Entrevista: Renato ‘Gaúcho’ Portaluppi diz que estuda o Lanús e garante Grêmio pronto para a final

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
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Renato e os jogadores com o torcedor William, que tem câncer: homenagem surpresa
Renato e os jogadores com o torcedor William, que tem câncer: homenagem surpresa

William, 22 anos, tem câncer na pleura, com metástase nos ossos e na pele. Ele descobriu a doença jogando futebol, caiu machucou o ombro e foi internado. Não o diagnosticaram num primeiro momento, sentiu falta de ar, voltou ao hospital e o mal foi detectado. Deram-lhe seis meses de vida e já luta há três anos.

 Mas sua situação é gravíssima. Fez um último pedido ao pai: conhecer um jogador do Grêmio, fosse reserva, titular, não importava. A história chegou a Renato ‘Gaúcho’ Portaluppi, e o rapaz foi levado ao Centro de Treinamentos por orientação do técnico. William sentia fortes dores e teve que tomar morfina para suportá-las. Ele não sabia quem iria conhecer.

Foi ao CT do Grêmio numa cadeira de rodas que arrumaram na hora. Renato mandou todos os jogadores assinarem uma camisa tricolor e os reuniu no auditório. O rapaz foi levado de surpresa ao local e se deparou com todo o grupo de atletas à sua espera. "Entra, Wiliam", ordenou o treinador. O jovem foi saudado com aplausos do elenco. Ganhou a camisa, fez fotos, foi cumprimentado e recebeu agradecimentos de todos, um por um.

O pai do rapaz mandou fazer uma faixa de três metros em agradecimento aos jogadores e ao Grêmio. A história ocorrida há dias da primeira partida decisiva da Copa Libertadores integrou ainda mais os gremistas em torno do objetivo comum. Renato conversou com o blog, falou sobre esse episódio, de que maneira ele mexe com os atletas, assim como a aventura dos que foram de ônibus ao Equador — clique aqui e leia. Ele analisou o adversário e deixou claro: está estudando o Lanús.

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O jovem William, ao chegar à sala de entrevista do Centro de Treinamentos do Grêmio
O jovem William, ao chegar à sala de entrevista do Centro de Treinamentos do Grêmio

Renato, sua experiência em Libertadores, jogando e treinando o Fluminense na final em 2008, o está ajudando em que desta vez?

Ajuda bastante porque disputei várias Libertadores como jogador e treinador, e é importante passar essa minha experiência dentro e fora do campo, porque é uma competição muito disputada e de muita malandragem também, especialmente pelos times argentinos. Então é importante ter alguém no grupo que possa passar essa experiência toda aos jogadores para que fiquem mais tranquilos.

Como você imagina que vá se comportar o Lanús em Porto Alegre?

Deve vir com seus cuidados, uma coisa normal, para sair daqui vivos, para buscar um bom resultado, tentar achar um gol, apesar de que é um time que gosta de jogar também. Mas sabem que não podem se atirar para cima do Grêmio, é um jogo de 180 minutos, eles terão muitos cuidados, como tiveram contra o River Plate no primeiro jogo da semifinal.

O time está pronto ou falta algum ajuste importante para quarta-feira?

Está pronto, tudo que poderíamos fazer a gente fez, em todos os sentidos, em termos de descansar o time, não perder o ritmo de jogo... Tudo que poderíamos fazer, nós fizemos.

Mudaria algo nessa caminhada?

Não faria nada diferente do que fiz até então. E domingo, contra o Santos, vou segurar 15 a 16 jogadores comigo, os reservas imediatos que jogavam sempre já estão com ritmo de jogo. Ao invés de 11, vamos segurar 15 jogadores, estão todos com ritmo e seria um risco muito grande colocá-los em campo, podemos precisar de um deles logo no começo da partida de quarta-feira.

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Faixa que o pai de William fez para agradecer aos jogadores pela homenagem ao filho
Faixa que o pai de William fez para agradecer aos jogadores pela homenagem ao filho

Quando quer motivar os atletas, qual a importância de torcedores como os que foram de ônibus a Guayaquil e do rapaz com câncer que conheceu o time?

