Barcelona, Real Madrid, Ronaldinho, Messi, reverência, audácia

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
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Messi exibe a camisa do Barcelona aos torcedores: gesto de audácia do craque argentino
Messi exibe a camisa do Barcelona aos torcedores: gesto de audácia do craque argentino

Reverência: Veneração por coisas consideradas sagradas; reveneração. Profundo respeito e atitude de humildade por alguém ou algo que apresenta qualidades e virtudes; grande veneração. Consideração demonstrada por alguém pelas boas qualidades que esta pessoa tem ou aparenta possuir. Respeito intenso.

Audácia: impulso que induz o indivíduo à realização de ações com grande dificuldade, arriscadas, sem considerar seus perigos. Denodo, intrepidez, ousadia. Aptidão ou tendência que leva a ações difíceis, não se importando com o risco. Ousadia, afoiteza, intrepidez, impavidez, desembaraço, denodo, coragem, atrevimento, arrojo.

Há 10 anos, Ronaldinho Gaúcho foi aplaudido de pé por todo Santiago Bernabéu após dar show contra o Real

Em 19 de novembro de 2005, Ronaldinho Gaúcho foi aplaudido de pé pela torcida do Real Madrid no Santiago Bernabéu. Uma atuação espetacular, com dois gols nos 3 a 0 impostos pelo Barcelona. A reação de respeito dos merengues entrou para a história do clássico e do futebol. Ali, "R10" fez romper a poderosa barreira da rivalidade.

Naquele sábado, à última hora, o técnico Frank Rijkaard escalou Leo Messi ao perder o francês Ludovic Giuly, o que modificou o esquema azulgrana. Número 30 às costas, o argentino de 18 anos fez a jogada do primeiro gol, de Eto'o, e permaneceu na cancha por 69 minutos, até ser substituído por Andrés Iniesta, à época com 21 de idade. Estava 2 a 0.

Após 'exibir' sua camisa para torcida do Real, Lionel Messi foi advertido com amarelo

Quase 12 anos depois, ele mais uma vez no gramado rival vestido com o fardamento do Barcelona. Dois gols, o último dele nos incríveis 3 a 2, no lance derradeiro do cotejo, o tento número 500 de Lionel Andrés Messi pelo clube catalão. Seguido do ousado gesto que será eternizado, a camisa 10 exibida em triunfo à plateia de Madri. Quanta audácia.

Ao redor do gênio do futebol, xingamentos de madridistas furiosos, euforia dos raros barcelonistas presentes e selfies dos inúmeros turistas. É, a atmosfera do Santiago Bernabéu, como no Camp Nou, passa longe do que poderíamos definir como "raiz". Mas isso não irá tirar o impacto da imagem marcante, abusada, firme, desafiadora. 

Se Cristiano Ronaldo costuma celebrar gols dizendo "Eu estou aqui", foi como se Messi respondesse "eu também". À audácia do genial barcelonista, nossa reverência.

Assista aos gols da vitória do Barcelona sobre o Real Madrid por 3 a 2!

Problema impede Tite de aceitar convite de Conte para conversar sobre futebol e David Luiz

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
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Telão em Wembley anuncia David Luiz como o melhor em campo contra o Tottenham
Telão em Wembley anuncia David Luiz como o melhor em campo contra o Tottenham

No dia do 30º aniversário, David Luiz foi eleito o melhor em campo na partida na vitória do Chelsea (4 a 2) sobre o Tottenham pela semifinal da FA Cup, a Copa da Inglaterra. Como o blog informou há 11 dias, ele seria observado, in loco, por Tite na terça-feira, em Stamford Bridge, na partida diante do Southampton, pela Premier League. 

No entanto, o técnico da seleção brasileira informou ao blog que um problema familiar o impede de viajar nesta semana. O preparador físico da Fabio Masseredjan e o auxiliar técnico Sylvinho irão ao jogo e estarão em contato com o Chelsea. O assistente de Tite chegou antes a Londres e esteve em Wembley acompanhando a partida deste sábado

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Michael Emenalo, diretor técnico do Chelsea
Ex-jogador, o nigeriano Emenalo é diretor técnico do Chelsea

Na sexta-feira foi confirmada pelo clube inglês a entrega de ingressos para Tite e seu assistente. Antes ou após o cotejo, o técnico da seleção brasileira teria uma reunião na qual receberia um relatório sobre David Luiz. Antonio Conte convidou Tite para conhecer o Centro de Treinamento de Cobham, a 35 quilômetros de Londres, e passar um dia com ele falando sobre futebol, naturalmente. Durante a conversa com o italiano, seria apresentado ao brasileiro um relatório sobre David Luiz, elaborado pelo nigeriano Michael Emenalo, ex-jogador que hoje é diretor técnico do Chelsea.

E claro, eles conversariam sobre o zagueiro. Com a impossibilidade de Tite ir à Inglaterra, Sylvinho e Masseredjan deverão receber o documento. O relatório especialmente preparado contém detalhes sobre a condição física, disciplina e repertório tático, liderança e inteligência emocional do camisa 30 dos Blues.

Com a vaga brasileira na Copa do Mundo de 2018 matematicamente assegurada, provavelmente David Luiz será lembrado cedo ou tarde. E o Chelsea parece claramente empenhado nisso. Também fica evidente a rápida mudança de patamar de Tite no exterior quando o técnico de maior sucesso na Premier League o convida para um papo.

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O técnico Antonio Conte, do Chelsea, coversará com Tite
O técnico italiano Antonio Conte, do Chelsea, líder da Premier League, fez convite a Tite

Entrevista: Fla admite jogos fora do Rio, mas não sabe quantos, e 'explica' polêmica do Maracanã

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

O Flamengo festeja ter alcançado receita anual superior à dívida em 2016 — R$ 510 milhões contra R$ 390 milhões. De fato o clube vive momento no qual não faltam acontecimentos, possibilidades, perspectivas e também dúvidas, muitas dúvidas. Em meio a tudo isso, há algumas contradições também.

