás dessa cortina-de-fumaça personagens importantes no contexto. Claro que Caetano tem sua parcela de responsabilidade na crise, mas todos os envolvidos possuem uma parte. Por que somente um é questionado, como perguntou, corajosamente, o goleiro Paulo Victor em entrevista segunda-feira?

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Paulo Victor se mostra aberto às cobranças: 'Sou a favor'

Para ficar mais claro, enquanto no Palmeiras, por exemplo, o diretor Alexandre Mattos responde ao presidente Paulo Nobre, no Flamengo Caetano tem vários chefes. A começar pelo vice-presidente de futebol, Flavio Godinho, costumeiramente acompanhado de Plínio Serpa Pinto, vice de gabinete da presidência. Plínio comandou o futebol quando Kléber Leite presidia e sua influência no departamento é óbvia.

Há ainda o diretor geral, Fred Luz. E mais acima Rodrigo Caetano tem outro chefe, o presidente. Além disso dão pitacos vários cartolas que se reúnem em comitê e fazem até votações antes de certas decisões.

Hoje o maior problema do time é técnico. Literalmente. A equipe vinha sendo muito mal treinada por Muricy Ramalho. Culpa de Rodrigo Caetano ou de Godinho, que o contratou? Culpa do executivo ou de Eduardo Bandeira de Mello, reeleito para mais três anos na presidência e que teve no prestígio de Muricy um apoio indireto no período das eleições?

Caetano tem autonomia para fazer o que quiser no futebol rubro-negro? Não. Pode demitir o treinador? Obviamente também não. Até porque além de lhe faltar poderes, o Flamengo é refém de um mal amarrado contrato, que prevê pagamentos de salários a Muricy até o fim do compromisso, mesmo se ele for demitido.

Os anteriores tinham multa equivalente a um ou dois meses da remuneração. Alguém alegará que assim o clube se protegeu de possível assédio. Pergunto: quantos técnicos deixaram o Flamengo para aceitar proposta melhor nos últimos 50 anos?

Se Caetano desse um chapéu no Bayern e contratasse o Hummels, o que adiantaria com Muricy perdido no cargo? Ele tem uma função de viés administrativo e é o cara que precisa ver o mercado, contratar. Erra também, claro. Mas respondendo a tanta gente é possível fazer o que dele se espera? Discurso moderno e métodos antigos, com dirigentes corneteiros que sabem nada de futebol a se meter e a fritar um para poupar outros? É essa a gestão "moderna" do Flamengo? Alguém aí ainda não entendeu porque após conquistar a Copa do Brasil em 2013 o time só faz vergonha?

 

Respeitem o futebol

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br, em Berlim, Alemanha

Cedo, multidões de amarelo vagavam por Berlim. Eles estavam por todas as partes, vieram para apoiar seu time e, se possível, vencer, derrotar o rival mais rico, poderoso.

Os oponentes também eram vistos pelas ruas, em número menor, talvez por uma postura mais discreta, confiante. Mas no estádio estavam na mesma quantidade.

Borussia Dortmund e Bayer Munique decidiram a Copa da Alemanha neste sábado (para mim) inesquecível. Um dia inteiro no qual se respirou futebol de todas as formas.

Na arquibancada, duas torcidas. Não se tolera a idéia de apenas um time ser alentado numa peleja futebolística por aqui. E numa final elas dividem o estádio neutro.

Em campo, jogadores que honram a camisa. Dedicação, entrega, luta, mas com ampla consciência tática, estratégia, variações na forma de jogar. Sim, uma real batalha.

Festa com bandeiras, coreografias, mosaico e sinalizadores - não confundir com o modelo naval, aquele projétil assassino que matou o adolescente Kevin na Bolívia.

Derrotados nos pênaltis, os jogadores do Dortmund caminharam aos torcedores. E foram aplaudidos. Misto de melancolia compartilhada e solidariedade mútua.

