Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Jornalista desde 1983, passou por diversas redações de rádios, jornais, revistas e sites. Lecionou em faculdades de jornalismo e hoje é comentarista dos canais ESPN

Como o Chelsea, ao perceber o desespero, asfixiou o Corinthians para ter Pato só emprestado

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

O Chelsea fechou há uma semana com o staff de Alexandre Pato um acordo verbal. Faltava a assinatura do contrato e a definição de quanto pagaria ao Corinthians, algo que giraria em torno de £ 8 milhões (R$ 46,8 milhões). Mas em meio às negociações e ao noticiário, o time inglês descobriu que a situação do clube brasileiro era de desespero para vender o atacante. Então recuou, propondo apenas empréstimo. O blog revelou a negociação há 12 dias - clique aqui para ler.

Agência Corinthians
Alexandre Pato e Gil, em treino do Corinthians em 2014Ç ambos fora
Alexandre Pato e Gil, em treino do Corinthians em 2014: ambos fora

Nada surpreendente ante a presença de Marina Granovskaia nas negociações. Ela é pessoa da confiança de Roman Abramovich e dura negociadora, como o blog destacou em 20 de janeiro - clique aqui e leia. Ganhou o rótulo de "mulher mais poderosa do futebol inglês". Tendo a russa à frente das conversas, o clube londrino notou ser possível conseguir o jogador em condições mais vantajosas. E seguras.

Divulgação
Marina Granovskaia, poderosa no futebol inglês
Marina Granovskaia, poderosa no futebol inglês

Estava prestes a investir milhões num atleta fora da Europa há três anos, quando em pouco mais de cinco meses poderá firmar pré-contrato sem pagamento de multa rescisória. Não seria caro em relação a outras contratações dos Blues, mas com ela no comando a filosofia é não desperdiçar um pound sequer.

Então a direção do time londrino fincou pé propondo o empréstimo até o final da temporada, com preço estipulado para a eventual aquisição definitiva. No entanto essa possibilidade não era razoável para o clube paulista, que se via com apenas alguns dias para reduzir o prejuízo causado pela tresloucada e cara contratação (€ 15 milhões) feita no início de 2013.

Como ele não joga há quase dois meses e necessitava do visto para trabalhar na Inglaterra, em tese levaria algumas semanas para entrar em campo - atuando entre final de janeiro/fevereiro e maio, quando acaba a temporada europeia. Não muito mais que três meses para mostrar serviço.

Reprodução
Granovskaia com Drogba, no camarote de Abramovich e Hazard
A russa com Drogba, Abramovich e Hazard 

 

Diante do "choro", da pechinchada inglesa, o que fazer? Para o Corinthians não havia opção além de aceitar qualquer proposta pela quitação da multa, mesmo que abaixo das cifras anteriormente sonhadas. Mas ela já não existia, apesar das versões sobre clubes disputando o jogador, mera tentativa de valorizar o atleta por meio da mídia. O Chelsea não caiu nessa. Quem acreditou?

Pato, por sua vez, poderia esperar menos de meio ano para definir seu futuro em 2017 sem qualquer compensação financeira ao campeão brasileiro. Para os agentes a situação também não ficou das melhores. O mercado pratica comissão em torno de 7% nesses casos, ou seja, com a venda poderiam contabilizar pelo menos cerca de R$ 2 milhões. O percentual pode ser maior, dependendo do acerto com o clube que tenta vender o atleta.

Restou uma situação extrema para o Corinthians: emprestar Pato, se livrar do pagamento de salários e torcer para que brilhe no Chelsea entre fevereiro e maio. Assim, se quiser ficar com o artilheiro ao final da atual temporada europeia, contando com ele no início da próxima (2016/2017), em agosto, o Chelsea precisará pagar. E a essa altura, qualquer cifra seria interessantísima.

Caso contrário, o jogador volta no começo do segundo semestre para o Brasil, podendo se transferir imediatamente a algum outro clube que por ele se interessasse, desde que quitando a multa. Ou fechar pré-contrato para janeiro e esperar um semestre, ignorando os alvinegros, que ficariam a ver navios, exceto se prorrogarem o compromisso pelo período de empréstimo aos de Stamford Bridge.

Uma queda de braço tendo no Corinthians o lado mais fragilizado. O Chelsea precisa de um atacante. Está por se livrar de Loic Remy. Ao mesmo tempo enfrenta dificuldades para devolver o lesionado Falcao Garcia ao Mônaco, o que aliviaria a folha de pagamento tornando a chegada de um novo centroavante algo que não interferiria em qualquer balanço. E ciente do cenário angustiante do outro lado da mesa, passou a jogar com o desespero corintiano.