O clube concordava com a venda da concessão do Maracanã, desde que o então parceiro, GL Events/CSM, fosse o comprador. Com a desistência de tal consórcio, passou a defender apenas uma nova licitação, mas o governo do Estado do Rio de Janeiro reluta.

Ou relutava. Segundo o site de Veja, o governador Luiz Fernando Pezão "está decidido a abrir uma nova licitação para escolher o futuro gestor do Maracanã". Ele teria ouvido a Procuradoria-geral do Estado e tomado a decisão — clique aqui e leia.

Voltar à estaca zero faria todo sentido e, na opinião do blog, seria o correto em meio ao lamaçal que envolve o New Maracanan. O jornalista Rodrigo Mattos resume bem a situação no texto "É inaceitável que Odebrecht possa vender Maracanã após delações"

Contudo, o Flamengo seria coerente se desde o início só tolerasse o cancelamento do que foi feito no governo Sérgio Cabral, e uma nova licitação. Na prática aceitava a venda da concessão apenas se fosse feita ao seu parceiro, GL, que ergueu estruturas olímpicas

O time de futebol, o elenco, as contratações, dois vice-presidentes eleitos e afastados de pastas importantes por problemas particulares que ocuparam as páginas do noticiário, estádio da Ilha do Governador, jejum de conquistas, contrato de Vinícius Júnior...

Todos esses temas fazem parte das perguntas enviadas à assessoria de imprensa do Flamengo, direcionadas ao presidente Eduardo Bandeira de Mello e ao diretor-geral, Fred Luz. As respostas vieram em nome do "Departamento de Comunicação".

Mas as questões foram respondidas em parte. Infelizmente o clube preferiu não esclarecer pontos que  interessam ao torcedor, seja associado, ou não. Nas próximas linhas, dúvidas permanecerão no ar quando você ler frases como "Entendemos que já respondemos sobre isso". O Flamengo alega confidencialidade, estratégia... Direito dele, é claro. Nosso dever é perguntar. Confira!

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Diego comemora gol na vitória sobre o Atlético-PR com torcida do Flamengo
Diego comemora gol na vitória sobre o Atlético Paranaense com torcida do Flamengo

Com a saída do ex-vice de futebol, Flávio Godinho, a pasta passou a ser acumulada pelo presidente. Quem está tomando as decisões do futebol (contratações, renovações, etc), além do diretor executivo, Rodrigo Caetano, e de Eduardo Bandeira de Mello? Seria o CEO, Fred Luz?

Mauro, seguindo o modelo de gestão profissional do Flamengo, no Departamento de Futebol as decisões são tomadas pelo diretor-executivo Rodrigo Caetano e avaliadas e respaldas pelo diretor-geral Fred Luz e pelo presidente Eduardo Bandeira de Mello. No caso de contratações e renovações, também são levados em consideração os pareceres dos profissionais das áreas financeira e jurídica.

O Flamengo não terá um novo vice de futebol?

Essa é uma situação que ainda está sendo avaliada pelo Conselho Diretor do clube. Mas não há pressa para uma tomada de decisão.

Godinho foi quem insistiu na contratação de Diego, havia resistência de outros dirigentes. O ex-vice está fazendo falta, ou alguém com uma postura mais arrojada, entre os chamados dirigentes "amadores", no momento de buscar jogadores especiais, como o próprio Diego?

Sobre a contratação de Diego, entendemos que a afirmativa não procede. O Departamento de Flamengo é gerido por profissionais experientes, que tomam decisões seguras, auxiliados por projeções feitas por nosso Centro de Inteligência em Mercado. Além disso, é importante ressaltar que todas as contratações de jogadores seguem rigorosamente o que está previsto no orçamento.

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Eduardo Bandeira de Mello em entrevista coletiva no Flamengo
O presidente Eduardo Bandeira de Mello, em seu segundo madato, durante entrevista coletiva

Então está errada a percepção de que foi Godinho quem, desde o início, insistiu e brigou pela contratação do Diego? Não me refiro à análise técnica, mas à tentativa de viabilizar o negócio, pelo lado financeiro especialmente.

Entendemos que já respondemos sobre o Flávio Godinho.

Dentro desse tema, o que faltou para o Flamengo contratar Éverton Ribeiro?

Mauro, o Flamengo tem por estratégia não comentar negociações envolvendo seus atletas ou jogadores atuando em outros clubes.

Uma pergunta que muitos torcedores fazem diariamente: o dinheiro das vendas de Jorge (ao Monaco) e dos direitos de TV do campeonato estadual não poderiam ser utilizados em reforços para o time?

Todos os recursos do clube são aplicados religiosamente conforme o que está previsto no orçamento e de acordo com as orientações estratégicas do Conselho Diretor. O importante é que o torcedor saiba que o Flamengo está sempre preocupado em reforçar seu time de futebol, em investir no futebol de base, nos esportes olímpicos e em infraestrutura para conquistar cada vez mais títulos em todas as modalidades e atender bem seus torcedores e associados. Sempre com responsabilidade e dentro das nossas possibilidades. O Flamengo não faz loucuras.

Qual a avaliação das atuações do time? Dentro do esperado? Acima? Abaixo?

Mesmo acumulando a vice-presidência da pasta, o presidente não faz comentários públicos sobre questões específicas do Departamento de Futebol. De toda forma, os números do Flamengo em 2017 dizem bastante: em 19 jogos oficiais na temporada conquistamos 12 vitórias, tivemos seis empates e sofremos uma derrota. Estamos nas finais do Campeonato Carioca e lideramos nosso grupo na Libertadores.