Do outro lado, os campeões festejavam e atiravam Pep Guardiola ao alto. O técnico chorou numa demonstração de respeito ao futebol e paixão pelo trabalho.

Façam como os alemães. Respeitem o futebol.

Leia a análise tática da final no blog de Renato Rodrigues clicando aqui

Veja vídeos da cobertura da final abaixo

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Tuchel pode ganhar primeiro título como técnico; Mauro elogia 'trabalho consistente' do alemão
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Mauro expõe números de Guardiola pelo Bayern e diz: 'Passagem marcante'

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Mauro comenta crescimento da Copa da Alemanha e 'carga emocional' de Hummels

Copa do Brasil com final em jogo único em Brasília, daria certo?

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br, em Berlim, Alemanha

A Copa da Alemanha tem sua final disputada sempre em Berlim, e assim será pelo menos até 2020. Milhares de torcedores viajam de suas cidades para a capital germânica com o intuito de acompanhar a decisão. A equipe dos canais ESPN já está há dias por aqui para a transmissão da peleja que marcará o adeus de Pep Guardiola, deixando o futebol alemão

Na Espanha o local da final muda, mas sempre em partida única. Domingo a Copa do Rey será decidida em Madri, envolvendo Sevilla e Barcelona. Estaremos lá para transmitir,direto do estádio do Atlético. Na Inglaterra a FA Cup, mais antiga competição de futebol do mundo, disputada desde 1871, sempre é decidida em Londres.

O duelo de Wembley também estará, ao vivo, na tela da ESPN, como a da Copa Itália, cuja finalíssima sempre é disputada em Roma. É outro jogo que o fã de esportes acompanhará neste fim de semana especial. Mas como seria a Copa do Brasil sendo sempre decidida em jogo único no estádio de Brasília, algo que fãs de esportes frequentemente sugerem?

Pegamos dois países para confrontar com a realidade brasileira. Vamos comparar as facilidades/dificuldades de acesso para espanhóis e alemães que sairão de Sevilla, Barcelona, Dortmund e Munique, cidades dos finalistas de 2016, e dos brasileiros, partindo de onde nos últimos anos tiveram finalistas da Copa do Brasil, até o DF.

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'Transporte inferior' dificulta final com jogo único e sede fixa no Brasil; Mauro explica

Finais de Copas em jogo único
Alemanha em Berlim x Espanha em Madri x Brasil em Brasília

De carro:
Cidade/Duração/ Distância
Dortmund 4h10 488 Km
Sevilla 4h45 531 Km
Munique 4h50 578 Km
Barcelona 5h40 628 Km
Belo Horizonte 8h28 736 Km
São Paulo 11h25 1.009 Km
Rio de Janeiro 13h40 1.167 Km
Curitiba 15h45 1.388 Km
Salvador 17h30 1.472 Km
Porto Alegre 23h24 2.114 Km
Recife 26 horas 2.149 Km

É possível ir de Dortmund para Berlim em pouco mais de quatro horas. Os torcedores que vão de Barcelona para Madrid são os que mais viajam, anda assim quase três horas menos na estrada em relação ao que torcedores de Belo Horizonte percorreriam para uma hipotética final em Brasília"

De avião*:
Cidade/Duração/ Preço
Sevilla 1h05 R$ 81
Munique 1h05 R$ 114
Dortmund 1h10 R$ 151
Barcelona 1h20 R$ 145
Belo Horizonte 1h20 R$ 270
São Paulo 1h45 R$ 90
Rio de Janeiro 1h45 R$ 345
Curitiba 1h50 R$ 340
Salvador 1h50 R$ 215
Recife 2h42 R$ 246
Porto Alegre 2h50 R$ 1.040
* voos diretos, preço mínimo, só ida

Pesquisamos assim que saíram os finalistas. De avião os gastos do torcedor europeu são bem menores do que o que um brasileiro teria que desembolsar, mesmo pesquisando os preços mais baixos, promocionais. E o trajeto mais longo é igual ao mais curto entre Brasília e uma cidade brasileira com finalista de Copa.