Se aparecesse outro clube pensando em pagar algo como multa rescisória, estabelecendo uma disputa por Pato, o cenário seria ideal para agentes do atacante e diretoria do Corinthians. A corrida era contra o calendário. A russa do Chelsea tentou levar a melhor asfixiando o outro lado da negociação. Funcionou!

Gazeta Press
Alexandre Pato em sua apresentação no Corinthians, em janeiro de 2013
Alexandre Pato em sua apresentação no Corinthians, em janeiro de 2013

Poucas vezes na história do futebol cartolas se arrependeram tanto de uma contratação. Tudo movido por um devaneio megalômano pós-mundial da Fifa. E o clube sofre com isso. Os defensores de dirigentes falam que o Corinthians economizará aproximadamente R$ 4,5 milhões não pagando salários de Pato durante o empréstimo ao Chelsea. Mas a conta real é outra.

Foram gastos perto da R$ 33 milhões com o jogador, fora os € 15 milhões pagos ao Milan para tirá-lo da Itália. Isso para jogar mais tempo pelo São Paulo do que com o fardamento alvinegro. Foram 98 partidas como tricolor (38 gols) contra 68 pelo Corinthians (17 tentos). O Chelsea pagar alguns meses de salário com a libra perto de R$ 6 é mixaria para os ingleses. E funciona como um Band-Aid para conter a fratura financeira gerada pela cartolagem e seus negócios mirabolantes.

Saiba qual o time europeu que "se parece" com o seu

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

O São Paulo foi o clube que mais pontuou nas dez últimas edições do Campeonato Brasileiro. Seus 65,70 pontos, em média, equivalem ao desempenho do Olympique de Marseille no período. O site FutDados atualizou sua tabela com a última década das ligas brasileira, francesa, italiana, inglesa e espanhola. Em 2014 o estudo mediu o que cada time fez nas cinco temporadas anteriores e o blog publicou — clique aqui e confira.

Como tem apenas 18 clubes em sua primeira divisão, a Alemanha não entra no levantamento. Nenhum time brasileiro alcançou pontuação média próxima de Roma, Liverpool, Milan, Lyon, Internazionale, Arsenal, Juventus, Chelsea, Manchester United e Barcelona. Abaixo, os clubes europeus que têm pontuação nos dez últimos anos igual ou muito próxima da acumulada pelos brasileiros que disputaram Série A na década.

Pontuação média nos 10 últimos campeonatos:
São Paulo = Marseille 65,70
Grêmio = Bordeuax e Tottenham 62,80
Cruzeiro = Fiorentina 61,70 x 62,40
Corinthians 60,56 = Villarreal 59,89
Internacional = Everton 58,90
Atlético-MG = Montpellier 56,56 x 58,00
Fluminense = Monaco 56,20 x 55,63
Santos e Flamengo = Rennes 55,00 e 54,90 x 54,60
Botafogo = Southampton 52,33
Vasco = Auxerre 51,75 x 52,29
Atlético-PR = Athletic Bilbao 51,67 x 51,00
Palmeiras = Palermo 50,67 x 51,00
Paraná Clube = Genoa 50,50 x 50,13
Coritiba = Sampdoria 48,86 x 49,11
Goiás = Real Sociedad 48,13 x 48,29
Vitória = Celta 47,80 x 48,00
Sport = Bastia 47,67
Figueirense = Nancy 47,43 x 47,25
Chapecoense = Reims 45,00
Bahia = Parma 44,50 x 44,56
Juventude = Torino 44,00
Ponte Preta = Chievo 43,75 x 43,78
Portuguesa = Recreativo Huelva 43,67
Avai = Catânia 43,25 x 43,50
Ceará = Evian 43,00 x 42,75
Santo André = Leicester 41,00
Grêmio Barueri/Prudente = Almeria 40,00 x 40,33
Atlético-GO e Náutico = Granada 40,00
Cricúma = Siena 39,00
Fortaleza = Sheffield United 38,00
América-MG e Guarani = Bari 37,00
São Caetano = Tenerife 36,00
Ipatinga = Eibar 35,00
Joinville = Bologna 31,00
Santa Cruz = Watford 28,00
América-RN = Arles-Avignon 17,00 x 20,00

Clique aqui para acessar o FutDados.com com o estudo.
Clicando aqui você vê as tabelas detalhadas por campeoanto.



 

 

Flamengo acerta com Cuéllar e aguarda exames médicos para oficializar reforço

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Gustavo Cuéllar, volante do Deportivo Cáli emprestado ao Junior Barranquilla, está acertado com o Flamengo. O colombiano depende apenas de aprovação em exames médicos para ser anunciado como novo reforço da equipe dirigida por Muricy Ramalho. Com o time que detém seus direitos, o atleta e o clube carioca está tudo definido.

O volante deve desembarcar no Rio de Janeiro entre quinta e sexta-feira para concluir a negociação.