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Márcio Araújo marca o gol do título carioca de 2014 contra o Vasco: última taça do Flamengo
Márcio Araújo marca o gol do título carioca de 2014 contra o Vasco: última taça do Flamengo

Mas o Flamengo completou três anos de sua última conquista oficial, o título carioca de 2014. É o maior jejum do clube nos últimos 20 anos. Nem a desvalorizada Taça Rio, que o Vasco acaba de erguer, os rubro-negros conquistaram no período. A última vez em que o clube passou por um período de seca ainda maior aconteceu entre a conquista do Brasileiro de 1992 e o Carioca de 1996 — clique aqui e leia mais. Será um fracasso, após os investimentos realizados, terminar 2017 sem um troféu sequer?

É extremamente precipitado falar sobre jejum em 2017 ainda que o ano só tenha quatro meses e meio completos. Quando o ano terminar, avaliaremos o desempenho. Até aqui, entendemos que estamos realizando uma boa temporada.

Quais foram as ótimas atuações do time do Flamengo em 2017?

Vale a mesma resposta da pergunta anterior

O que faz exatamente Mozer no futebol do clube?

Mozer faz parte da comissão técnica da equipe profissional e, com sua vivência como ex-jogador e auxiliar-técnico, além do amplo conhecimento sobre o clube, é extremamente útil para o Departamento de Futebol. É muito próximo dos atletas, que o admiram e respeitam suas orientações.

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Fred Luz, diretor geral do Flamengo, na Gávea
Fred Luz, diretor geral do Flamengo, em entrevista realizada na Gávea

Se a Lagardère conseguir comprar da Odebrecht a concessão do Maracanã o clube não jogará mais lá, segundo recente nota oficial. A posição será a mesma caso eles vençam essa disputa e aceitem que o Flamengo assuma a operação do estádio, como ocorre nos acordos atuais com o consórcio, sem participação da BWA?

Sim, será a mesma. Aproveitando a pergunta, é preciso dizer que o Flamengo sempre deixou claro que considera uma nova licitação a melhor solução para a questão do Maracanã. Nossa posição não mudou O contribuinte brasileiro merece que essa seja a solução. É a mais honesta. Porém, caso a decisão do Governo do Estado do Rio seja pelo repasse da concessão, o Flamengo se reserva o direito de fazer negócios somente com empresas em que confia. E este não é o caso da Lagardère e seus parceiros. O Flamengo não acredita que a BWA tenha deixado de ser parceira da Lagardère e não considera que a Lagardère atue de acordo com os princípios e valores praticados pelo Flamengo.

O Maracanã envolve um imbróglio imenso, que tem como personagens Odebrecht, governo do Estado, Lagardère... E existe, ainda, o contrato com o Fluminense, com mais de 30 anos pela frente. Não seria mais interessante para o Flamengo partir para seu estádio próprio? Qual a prioridade, hoje?

A gestão do Maracanã e a construção de um estádio próprio estão sendo consideradas neste momento e no nosso ponto de vista não são mutuamente exclusivas.

Quais os planos reais para o futuro do Flamengo no que se refere a estádio? Niterói, Gávea, o que há de factível?

No momento, o Flamengo está avaliando todas as possibilidades citadas, além de outras.

O Flamengo não admite sequer dialogar com a Lagardère, caso a empresa francesa assuma o controle do Maracanã. Quais as razões que sustentam essa decisão? É possível explicar isso claramente para que os torcedores e associados compreendam postura tão irredutível?

Nossos princípios e valores são amplamente conhecidos, mas nunca é demais lembrar que o Flamengo preza, entre outros aspectos, pela transparência em sua gestão e pela honestidade e correção no trato com seus parceiros. Entendemos que a Lagardère não foi correta com o Flamengo nas vezes em que discutimos questões relacionadas ao Maracanã.

Por que o Flamengo não torna de conhecimento de seu torcedor suas discordâncias com tal empresa? No que ela não foi correta? Onde feriu "princípios" do clube? Seria importante explicar ao rubro-negro em geral, seja sócio, sócio torcedor ou pura e simplesmente rubro-negro.

Mauro, há um bom exemplo para justificar nossa falta de confiança na Lagardère. A empresa vem afirmando há algum tempo que a BWA não fazia mais parte do consórcio interessado no Maracanã. Está provado que não é verdade — na resposta, foi indicado este link, no qual Luz diz ter recebido ligação de Bruno Balsimelli, da BWA, buscando uma aproximação em nome da Lagardère. Na mesma nota, a empresa sediada em Paris nega que tenha dado tal autorização.

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O estádio da Ilha: 20.500 lugares, com gratuidades e afinas, serão cerca de 17 mil ingressos à venda
Estádio da Ilha: 20.500 lugares, com gratuidades e afins, serão cerca de 17 mil ingressos à venda

Sem o Maracanã, no Rio o Flamengo mandará jogos somente na Ilha do Governador, inviável em partidas de Copa Libertadores nas fases mais avançadas, caso as alcance. Além disso, o estádio não será capaz de trazer receitas compatíveis com o potencial de jogos da Série A se o time estiver novamente disputando o título, exceto se os preços dos ingressos forem "europeus", e sem garantia de que sejam todos vendidos em tal cenário. Neste caso, o que farão quando surgirem partidas nas quais for imperativo um estádio com mais de 40 mil lugares?

Ainda temos a expectativa de que haja uma nova licitação para o Maracanã e que poderemos jogar lá caso avancemos na Libertadores. Caso o estádio seja entregue a Lagardère, jogaremos fora do Rio e temos certeza de que o torcedor nos apoiará como fez no ano passado. Neste cenário, vamos sempre levar em consideração questões técnicas, logísticas e comerciais para a definição dos locais em que atuaremos.