Ontem mesmo peguei a faixa que o pai dele mandou de agradecimento, e falei para o grupo: 'O pai dele não tem condições de comprar um quilo de pão e mandou fazer a faixa agradecendo. Eu falo para eles, vocês têm que olhar para o lado e para trás, para lembrar as dificuldades. Se olhar pra frente e só reclamar esquece o que passou. O grupo ficou muito sensibilizado com o episódio do garoto e no Equador também elogiei nossa torcida que foi de ônibus. Mal viram o jogo e já tiveram que voltar para ver o jogo aqui em Porto Alegre. Temos que valorizar isso e dar uma alegria a eles.

Você tem uma equipe que o ajuda no trabalho de observação dos adversários e um auxiliar técnico, Alexandre Mendes. Como você utiliza as informações, a ajuda desses profissionais?

É sempre importante esse trabalho e ter uma pessoa assim ao lado. Ele é meu braço direito, conheci no Fluminense em 1995, levei pro Vasco e sempre trabalhou comigo. A gente conversa bastante e troca muitas ideias antes durante e depois dos jogos. Duas cabeças pensam melhor do que uma.

Renato está estudando o Lanús?

A gente já viu vários jogos do Lanús. Agora, nesse momento, não estão jogando, mas os dois jogos contra o River já assisti, basicamente é aquilo ali, dificilmente terá uma mudança drástica e conheço muito bem o time deles e eles a nós. Não tem hoje em dia como esconder, a TV a internet mostram tudo. Conosco não é diferente, daqui não escapa nada.

 

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Torcedores encaram 12 mil Km de ônibus durante 11 dias para ver o Grêmio e pedem ‘liberdade para torcer’

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

O blog abre espaço para a Geral do Grêmio relatar sua aventura pelas estradas, rasgando a América do Sul, até o Equador, onde foram buscar a vitória e a classificação para a decisão da Copa Libertadores da América, contra o Lanús, da Argentina. Uma aventura marcada pela paixão pelo clube. Inadmissível um jogador de futebol não deixar tudo na cancha sabendo que dezenas de pessoas fizeram tamanho esforço para apoia-los.

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Integrantes da Geral do Grêmio em parada no deserto do Atacama: 11 dias na estrada
Integrantes da Geral do Grêmio em parada no deserto do Atacama: 11 dias na estrada

"Foram 11.786 quilômetros entre ida e volta. De ônibus, enlouquecidos pelo tricolor gaúcho cumpriram uma jornada que durou 11 dias. Certamente uma das maiores viagens de torcida feitas via terrestre no futebol mundial. É preciso deixar bem claro que a Geral do Grêmio não contou com nenhum apoio financeiro da direção do clube. Fez tamanha epopeia com a força própria e com o esforço dos seus torcedores que, literalmente, deixam a vida de lado para alentar o Grêmio onde o Grêmio estiver.

Ao atravessar a Argentina, Chile, Peru e finalmente chegar ao Equador para a partida contra o Barcelona, em Guayaquil, a Geral do Grêmio percorreu as entranhas da nossa América Latina para seguir o Imortal em busca do sonho de conquistar a Libertadores pela terceira vez. Dificuldades como alimentação escassa, estradas perigosas, falta de recurso financeiro, burocracia e atrasos nas fronteiras, entre outros, foram superadas pela parceria entre os 40 sócios do clube que fizeram esta viagem histórica.

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Integrantes da Geral do Grêmio percorreram longas horas com poucas paradas
Integrantes da Geral do Grêmio percorreram longas horas com poucas paradas

As principais dificuldades que enfrentamos, além do óbvio desgaste pelo tamanho da viagem, foram nas Aduanas. Ao perceberem que se tratava de um ônibus de torcida, o mínimo que ficávamos por fronteira para realizar os trâmites era 3 horas. Em alguns casos, 5 horas, como na fronteira do Peru com o Equador. Quando entramos no país do adversário, as complicações aumentaram. Sistema fora do ar, burocracia desnecessária, mas acabou tudo dando certo.

