Flu festeja sucesso da base e vai trazer jogadores de sua filial europeia

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

 

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Jogadores do Samorín, filial do Fluminense na Europa, comemoram gol na vitória sobre o Lokomotíva Ko?ice
Time do Samorín, filial do Fluminense na Europa, comemoram gol na vitória de sexta-feira

O Fluminense celebra o sucesso alcançado até aqui em sua estratégia para 2017, com forte aproveitamento dos jogadores que revela. A volta de Abel Braga, técnico identificado com o clube e que já fez trabalhos parecidos, era vital dentro do planejamento. Ele não costuma ter medo de lançar jovens. Seguindo tal pensamento, foram buscar Alexandre Torres para gerenciar o futebol.

O filho do "Capita" Carlos Alberto foi atleta formado nas Laranjeiras, atuando por oito anos nas divisões de base tricolores. O próprio Abel também se revelou lá. Esse é o plano, que vai dando certo. Era necessário, por questões financeiras, mas também já iniciando uma nova filosofia que vai pautar a gestão do presidente Pedro Abad, eleito no final de 2016. Tal linha de trabalho se estende à Europa.

Na Eslováquia o Fluminense tem uma filial. É o Samorín, que tenta o acesso à primeira divisão. Nesta quarta-feira enfrenta o líder do campeonato, o VSS Kosice. Se vencer, em casa, a filial tricolor em solo europeu manterá suas chances de acesso. Seja qual for o placar do cotejo, de lá irão voltar dois dos brasileiros que formam o elenco.

Gerente-geral da base, Marcelo Teixeira teve sua atuação ampliada, alcançando também o profissional, o que facilita a transição dos jovens. Ele esteve com o time do Samorín na semana passada e trabalha na integração entre Europa-base-profissionais. Além dele, Abad, Torres e Abel, há o vice de futebol, Fernando Veiga, no grupo gestor do futebol.

O meio-campo Luquinhas, 23 anos, e o artilheiro da segunda divisão eslovaca, o atacante Peu, 24 de idade, com 22 gols, estão voltando. Ambos são ex-base do Fluminense e foram para lá ganhar experiência. No vídeo abaixo, jogadores do Samorín, incluindo cinco brasileiros, comemoram a vitória sobre o Lokomotíva Košice, fora, por 3 a 2 na sexta-feira.

Jogadores de filial do Fluminense na Europa comemoram vitória na 2ª divisão do Campeonato Eslovaco

Dois dos gols da filial tricolor na Europa foram marcados por atletas revelados em Xerém, na Baixada Fluminense, onde fica a estrutura da base do Fluminense: Marlon Freitas e Peu. A equipe venceu seus últimos cinco jogos e está em terceiro lugar na luta pelo acesso à primeira divisão eslovaca. Apenas o campeão da segundona sobe.

Vendido ao Real, Vinícius Júnior chora eliminação e pode ficar no Fla mais 2 anos

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
Mauro explica como será definido o momento da ida de Vinícius Júnior para o Real Madrid

A derrota para o San Lorenzo decepcionou os rubro-negros. Alguns choraram, entre eles Vinícius Júnior. O talento que o Real Madrid vem buscar no Brasil por preço recorde foi às lágrimas com a desclassificação da Copa Libertadores. O garoto alimentava a esperança de ser inscrito nas próximas fases, que o Flamengo não disputará.

Negociado por € 45 milhões (aproximadamente R$ 146 milhões), o atacante de 16 anos (fará 17 em 12 de julho) não pergunta aos seus agentes quanto vai ganhar ou quando o dinheiro chegará à sua conta. Ele, agora, quer jogar pelos profissionais do Flamengo, seu time desde a infância em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro.

Torcedor fanático, Vinícius vai até aos jogos de basquete, ou melhor, ele ia às partidas, pois o assédio tornou inviável este programa do adolescente, que só foi a campo contra o Atlético na primeira rodada do Brasileiro porque o negócio estava fechado. Clubes não põe para jogar quem está prestes a ser negociado por uma fortuna, temendo lesões.

Em 2001 o Borussia Dortmund desistiu de Luizão, pois o atacante do Corinthians sofreu ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito contra a Portuguesa. Dentro do prazo, os alemães recuaram ao tomarem conhecimento da gravidade da lesão. Ou seja, quando Vinícius entrou em campo no Maracanã, estava tudo acertado.