Se não jogar no Maracanã, o Flamengo só poderá atuar para públicos acima de 20 mil pessoas em Brasília, por exemplo. O regulamento do Campeonato Brasileiro de 2017 proíbe mandar jogos fora do Estado onde cada clube está sediado. Caso a CBF volte atrás e os rubro-negros façam tal opção, a equipe voltaria a conviver com o prejuízo técnico causado por viagens, como em 2016. A direção está disposta a colocar o elenco novamente sob tais condições, mesmo com o risco de queda em seu rendimento, para manter a decisão de sequer dialogar com a Lagardère?

O fato de hoje contarmos com o estádio da Ilha muda o cenário e entendemos que a comparação com 2016 não faz sentido. E se a CBF voltar atrás na decisão sobre a venda de mando de campo, vamos avaliar os aspectos citados na resposta anterior para decidir se vamos ou não atuar fora da Ilha do Governador.

Em 2016 o Flamengo fez 33 dos seus 38 jogos na Série A fora da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Isso teve indiscutível impacto técnico no desempenho. Ainda assim o time brigou pelo título em ótima campanha. Evidentemente com a Ilha o time não viajará tanto. Observando o aspecto técnico, quantos jogos com mando do Flamengo o clube admite realizar fora do Estado, dos 19 com mando que terá no Campeonato Brasileiro de 2017?

Ainda é preciso ter certeza sobre a possibilidade de venda de mando campo no Campeonato Brasileiro para responder. De acordo com algumas informações que circularam recentemente na imprensa, a CBF poderia voltar atrás em relação à proibição.

Em nota, o Flamengo justificou sua postura alegando que "não fará nenhum tipo de negociação com a Lagardère e seus parceiros comerciais. Nossa experiência com eles evidencia uma total incompatibilidade com os princípios e valores do Flamengo". Poderia detalhar que valores seriam esses que o clube preserva e a Lagardère não?

Já respondido em pergunta anterior

A Odebrecht está envolvida em problemas que inundam o noticiário, é a atual gestora do Maracanã e com ela o Flamengo já fez vários acordos, inclusive para recuperar o estádio antes de enfrentar o San Lorenzo. Qual a diferença em negociar com a Lagardère e com a Odebrecht?

É importante dizer que o Consórcio Maracanã S.A nunca mentiu para o Flamengo e sempre manteve uma postura ética nas negociações conosco. O mesmo vale para as instâncias governamentais com as quais temos tido contato para discutir a questão do Maracanã e de outros assuntos relativos ao Flamengo.

Mas o fato de o consórcio nunca ter mentido para o Flamengo não é menor num contexto em que a empresa que o encabeça, a Odebrecht, está envolvida justamente nos escândalos que fazem com que o Flamengo defenda veementemente uma nova licitação? Não é contraditório?

Entendemos que já respondemos sobre esse assunto.

Na partida com o San Lorenzo os torcedores deixaram renda bruta de R$ 3.688.482,50, o Flamengo ficou com 20,35%, ou seja, R$ 750.660,16. No "mundo ideal" qual seria o percentual factível que o clube gostaria de ter em situações assim, considerando que 10% ficam com a Federação de Futebol do Rio de Janeiro, há aluguel de estádio, impostos e despesas? Seriam 60%? 70%? 80%?

É difícil estimar o "mundo ideal" porque o resultado financeiro após um jogo depende de algumas variáveis e pode ser diferente de acordo com o estádio. Por exemplo: se for cobrado um aluguel líquido na locação do estádio, se o consórcio em questão fornecer serviços... Números do Maracanã, do Engenhão, ou do Estádio Mané Garrincha, por exemplo, podem ser bastante diferentes.

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Flamengo x Grêmio em 2015: 44% da renda, em 2017 31% sem o consórcio
Flamengo x Grêmio em 2015: 44% da renda, em 2017 31%

Diante do Grêmio, em 2015, peleja de estreia do Guerrero no Rio de Janeiro, o consórcio mordeu gorda fatia da renda, e o Flamengo levou 44,2% do bruto. Dirigentes, com motivos, à época reclamavam muito das taxas do Consórcio Maracanã. Pela Libertadores, diante do Atlético Paranaense, alugando o estádio junto à Odebrecht e fazendo a operação do jogo, o Flamengo ficou com 31,87% da renda bruta. Isso dá R$ 1,060 milhão dos quase R$ 3,4 milhões que a torcida deixou nas bilheterias. Como os senhores definem essa quota? Boa? Ótima? Péssima? Satisfatória?

Mauro, não abrimos os números/percentuais porque consideramos que essas são informações estratégicas. Porém, entendemos que o modelo sem intermediários é o ideal. Com ele, podemos conseguir um percentual adequado e mais justo.

Se a Lagardère controlar o Maracanã e aceitar que o Flamengo fique com um percentual desejado, porque o clube que, repito, negocia com a Odebrecht, ainda assim insistiria em sequer conversar com a empresa francesa?

Já respondemos a essa questão. O que nos tem causado mais estranheza é que parte da imprensa parece fazer lobby por uma empresa que também está nas manchetes policiais de vários jornais. Entendemos, assim como a maior parte da opinião pública, autoridades idôneas, especialistas no tema e a sociedade civil que o ideal e o mais correto é uma nova licitação.

Mas a Odebrecht está nas páginas policiais e o Flamengo com ela negocia. E fica com uma participação inferior a um terço da renda do Maracanã, quota pior do que a dos tempos do consórcio em funcionamento. É legítimo o clube defender nova licitação. Sim, talvez exista parte da imprensa parecendo fazer lobby pela empresa francesa. Mas o ponto aqui é outro: caso tal companhia compre a concessão, uma possibilidade real, o que impede o clube de colocar sobre a mesa uma pedida que seja economicamente satisfatória para mandar alguns jogos no Maracanã, saindo da Ilha quando lhe convier? Os interesses técnicos e até financeiros, não são fortes o bastante para tal?