Essas demoras fizeram com que nós cancelássemos algumas paradas para chegarmos antes da partida começar. Mas funcionou perfeitamente, com tensão, mas tudo no roteiro. Quando entramos na arquibancada, no momento em que a banda se posicionou, o Grêmio entrou em campo. 

Ao longo do caminho, outra dificuldade teve ligação com a estrutura precária dos locais que parávamos para fazer a alimentação, tomar banho, etc. Raramente algum lugar que oferecesse estrutura adequada. E foram 11 dias, então praticamente nos mudamos para dentro do ônibus por esse período. E os paradouros longe um do outro, portanto, em vários momentos, passávamos 15, 20 horas sem interromper a viagem. 

Outra questão foi a moeda. A maioria levou dólar achando que seria aceito, mas no Peru e na Argentina, raramente um estabelecimento aceitava dólar, só a moeda local. A questão de reabastecer os suprimentos do ônibus, na estrada também tivemos dificuldades em achar locais adequados para fazermos essas compras.

O dia a dia da viagem era a perspectiva da partida, a ida, depois a volta na Arena, falando sempre de Grêmio, alguns jogos, carteado, filmes, bate papo entre nós, enfim, tudo que pudesse fazer para distrair e passar o tempo. E tivemos muito tempo. Importante ressaltar que este tipo de viagem, este tipo de maratona em torno de um objetivo comum, é o que fortalece a amizade entre os torcedores e cria vínculos de irmandade entre esses loucos pelo Grêmio. 

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Geral do Grêmio no estádio em Guayaquil: chegada em cima da hora
Geral do Grêmio no estádio em Guayaquil: chegada em cima da hora

A repercussão na mídia é bacana, a viagem foi histórica e é sensacional ter este feito reconhecido, inclusive por Renato Portaluppi, que nos citou na coletiva pós jogo, e pelos demais gremistas, que nos aplaudiram ao entrarmos na arquibancada. Além de seguir o Grêmio, o que faz todos os sacrifícios valerem a pena. 

A chegada no estádio foi bem tranquia. Estávamos em cima do laço, mas a escolta policial foi importante para que chegássemos a tempo na cancha. Passamos por milhares de torcedores do Barcelona, mas nada além de xingamentos e provocações. Todo mundo se ajudando, seguindo o lema do Trago, Alento e Amizade, consagrado pela Geral do Grêmio desde a sua fundação.


Gremistas encararam 11 dias de viagem de ônibus até Guayaquil, passando por desertos e precipícios

E a vitória de 3 a 0 fechou com chave de ouro este roteiro inesquecível protagonizado pela torcida. O resultado que garantiu a equipe na final da Libertadores. A Argentina ficou mais perto depois desta peregrinação pelo continente. Estaremos ainda mais fortes na final. O Grêmio tem a nossa devoção.

Acesse a página do Grêmio no ESPN FC, com textos de Eduardo Jenisch

A Geral do Grêmio se coloca entre as mais pesadas torcidas do continente e a festa fortalece a marca do clube. A avalanche fazia parte das chamadas dos programas esportivos. Será que um dia volta? Recebimentos históricos, festas inesquecíveis, tudo isso agrega valor ao Grêmio, comprovadamente trazendo associados à instituição, ajudando a fanatizar os futuros torcedores, além de ajudar o time a conquistar as vitórias. Esta viagem histórica repercutiu em diversos veículos do continente. Pela nossa festa. Só queremos ter liberdade para torcer!

A Geral do Grêmio fez história na América Latina".