De trem*:
Cidade/ Duração/ Preço
Sevilla 2h30 R$ 164
Barcelona 2h30 R$ 351
Dortmund 3h20 R$ 236
Munique 6h10 R$ 316
Belo Horizonte - -
São Paulo - -
Rio de Janeiro - -
Curitiba - -
Salvador - -
Recife - -
Porto Alegre - -
* trens diretos, preço mínimo, só ida

O torcedor europeu também têm a opção de viajar em rápidos e confortáveis trens, algo que não temos no Brasil. E se existisse, pelas distâncias maiores seriam viagens bem mais longas. Em resumo, no território brasileiro com a frágil estrutura de transportes do país e poder aquisitivo menor da população, o modelo que europeus adotam não é seria uma boa escolha.

Serviço:
Finais de Copas nos canais ESPN
Sábado, 21 de maio

* Inglaterra: 13 horas - Manchester United x Crystal Palace - ESPN Brasil
* Alemanha - 15 horas - Bayern Munique x Borussia Dortmund - ESPN
* Itália: 15h30 - Milan x Juventus - ESPN Brasil
Domingo, 22 de maio
* Espanha: 16 horas - Barcelona x Seviila - ESPN Brasil

Veja mais vídeos de nossa cobertura das finais de Copas européias abaixo:

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Jogo cercado de expectativas e rivalidade na final da Copa da Alemanha; Mauro Cezar comenta
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Arquitetura preservada, 80 anos, metrô próximo e modernidade: Mauro mostra o Estádio Olímpico de Berlim
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Sino com buraco de bala e símbolo do nazismo: veja a história no entorno do Estádio Olímpico de Berlim 
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Hummels fará último jogo pelo Borussia neste sábado; Mauro acredita que expectativa pode atrapalhar
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Mauro Cezar comenta novos uniformes do Borussia Dortmund e do Bayern de Munique

Finais de Copas na Alemanha e Espanha têm tíquete a quase R$ 1 mil e 300 mil para 21 mil ingressos

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br, em Berlim, Alemanha

Bayern Munique e Borussia Dortmund estarão frente a frente neste sábado, às 15 horas e Brasília, disputando a Copa da Alemanha, jogo ao vivo na ESPN com nossa equipe no Estádio Olímpico de Berlim. Já Sevilla e Barcelona decidirão a Copa do Rey da Espanha, neste domingo, às 16h30 no horário brasileiro, com transmissão da ESPN Brasil e novamente com nosso time no local do cotejo, a cancha do Atlético de Madrid.

Os ingressos para esses jogos são caros, caríssimos, e disputados ao extremo. Na final espanhola (veja abaixo) há ingressos de aproximadamente R$ 200 a quase R$ 1 mil. E não é fácil conseguir um. O estádio Vicente Calderon comporta 54.907 torcedores, mas foram colocados à venda 53 mil por motivos de segurança, cabendo 21.200 (40%) ingressos para cada clube. Os outros 10.600 são da Federação Espanhola, destinados a patrocinadores, à organização, etc.

O Sevilla colocou menos de 15 mil à venda por que precisou destinar cerca 5 mil a seus parceiros. Para se ter uma ideia, Corinthians x Grêmio, domingo, pela Série A do Campeonato Brasileiro, teve ingressos de R$ 40 a R$ 450 (inteira), sendo o estádio de Itaquera um dos que praticam valores dos mais elevados no país. A disparidade econômica, diferença de poder aquisitivo, ainda é gritando, em que pesa a crise viviva pelos espanhóis e boa parte da Europa nos últimos anos.