Entendemos que já respondemos sobre isso.

Quanto o Flamengo investiu no estádio da Ilha do Governador? Essa quantia será recuperada? Como e quando?

Temos um contrato de três anos, renováveis por mais três com a Portuguesa da Ilha. Estão sendo investidos cerca de R$ 15 milhões no local e a importância estratégica do estádio é óbvia, considerando as incertezas relacionadas à situação do Maracanã. Como em todo projeto que desenvolve, o Flamengo faz projeções para recuperar os valores investidos, mas não revela sua estratégia.

Estádios têm custos de manutenção variáveis. Reconstruído para a Copa do Mundo, seguindo exigências da Fifa, o do Maracanã é dos mais altos, estimado em R$ 30 milhões a R$ 40 milhões por ano, ou R$ 2,5 milhões a R$ 3,3 milhões mensais. Como bancar essa despesa e ainda obter lucro? Detalhe: dos 12 meses do ano há pelo menos dois sem chances de jogos que o lotem, entre as férias e a pré-temporada dos atletas.

A viabilidade econômica do Maracanã passa antes de mais nada num redesenho do modelo e condições financeiras da concessão dada a mudança do escopo inicial que considerava a exploração de uma área muito maior do que apenas o Maracanã e Maracanãzinho. Tal redesenho completo só seria possível com uma nova licitação em novas bases. Com condições adequadas de compromissos financeiros e de investimentos com o poder concedente será fundamental uma programação de jogos de grande apelo, preservando o estádio de partidas deficitárias, e com isso possibilitando a geração de valor com patrocínios, receitas de A&B e camarotes em função do futebol.
O Flamengo, por números históricos, é indiscutivelmente o maior propulsor em potencial da geração destas receitas, sem o Flamengo e sua torcida o Maracanã é inviável financeiramente. Em paralelo, mas de forma complementar, é importante o desenvolvimento de outros centros de resultado além do futebol como eventos, shows, tour e outras atividades. A equação financeira do Maracanã é de fato muito apertada, não cabendo a figura do intermediário como no desenho licitatório atual.

Estádios de futebol só se transformam em negócios lucrativos, ou que não dão prejuízo, se muito bem geridos. O Flamengo pensa em erguer um. Contudo, além de exigir capacidade específica para uma boa gestão dessa possível "arena", a obra levaria anos, e devoraria boa parte das receitas, colocando em risco a possibilidade de formação de boas equipes de futebol. Como o clube pretende sair dessa situação, considerando que a Lagardère ainda pode receber as chaves do Maracanã, comprando a concessão da Odebrecht ou vencendo uma nova concorrência?

O Flamengo saberá administrar essa situação com a mesma competência e transparência com que vem gerindo o clube. E não acreditamos que o Maracanã será entregue a Lagardère.

É verdade que o Flamengo vai lançar em seu balanço de 2016 como receita a verba de televisão que corresponde aos anos seguintes? Seriam R$ 70 milhões recebidos em 2016, além de R$ 50 milhões a receber entre 2020 e 2021. Se a resposta for sim, por quê? Seria correto do ponto de vista contábil?

Sim, Mauro. Esta foi a alternativa recomendada pelos auditores independentes que analisam o balanço do Flamengo e também pela Apfut (Nota do blog: sigla para Autoridade Pública de Governança do Futebol).

O futebol do Flamengo ainda mantém outras modalidades, as ditas olímpicas?

Mauro, se sua pergunta está relacionada ao futebol feminino, sim. O time feminino do Flamengo é o resultado de uma parceria com a Marinha do Brasil que vem alcançando resultados satisfatórios.

Refiro-me a outras modalidades, basquete, vôlei, remo... Elas são mantidas com dinheiro oriundo do futebol, como no passado, ou isso mudou?

As modalidades olímpicas do Flamengo se tornaram autossuficientes em 2015 e essa política permanece, com a busca constante pela renovação dos patrocínios atuais.

MARCELLO FIM/FramePhoto/Gazeta Press
Vinicius Junior Comemora Gol Flamengo Cruzeiro Copa SP Copinha 15/01/2017
Vinicius Junior comemora gol contra o Cruzeiro na Copa São Paulo de Juniores 

O que falta para Vinícius Júnior renovar contrato? Os senhores garantem que ele jogara profissionalmente pelo Flamengo?

O Flamengo tem por estratégia não comentar questões relacionadas ao contrato de Vinícius Júnior ou ao de qualquer outro atleta. Mas vale ressaltar que o clube está cuidando do assunto com a atenção que ele merece. Nossos jovens talentos hoje estão integrados no projeto "Pratas do Ninho", que possui metodologia de trabalho interdisciplinar, em que são trabalhados aspectos físico, psicológicos e nutricionais, visando minimizar o impacto da chegada dos atletas ao futebol profissional. O que o Flamengo quer com isso é desenvolver e reter ao máximo seus talentos.

 

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Bandeira de Mello com Godinho (centro) e Plínio
Bandeira de Mello com Flávio Godinho (centro) e Plínio Serpa Pinto

O Flamengo teve seu ex-vice-presidente de futebol, Flávio Godinho, detido em janeiro na "Operação Eficiência", parte da "Lava Jato". Em abril o jornal Valor Econômico publicou que o "vice-presidente de gabinete da presidência do Flamengo, Plinio Serpa Pinto, teria recebido pagamento de valores 'sem qualquer registro contábil' da Odebrecht". Evidentemente toda pessoa acusada de algo tem o direito a provar que é inocente. Sabemos que o resultado dessas investigações não tem relação com o clube, mas são pessoas que em algum momento ocuparam postos relevantes na atual gestão. Não acham desconfortável para o Flamengo, contraditório talvez, vermos tal noticiário e ler em meio a isso tudo uma nota oficial do clube sobre "princípios e valores do Flamengo"? Esses dirigentes se encaixam em tais princípios e valores?

