Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Jornalista desde 1983, passou por diversas redações de rádios, jornais, revistas e sites. Lecionou em faculdades de jornalismo e hoje é comentarista dos canais ESPN

Tabela ajuda São Paulo, Furacão, Chapecoense, Palmeiras, Flu, premia e castiga Corinthians

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Já se sabia desde o ano passado que Atlético Mineiro, Cruzeiro e Corinthians não poderiam jogar suas primeiras partidas nos estádios onde costumam mandar os jogos, ou seja, em casa e com apoio de seus torcedores. Os três foram punidos pelo STJD e o tribunal definiu o cumprimento das penalidades no início do Brasileirão 2015. Goiás, Joinville e Ponte Preta também têm penas a cumprir no começo do certame.

Diante disso, seria mais justo a CBF, organizadora do certame, realizar um sorteio para definir quem visitaria essas equipes nos primeiros compromissos em seus domínios. Afinal, é óbvia vantagem jogar contra Corinthians, Atlético, Cruzeiro e os demais fora de seus "habitats" e distantes dos torcedores que os apóiam em casa.

Não é o que acontece. A Confederação simplesmente anunciou a tabela. E premiou os corintianos com a chance de encarar o bicampeão brasileiro fora de Belo Horizonte. É verdade que o time paulista bateu o Cruzeiro no Mineirão em 2014, mas visitar a equipe Celeste longe da capital mineira é uma bela oportunidade. Quem recusaria?

Fica pior quando lembramos que no ano passado, também punido, o Atlético teve que jogar a primeira rodada fora da capital mineira. Era o Galo, então campeão da Libertadores, levando seu primeiro compromisso para Uberlândia. E o adversário foi... o Corinthians. O que justificaria? A CBF alega que foi coincidência — clique aqui e leia.

Atlético Mineiro 0 x 0 Corinthians, em Uberlândia, pelo Campeonato Brasileiro 2014

Outros também foram "presenteados". O Fluminense será o primeiro a visitar o Atlético, que não poderá jogar no Estádio Independência. Nada mal, claro, pois ali o Galo raramente é batido. E a Chapecoense sai para jogar com o Corinthians também na segunda rodada, mas não irá a Itaquera, onde os alvinegros perderam uma só vez. O time também atuará fora de Santa Catarina com a Ponte Preta cumprindo punição. Ou seja: não terá que encarar a torcida corintiana e a da "Macaca".

Mesmo brindados por dois anos consecutivos com jogos de abertura ante adversários fortes mas impedidos de atuar em suas casas, os corintianos têm do que reclamar. Nas seis primeiras rodadas farão quatro duelos fora. Como terá pena a cumprir, haverá uma só partida em seu estádio nas primeiras quatro semanas de campeonato. E contra um time da mesma cidade: em 31 de maio quem vai à casa do rival é o Palmeiras, que na segunda rodada terá pela frente o Joinville. O time catarinense não terá sua torcida.

Arte
Jogos contra times punidos nas primeiras rodadas dão vantagens a alguns clubes
Jogos contra times punidos nas primeiras rodadas dão vantagens a alguns clubes

São Paulo é outro paulistano presenteado pela tabela. Quatro de seus seis primeiros jogos serão no Morumbi. E dos dois fora, um será contra a Ponte, um deslocamento pequeno e com o time de Campinas ainda cumprindo pena do tribunal. Já o Fluminense terá sequência espetacular. Serão cinco pelejas no Rio de Janeiro nas seis rodadas iniciais, quatro com seu mando e um como "visitante" diante do Flamengo, com estádio dividido e sem viagem. A única partida fora será aquela diante do Atlético, obrigado a sair de Belo Horizonte. Os tricolores só verão torcida adversária fora do Rio na nona rodada, quando irão a Goiânia.