Ingressos
Copa do Rey da Espanha:
€ 50 - R$ 198
€ 60 - R$ 238
€ 70 - R$ 278
€ 90 - R$ 357
€ 110 - R$ 437
€ 120 - R$ 476
€ 130 - R$ 516
€ 140 - R$ 556
€ 150 - R$ 595
€ 180 - R$ 714
€ 210 - R$ 833
€ 220 - R$ 873
€ 240 - R$ 953

Na Alemanha cerca de 75.000 bilhetes foram disponibilizados para a decisão. Mas a carga é infinitamente inferior à demanda. Dois meses antes de serem conhecidos os finalistas da temporada, mais de 300 mil manifestaram interesse em adquirir bilhetes e para tal se inscreveram no site da Federação Alemã. Uma procura insana, com os candidatos recebendo, por e-mail, a resposta, se teriam lugar no estádio, ou não.

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Mauro mostra como ingresso é caro na final espanhola e o interesse gigantesco pela decisão alemã

Foram destinados 21.500 ingressos para cada clube e a mesma quantidade foi voltada ao sorteio, numa relação aproximada de 15 candidato para cada tíquete. Em geral os clubes priorizam associados, quem têm o ingresso para a temporada, dificultando a obtenção de uma entrada para o jogo por meio do clube pelo qual o cidadão torce. Se o Olímpico tivesse 500 mil lugares, possivelmente todos estariam ocupados neste sábado para ver os dois rivais se enfrentando na despedida de Pep Guardiola.

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Mauro comenta proibição de bandeiras da Catalunha na Copa do Rei e duelo de artilheiros na Alemanha

Além das finais da Copa da Alemanha e da Copa do Rey, os canais ESPN vão transmitir as decisões da Copa da Inglaterra, a FA Cup, sábado, 13 horas, direto de Wembley, com Manchester United e Crystal Palace na ESPN Brasil. Logo depois a Copa Itália, às 15h30, com Milan e Juventus se enfrentando no estádio Olímpico de Roma.

Serviço:
Finais de Copas nos canais ESPN
Sábado, 21 de maio
* Inglaterra: 13 horas - Manchester United x Crystal Palace - ESPN Brasil
* Alemanha - 15 horas - Bayern Munique x Borussia Dortmund - ESPN
* Itália: 15h30 - Milan x Juventus - ESPN Brasil
Domingo, 22 de maio
* Espanha: 16 horas - Barcelona x Seviila - ESPN Brasil  

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Mauro elogia trabalho de Tomas Tuchel no Borussia Dortmund: 'O time voltou a ser competitivo? 

Muricy e Aguirre têm tratamentos que deveriam ser invertidos em Fla e Galo

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br, em Berlim, Alemanha
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Mauro comenta as três eliminações do Flamengo até aqui no ano de 2016

Não deu certo. A tentativa do Flamengo com Muricy Ramalho em suposta nova fase, "reciclado", comprovadamente é um retumbante fracasso. Pelo mau futebol jogado, pela inexistência de perspectivas, de sinais mínimos de que o time possa progredir, pelas três derrotas enfrentando adversários da terceira divisão (Confiança e Fortaleza, duas vezes, além do Volta Redonda, da quarta, a Série D), pelas três eliminações em menos de quatro meses de temporada.

Muricy não se reciclou, apenas tenta fazer algo diferente. Não consegue. Até seu problema de saúde é antigo, o mesmo dos tempos de São Paulo. E, fragilizado, evidentemente será mais difícil para ele fazer a enorme força exigida pelo momento. Obviamente desejamos que se restabeleça e fique bem, por isso mesmo sua saída do futebol neste momento só traria vantagens. E segurança. É a única coisa sensata a fazer.

Pagador de dividas e exemplar na gestão econômico-administrativa, o comando do clube mais popular do pais demonstra insistentemente falta de aptidão inversamente proporcional quando o assunto é o futebol. E até quando o reeleito Eduardo Bandeira de Mello continuará disparando frases feitas e dando respostas protocolares em meio a fiascos e mais fiascos? Será capaz de tomar alguma providência efetiva?