Mauro, a pergunta já traz boa parte da resposta. Eles tiveram problemas antes e fora da atual gestão e têm direito à defesa. Quanto a uma possível contradição sobre os princípios e valores do clube, consideramos essa uma insinuação maldosa...

Tanto Flavio Godinho como Plinio Serpa Pinto foram eleitos na atual gestão para importantes postos como vice-presidentes, respectivamente de futebol e do gabinete da presidência. Como assim "insinuação maldosa"? Trata-se de uma pergunta, afinal, foi o Flamengo que emitiu nota falando em "princípios e valores". Cabe ao jornalista perguntar, o clube prefere mesmo não responder?

Entendemos que já respondemos sobre esse assunto quando da primeira pergunta.

O português Nelio Lucas é CEO do grupo Doyen, que colocou no Flamengo Marcelo Cirino e no Santos Leandro Damião, hoje emprestado justamente ao clube rubro-negro. No início do ano ele surgiu como o homem que trouxe a Carabao ao Brasil, anunciada nova patrocinadora do clube. Os negócios se cruzam ou são independentes? Em Portugal, por sinal, há um imbróglio envolvendo a Doyen e o Sporting de Lisboa (clique e leia aqui e aqui). Como os senhores veem Nélio Lucas/Doyen, parceiros? Aliados?

Mauro, não vamos comentar sobre um parceiro comercial.

Mauro cita contradição do Flamengo no caso Maracanã: 'Prioridade deve ser o time de futebol'

Especialista explica risco de 'Profut 2' e diz que clubes pagam mais impostos do que empresas

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Em entrevista ao canal Sportv, o diretor jurídico do Atlético, Lásaro Candido da Cunha, um especialista em Direito Previdenciário, disse sobre o Profut (Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro): "Teste mesmo de fogo vai ser exatamente quando os escudos se encerrarem, porque nós temos 24 meses em que os clubes pagam uma parcela de 50% do que pagariam. Quando chegar esse reajuste, digamos, que vai passar depois de dois anos, o desconto reduz para 25%, e depois de mais um ano reduz para 10%. Então quando chegar a, digamos, a parcela cheia do Profut, acho que talvez a maioria dos clubes não vão sustentar esse pagamento, então nós vamos falar provavelmente num Profut 2".

Clique aqui e veja o vídeo com a matéria do Sportv

Não há como ignorar tal declaração, afinal, um Profut 2 seria "uma renegociação de dívida que sequer começou a ser paga", como resumiu na mesma matéria a diretora do Departamento de Dívida Ativa da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), Anelize Almeida. O blog enviou perguntas a Lásaro Candido da Cunha, doutor em direito constitucional pela UFMG, professor de direito previdenciário da PUC Minas e advogado. Desde 2009 ele participa como dirigente do Galo, e assumiu a diretoria jurídica em 2011. É autor dos livros "Reforma da Previdência Social" e "Precatório: execução contra a fazenda pública", além de vários artigos publicados em revistas e jornais.

Na entrevista ao Sportv o senhor fez uma análise e projetou a possibilidade de um Profut 2. De 0 a 10, em sua opinião, qual a chance de clubes brasileiros que aderiram ao programa solicitarem uma segunda versão do mesmo?

Lásaro Candido da Cunha - Obviamente falei como estudioso do assunto, sendo que houve a reprodução de apenas um trecho. A exemplo dos vários "Refis" praticados no Brasil nos últimos anos em todos os setores da vida nacional, há sério risco de nos próximos anos ocorrer nova discussão sobre o refinanciamento das dívidas dos clubes, especialmente dos clubes menores. Vejo grande dificuldade para que centenas de clubes menores espalhados pelo Brasil darem conta do pagamento das parcelas do Profut, considerando ser elevada a tributação que incide sobre o futebol.

Baseado em que alega que a maioria dos clubes não conseguirá cumprir com as parcelas quando elas forem cobradas na sua plenitude? O senhor sabe quanto representa o impacto desse pagamento para cada clube individualmente? Sabe se os outros clubes não vêm fazendo um esforço no sentido de reduzir os seus custos já prevendo uma parcela maior nos próximos anos?
Lásaro - Segundo informações divulgadas pelas entidades desportivas (pela imprensa), algumas dezenas de clubes não têm sequer certidões negativas dos órgãos públicos, o que os impediria à participação nas competições oficiais do futebol.

Reprodução TV
Lásaro Candido da Cunha durante a entrevista
Lásaro Candido da Cunha durante a entrevista dada do Sportv

Seriam clubes pequenos, grandes ou de todos os portes esses futuros defensores de um segundo Profut?
Lásaro - Principalmente os clubes médios e menores, considerando especialmente que disputam competições sem a regularidade dos grandes.

 

O que o senhor, como especialista, acha de tal possibilidade?
Faltou qualidade do debate na discussão do Profut, especialmente numa discussão séria quanto à necessidade de revisão do sistema tributário e previdenciário que onera exageradamente os clubes. Por exemplo, a título de contribuição previdenciária os clubes pagam 5% sobre o todo faturamento, muito superior a outros segmentos econômicos. O Atlético propôs uma discussão sobre essas e outras questões, mas o Governo Federal na época e a maioria dos próprios clubes não deram importância ao debate.