Outro com quatro comprimissos em casa nas seis primeiras partidas é o Atlético Paranaense, que além disso vai encarar o Goiás, outro punido pelo tribunal, sem sua torcida quando sair do Paraná. Já o rival, Coritiba, jogará duas vezes em seu campo e quatro fora no mesmo período. Situação idêntica à da Ponte Preta, que só reencontrará seus torcedores em seu nono compromisso, 20 ou 21 de junho, quando receberá o Furacão, um dos times beneficiados pela tabela.

E essas seis rodadas são importantíssimas. É a chance de abrir vantagem enquanto outros times se dedicam à Libertadores. Se a equipe estiver na disputa da competição sul-americana, com uma seqüência mais "amiga", sem tantos deslocamentos, aeroportos, hotéis e jogos no campo inimigo, fica mais fácil conciliar os compromissos pelos dois torneios paralelos. Isso é evidente.

Um festival de bizarrices na tabela de um campeonato que nem começou e já escancara os seus velhos problemas. E o pior: a CBF nem admite seus equívocos.

Mauro critica postura da CBF: 'Deveria reconhecer que está errada' 

 

Dois estádios, 2 jogos, 3 times londrinos, 150 mil pessoas e ninguém pediu torcida única

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Às 15 horas de Londres a bola rolou para Arsenal 2 x 0 Everton, neste domingo, pela Premier League. Foram ao Emirates 59.925 torcedores, cerca de 56 mil a 57 mil fãs dos Gunners, com a presença da torcida visitante em menor número, como é padrão no campeonato. Antes mesmo do apito final, começava a decisão da Copa da Liga Inglesa, a Capital One Cup. Mais 89.297 torcedores foram ver Chelsea 2 x 0 Tottenham. Novo recorde em jogos do certame no novo Wembley.

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São cerca de 16 quilômetros separando os estádios Wembley e Emirates, em Londres
São cerca de 16 quilômetros separando os estádios Wembley e Emirates, em Londres

Isso significa que perto de 150 mil pessoas foram a dois estádios separados por 16 quilômetros. Estavam envolvidas três torcidas de times da Londres, e que se detestam. Embora o Arsenal seja o maior inimgo do Tottenham, os fãs dos Spurs têm no Chelsea um dos adversários mais odiados. Obviamente não é algo simples ter tanta gente que torce por clubes rivais circulando pela cidade quase ao mesmo tempo.

Mas na capital da Inglaterra isso acontece. Com uma estratégia razoável. O jogo do Arsenal começou às 15 horas locais, ou seja, a partir das 13 horas o deslocamento para o Emirates se acentuou. A final em Wembley teve início duas horas mais tarde, ou seja, quando fãs de Chelsea e Tottenham rumaram para o estádio, os do Arsenal já estavam lá dentro vendo seu time encarar o Everton.

Divulgação
Ao final, a metade do Tottenham já deixava o estádio com as cadeiras vermelhas à mostra
Ao final, a metade do Tottenham havia saído, deixando cadeiras vermelhas à mostra

E Wembley, como sempre acontece quando abriga uma decisão ou semifinal de Copa, estava dividido. A exemplo do que acontecia no Mineirão, no Morumbi, na Fonte Nova, no Maracanã, único grande estádio brasileiro que mantém tal tradição. Uma tradição que é nossa, do futebol brasileiro, contaminado por influências e violência não só física, como a que é cometida contra sua essência.

Para conter o hooliganismo, os ingleses não tiraram de torcedor algum o direito de ver seu time. Mas não foi apenas isso. Lá as ruas são seguras, a ponto de a polícia inglesa ter disparado apenas três tiros em um ano. Isso mesmo, TRÊS tiros em um ano inteiro. Estamos mesmo muito atrasados, não apenas no futebol. Mas a pergunta é: se pudesse, o Ministério Público sugeriria torcida única na final da Copa da Liga em Wembley?