Aos 23 anos, Cuéllar se destacou cedo no time de Cali, mas estourou mesmo quando cedido à equipe de Barranquilla, ano retrasado. Ele chegou ao time profissional em 2009, com 17 anos, e defende seleções colombianas desde o Sub-15.

O Flamengo adquiriu 70% dos direitos econômicos sobre o atleta, que interessava ao Cruzeiro. Os outros 30% ficam com o Deportivo Cáli. Na terça-feira, o clube mineiro desistiu do atleta.

Reprodução
Deportivo Cáli confirma ida de Cuéllar para o Flamengo
Deportivo Cáli confirma ida de Cuéllar para o Flamengo 

LUIS ACOSTA/AFP/GETTY IMAGES
Gustavo Cuellar Junior Barranquilla Melgar Copa Sul-Americana 13/08/2015
Gustavo Cuellar em ação pelo Junior Barranquilla contra o Melgar na Copa Sul-Americana

Acordo (verbal) fechado, só falta Pato assinar o contrato com o Chelsea

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
Gazeta Press
Alexandre Pato em sua apresentação no Corinthians, em janeiro de 2013: hora do adeus
Alexandre Pato em sua apresentação no Corinthians, em janeiro de 2013: hora do adeus

Na noite de terça-feira chegaram a um acordo representantes de Alexandre Pato e do Chelsea, tendo à frente a russa Marina Granovskaia, diretora do clube e braço direito do proprietário dos "Blues", Roman Abramovich. Falta colocar no papel o que foi acertado "de boca" para a assinatura do contrato e transferência do atleta, deixando o Corinthians rumo ao atual campeão da Inglaterra.

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Granovskaia com Drogba, no camarote de Abramovich e Hazard
Marina com Drogba, Abramovich e Hazard 

O negócio demorou um pouco mais a ser fechado devido ao problema enfrentado por Gilmar Veloz, agente do atacante e do também revelado pelo Internacional Luiz Adriano. O centroavante trocaria o Milan pelo Jiangsu Suning, mas os chineses não cumpriram o acordo. Depois dessa, o staff de Pato espera o documento assinado para então fazer o anúncio oficial tão esperado pelos corintianos.

Para que formalizem o negócio basta que nenhum obstáculo de última hora apareça. Considerada por muitos a mulher mais poderosa no mundo do futebol inglês, Granovskaia tem fama de dura negociadora, que gerou acordos lucrativos a um clube acostumado a comprar caro e vender mais "barato" no mercado.

Foi ela quem negociou, entre outros, David Luiz com o PSG por inacreditáveis £40 milhões (mais de R$ 228 milhões). Seu prestígio aumentou ao arrancar tanto dinheiro do time de Paris por um zagueiro, e contratar Diego Costa, um goleador em alta, por menos £8 milhões (lucro superior a R$ 45 milhões nas duas transações).

Em 2013/2014 a russa conseguiu mudar o caminho do meia brasileiro Willian, que rumava para o Tottenham, então do técnico português André Villas-Boas, e foi parar no Chelsea. Numa só temporada suas negociações renderam quase R$ 890 milhões  após as vendas de Mata, Lukaku, Schurrle e do próprio David Luiz.

A russa de 39 anos trabalha com o mesmo patrão há 18 — começou em Moscou na Sibneft, empresa de petróleo de Roman Abramovich. Cabe a ela manter a estrutura salarial sob controle. Marina Granovskaia renovou com Eden Hazard, que tem a maior remuneração do Chelsea (aproximadamente £ 200 mil por semana, mais de R$ 1,141 milhão), mas Falcao Garcia, por exemplo, precisou se encaixar numa nova política ao desembarcar em Stamford Bridge, onde é a "Dama de Ferro".

O blog não conseguiu confirmar com exatidão duração de contrato e cifras do negócio, mas devem girar em torno de três anos e ₤8 milhões (R$ 45,661 milhões) a ₤10 milhões (R$ 57,077 milhões). O Corinthians tem direito a 60% (R$ 27,400 milhões a R$ 34,200 milhões). Em 2013 o clube pagou € 15 milhões ao Milan pelo atleta, na épóca cerca de R$ 40,5 milhões — pelo câmbio de hoje seriam R$ 65,8 milhões.

Com Diego Costa lesionado, Falcao Garcia sem jogar desde outubro e com um gol na temporada, além de Loic Remy com apenas 12 tentos em 43 jogos, três em 2015/2016, Pato não deverá demorar a ter chance no time. Ele fez 61 das 69 partidas do São Paulo em 2015, marcando 26 vezes com a camisa tricolor. O próximo jogo do Chelsea será domingo, contra o Arsenal, na casa do rival. Contudo, o atacante não atua desde a vitória do São Paulo sobre o Figueirense (3 a 2) em 28 de novembro.