No momento da adesão já se sabiam quais eram as contrapartidas mínimas exigidas para que um clube obtivesse a vantagem do reparcelamento. Elas são muito claras na lei. O Atlético aderiu. Vai conseguir cumprir com as obrigações? Em suma: o senhor assegura, garante que o Clube Atlético Mineiro respeitará totalmente as regras do Profut, ao qual aderiu?
Os grandes clubes aderiam ao Profut e cumprem todas as regras. O Atlético, por exemplo, fez alteração no seu estatuto para adequação exigida pelo Profut e cumpre todos os requisitos para adesão e da sua manutenção. Além disso, o Atlético tem em torno de R$ 60 milhões bloqueados pela Justiça Federal, parte desse montante da época da venda do Bernard; os quais serão utilizados para abatimento das parcelas mensais do Profut, previstos no artigo 9º da Lei 13.155/15. Veja a seguir o teor do artigo 9º da citada lei.
Art. 9o O requerimento de parcelamento deverá ser apresentado até o último dia útil do terceiro mês subsequente ao da publicação desta Lei.
§ 1o O deferimento do parcelamento não autoriza o levantamento de garantias eventualmente existentes, as quais somente poderão ser liberadas após a quitação do parcelamento ao qual o débito garantido esteja vinculado, exceto a penhora de dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira, o qual poderá, a requerimento da entidade desportiva, ser utilizado para quitação automática do saldo da dívida ou de parcelas vincendas de que trata o caput do art. 7o desta Lei.
Ou seja, no caso do Atlético, utilizando esses R$ 60 milhões para abatimento nas parcelas do Profut, o clube vai antecipar os pagamentos para os próximos seis anos. Não são todos os clubes que têm essa situação especial, com o pagamento antecipado do Profut.

As recentes contratações feitas pelo Atlético, algumas delas de jogadores consagrados e que representam um esforço financeiro importante para o clube, poderão impor dificuldades no pagamento de parcelas do Profut?
O planejamento financeiro do clube não é de minha alçada, mas posso afirmar que não há comprometimento das obrigações assumidas como contrapartida para o Profut.

O que deve ser prioritário para um clube de futebol, contratar jogadores caros, mantendo times competitivos e satisfazendo o torcedor, ou pagar o Profut, em que pese a insatisfação temporária da torcida com elencos mais fracos por alguns anos?
Não há mais espaço para dívida fiscal sem equacionamento (parcelamento). Mantida a atuação legislação, e acho que será mantida, somente os clubes regulares na legislação tributária e previdenciária, terão "vida" desportiva.

Pagar o Profut deve ser prioridade de todos que a ele aderiram?
Não é possível, na legislação atual, deixar de pagar os tributos e as parcelas eventualmente parcelas pela legislação (Profut).

Há quem considere um possível Profut 2 um tapa na cara do clube que pagar corretamente o Profut. O que o senhor pensa a respeito?
Depende. Se viesse uma legislação que aperfeiçoasse especialmente o altíssimo ônus tributário incidente sobre clubes, estabelecendo como contrapartida o ingresso social para incremento do público nas grandes arenas, por exemplo, acho muito saudável.

O senhor acha a ideia de um Profut 2 tolerável?
Não especificamente em relação ao refinanciamento, mas em outros pontos, conforme já respondi no item anterior.

Com o Atlético pagando religiosamente o Profut e outros clubes não, o clube se posicionaria contra um Profut 2?
Essa dicotomia não pode ser tolerada.

Qual o valor das parcelas do Atlético no Profut em 2017?
Não tenho o valor exato atual, mas algo em torno R$ 600 mil. Obviamente que há ainda os tributos regulares correntes e que todos os clubes têm que cumprir.

Quando as parcelas sobem de valor? Para quanto?
Os prazos para aumento das parcelas estão estabelecidos no artigo 7º, parágrafo 6º da Lei do Profut.
"§ 6o A entidade desportiva profissional de futebol poderá reduzir:
I - em 50% (cinquenta por cento), o valor da 1a (primeira) a 24a (vigésima quarta) prestações mensais;
II - em 25% (vinte e cinco por cento), o valor da 25a (vigésima quinta) a 48a (quadragésima oitava) prestações mensais; e
III - em 10% (dez por cento), o valor da 49a (quadragésima nona) a 60a (sexagésima) prestações mensais.".
Ou seja, agora em agosto de 2017 vence o prazo de dois anos para o desconto de 50%, para quem aderiu em agosto. Depois, mais dois anos com desconto de 25% e o último ano da regra especial, haverá desconto de apenas 10%. Após cinco anos, aí surge o pagamento da parcela "cheia" do Profut.

O Atlético faz alguma reserva/provisão para este fim?
O Atlético tem orçamento para o pagamento, além de contar com R$ 60 milhões que serão incluídos no abatimento das parcelas mensais.

O descumprimento do Profut acarretaria a perda do patrocínio da Caixa Econômica Federal? Em que condições?
Sim. Para receber qualquer pagamento do patrocínio da Caixa os clubes precisam ter todas as certidões negativas (de regularidade fiscal). O Atlético as tem, todas.

O senhor destaca que os clubes pagam 5% sobre o faturamento apenas para a previdência, e que milhares empresas pagam menos. Poderia explicar mais detalhadamente sua tese a respeito?
Isto é uma excrescência do sistema tributário que onera os clubes injustamente. Veja no site artigo que escrevi sobre o assunto — clique aqui para ler. Tenho outros escritos na Folha de S. Paulo e outros veículos, como o site conjur.com.br, sobre outros temas jurídicos do futebol.

Dentro das imensas dívidas públicas dos clubes há pontos que as agremiações e poderiam/deveriam questionar?
Parcela importante das dívidas dos clubes poderia ser objeto de questionamento judicial. Por exemplo, em determinado momento no Brasil as dívidas previdenciárias eram tidas como prescritíveis por 10 ou 30 anos. O Supremo Tribunal Federal decidiu que todas prescreveriam em cinco anos. Empresas questionaram isso e ganharam. Os clubes não o fazem, porque a condição para adesão ao Profut impede qualquer questionamento. Há ainda outros pontos controversos de tributos indevidos por decisões de tribunais e que foram incluídos no "bolo" da dívida, em contestação. Por exigência da adesão.