No vídeo abaixo, de Ducker, Guayaquil tomada pelos gremistas:



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Crise: Fla tem ambiente destruído, cartolas sem rumo, racha entre jogadores e técnico sem apoio

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

O ambiente não poderia ser pior no Flamengo. O comando do futebol está fragilizado ao extremo, sem rumo, e com parte do elenco pouco empenhado em fazer o que deles espera o treinador. Há até quem tema que Reinaldo Rueda faça como Mano Menezes em 2013, e repentinamente peça demissão. Sério, o técnico não parece ter mais o que fazer para que o time seja minimamente competitivo na reta final da temporada, isso com uma taça e a vaga na Libertadores ainda em jogo.

Há jogadores que falam com pessoas próximas sobre dificuldades para compreender precisamente o que deles espera Rueda. Na derrota para o Coritiba por 1 a 0, o colombiano gritou e gesticulou em vão à beira do gramado. Há quem alegue sentir a mudança da preparação física, que passou a ser feita pelo compatriota do técnico Carlos Eduardo Velasco — o auxiliar é Bernardo Redín. Os três trabalhavam juntos no Atlético Nacional.

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"Parte mental difícil de explicar", Reinaldo Rueda, após Coritiba 1 x 0 Flamengo

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Outros atletas se queixam da armação do time. Márcio Araujo e Arão costumam ser vistos juntos, mas isolados do restante. Alguns costumeiramente substituídos na Série A, como René (quatro vezes), Geuvânio (cinco) e Rômulo (duas), se sentiram em alguns momentos responsabilizados por más atuações, ao saírem do campo ante os olhares que entenderam como de reprovação do treinador.

A escolha de Reinado Rueda ao eleger Pará como capitão não foi bem recebida. Nas ausências de Réver, Juan e Diego, o camisa 21 ganhou a braçadeira, mas não convenceu seus colegas, pela falta de perfil, de liderança, seja lá de que tipo, por parte do lateral-direito. Para muitos, Diego Alves seria a opção natural. Além disso a idade média elevada do time na maioria dos jogos gera discussões.

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Fred Luz e Bandeira de Mello esperam jogadores na entrada em campo, deixando o vestiário
Fred Luz e Bandeira de Mello esperam jogadores na entrada em campo, deixando o vestiário

Já a presença no vestiário do CEO Fred Luz e do presidente Eduardo Bandeira de Mello não agrada à maioria. Especialmente com os cartolas acompanhando momentos mais íntimos do grupo, como a corrente, a oração pré-jogo, esperando na saída do vestiário, etc (vídeo abaixo). Os dois dirigentes apostaram todas as fichas no trabalho do hoje pressionadíssimo Rodrigo Caetano e, sem saber o que fazer, a dupla agora apenas torce para que algo mude. 

Dirigentes do Flamengo, Bandeira e Luz recebem jogadores na saída do vestiário para entrada em campo

Jogadores fazem comparações entre o time de Reinaldo Rueda e seu antecessor. Há quem diga que o Flamengo perdeu rendimento e que faltam informações. "O Zé Ricardo era muito bom, só que ele é novo, cometeu muitos erros por que ele é novo. A gente estava cheio de informação, tínhamos muitas situações de gol, a gente criava. Hoje vejo um time sem ideais", desabafou um deles.

Rueda vê 'falta de contundência' no Flamengo e lamenta momento ruim: 'Parte mental difícil de explicar'

É evidente o descontentamento de parte do elenco. O desempenho em campo confirma a falta de sintonia entre o que é pedido e o executado. Isso num cenário que tem de um lado a comissão técnica colombiana, do outro a brasileira. Rueda não se conforma com a fragilidade mental da equipe (vídeo acima) e automaticamente questiona o trabalho do coordenador de psicologia, Fernando Gonçalves, um dos mais controversos personagens desse Flamengo à deriva. 

Fred Luz cuida de processos, da rotina. Embora por perto na maioria das vezes, mesmo sendo chefe de Rodrigo Caetano na hierarquia do clube, o CEO costuma apenas acatar as decisões do Diretor Executivo, erre ou acerte. Já o presidente, que se agarrou à ideia de que bastaria dar sequência ao trabalho (vídeo abaixo, gravado em maio) para que tudo desse certo, sofre pressões, fica politicamente cada vez mais isolado e nitidamente não tem ideia do que fazer.