Outro atleta que passou pelo radar do Chelsea, Saido Berahino está na reserva e em baixa — só disputou 18 jogos e fez quatro gols na temporada (foram 20 na anterior). Além disso, o West Bromwich pediria mais do que Pato deverá custar. Segundo o Daily Mirror, o Newcastle acena com £15 milhões para ter o centroavante de 22 anos.

Mancuello, da boa fase às lesões e a nova chance no Flamengo

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Novo craque do Flamengo tem 26 anos e esta será sua primeira experiência no exterior Novo meia do Flamengo tem 26 anos e firmou contrato por quatro anos

por Joza Novalis

A novela foi extensa, mas chegou ao fim com a contratação de Federico Mancuello pelo Flamengo. Que negócio foi este? Algo relevante e simbólico quanto ao modelo de gestão que o Flamengo pretende estampar. E isto em termos técnicos assim como em termos do que pode representar o novo reforço para a equipe da Gávea.

De início, o Rojo pedia três milhões de dólares por 50% dos direitos de seu atleta. A primeira proposta do Fla consistiu em 1,5 milhão. O oferecimento foi melhorado até o limite de 2,150 milhões. Ainda assim a direção do Independiente fechava as portas para o negócio. No fim, a contratação saiu com números que envolvem três milhões de dólares, mas por 90% dos direitos do atleta.

Gostem ou não, foi um exemplo de negociação para demais clubes do país. E em termos do que pode significar o jogador? Aí a coisa não é tão simples, pois inúmeras variantes entram em cena. Dentre elas, adaptação, recepção do clube e encaixe do atleta no esquema que Muricy Ramalho pretende implantar. Mas para tanto, convém perguntar: quem é Mancuello?

A pergunta possui duas partes, a primeira é acerca de como ele desempenha seu futebol; a segunda, acerca da personalidade, formação e até histórico de lesões. Disto decorre que este artigo divide-se em duas partes, cada uma com a função de responder as duas indagações acima. Vejamos.

Como joga Mancuello

Este tema tem deixado pouca gente sóbria entre os torcedores. Em parte porque muitos não conheciam o jogador; em parte, pela própria confusão de setores da mídia, que além de não conhecer parece pouco se importar com a falha. Fala-se tudo. E, em geral, repete-se quase tudo o que foi escrito ou falado em algum lugar. Até aí tudo bem, se as informações fossem razoáveis. Mas não são. E longe por certo de ser nossa a culpa. Problema disso é a polivalência que marca Mancuello.

Fácil entender que um jogador pode ser um meia, atuar como meia-atacante e até como atacante aberto pelo flanco. Difícil é aceitar que o cara pode ser um volante, meia pelos lados, meia centralizado ou lateral-esquerdo. Um brinde à confusão, ela é justa. Então ele atuou por todas essas posições? Inútil dizer que tudo isso é mentira. É verdade mesmo. E pior que isso, além de ter atuado em todas elas, suas características ainda permitem que se desloque por outros setores do campo.

Então, a pergunta: ele pode ser um camisa 10? Sim. Mas neste caso, espera-se a repetição daquela história de quando ele foi atuar de lateral-esquerdo. Conseguia fazer a função, mas não o fazia com brilhantismo. Polivalência tem limites. Ela pode ser importante para um jogador, mas com a dose errada pode atrapalhar. Disto decorre que ele não deveria ser um lateral? Exato! E do mesmo modo que não deveria ser sobrecarregado com a função defensiva? Também.

Há uma leitura errada de muitos quanto ao fato de que Mancuello na origem não seja um jogador de centro de campo. Na base do Independiente desde os 14 anos, ele sempre era colocado no meio-campo, e sempre à frente dos volantes, embora, nunca tão avançado, como alguns esperam que atue pelo Flamengo. E nesta posição, o garoto provinciano era um enorme sucesso; marcava muitos gols e sem fazer tantos esforços. Tudo bem que o garoto chegara todo animado em Villa Domínico e com tendência a frequentar o lado esquerdo.

Ocorre que quando criança, no Atlético y Tiro, de Reconquista, ele tinha a tendência a buscar os espaços menos povoado para chegar ao ataque; canhoto que era foi normal que escolhesse a esquerda. Não raro, contudo, aparecia até mesmo na frente, como centroavante. Bagunça era enorme, típica do amadorismo, mas incompatível com a realidade de um clube profissional.

Então, Mancuello foi centralizado, ora à frente de dois volantes ora como um segundo volante. Neste setor do campo, virou um gigante da cantera de Villa Domínico. Não foi à toa que anos depois foi recebido no time principal como "uma solução". Atrelada a esta visão, a decepção ao menos dos torcedores também se fez compreensível.

