Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Jornalista desde 1983, passou por diversas redações de rádios, jornais, revistas e sites. Lecionou em faculdades de jornalismo e hoje é comentarista dos canais ESPN

Em pontos distantes da tabela, os dois times que mais chutam sofrem com a pontaria

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Nenhum time finaliza mais no Campeonato Brasileiro do que o Grêmio. São 15,2 arremates por jogo, média registrada nas 16 primeiras rodadas. Em seguida aparece o Cruzeiro, com 14,6, número idêntico ao do Vitória. No entanto, os gremistas têm apenas o terceiro melhor ataque e os cruzeirenses o 11º. Dentro dos objetivos das duas equipes no momento, esse é o maior problema.

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Assista ao gol da vitória do Grêmio sobre o São Paulo

Diante do São Paulo chamou a atenção o volume de jogo do time gaúcho e a quantidade de finalizações (25, sendo 11 certas). Contudo, mesmo sem o time paulista acertar o alvo uma vez sequer em seus raros ataques, o Grêmio venceu apenas por 1 a 0. Foi a quarta vez no campeonato que o time ganhou pela contagem mínima — antes bateu por este placar Flamengo, Ponte Preta e Internacional. Só três das nove vitórias do time de Porto Alegre foram por diferença de pelo menos dois tentos.

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Assista aos gols da vitória do Sport sobre o Cruzeiro por 2 a 1

O caso do Cruzeiro é mais impressionante. O time perdeu para o Sport em Belo Horizonte com a equipe pernambucana abrindo 2 a 0 com apenas dois arremates corretos. A equipe mineira, por sua vez, finalizou 30 vezes, 12 no alvo, mas só conseguiu marcar nos acréscimos, e em impedimento não observado pela arbitragem. No final, o placar do Mineirão mostrava a vitória do Sport por 2 a 1. Em seis das 16 pelejas disputadas até aqui os cruzeirenses não marcaram. 

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Mauro e Bertozzi analisam trabalho de Paulo Bento no Cruzeiro: 'Defesa ridícula'

O tricolor tem o jogador que mais arremata contra a meta adversária no campeonato, Luan, com 46 tiros, mesmo não tendo enfrentado o São Paulo por estar na seleção olímpica. O Cruzeiro tem o segundo do ranking, De Arrascaeta, com 45. Para chegar à liderança o Grêmio precisará melhorar a pontaria, valendo o mesmo para o Cruzeiro na luta para sair da zona de rebaixamento, com o agravante de seus erros inaceitáveis na retaguarda. Tanto que é uma das piores defesas do campeonato.

Estatísticas: Footstats

Estádio do Corinthians custa 3 vezes o do Palmeiras e, com ele, dívida é 3,5 vezes a do Fla

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Reportagem de Camila Mattoso na Folha de S. Paulo — clique aqui e leia — mostra que alcança R$ 1,64 bilhão o custo atualizado do estádio do Corinthians. É aproximadamente três vezes o do Allianz Parque, casa do Palmeiras, acordo que englobou melhorias no clube, com dois prédios. Para dar uma ideia mais ampla, toda a dívida alvinegra, fora a "arena", bateu R$ 452,7 milhões segundo o balanço de 2015.

Além de não colocar um centavo na construção, feita por um parceiro, a W. Torre, os alviverdes viram os naming rights serem vendidos por quase a metade do custo da obra. É algo que até hoje os dirigentes do Corinthians não conseguem transformar em realidade, apesar de inúmeras promessas que criaram expectativa na torcida. 

Reflexo de devaneios como a contratação de Pato (€ 15 milhões fora salários), o endividamento disparou após a conquista da Libertadores e do Mundial da Fifa, saindo de R$ 177,1 milhões e se elevando em 256% entre 2012 e 2015. Isso significa que mesmo vendo números em vermelho nos relatórios financeiros, o custo do estádio consegue ser 3,6 vezes maior do que todo o rombo econômico corintiano.

Veja as análises dos balanços dos clubes, dívidas, faturamentos, gastos com futebol

A dívida de 2012 representava apenas 39% do negativo apontado pelo último balanço anual do campeão brasileiro. Não é só: a receita no ano dos títulos sonhados foi de R$ 324,7 milhões, enquanto em 2015 o resultado registrado em balanço chegou a R$ 245,5 milhões, 24% menor, o que piora o cenário para o clube alvinegro.

SERGIO BARZAGHI/Gazeta Press
Estádio do Corinthians: de R$ 1,2 bilhão para mais de R$ 1,6 bilhão e apenas 6% do custo inicial pago
Estádio do Corinthians: de R$ 1,2 bilhão para mais de R$ 1,6 bilhão e apenas 6% pagos

O Flamengo, que "merecidamente" se transformou no mais encalacrado do país no mesmo ano em que o Corinthians foi campeão de tudo (eram R$ 803,7 milhões devidos em 2012), fechou 2015 com rombo de R$ 579,3 milhões. Desde então a dívida caiu em R$ 224 milhões, ou R$ 47 milhões a mais do que os corintianos deviam em 2011.