Há seis meses, quando disse que nada mudaria, Bandeira de Mello perdeu a chance de ajustar rumos fazendo cobranças, identificando erros e dispensando atletas sem condições de seguir nesse Flamengo 2017 com ambições mais elevadas. Hoje vê Caetano de um lado, parte do elenco de outro, uma ala de jogadores num canto, garotos da base no outro e os colombianos Cuellar e Berrío em mais outro, com os argentinos Mancuello e Conca encostados e pensando no adeus.

Mozer, cuja função é estar perto do elenco e, entre outras ações, contornar problemas, está isolado. Cenário que ainda conta com o (até aqui) observador vice de futebol Ricardo Lomba, há menos de seis semanas na função e de quem se espera medidas efetivas. No meio disso tudo, Reinaldo Rueda. Dar instruções não é o bastante. A questão não é só técnica ou tática, falta o básico, organização e união. Pelo jeito o contrataram sem saber bem qual seu estilo, sem ter convicção. Até onde o colombiano vai desejar seguir em meio a tamanho furdúncio?

O Flamengo é um avião em pane, sofrendo em pleno voo, e ninguém dentro dele dá sinais de que saiba como aterrizar. Mesmo que consigam, em terra firme não parece existir um mecânico capaz de fazer reparos necessários. Desastrosa crise.

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Vitória só acalmou Palmeiras, que pensa em Abel e ainda mira Roger. Ambos também interessam ao Inter

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

A vitória sobre o Flamengo foi recebida como um "calmante" no Palmeiras. Os 2 a 0 facilmente alcançados em pouco mais de meia hora de futebol arrefeceram ânimos num domingo marcado pela manifestação da torcida antes e durante a saída da delegação do Centro de Treinamentos para o Allianz Parque. Isso dias depois de Egídio ser ofendido no aeroporto durante desembarque após a derrota para o Vitória, em Salvador, e ser punido pelo clube, que teve elenco e técnico se apresentando coletivamente para uma espécie de entrevista/desabafo.

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Abel tem contrato com o Fluminense até 2018: na mira de Inter e Palmeiras
Abel tem contrato com o Fluminense até 2018: na mira de Inter e Palmeiras


O cenário não mudou para Alberto Valentim. Sua permanência em 2018, que se tornou dificílima após a derrota para o Corinthians e praticamente impossível depois de perder na Bahia, segue improvável . Abel Braga, experiente e acostumado a lidar com jogadores e elencos de peso, é o preferido. Pesa, num primeiro momento, a questão pessoal, já que o treinador perdeu tragicamente seu filho de 19 anos, morto no Rio de Janeiro em agosto. Além disso precisaria ser liberado pelo Fluminense, o que não parece — seu contrato vai até o final do ano que vem.

Abel ainda não conversou com sobre seu futuro com o presidente tricolor, Pedro Abad. Os dirigentes do clube carioca não sabem qual será sua escolha, se vai querer descansar um pouco por conta do episódio que o atingiu há três meses. Hoje saber qual será sua decisão é considerado algo difícil, por ser algo muito particular. E se o treinador quiser se afastar ao menos momentaneamente do futebol, o Fluminense respeitará tal opção. Caso seja oficializada uma proposta que o leve das Laranjeiras, os tricolores não farão força para segurá-lo, ainda mais com a rejeição de parte da torcida quanto à permanência.

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Roger Machado, quando ainda era técnico do Atlético: retorno na temporada 2018
Roger Machado, quando ainda era técnico do Atlético: retorno na temporada 2018

Mas se Abel quiser apenas trocar de clube, opções não faltarão. O presidente do Internacional, Marcelo Medeiros, e seu vice de futebol, Roberto Melo, trabalharam com ele em 2014. O clube gaúcho deseja sua volta. Ele não seguiu no Colorado por opção de Vitório Piffero, que venceu a eleição para o biênio 2015/2016. Ao mesmo tempo, Roger Machado, que desde sua saída do Atlético decidiu voltar a trabalhar no futebol apenas em 2018, está na mira do clube gaúcho e também do Palmeiras. Ele é uma espécie de Plano B em ambos os clubes para a próxima temporada.