Por mais que o técnico não se mostre capacitado, hoje, para transformar aquele grupo de jogadores num time de futebol, existem atletas que não rendem o esperado, e quem está lá dentro, no dia-a-dia, tem por obrigação detectar. Wallace, o "Cristo" escolhido por parte da torcida para levar a culpa por tudo, já deixou a equipe, que segue jogando mal e colecionando vexames em 2016.

As malas do presidente rubro-negro já devem estar prontas, afinal, viagem de até um mês aos Estados Unidos está programada para o chefe da delegação cebeefiana durante a Copa América. Vai deixar a bomba nas mãos do vice de futebol, Flávio Godinho, e do diretor executivo, Rodrigo Caetano. Aos dois cabe a missão de encontrar um treinador capaz de limpar a área e fazer do elenco um time. Isso se Muricy não prosseguir.

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Veja os gols da vitória por 2 a 1 do Fortaleza sobre o Fla

Na merecida derrota para o Fortaleza no Castelão já estava claro o sinal de que grandes problemas na partida de volta existiriam. Alegar que foi mal porque Muricy esteve internado seria zombar da inteligência alheia. O time é treinador por ele, escalado por ele, e um dia a mais ou a menos de treinamentos não alteraria o resultado final, a (falta de) qualidade do futebol apresentado há meses.

O elenco rubro-negro era bem mais fraco em 2013, mas antes de abandonar o clube, Mano Manezes estruturou o time minimamente, a ponto de crescer nas mãos de Jayme de Almeida e ganhar a Copa do Brasil. Agora, com maiores investimentos e mais qualidade o resultado é muito inferior, mesmo com o Centro de Treinamentos que não existia há cerca de três anos. O estoque de desculpas, como as viagens, já acabou.

A hora exige coragem para mostrar a Muricy que não deu certo e o melhor a fazer é cuidar da saúde - algo que me parece tão evidente que causa estranheza ser tema de discussão. Coragem para tirar do elenco quem mais atrapalha do que ajuda. E conhecimento para encontrar um técnico capaz de fazer do atual bando que entra em campo vestindo preto e vermelho um time.

DENIS DIAS/Gazeta Press
Carlos comemora gol do Atlético-MG sobre o São Paulo: não foi o bastante
Carlos comemora gol do Atlético-MG sobre o São Paulo: não foi o bastante

Em Belo Horizonte, o presidente do Atlético dá o tom de que a mudança de treinador passa por sua cabeça - clique aqui e leia. Para Daniel Nepomuceno, os resultados são incompatíveis e os jogadores menos culpados por terem se empenhado na peleja da elimiação diante do São Paulo. Fica evidente, Diego Aguirre pode rodar.

Óbvio que o desempenho do Galo poderia ser melhor, mas não é apenas por causa do uruguaio que ficou pelo caminho na Copa Libertadores e perdeu o título mineiro para o América na decisão. Robinho, a badalada contratação da temporada, praticamente não entrou em campo nos dois jogos diante dos são-paulinos. E até aqui fez meros brilharecos em compromissos menores pelo estadual, como contra o Tombense.

Rafael Carioca e Júnior Urso, titulares, também não participaram da vitória que não bastou na quarta-feira. Ambos estavam suspensos. Já Dátolo, quase sempre contundido, só conseguiu jogar cinco minutos na elimimação, enquanto Cazares ficou fora em alguns momentos sem uma explicação mais convincente até hoje. Quanto a Pratto, parece ter esgotado o estoque de gol decisivo contra o Racing.

O elenco foi superestimado. Após uma traumática eliminação, vencendo e ficando fora do torneio, é preciso calma. Jogar para a arquibancada não vale a pena. Aguirre é bom treinador, já mostrou isso, e pode estruturar o Atlético para brigar pelo título brasileiro que não levanta desde 1971. Para tal precisa alcançar a eficiência defensiva que não existia com Levir Culpi. Mas, claro, também tem que assumir sua parcela de responsabilidade. Como os cartolas e os jogadores. Empenho nem sempre basta.

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