Corporativistas, técnicos defendem reserva de mercado. Sai dessa, Jair

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br


Muitos treinadores brasileiros estão preocupados. Como ficam sempre que um clube grande do país contrata treinador estrangeiro. O  medo é nítido. Medo de dar certo, abrindo as portas para outros "gringos" que venham, com eles, "brigar" pelo mercado. As palavras de Jair Ventura em entrevista ao canal Fox Sports apenas evidenciaram esse sentimento, o receio dos técnicos daqui diante dos que vêm de fora. E a chegada do campeão da Libertadores Reinaldo Rueda ao Flamengo é sinal vermelho ligado para quem deseja reserva de mercado.

A argumentação do técnico do Botafogo pode parecer pertinente para alguns, mas não se sustenta. Ele alega que no Brasil não existe curso que os qualifique para trabalhar lá fora, na Europa, por exemplo. Mas na Argentina há. E ele não é da AFA (a CBF de lá), e sim da ATFA (Associação de Técnicos do Futebol Argentino), como mostra matéria recentemente publicada pelo site Globo Esporte — clique aqui e leia — e assinada pelo jornalista Victor Canedo. Isso explica em parte o sucesso internacional de treinadores lá nascidos.

No Brasil a ABTF (Associação Brasileira de Treinadores de Futebol), criada há 42 anos, oferece cursos — clique aqui e acesse.  "Quando a Fifa determinou que as Federações dos países fossem as responsáveis pela chancela dos cursos, não disse para a federação realizar o curso e sim fiscalizar, supervisionar. Joguei muitos anos em Portugal, fiz lá meus cursos de formação e trabalhei no país. A Federação Portuguesa e a ANTF (Associação de Treinadores de Portugal) realizam esses cursos juntas, o que fortaleceu seus treinadores. O mesmo acontece nos outros países, como a Argentina", explica Fernando Pires, diretor da entidade

Para ele, foi "absurdo" a CBF deixar a ABTF fora do processo de formação dos  treinadores. "Os brasileiros não estão sendo reconhecidos nos outros continentes, e muitos perdendo  seus empregos. O que precisa ser feito: a CBF se reunir com a ABTF, realizar os cursos em parceria, já que a associação os faz há 36 anos; chancelar o certificado da Associação Brasileira de Treinadores e conseguir também a  da Conmebol. Só assim os treinadores brasileiros voltarão a ser reconhecidos, mas precisam se unir, exigir isso da CBF", reforça o dirigente. 

Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Jair Ventura, técnico do Botafogo, na vitória sobre o Grêmio no Nilton Santos
Jair Ventura, técnico do Botafogo, na vitória sobre o Grêmio no Nilton Santos

A luta dos treinadores deveria ser por aprimoramento e reconhecimento dos cursos feitos pela sua associação, de maneira que possam seguir os passos dos argentinos, ampliando conhecimento, obtendo melhor qualificação e elevando a competitividade no mercado internacional. Enquanto isso, a CBF promove seus próprios cursos e não apoia os da ABTF, criando concorrência e enfraquecimento, mesmo com o exemplo vizinho, tão próximo e bem sucedido. E técnicos  que se voltam contra a chegada de estrangeiros se calam diante da Confederação.

Jair pode ser exceção. Se realmente estiver se preparando como diz, cedo ou tarde poderá se qualificar para abrir fronteiras para seu trabalho. Jovem, tem tempo para isso. Basta que não siga o comportamento de velhos treinadores que pararam no tempo e defendem, com imenso corporativismo, a reserva de mercado ante o risco de competição com os de outros países. Como a matéria do Globo Esporte destaca, no Brasil, há disponibilidade do curso argentino em português, com aulas online. Quem quiser pode se aventurar e seguir esses passos.

Em tempo, Luis Zubeldía, ex-treinador do Racing, chegou ao futebol espanhol para dirigir o Alavés. Ele ocupou o lugar deixado por outro argentino, Mauricio Pellegrino, agora no comando do Southampton, na Inglaterra, país onde brilha seu xará, Pochettino. Isso sem falar em treinadores de outros times da Espanha, como Diego Simeone (Atlético de Madrid) e Eduardo Berizzo (Sevilla), e da França, caso de Marcelo Bielsa (Lille). Além do curso reconhecido, os hermanos são vistos como mais competentes. Cabe aos "professores" daqui mudar isso.

Técnicos brasileiros tiveram oportunidades e não vingaram, casos de  Luiz Felipe Scolari no Chelsea (dispensado em 2009) e Vanderlei Luxemburgo  no Real Madrid (demitido em 2005). Embora os jogadores de futebol nascidos no país tenham mercado na Europa, os treinadores não são vistos como bons. Novos nomes como o de Jair Ventura podem mudar isso. E não precisam engrossar o coro corporativista pela reserva de mercado. Podem abrir outras portas, principalmente se forem diferentes da média dos daqui, em campo e fora dele.