Gilvan de Souza/Fla Imagem
Vinicius Júnior em ação pelo Flamengo diante do Atlético na primeira rodada Campeonato Brasileiro
Vinicius Júnior antes de estrear no profissional do Flamengo, diante do Atlético, pelo Brasileiro

Por estratégia, os dois clubes ainda seguram o anúncio o anúncio oficial, que acontecerá nos próximos dias. O Flamengo estava preocupado com a Libertadores, enquanto o Real Madrid esperava confirmar o título espanhol, sacramentado neste domingo. Ele fica no Rio, a priori, até janeiro de 2019, mas há uma série de cláusulas para os dois lados.

São três possibilidades: Vinícius Júnior embarcará para Madri em julho de 2018, quando completará 18 anos e poderá ser transferido para o exterior; janeiro ou julho de 2019. Uma série de variáveis irá definir, apoiadas no amadurecimento do atleta e em seu desempenho. Dependerá se o jogador ira bem, muito bem, mal, fenomenalmente bem, etc.

Nesse  exercício de futurologia, o Real vai querer tê-lo antes se perceber que está maduro, ou depois, se notar que é  adequado esperar mais. Há regras com percentual de jogos disputados, partidas como titular, convocações para a Seleção Brasileira e Copa do Mundo. A data do adeus não modificará o valor a ser recebido pelo Flamengo.

O contrato definirá quando o rapaz irá embora, mas por enquanto, ele só pensa no Flamengo. O desejo de Vinícius Júnior também pesará. Estranho nisso tudo é que o torcedor, ao vibrar com cada gol e jogada que mostre o surgimento de um novo craque, saberá que justamente seu brilho, sua evolução, apressará o  adeus.

Milton Mendes põe Nenê no banco e se fortalece com a vitória do Vasco

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
Veja os gols da vitória do Vasco sobre o Bahia por 2 a 1 pela segunda rodada da Série A 

Nenê treinou na manhã desta segunda-feira com aqueles que não atuaram na rodada do fim de semana. Camisa 10 do Vasco e principal jogador da equipe há quase dois anos, ele experimentou pela primeira vez o banco de reservas de São Januário na manhã deste domingo, durante os 2 a 1 sobre o Bahia.

O técnico Milton Mendes barrou o meia após a derrota por 4 a 0 na estreia pela Série A, diante do Palmeiras. Difícil o time ser competitivo com ele e Luís Fabiano em campo, afinal, quando perde a bola marca com oito, ou sete, já que Yago Pikachu também não colabora tanto. Uma escolha deveria ser feita, era inevitável.

Gazeta Press
Nenê assistiu a partida toda do banco de reservas.
Nenê assistiu a partida toda do banco de reservas: caminhada lenta próximo da torcida

Antes da partida, Nenê fez questão de caminhar lentamente pelo campo diante dos quase 20 mil vascaínos presentes, como se quisesse mostrar que estava a caminho do banco. Os demais não foram pelo mesmo caminho. A maioria da torcida o aplaudiu. Obviamente o meia não demonstrava felicidade.

Mesmo assim Milton não o colocou na peleja, optou por garotos da base. Mateus Pet, de 19 anos, foi titular no meio-campo, enquanto Bruno Cosendey completou o setor, entrando aos 28 minutos do segundo tempo em substituição a Jean. E venceu.

Nenê treinou, bem, ao lado de Andrezinho pela manhã. A vitória do Vasco vale mais do que os três pontos. Se o time fracassasse sem ele, o racha no grupo seria grande, como o enfraquecimento do treinador, o que traria péssimas consequências.

'É inviável o Vasco jogar com Luis Fabiano, Nenê e Pikachu', diz Mauro

A opção do técnico por Luís Fabiano titular com o meia na reserva se mostrou correta. O centroavante deu passe para Pikachu abrir o placar e marcou o segundo gol. Evidentemente Nenê pode ser útil, talvez em momentos, sem ser dono da posição. Resta saber como irá lidar com isso. Remarão juntos ou haverá uma queda de braço?

Campeão 'arrasta' vice com jeito de primeiro. Confira as médias de público da Premier League

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
Reprodução TV
Chelsea recebe a taça da Premier League; festa dos jogadores
Chelsea recebe a taça da Premier League; festa dos jogadores

A avassaladora campanha do Chelsea na Premier League não deixou dúvidas quanto ao merecimento do time de Antonio Conte. Foram 93 pontos ganhos e a taça assegurada duas rodadas antes de o campeonato se encerrar. O time venceu 30 partidas em 38 e empatou apenas três. Então abriu a ampla vantagem que administrou por um bom tempo, sem sofrer grande ameaça em sua caminhada.