Reuters
Com Gabriel Paulista, Giroud celebra seu gol sobre o Everton diante da torcida do Arsenal
Com Gabriel Paulista, Giroud celebra seu gol sobre o Everton diante da torcida do Arsenal

 

Rivalidade e tradição: Chelsea x Tottenham se reencontram numa final como há 48 anos

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Neste domingo, Chelsea e Tottenham decidirão a Capital One Cup, a Copa da Liga Inglesa, com transmissão da ESPN Brasil a partir das 13 horas. Não será a primeira final de mata-mata entre os dois velhos rivais londrinos. Eles já duelaram em decisóes de Copa duas vezes, ambas com triunfos dos Spurs. A mais recente, na Copa da Liga de 2008, com um triunfo por 2 a 1. Mas o blog vai recordar a primeira finalíssima entre os dois times, na Copa da Inglaterra, a FA Cup, de 1967.

No sábado 20 de maio daquele ano, o Tottenham levou a taça com um triunfo pelo mesmo placar. Chegou a abrir 2 a 0, mas sofreu um gol do Chelsea nos minutos finais. Estiveram no velho Wembley cerca de 100 mil torcedores. Eram outros tempos e os dois times eram formados apenas por jogadores do Reino Unido. Havia, ainda, um da República da Irlanda nos Spurs. Eram 13 ingleses, seis escoceses, um galês e um norte-irlandês, o lendário goleiro Pat Jennings, que 15 anos depois defenderia sua seleção na Copa do Mundo aos 37 anos. E atuaria até os 41.

Reprodução
Jogadores do Tottenham celebram a conquista da Copa da Liga de 1967
Jogadores do Tottenham celebram a conquista da Copa da Liga de 1967


O camisa 1 até hoje é o terceiro atleta que mais vezes jogou pelo clube em sua história: 590 cotejos. Sexto do ranking, Cyril Knowles formou a defesa, enquanto o escocês Alan Gilzean, nono da lista, alinhava no ataque. O galês Cliff Jones, quarto nas relações de aparições (578) e tentos (159), foi o suplente naquela oportunidade.

Jimmy Greaves era a estrela, então em campo escrevendo mais uma página de sua história com 379 jogos e 266 gols pelos Spurs. Ninguém balançou as redes com aquela camisa mais vezes do que ele, um dos campeões do mundo pela Inglaterra um ano antes, naquele mesmo estádio.

Do outro lado, um companheiro na jornada do único título mundial dos ingleses, Peter Bonetti. Reserva de Gordon Banks na Copa, era o arqueiro do Chelsea naquela decisão. Bobby Tambling, mais de 300 aparições e 160 gols pelos Blues, vestia a camisa 10. Com a derrota, o capitão Ron Harris perdeu a chance de levantar a taça de campeão. É o jogador que mais vezes defendeu o Chelsea, com 795 partidas.

Bonetti ainda é o segundo do ranking, com 729, seguido de Frank Lampard, que fez 648 pelejas pelo clube de Stamford Bridge. O quarto dessa lista, John Hollins, formava a defesa naquela ocasião. Foi um dos seus 592 jogos com a camisa azul. John Terry se aproxima dele. Nesta final deverá fazer seu 587º jogo pelo clube londrino.

Jogadores históricos, uma final emocionante, duelo que mostra Tottenham e Chelsea, há 48 anos, fortes e competitivos. Rivais da cidade de Londres que estarão novamente frente a frente numa decisão. Os vídeos abaixo, em cores ou preto e branco, registram detalhes desse jogo que os torcedores dos dois clubes nunca esquecerão. Como provavelmente irão se lembrar no futuro da partida deste domingo.


Fifa discute uso de imagens da TV. Mas o que fazer em lances como o gol do Fla no domingo?

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

International Board e Fifa estarão reunidas na Irlanda do Norte entre sexta-feira e sábado. Nesses últimos dois dias de fevereiro discutem alteraçoes nas regras do futebol. E, claro, mais polêmica delas envolve recursos eletrônicos.

Entre as mudanças estão a quarta substituição quando houver prorrogação e a presença de um assistente de vídeo, de olho em um monitor de TV. Ele manteria contato com o árbitro por meio de um fone de ouvido, item já amplamente utilizado.