O senhor diz que há mitos, como "os clubes pagam pouco" e "os refinanciamentos dos clubes são os melhores". Poderia detalhar?
Os clubes pagam como empresa comum e ainda assim têm um encargo fiscal, em alguns casos superior aos de outros segmentos comerciais e industriais. Previdência, por exemplo. Além disso, pela natureza dos principais clubes de futebol no Brasil, outros segmentos (tidos como "assistenciais") têm inúmeros benefícios fiscais. Muitas escolas que cobram mensalidades regulares dos alunos (e não nego que elas cumprem outras funções sociais muito relevantes), têm quase que "imunidade" tributária. Em termos de refinanciamentos por exemplo (os famosos Refis praticados no Brasil por todos os governos e há muitos anos), com frequência de atribui ao Profut dos clubes o que não seria "pratica para outros". Vou dar apenas um exemplo: em 2015 com a Lei Complementar 150, o Governo Federal deu 100% de anistia para as multas de todos os empregadores domésticos no Brasil (todos). O Refis dos clubes (Profut) teve redução ou anistia da multa de 70% (refiro-me à multa).

O inglês que fez mais do que Rodrigo Caio, mas não quis o 'duplo' Fair Play

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Em 24 de março de 1997, o Liverpool tinha 30 jogos e 57 pontos, estava em segundo lugar na Premier League, e visitava o Arsenal — mesma pontuação, 31 partidas disputadas. O jogo dos que tentavam alcançar o líder, Manchester United (63 pontos em 31 pelejas) era importantíssimo, como a tabela deixava bem claro.

O inglês que fez mais do que Rodrigo Caio, mas não quis o 'duplo' Fair Play

Aos 19 minutos da etapa final, o polêmico atacante Robbie Fowler entrou velozmente na área para se transformar em personagem de famoso episódio no velho estádio Highbury. Ele foi "presentado" com um pênalti após a disputa com David Seaman, que o fez saltar sobre o famoso arqueiro da seleção da Inglaterra.

Ao perceber que o árbitro Gerald Ashby assinalara a penalidade máxima, o camisa 9 dos Reds pediu que não a marcasse, pois não havia sido tocado pelo goleiro Gunner. O atacante bateu e Seaman defendeu, mas Jason McAteer empurrou para as redes, no rebote. E Fowler comemorou com os colegas e o meia da seleção irlandesa, autor do gol.

Depois acabou ganhando o prêmio de Fair Play da Uefa por sua honestidade. No entanto, o próprio artilheiro do Liverpool admitiu que não perdeu de propósito: "Como goleador, é parte do meu trabalho fazer os gols, e eu queria marcar", publicou o Guardian. "Eu tentei marcar o gol, não perdi de propósito. Aconteceu, foi uma má cobrança de pênalti", acrescentou, sincero, como registra o jornal inglês.

O atleta fez mais do que Rodrigo Caio, abrindo mão da chance de colocar seu time em vantagem no placar por intermédio de um pênalti. Quando viu que seu nobre gesto de nada adiantara ante a teimosia do apitador, tentou converter a penalidade máxima.

Não seria mais coerente perder de propósito? E o gol valeu a vitória na casa do rival, 2 a 1, consequentemente a vice-liderança a três pontos do líder, United (que seria o campeão), com sete rodadas a serem disputadas. Eram 21 pontos em jogo. Que resultado! 

Veja o gol da vitória do Corinthians sobre o São Bento por 1 a 0

Outro personagem do domingo no Morumbi, Jô cavou falta dentro da área na primeira rodada deste mesmo campeonato paulista, diante do São Bento. Perguntaram a ele após a peleja:  "Foi pênalti ou malandramente?" E respondeu, sorrindo: "Os dois um pouquinho. Tem que ser sincero". Sincero como Robbie Fowler.

O grande problema do tema "Rodrigo Caio" são os que rotulam como "desonesto" todo aquele que tem coragem de debater o que envolve o episódio. É óbvio que a atitude do rapaz foi digna, bonita, elogiável, mas analisar o contexto não significa criticar o zagueiro. Porém, o atacante inglês fez mais ainda, tentou abrir mão de um pênalti a seu favor quando sua equipe já vencia por 1 a 0 e o seu time lutava pelo título nacional.

É, mas toda aquela honestidade não foi levada às últimas consequências.Por ser futebol e nele existir o desejo de vencer, não apenas de quem entra em campo. Muitos quiseram acreditar que Fowler perdeu de propósito, mas o próprio disse que não. Os motivos? Profissionalismo de artilheiro, como ele mesmo falou? Pode ser. Receio? Talvez.

Será que os torcedores do Liverpool tolerariam duas ações de "Fair Play" no mesmo lance? Não há como analisar situações do gênero tirando do contexto, como se não existissem tantos interesses e emoções em torno de um jogo. Por essas e outras me parece injusto cobrar postura ilibada apenas dos atletas, enquanto a maioria da imprensa e da torcida se cala ante tantas ações nada honestas no esporte. Em campo e fora dele.

Provavelmente sem querer, Rodrigo Caio tentou dar exemplo. E deu, foi um exemplo de espírito esportivo. Mas estamos, todos, preparados para isso? Aptos a abrir mão de uma vitória sobre o rival por conta de um gesto nobre? Vejamos quem irá seguí-lo. Oportunidades não faltarão. E se acontecer, que seja, sempre, uma via de mão dupla.   

Mauro analisa atitude de Rodrigo Caio e não entende 'cobrança injusta' só em cima do jogador
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