Ao ser promovido para o time principal, a concorrência era grande, assim como lacunas no Rojo pelo lado esquerdo do campo. Canhoto que é, Mancuello foi levado a atuar por este setor pelo então técnico Miguel Ángel Santoro. Seguiu na mesma posição com "Tolo" Gallego.

Efeito disso foi que o jovem da cantera teve um duplo desafio pela frente; além de precisar se adaptar à equipe principal teve ainda de se adaptar a outro setor do campo. A pressão dobrada se conjugou com sua pouca condição física, à época, e o condenou ao ostracismo e à impressão de que era somente mais uma joia da base incapaz de se adaptar ao profissionalismo.

De uma hora a outra, Mancuello foi obrigado a correr algo como 70 metros pelo setor esquerdo, precisando retornar e com velocidade para recompor a marcação. Seu corpo sinalizava desgastes que se somavam para culminar na série de lesões dos últimos tempos. Esta é, com efeito, a principal causa deste problema.

Mais à frente abordaremos o papel de Almirón quanto ao posicionamento do jogador. Por hora, batemos o martelo quanto ao fato de que ele pode ser tudo, menos um lateral-esquerdo ou uma peça encaixada pelo lado direito do campo. Muito se falou sobre o fato de que ele era um segundo volante, assim como que ele não poderia ser um camisa 10. No futebol, é complicado determinar as funções de um jogador a partir do número de sua camisa.

Mesmo no setor defensivo nem sempre isto se faz com facilidade. No caso de Mancu, complica-se ainda mais, pois o jogador parece se encaixar em várias posições. Isto ocorre tanto pela sua inteligência tática, e disposição em colaborar, quanto pelas suas características, que podem até leva-lo a vestí-la. Se terá sucesso ou não é outra história, mas que a priori tem condição para isto. Porém, essa indicação, como quaisquer outras, ficaria mais fácil se soubéssemos o que é um camisa 10.

Sequer sabemos o que é um oito, que dirá um 10. Basta pensarmos em nomes históricos que vestiram esta camisa para percebermos que dificilmente eles eram parecidos. Pelé e Rivaldo têm pouco a ver com Ademir da Guia; Giovanni Moreno, ex-Racing tem nada a ver com Riquelme, que tem menos a ver com Ronaldinho Gaúcho, que não é nem Messi nem James Rodríguez.

O que é um 10? Um prêmio a quem defini-lo. Da mesma forma é o camisa oito, embora seja um caso menos complicado do que o anterior é também um daqueles em que as várias funções exercidas por jogadores diferentes nem sempre foram semelhantes. E para entrar na areia movediça, vamos bancar o seguinte: Mancuello é um camisa oito. Todavia, esta afirmação é didática e está longe de ser nada mais do que uma mera indicação. O oito clássico tende a ser um segundo volante, que ao cair para um lado do campo, é para o direito. Mancuello se desloca para a esquerda.

Cabe ao camisa oito organizar a equipe, mas dizem que cabe ao 10 a função de armador. Afora a controvérsia da afirmativa, o fato é que o reforço do Fla sabe fazer as duas coisas. Organiza melhor do que cria, mas isto tem mais a ver com o exercício de seu futebol em campo, pautado na necessidade do Independiente de 2014. Ou seja, nada impedia que ele fosse o grande criador, mas sua função em campo ressaltava mais a organização.

Entre organizar e criar, Mancuello prefere a outro verbo: "dinamizar". Na prática, pelo que vimos dele em 2014, esse termo sintetiza melhor o seu jogo, assim como o atrela bem às duas funções. Na equipe de Almirón não havia ninguém mais criativo do que Mancu. E isto por um grande acerto do técnico.

Com o amigo, Rodríguez, na cantera
Com o amigo, Rodríguez, na cantera

Se cabe ao segundo volante também a função defensiva, Almirón tirou essa obrigação das costas de seu meio-campista preferido. Mancuello teve a liberdade de avançar, irrompendo do centro para a esquerda, da esquerda para o centro ou por dentro, algumas vezes. Foi plantado como segundo volante, mas com raízes soltas e liberdade para exercer o melhor de seu futebol: sua capacidade de enxergar os espaços perfeitos para se infiltrar rumo à proximidade da área adversária.

Isto potencializou os seus arremates de média e longa distância, além de torna-lo um fator-surpresa que levava muita confusão à defesa dos rivais. Da mesma forma, gerou um aproveitamento relevante de seu passe qualificado. Então, o desacerto quanto ao seu melhor posicionamento chegava ao fim. Na prática, o que Almirón descobriu foi justo aquilo que Mancuello praticava na base, a posição de segundo volante. E o sucesso do jogador na equipe principal do Rojo pela primeira vez se assemelhou ao que ele obtinha na cantera de Villa Domínico.