Ou seja, de lá para cá os rubro-negros quitaram o equivalente a toda a dívida do Corinthians, com sobras. Tanto que em 2015 a diferença entre os déficits era de R$ 126,6 milhões, sem contar o estádio de Itaquera. Em 2011, quando foi campeão brasileiro e se preparava para ganhar títulos internacionais, o clube paulista devia R$ 626,6 milhões a menos do que o rival sediado no Rio de Janeiro.

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Na inauguração, em 2014, teve muita festa e estrelas; será que valeu a pena?

Pior: somado os R$ 452,7 milhões devidos pelos alvinegros, como aponta o balanço, ao custo do estádio, a dívida total do Corinthians passa dos R$ 2.020 bilhões, e equivale a 3,488 vezes à dos rubro-negros. Isso porque, como mostra a matéria da Folha, o Corinthians pagou 6% do custo inicialmente previsto de sua "arena", então estimado em R$ 1,2 bilhão, o que dá aproximadamente R$ 72 milhões.

Quando surgiu a informação de que o Corinthians teria um estádio erguido pela Odebrecht e a pedido do então presidente Lula (um absurdo), era um projeto de R$ 350 milhões. Ao virar palco de abertura da Copa do Mundo o valor aumentou 4,6 vezes. Não fosse o envolvimento com o evento, obviamente não seria tão caro.

Claro que o orçamento inicial dificilmente bastaria, pois surgiram custos como o da remoção dos dutos da Petrobras que estavam no subsolo. Mas sem a Copa não haveria o acabamento mais requintado de uma obra até hoje não concluída e absurdamente cara. Os próprios torcedores brincam chamando-a "Palácio de Mármore". 

Seria melhor não receber o Mundial, não se submeter às exigências da Fifa, mesmo não podendo usufruir da linha de crédito da Copa aberta pelo BNDES. E ter uma "arena" por custo aceitável. Mesmo que ficasse um tanto acima do inicialmente previsto. O estádio sempre foi o sonho da Fiel, mas cartolas tentam transformar em pesadelo. 

A maior paixão possível pelo futebol

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Rapazes que por circunstâncias da vida, passam os dias presos às suas cadeiras de rodas. Mas não desistem, não se entregam. Eles querem mais e, por isso, jogam futebol. E superam as dificuldades eventualmente impostas por burocracias e falta de sensibilidade de uns e outros.

A equipe de Fortaleza, por exemplo, ficou sem ter onde treinar. Com o Campeonato Brasileiro chegando, os jogadores ficaram preocupados. "Enquanto o time do Rio de Janeiro, apadrinhado pelo Bebeto, que é deputado, recebe cadeiras de ponta", lamentou André Nery, um dos jogadores.

Quase todos. Dias depois do desabafo, André e seus companheiros encontraram um novo espaço para os treinamentos: o Náutico Atlético Cearense abriu as portas para a equipe, por iniciativa do diretor do clube, Oriel Mota Filho. O time pode voltar as suas atividades às quintas-feiras à tarde, se preparando para a disputa do Campeonato Brasileiro.

Reprodução
André Nery, jogador de Power Soccer, na nova casa do time, Náutico Atlético Cearense
André Nery, jogador de Power Soccer, na nova casa do time, Náutico Atlético Cearense

A equipe NOHO surgiu em 2014 em Fortaleza, e já tem na bagagem a quarta colocação no III Campeonato Brasileiro. O elenco:
Dai Santo: Portadora de "polineuropatia não especificada". Começou no basquete, passou pela natação e identificou-se com o Power Soccer. Jogou um Brasileiro, adquirindo experiência. Pretende continuar "até onde Deus quiser, firme e forte".
Tiago Pinto: pré-convocado para Seleção Brasileira.
Wilamar Vieira: Portador de tetraparesia espatica. É músico ganhou festivais e hoje toca em uma comunidade Católica. Nunca praticou esporte. Hoje se diz realizado.
Igor Gomes: Portador de distrofia muscular espinhal tipo três. Pratica natação e Power Soccer. Adora futebol desde pequeno. A modalidade ajudou na socialização.
Gugu Ferreira: Portador de paralisia cerebral. Vê no Power Soccer uma vitória; por ser a oportunidade de praticar o esporte que tanto gosta.
André Nery: Ex-atleta de futsal, com passagem pela AABB, pela qual disputou uma Taça Brasil, foi campeão cearense pelo Banfort. Sofreu lesão medular a nível C5 e C6. Não imaginava retornar as quadras.

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Power Soccer: conheça o futsal adaptado para cadeirantes

Todos dedicados em busca do título nacional, em novembro, no Rio de Janeiro. E (quem sabe?) vencer mais uma vez em 2017 e, então, disputar a Libertadores do próximo ano. A ideia de criar a equipe surgiu após uma viagem de intercâmbio que o atleta Tiago Pinto fez aos Estados Unidos, onde conheceu Bill Balles. Ele é um atleta de uma equipe de Power Soccer e doou seis cadeiras motorizadas para criar um time no Brasil.