O intuito, claro, seria de ajudar o homem do apito em lances polêmicos ou dúvidas que mereçam tal atenção. Testes do gênero foram feitos na Holanda, cuja Confederação busca aprovação para usar tal sistema o quanto antes.

A FA gostou da idéia e pensa em aplicá-la na Copa da Inglaterra, como já manifestou o presidente da entidade, Greg Dyke. Já Joseph Blatter, em campanha eleitoral na Fifa, parece amolecido e menos resistente a tais novidades. Será?

Consultor de arbitragem dos canais ESPN, Salvio Spínola crê em mudanças: "A quarta substituição a Conmebol defende e quer implantar já na Copa América deste ano e a Board pensa somente em jogos de seleções. Quanto à tecnologia, (Michel) Platini (presidente da Uefa) e os irlandeses (da Board) são totalmente contra, mas os ingleses apóiam. O uso de vídeo deve ser aprovado para testes".

A quarta substituição no chamado tempo extra é defendida pelo técnico da Alemanha, Joachim Löw. Nas oito partidas que foram para a prorrogação na Copa do Mundo de 2014 as equipes recorreram às três trocas permitidas até então. E 15 de 48 substituições foram feitas após o período regulamentar de jogo.

Não há motivo para maiores discussões sobre mais uma troca de jogador em pelejas de 120 minutos, mas o debate sobre o uso de imagens rende polêmica. Muita polêmica. O que fazer no lance do gol do Flamengo (vídeo abaixo) sobre o Madureira, por exemplo?

Clubismo e vontade de chutar estimulam alguns a afirmar que a bola passou inteiramente pela linha, ou não. Mas é óbvio que as imagens não são conclusivas. Como a do gol inglês na final da Copa do Mundo de 1966 e o tento do Liverpool que eliminou o Chelsea da Champions há quase dez anos (vídeos abaixo). E aí?

Gols do 1 a 1 entre Madureira e Flamengo: como saber se a bola entrou no tento rubro-negro?
Relembre o 'gol fantasma' de Luís Garcia contra o Chelsea na semifinal da Champions 2005

A torcida que tem um time

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br, em Pelotas (RS)
Mauro vê justiça em placar e exalta a apaixonada torcida do Brasil-RS

A quase 260 quilômetros de Porto Alegre, com 330 mil habitantes, está Pelotas. E neste município a 150 mil metros da fronteira com o Uruguai e a menos de 600 quilômetros de Montevidéu há imensa paixão pelo futebol, especialmente pelas cores rubro-negras. O preto e vermelho do Grêmio Esportivo Brasil.

Viemos à cidade para a transmissão do histórico reencontro com o Flamengo quase três décadas depois da memorável vitória sobre o clube mais popular do país. Cedo, pelas ruas, chamava a atenção a quantidade de pessoas transitando com a camisa do Brasil. A pé, de moto, de carro, dentro dos ônibus. Eles estavam orgulhosos.

Mauro Cezar Pereira
A torcida do Brasil no estádio Bento Freitas, em Pelotas, pouco antes do jogo com o Flamengo
A torcida do Brasil no estádio Bento Freitas, em Pelotas, pouco antes do jogo com o Flamengo

Sim, o povo daqui quase ignora a dupla Grenal. Ao contrário do que se passa em outras regiões do Estado, a preferência é pelos clubes locais, o Pelotas e principalmente o Brasil. Ao contrário do que se passa em outras regiões do país, assim como Grêmio e Internacional, não se morre de amores por times cariocas e paulistas.

Todo cidadão tem o direito de torcer pelo time que preferir. Ninguém pode acusar o outro de escolher um clube de outra cidade, Estado ou país. Mas é bacana quando a paixão regionalizada fortalece agremiações menores, as mantêm vivas. É o caso do Brasil de Pelotas. Como eles dizem, os xavantes são a torcida que tem um time.

Glórias, tragédias e superação: a história do Brasil de Pelotas e sua torcida apaixonada
Nos acréscimos, Nena aproveita cruzamento e evita e eliminação do Brasil de Pelotas
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