Convém, no entanto, destacar o mérito de Almirón, que otimizou as características que o atleta possuía na cantera, ao ampliar sua liberdade pela cancha. Exemplo disso é que o técnico, via de regra, saía para o jogo com um esquema 3-4-1-2 (o seu preferido) e muitas vezes terminava no 3-3-2-2, com Mancuello abandonando a primeira linha e se juntando à armação, mais à frente.

Então, Mancuello pode atuar no Flamengo à frente de Canteros e Arão, por exemplo. Pode também ter a companhia apenas de um volante marcador, sem problemas. Mas se a ideia é a de extrair o seu melhor futebol, o ideal é que ocupe a posição de um "camisa oito" , sem tanto compromisso com a marcação, partindo do centro e atuando livre para organizar e até criar as jogadas da equipe. Isto não o impede de ser um 10 ou um meio-campista aberto pelo lado esquerdo. Mas desde que se tenha claro que esta não é a melhor escalação para Mancu. Que Muricy resolva.

Origem, drama e superação

A relação de Mancuello com o futebol começa muito cedo, ainda e sua cidade natal, Reconquista. Numa escolinha de futebol, numa igreja próxima à sua casa, o técnico tinha a mania de impor às crianças um treino bem curioso. "No meu caso, me colocava numa espécie de argola, no qual uma bola era oferecida. Então, eu tinha de fazer todo tipo de brincadeira com ela, sem deixa-la sair da esfera. Meu tio esbravejava? ‘que espécie de treino é esse?'. Graças a isto foi que eu aprendi a manejar a pelota". Contava o garoto com três anos de idade. E era mais um, dentre os inúmeros que já corriam atrás da bola em sua cidade natal, na província de Santa Fe.

Vestindo camisa do Rojo, desde criança
Vestindo camisa do Rojo, desde criança

Além desse manejo qualificado da bola, estamos falando de um jogador que tem boa leitura e entendimento do esquema tático de um técnico. Porém, não apenas para segui-lo às cegas, mas para descobrir, na fala do "professor", os espaços que ficam como lacunas no posicionamento e deslocamento dos jogadores. Vai a campo consciente desses espaços, pois será também por eles que cairá para conduzir a pelota ou armar algumas jogadas.

Esta leitura ele tem como poucos e não é qualquer coisa. Por ela, ele consegue entender todo o funcionamento da equipe, desde o trabalho da zaga à luta dos atacantes para guardarem a pelota no arco. Tal característica aos poucos configura Mancuello para a capitania natural da equipe, algo que Mascherano possui como uma de suas maiores virtudes. Com o tempo, a entrega da faixa de capitão para Mancu subordina-se a meras circunstâncias; algo que se faz natural. Bem cedo, o menino foi jogar no Atlético y Tiro, equipe amadora de sua cidade. Ficou por lá até perto dos 14 anos, quando desembarcar em Avellaneda para compor a base do Rojo.

Afora os anos de cantera, sua primeira etapa pelo Independiente vai de 2008 a 2011. Nunca foi grande coisa. A equipe não apresentava padrão algum até em função de que treinadores deixavam e chegavam ao clube quase a cada mês. Como foi promovido com a alcunha de "joia da cantera", foi natural que recebesse a camisa de titular. Mas como o time era horroroso, sobrava para ele toda a bronca da torcida; torcida que já não suportava mais os anos difíceis e que já previa que o pior ainda estava por vir.

A partir de 2009, Mancuello passou a jogar pouco e a ganhar a cada dia um motivo novo para afetar sua autoestima. Outros atletas irrompiam da base e ocupavam lugares na equipe, enquanto Mancu assistia quase tudo do banco, sem entender por que aqueles meninos que ele comandava na cantera ganhavam a confiança da torcida, enquanto ele pouco a pouco caia no esquecimento e, pior ainda, na indiferença de todos. Exemplo disso foram as promoções de Velázquez, Fredes e Godoy, além do próprio Patito Rodrígues, uma das soluções que vinha do banco de reservas, na inexplicável conquista da Sul-Americana de 2010.

O técnico à época da Sul-Americana era Antonio "el Turco" Mohamed. Segundo Mancuello, embora quase sempre fosse visto como reserva pelo Turco, foi com ele que teve as primeiras lições após o período da cantera: "Ele nos falava que precisávamos arrumar uma solução para todas as dificuldades, em campo. Ser um jogador profissional, também passava por aquilo".

Sem espaço no clube, um ano depois, o jogador desembarcou em Córdoba para se somar ao Belgrano. Fora contratado para fazer o setor esquerdo, assim como no Rojo. Só que já havia gente competente cuidando do assunto. Foi deslocado para a lateral-esquerda do campo, onde, novamente, alternou bons e maus momentos. Porém, por sua capacidade de aprender nas situações difíceis, o novo reforço rubro-negro fez da experiência uma nova escola para o aperfeiçoamento de seu futebol.