Num clube sempre exposto a tensões políticas e protestos de torcedores, a "casca" criada por Abelão após décadas de carreira pesa na opção palmeirense. Apesar de chamar a atenção por suas ideias na montagem do time, Roger desperta dúvidas sobre como enfrentaria dificuldades até certo ponto previsíveis quando o time sofrer alguma dificuldade. Algo parecido com o que Eduardo Baptista viveu no começo deste ano. No Internacional, a história do atual treinador do Fluminense é a credencial maior, mas o ex-gremista é a opção pelo que pode apresentar.

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Só Sul-Americana mantém CEO e Caetano no Fla em crise, com Bandeira mais isolado e vice admitindo concorrer à presidência

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

A situação no Flamengo é insustentável, dentro e fora de campo. O time segue com desempenho irregular, desastroso quando sai de casa e a administração atual rui, com vice-presidentes e um diretor importantíssimo deixando o clube e outros ensaiando o adeus. Cenário que evidencia o crescente isolamento do presidente Eduardo Bandeira de Mello (comumente identificado como "EBM"). 

Enquanto isso o nome de seu vice geral, Maurico Gomes de Mattos, cresce para a eleição de 2018: "Estou preparado para ser porteiro do Flamengo como para ser presidente do Flamengo. Mas eu não sou candidato de mim mesmo, vai depender do que vai ocorrer", disse ao blog.

Depois do diretor financeiro Paulo Dutra, que recebeu nova proposta de trabalho e se demitiu, dois vice-presidentes renunciaram, Edmilson Varejão, que estava na Secretaria Geral, foi para os Estados Unidos estudar. Já Rafael Strauch alegou questões pessoais para deixar a VP de administração. Nos bastidores, outros vices falam em largar o barco, insatisfação que cresceu com a centralização do futebol nas mãos de Bandeira desde a saída de Flávio Godinho da pasta do futebol.

Integrantes da equipe que está no poder, a chapa azul que venceu a eleição em 2015, retomam conversas com os opositores/dissidentes, os "verdes" na disputa de dois anos atrás. Para completar, o vice-presidente geral reuniu integrantes de ambos os grupos no casamento de sua filha. A foto abaixo na festa promovida por Mattos é apenas um símbolo do que se passa nos bastidores.

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Caamento da filha do vice geral do Flamengo reuniu aliados e desafetos de Bandeira
Caamento da filha do vice geral do Flamengo reuniu aliados e desafetos de Bandeira

Lá estiveram Wallim Vasconcellos, ex-vice de futebol Bandeira em sua primeira gestão e candidato que para ele perdeu nas urnas há dois anos; Alexandre Wrobel, VP de patrimônio que já esteve à frente do futebol, hoje ocupada por Ricardo Lomba, também presente ao casório, como Cláudio Pracownik, vice de finanças; e Daniel Orlean, de marketing, entre outros. Também compareceram Rodolfo Landim e Rodrigo Tostes, nomes pesados do grupo "azul" que derrotou Patrícia Amorim em 2012 e virou "verde" três anos depois. Os dois foram peças fundamentais no início da reestruturação no clube.

A saída de Rafael Strauch representa imensa baixa para o presidente. Ele era a maior liderança do SóFla, grupo importante na sustentação política de Bandeira de Mello, e foi o principal articulador da campanha que o reelegeu em dezembro de 2015. Mas a principal baixa foi Paulo Dutra, funcionário remunerado (os vice-presidentes não trabalham por salários) visto internamente como “o verdadeiro CEO”, cargo ocupado por Fred Luz.