Em seguida, Tiago procurou o amigo e também professor de Educação Física David Xavier para ajudá-lo, ele virou técnico do time. É uma modalidade para pessoas de ambos os sexos e qualquer idade, desde que usem cadeira de rodas motorizada. A equipe treina forte, com muita motivação. Sempre que a burocracia permite.

Fla espera ainda hoje assinatura de Diego, que não deverá vestir a camisa 10

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

A rescisão de contrato entre Diego Ribas e Fenerbahçe foi acertada no fim de semana, como o blog informou domingo — clique aqui. Agora ela foi oficializada — clique aqui para ler — e o Flamengo espera ter o novo compromisso com o meia assinando ainda nesta terça-feira, embora já não precise mas correr contra o tempo.

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Diego: a 10 no Werder Bremen, 22 no Atlético, 16 no Porto, 28 no Wolfsburg e Juventus
Diego: a 10 no Werder Bremen, 22 no Atlético, 16 no Porto, 28 no Wolfsburg e Juventus

O clube ainda não tem previsão de estreia do meia, que não deverá vestir a camisa 10, que é de Ederson. Em 2009, quando voltou ao Flamengo e conduziu o time ao título brasileiro, Petkovic também não vestiu o fardamento com o clássico número imortalizado por Zico e que a ele pertenceu na passagem anterior. Adriano tinha a 10 e o sérvio ficou com a 43, hoje com o zagueiro Leo Duarte.

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Mauro destaca que torcida do Flamengo espera que Diego seja um novo 'Petkovic': expectativa é enorme

Cultura de arquibancada: escoceses recuperam o direito de torcer de pé

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Torcer de pé, com liberdade para apoiar o time de forma mais intensa, atuante, sem a obrigação de permanecer sentado durante os 90 minutos. Este é um desejo de muitos torcedores no Reino Unido, onde as severas regras adotadas nos anos 1990 para reduzir o risco de hooliganismo restringiu, o direito de torcer.

Uma importante vitória na luta dos torcedores por maior liberdade foi alcançada sábado, quando o Celtic estreou seu setor com 2.900 lugares para torcedores de pé. Foi na vitória por 2 a 1 sobre o Wolfsburg, em amistoso de pré-temporada que marcou a estreia do técnico Brendan Rodgers no Celtic Park, em Glasgow.

Os assentos ficarão fechados, permitindo que as pessoas permaneçam de pé, em jogos domésticos. As cadeiras serão abertas quando o time verde da maior cidade escocesa participar de pelejas internacionais, da Uefa, que exige lugares para torcedores sentados em 100% dos estádios que recebem suas partidas oficiais.

O setor nordeste do Celtic Park, em frente à bandeira de escanteio, abriga o "safe standing". Os campeões escoceses obtiveram uma licença em junho do ano passado concedida pelo Conselho da Cidade de Glasgow. Os dois pedidos anteriores ao Glasgow City Council tinham sido rejeitados. Para o clube foi mais um passo na remodelação de sua casa, que comportava 60.832 torcedores antes da novidade.

A Escócia não está sob a lei que proibiu áreas para torcedores em pé nas duas primeiras divisões da Inglaterra em 1994, após o desastre de Hillsborough, onde morreram 96 torcedores do Liverpool em 1989. A questão sobre se permitem que os fãs fiquem em algumas áreas de pé tem sido rediscutida desde então.

Assim, o Celtic se tornou o primeiro clube britânico a reintroduzir esse tipo de setor, que remete aos "terraces", as velhas arquibancadas que concentravam a maioria dos torcedores nos estádios do Reino Unido, sempre de pé. A expectativa é de que os "Bhoys" tenham mais apoio ainda de sua fanática torcida e faça o mando de campo valer ainda mais com o apoio mais forte que virá do novo setor.

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Dirigente do Celtic, Peter Lawwell, em maio, com a cadeira reversível adotada para 2016/2017
Dirigente do Celtic, Peter Lawwell, em maio, com a cadeira reversível adotada para 2016/17

Torcedores de diversos times já questionam pelas redes sociais sobre quando esse tipo de novidade chegará à Inglaterra, onde pesquisas apontam 92% dos torcedores favoráveis à introdução. Há quem acredite em ingressos mais acessíveis se tais setores reaparecerem nos estádios ingleses da primeira e segunda divisões — abaixo delas há áreas para torcedores de pé em alguns estádios.

No site da Football Supporters' Federation — clique aqui e acesse — há vários depoimentos de personagens ligados a diversos clubes apoiando o "safe standing", adotado pelo PSV Eindhoven, da Holanda, no começo de 2016. O Celtic reivindicava tal direito há mas de cinco anos. E pode ter aberto o caminho para os ingleses. 

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