Aprendeu a marcar, a correr com eficiência, a cobrir espaços vazios, além do entendimento certeiro sobre o momento de tocar a pelota ou de conduzi-la pelo ataque, rumo ao arco rival. O Belgrano foi uma escola para Mancu, embora também por lá o seu corpo, que já somava esforços físicos desproporcionais da época do Rojo, seguiu a ter motivos para toda a rebeldia de 2015.

Retornou no início da temporada 2012/13. O clube era uma bagunça só. No plano institucional, as dívidas se acumulavam e os meses quase de regra eram de 40, 60 ou 90 dias. Mancuello começou a apresentar algumas de suas contusões e não conseguiu fazer a diferença. Ao término do campeonato de 2013, caiu com a equipe para a B Nacional, fato que ocorria pela primeira vez na história do antigo "Rey de Copas" da América do Sul. Mohamed não aguentava mais os cartolas do clube. Uma anedota dá conta de que ele tirava dinheiro do bolso para ajudar "na merenda". Daí para se mandar para o México foi só aparecer a primeira proposta.

De Fellipe chegou a Villa Domínico para comandar a campanha de retorno à elite. Não sabia a quem eleger como o símbolo disso dentro de campo. Foi então que começou a história de Mancuello como jogador relevante no futebol argentino.

Passou a atuar tanto pelo centro do campo, como segundo volante, como pelo lado esquerdo. Neste momento, seu amadurecimento para o futebol pareceu mais definitivo para o sucesso na B Nacional do que o encontro com o seu posicionamento ideal. Ainda recaía sobre ele a obrigação de marcar e de conduzir a equipe. Um maestro se desenhava no jovem de Reconquista e ele caiu definitivamente nas graças da torcida.

Em verdade, este foi o momento no qual a torcida voltou a acreditar na antiga promessa da base. Ao subir com a equipe para a elite argentina, Mancu ganhou status de ídolo, e teve seu nome cantado frequentemente no Libertadores de América. Entretanto, o melhor ainda estava por vir. E o pior também.

Jorge Almirón assumiu o Clube, em julho de 2014. Sob o seu comando, Mancuello chegou ao melhor momento de sua carreira. Foi um dos artilheiros do campeonato e foi chamado por Martino para a seleção da Argentina. Propostas surgiam de todos os lados e parecia impossível manter o jogador em Avellaneda por muito tempo. No ano em que o Racing foi campeão, o Independiente terminou o campeonato na quarta posição, à frente de Boca, Estudiantes e San Lorenzo. Parte desta campanha, ninguém tinha dúvida de creditar ao bom futebol de Federico Mancuello.

Suas lesões saíam das pernas e atingiam outras regiões, todo seu corpo parecia enfraquecido. Na imagem, sai de campo e vai direto para o hostpital Suas lesões saíam das pernas e atingiam outras regiões: corpo parecia enfraquecido

Nem bem começou a temporada de 2015 e Mancu começou a sofrer com lesões. Começou com as contraturas, que serviam para avisar que o corpo estava chegando a seu limite e que minis rupturas se acumulavam na sua musculatura. A coexistência de várias enfermidades nesta região do corpo permeava o surgimento de um número incontável de lesões.

Foram torções, principalmente no tornozelo esquerdo, distensões e rupturas fibrilares. Inflamações se alastravam e condicionavam o aparecimento constante de novas contusões. As duas pernas eram afetadas e até a membrana interossea, localizada entre a tíbia e a fíbula e que separa os músculos em anteriores e posteriores, acusava inflamação. Na imagem acima, uma contusão, na partida contra o Arsenal, ainda no fim de 2014; no vídeo abaixo, uma das primeiras de 2015, contra o Newell´s:

No primeiro semestre de 2015 ele entrava e saia da enfermaria, da mesma forma que entrava e saía de campo. A cada vez que apresentava uma lesão um diagnóstico era feito, a partir do qual um tratamento era indicado para a solução do problema. Nada de novo nisso, não fosse pela repercussão que o assunto recebia. O que acontecia com Mancuello, se ele atuara em 2014 de forma esplêndida, quase não sofrendo com as tais lesões de 2015?

Torcedores começaram a desconfiar do jogador e creditaram o problema à sua vontade de forçar a barra para deixar o clube e para a Europa. Muitos, sequer acreditavam que as lesões existiam. O termo "lesiones fantasmas" foi atribuído a ele e cantado em bom tom nos poucos momentos que entrava em campo ou era vista em outros locais.

A reação do jogador ocorreu em dois planos. Isolar-se cada vez mais, quase não saindo às ruas e, dentro de campo, forçar ao máximo as passadas mesmo quando estava com dor. Efeito disso era o de se esperar: o surgimento de outras lesões ou o aprofundamento de algumas já existentes ou abordadas antes por tratamentos. Ocorria que assim que ele se tratava de uma lesão, bastava pisar no gramado para outra diferente aparecer.