Embora sua função fosse de diretor financeiro, ele ia além, era a base administrativa do Flamengo. Fred, outro profissional contratado, virou um ponto de convergência, muitos "azuis" e "verdes" não o querem mais por lá e hoje apenas "EBM" o sustenta. Luz é profissional de perfil mais comercial, virou braço direito do presidente e passou a ficar direto no futebol, enquanto Dutra tocava a administração do clube. Por isso, na prática era visto como “o real CEO”.

Se Luz é questionado, o que dizer de Rodrigo Caetano (veja vídeo abaixo), diretor executivo de futebol? Uma eliminação na Copa Sul-americana deverá decretar a saída de ambos, assim como a do controverso coordenador de psicologia, Fernando Gonçalves. Bandeira detesta a ideia de mandar qualquer um dos três embora, mas se veria cercado, sem saída, desprovido de qualquer outra opção em caso de mais um fracasso futebolístico.

Situação parecida com a da demissão de Zé Ricardo. Ao final do primeiro turno do Brasileiro, com o Flamengo 18 pontos atrás do líder, Corinthians, Bandeira foi convencido por outros dirigentes, e pelos fatos, a dispensar o técnico. Ele somara seis pontos nos 21 disputados anteriormente, com pífio aproveitamento de 28% na reta final da primeira metade do certame. Em entrevista a Raphael Zarko, do site Globo Esporte, o presidente admitiu:  "Dependendo da maneira que a gente terminar o ano isso vai se refletir também no ano que vem" — clique aqui e leia.

No vídeo abaixo, publicado no Twitter pelo site Globo Esporte, as reações no camarote rubro-negro ao final do primeiro tempo de Palmeiras 2 x 0 Flamengo

O mesmo deverá acontecer se os rubro-negros não passarem pelo Júnior de Barranquilla na semifinal da Copa Sul-americana. E ficará pior se quatro dias depois do jogo na Colômbia o Flamengo terminar A Série A atrás de Botafogo e Vasco. O trio carioca luta por vagas na Libertadores. Os dois têm investimento somado que equivalente a 85% do despejado pelo Flamengo em seu departamento de futebol, segundo o site www.transfermarkt.com.

Caso Bandeira de Mello se veja nessa encruzilhada, precisará demitir seus fiéis escudeiros, ou perderá mais vice-presidentes, dos quais receberia mais pressões. Ao mesmo tempo, com eleição marcada para o final de 2018, ele precisa pensar no seu candidato à própria sucessão, o que será mais complexo se o time fechar este ano com mais fiascos. Há, até, o risco de EBM virar uma espécie de "cabo-eleitoral ao contrário", alguém cujo apoio político não interessaria a (quase) ninguém.

Já o VP geral do Flamengo cresce como possível nome capaz de reunir os grupos azul e verde de 2015. Uma espécie de coalizão. Sua candidatura é dada como quase certa. "Não posso falar de eleição um ano e dois meses antes. Vários aspectos devem ser pesados, não posso confirmar, e nem quero desconfirmar porque não sei o que vai acontecer no ano que vem", acrescentou Maurício Gomes de Mattos ao blog. Landim é outro possível nome, mas para tal seria preciso consenso. O atual vice geral dá sinais de que deseja a composição, mas há quem tema o risco de, no poder, centralizar decisões, como ocorreu com Bandeira de Mello.

Tal postura do atual mandatário gera desconforto entre outros dirigentes que, nas ruas, são cobrados por torcedores furiosos com o futebol em péssima fase. Eles dizem que as pessoas com eles reclamam de algo que não têm como mudar, pois o elenco está totalmente blindado por EBM, Luz e Caetano. Lomba, que assumiu a pasta do futebol há cinco semanas, ainda não tomou decisões fortes, há certa expectativa sobre quando e o que fará. Se é que poderá fazer algo.

Mas a grande pergunta é como e quando reagirá esse Flamengo de finanças em dia, mas com futebol em crise profunda e politicamente dividido. O risco é que demore muito tempo, mais tempo, pelo menos mais um ano, até as eleições agendadas para dezembro de 2018. No futebol, dinheiro não é tudo, nunca foi.

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