Após um começo difícil, o técnico italiano arrumou o time ao adotar o sistema com três zagueiros, um deles na verdade lateral, Azpilicueta, pela direita, com David Luiz na sobra e Cahill pela canhota. Com Victor Moses transformado em ala direito e Alonso na esquerda, revezou Fábregas e Matic ao lado de Kanté na formação da dupla de volantes/meias centrais. Com Hazard pela esquerda e Pedro na direita voltando para fechar os flancos e atacando para fazer companhia a Diego Costa no ataque.

Mas o vice-campeão teve campanha digna de título. O Tottenham Hotspur, que não domina a Inglaterra há 56 anos (seu último título foi em 1961) ficou sete pontos atrás, mas chegou aos 86 com a melhor defesa e também o ataque mais eficiente. Os 86 gols assinalados pelos Spurs contabilizados com os apenas 26 sofridos (média de 0,68 por partida) geraram um saldo de 60! Um trabalho incrível de Mauricio Pochettino, treinador argentino que trabalha com elenco de investimento inferior aos rivais.

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No Tottenham, Harry Kane brilhou na temporada: artilheiro do certame com 26 gols
No Tottenham, Harry Kane brilhou na temporada: artilheiro do certame com 29 gols

Com tal pontuação, o Tottenham seria campeão na temporada passada, pois o Leicester somou 81; ficaria lado a lado com o Manchester City, que levou o troféu em 2014; e seria o vencedor da liga em 2011, ano no qual o Manchester United chegou a mais um título inglês acumulando 80 pontos ganhos. Nesta temporada, os mandantes venceram 49% dos jogos, 22% terminaram empatados e os visitantes triunfaram em 29% das pelejas. Média de gols de 2,80 e em 51% dos cotejos os dois times foram às redes.

Foram marcados 18,1% dos tentos nos 10 últimos minutos, 7,6% dos gols nasceram de pênaltis e a média de público fechou em 35.807 torcedores por partida. Apenas três dos 20 clubes que disputaram a edição 2016/2017 da Premier League não tiveram média de público acima dos 90% da capacidade dos seus estádios, o lanterna Sunderland (84,3%), o também rebaixado Hull City (81,1%) e West Bromwich (89,2%). Ao todo, 11 equipes alcançaram taxa de ocupação acima dos 98% daquilo que suas casas comportam. Veja.

 

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Fonte: soccerstats.com
Fonte: soccerstats.com

Bandeira, os 'falsos rubro-negros' e uma lembrança: o Flamengo não foi fundado em 2013

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br, de Buenos Aires (ARG)
Após eliminação na Libertadores, presidente do Fla nega demissões

Eduardo Bandeira de Mello é o presidente de uma gestão indiscutível no plano econômico/financeiro do Flamengo. Leva méritos em alguns casos além da conta, pois nada faria sem os muitos que participam, ou participaram, desta revolução rubro-negra. Como ocupa o cargo maior, é quem ganha a maioria dos confetes.

Consequentemente está mais vulnerável às críticas, embora nem sempre reaja bem diante delas, seja de torcedores, com os quais já bateu boca, ou jornalistas que lhe façam perguntas pertinentes, mas desconfortáveis. Jornalistas
que agem como jornalistas, não como assessores.

Mas é um homem sério, normalmente educado, ponderado, e honesto, disso ninguém duvida. Tem perfil político, dizem até que pensa em se candidatar a algo fora do clube no futuro (sua assessoria afirma que não). Bandeira desenvolveu prestígio com a torcida, merece elogios por motivos vários, mas não está acima do bem e do mal.

Semana passada, sua aparição ao lado da ex-presidente Patrícia Amorim na coletiva com o prefeito Marcelo Crivella foi mais chocante para muitos do que o surpreendente. Na gestão de sua antecessora a dívida do Flamengo disparou.

E ela deixou heranças, como o caro duelo na justiça do trabalho com Ronaldinho Gaúcho. Se a ex-presidente, subsecretária de esportes do Rio de Janeiro, eventualmente ajudou nos bastidores pelo apoio do prefeito ao projeto de estádio na Gávea, um muito obrigado seria o bastante.