Em agosto, esperava-se que ele se recuperasse a tempo de disputar o clássico de Avellaneda, contra o Racing, em 13 de setembro. Não foi nem para o banco de reservas. No dia 2 de abril havia voltado de sua primeira passagem pela seleção, num amistoso preparatório à Copa América, que a Argentina fizera nos Estados Unidos. Retornou com uma grave lesão no músculo isquiotibial direito. Voltaria a campo somente cinco meses depois, em agosto.

Neste período, em vez de ficar de repouso, sempre tentava retornar. E ao que tudo indica, não só por sua disposição, mas também pela liberação médica que recebia do clube. Assim que pisava em campo, sentia uma dor diferente. O mito das "lesiones fantasmas" se propagava. No entanto, na Argentina ninguém jamais questionou uma coisa: os diagnósticos.

Se a atmosfera de crises e mendicância de glória do Rojo afetou Mancuello a partir de sua chegada ao profissional, a deteriorada estrutura do clube fez ainda pior: não ofereceu a ele sequer um diagnóstico decente acerca de suas lesões. O problema foi detectado no último trimestre de 2015. Aconselhado por pessoas próximas, ele mesmo indicou à comissão médica a necessidade de consultas a profissionais particulares.

O diagnóstico foi assustador. Afora as diversas rupturas microscópicas na musculatura, o jogador possuía uma lesão no peito do pé direito que doía há meses, às vezes, mesmo sem um único toque na região. O médico que o atendeu assegurou que a lesão era tão grave que ele só tinha visto dois casos iguais em toda a sua carreira.

Por um lado, ela vinha de uma inflamação maior, ocasionada por diversas outras pequenas nos músculos fibulares. Por outro, a lesão no peito do pé gerava o efeito contrário, levando outras lesões para a região de origem. Uma intervenção era necessária, assim como o tempo ideal para a recuperação. O que mais assustou é que não se fazia necessário muito tempo, mas o devido respeito ao tempo determinado para a recuperação.

A partir daí, constatou-se que ao longo do ano a abordagem dada ao problema de Mancuello foi primária. Houve até erros na avaliação do grau de uma entorse, dada como de grau um, quando era de grau dois. Para se ter uma ideia, a primeira requer em média 12 dias para a recuperação; a segunda, de três a quatro semanas.

Atacava-se o problema errado e isto somente colaborava para o martírio do então "ex-amado" capitão da equipe vermelha de Avellaneda. Exemplo disso foi a forçada de barra para que ele entrasse em campo contra o San Lorenzo, em abril, poucos dias após retornar da seleção com uma seríssima contusão. Todos os dias ele ia a campo, pisava no gramado e corria. Quando os repórteres perguntavam se ele estava bem, dizia que sim, temendo a fúria da torcida, que já o tratava como um jogador mercenário.

Identificado o problema, Mancuello foi submetido ao tratamento correto e após muito sofrimento, pode recuperar-se plenamente. Mas a desconfiança de todos ainda era geral; inclusive do próprio jogador. Precisava entrar em campo. No dia 04 de outubro de 2015, o Independiente foi anfitrião para o River. Era a volta do capitão. Entrou em campo e nada sentiu. Então resolveu correr e tudo para ver no que dava: desconforto algum apareceu. A minha dor, quando estava lesionado não era física, mas a da alma. "O que me doía era não poder jogar; não correr nem estar dentro da cancha, pois é justo lá dentro que um jogador pode falar e sentir-se feliz".

E voltar a falar pelo seu futebol encerrava um tempo em que sua profunda solidão o encaixotava no quarto ao afasta-los campos. No triunfo do Rojo por 3x0 sobre o River entrou e saiu de campo sem os problemas que se tatuaram no corpo, mas também no espírito e receberam a alcunha de "lesiones fantasmas". Ao final da partida, a torcida voltou a se reconectar ao seu capitão, que saiu de campo aos gritos de "Mancu, Mancu, Dale Mancu que vos sos del Rojo...". Chorando e feliz, ele mal conseguia falar e se limitava a acenar com as mãos. Era a primeira vez em um ano que Federico Mancuello jogava sem dor.

Jogos posteriores tratariam de confirmar que fato ele estava curado das inúmeras lesões que o acometeram e que o acorrentaram à enfermaria do clube e ao quarto de sua casa, no fatídico ano de 2015. Este é o jogador que ora chega ao Flamengo.

No vídeo abaixo, melhores momentos de Mancu, em 2014:

No vídeo abaixo imagens que mostram Mancuello como uma articulador no campo de ataque; foi genial no gol de Lucero:

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