Não para o político Bandeira, que a aceitou à mesa. O mesmo que topou convite para chefiar delegação da CBF, recuou, mas ainda assim viajou aos Estados Unidos atrás dela em 2015. Isso após seu surpreendente surgimento na cadeira de Marco Polo Del Nero, entre Dunga e Gilmar Rinaldi. Melhor para Amorim, destacada ao lado do atual presidente até no site do Flamengo.

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Presidente do Flamengo com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e em convocação da seleção
Presidente do Flamengo com o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e em convocação da seleção

Habituado a aparições de viés político, Bandeira costuma ser evasivo quando as coisas não vão bem no futebol. Em geral diz que confia no trabalho das pessoas etc. Faz bem em confiar, mas presidente do Flamengo também precisa comandar, decidir e em alguns casos interferir. Com firmeza, conhecimento e convicção.

A eliminação da Copa Libertadores engrossa a lista de vexames internacionais do clube neste século - clique aqui e leia post de 2016. Na atual gestão, a queda para o San Lorenzo é o segundo papelão além fronteiras, depois de ser desclassificado da Sul-americana pelo pequenino Palestino, do Chile, ano passado.

A reação presidencial após a eliminação, consequência da terceira derrota em três jogos fora do Rio de Janeiro, foi de uma naturalidade inacreditável. E tratar tal resultado como se fosse repara-lo com o mesmo "remédio" indicado após um tropeço nas primeiras rodadas da Taça Rio, algo desproporcional ao desastre.

Justo que não quisesse tomar decisões precipitadas, ser contra demissões no estilo bode expiatório, procurar ganhar tempo para não errar, como fez o time. Ah, e degolar Zé Ricardo é ideia absurda. Mas ao menos uma satisfação ao torcedor seria necessária.

Poderia ser até um pedido de desculpas à "Nação". Com a promessa de revirar pelo avesso o futebol do Flamengo o quanto antes, para detectar onde foram cometidos os erros que levaram a mais uma desclassificação. Será que Bandeira imaginava o torcedor indo dormir satisfeito só por saber que ele confia em quem contratou?

O presidente do Flamengo parece sentir-se mais à vontade em meio aos deputados e senadores em Brasília, como na aprovação do Profut, ou ao lado do prefeito e integrantes de seu secretariado. No futebol, como um peixe fora d'água, não conseguiu dimensionar a vergonha internacional pela qual o clube passa mais uma vez.

Mauro elogia postura do Bota, critica a do Fla e diz que Bandeira não conhece futebol

Ao falar com jornalistas no Nuevo Gasometro, aparentemente não sabia o que fazer, em consequência não parecia ter ideia de como proceder diante do fato. O jeito foi tratar a eliminação na Libertadores como se fosse apenas um 0 a 0 com o Bangu numa quarta-feira à noite em Volta Redonda.

Diante de respostas evasivas, que não atendem às expectativas de quem busca informação e daqueles que a consomem (leitores, ouvintes, internautas, telespectadores), a função do jornalista é perguntar outra vez. E quantas forem possíveis/necessárias. Se nem assim o entrevistado responde adequadamente, o julgamento é de quem, do outro lado, espera ouvir algo que faça sentido. No caso os torcedores do Flamengo, que tiveram de se contentar com uma espécie de reprise de tantas outras entrevistas ocas de seu presidente.

Só ingênuos caem na velha estratégia do "quem está contra mim, está contra o clube". Outros dirigentes, e de estilo "Raposa", já apelaram para isso antes, como Bandeira fez ao se referir a sabe-se-lá quem como "falsos rubro-negros" que estariam no Twitter, rede social da qual ele já recebeu troféu (veja vídeo abaixo). Da Conmebol segue sem levantar taça.

Mauro comenta o prêmio de mais comentado do Twitter para o Fla

O Flamengo melhorou demais administrativamente nos últimos anos. Mas ao contrário do que alguns parecem crer, não foi fundado em 2013, quando a atual gestão começou. E o cargo de presidente não concede poderes a cartola algum para chancelar quem é, ou não, torcedor daquele clube.

Mas o coloca na linha de frente quando as coisas vão mal. Então precisa encarar a imprensa, não as carícias da TV oficial. Ali, o repórter é mero intermediário entre o dirigente e a torcida, cujo sofrimento após novo vexame não tem nada de falso. Ele é bem verdadeiro.

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