Enfrentar times comandados por profissionais de outras nacionalidades só irá acrescentar, não só para o botafoguense como aos demais. Da mesma forma, Rueda aprenderá diante das estratégias dos adversários capazes de ir além do chutão, da bola longa, dos cruzamentos em doses industriais. E entre os brasileiros,  Ventura, que emitiu nota tentando explicar melhor o que disse na segunda-feira — clique aqui para ler —  parece ser um dos mais capacitados a desafiar o colombiano. Que assim seja. Melhor para todos, menos para os obsoletos defensores da reserva de mercado. Sai dessa, Jair!

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Perto da eleição no Vasco, filho de Eurico e empresário de jogadores podem virar beneméritos

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

As eleições do Vasco são indiretas. O presidente será escolhido em novembro a partir dos votos dos 150 conselheiros eleitos (120 da chapa vencedora e 30 da segunda colocada) e os 150 natos, das quais os beneméritos fazem parte. A situação divulgou listas com novos sócios eméritos e beneméritos, entre eles o empresário de jogadores e técnicos Carlos Leite, e um dos filhos do atual mandatário, Álvaro Ângelo Brandão de Oliveira Miranda (listas abaixo). A nomeação de 26 nomes gerou descontentamento entre os que buscam, nas urnas, mudar os rumos do clube, e a anulação será tentada no Conselho Deliberativo.

Reprodução
As listas: no destaque, o filho de Eurico e o empresário Carlos Leite
As listas: no destaque, o filho de Eurico e o empresário Carlos Leite

A oposição a Eurico Miranda havia conseguido assinatura de 60 beneméritos (número mínimo) para cancelar a reunião realizada no dia 4, que permite essa nova leva de beneméritos. Mas ontem, curiosamente, chegou a informação de que quatro deles se retiraram da lista — clique aqui e leia o documento —, viabilizando a publicação dos novos nomes. O presidente do conselho fiscal, Otto de Carvalho Júnior, foi à secretaria do Vasco e não conseguiu ver as cartas que teriam sido enviadas pedindo que os nomes dos autores fossem retirados da lista feita pelos oposicionistas. Então ele protocolou outro documento (abaixo).

Reprodução
Carta protocolada pelo presidente do conselho fiscal do Vasco, Otto de Carvalho Júnior
Carta protocolada pelo presidente do conselho fiscal do Vasco, Otto de Carvalho Júnior

A decisão do Conselho de Beneméritos é soberana. O Conselho Deliberativo praticamente só a ratifica. Por isso essa movimentação é de fundamental importância nos bastidores da eleição vascaína. Paralelamente, grupos de oposição discutem sobre união com a aproximação de candidatos em potencial — clique aqui para ler. Para aqueles que sonham derrotar o "Euriquismo" em São Januário, essa é a única maneira de mudar os rumos do clube. Se divididos, os setores anti-Eurico no Vasco da Gama não terão forças para derrotá-lo.

Opositores de Eurico alegam que não se está respeitando a pontuação necessária para a benemerência, tampouco o estatuto para fazer eméritos e beneméritos, o que, em tese, daria mais força à situação num segundo turno eleitoral.  Procurada pelo blog, a assessoria de imprensa do Vasco respondeu que os nomes foram escolhidos “pelos mesmos motivos do Diego (Henrique Carvalho), oposição no Conselho Fiscal; Hélio (César) Donin, presidente Conselho Fiscal da gestão Roberto (Dinamite); Abílio Borges, presidente do Deliberativo na gestão passada; entre outros”.

O clube alega que todos, independentemente de situação ou oposição, têm serviços prestados ao Vasco. A lista, acrescenta a assessoria, foi aprovada na Comissão por unanimidade, e com apenas um voto contrário no Conselho de Beneméritos, que são 148. Dos votados, se confirmados no deliberativo, apenas dois assumem para completar legalmente o Conselho.  Os demais apenas quando um benemérito morre. “Portanto, não há relação com a eleição. É preciso ter nomes aprovados para assumir os 150 natos quando o número diminui", argumenta a assessoria do clube.


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Vexame de Palmeiras e Atlético na Libertadores. Algoz boliviano tem elenco 18 vezes mais barato

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
Bruno Cantini / Atlético
Robinho perdeu um gol na pequena área: Galo eliminado em casa por time boliviano
Robinho perdeu um gol na pequena área: Galo eliminado em casa por time boliviano

O site Transfermarkt faz estimativas do valor de mercado dos elencos de futebol pelo planeta. Colocados frente a frente, temos os números abaixo. Isso significa que os jogadores do Palmeiras reunidos valem pelo menos três vezes os do Barcelona de Guayaquil, responsáveis pela eliminação do campeão brasileiro da Copa Libertadores. Já os atletas do boliviano Jorge Wilstermann somados valem quase 18 vezes menos do que os do Atlético Mineiro. Essas duas equipes estrangeiras vieram ao Brasil e despacharam dois dos mais caros elencos do país.

Jorge Wilstermann - €3,75 milhões
Barcelona de Guayaquil - €22,30 milhões
Atlético Mineiro - €65,75 milhões
Palmeiras - €65,45 milhões

Uma história que se repete. Vexames protagonizados por times brasileiros em Copa Libertadores, mesmo com elevados investimentos e diante de equipes bem mais modestas. Palmeiras e Atlético se juntam ao Flamengo nessa temporada — o elenco rubro-negro é avaliado em cifras superiores à soma dos dois estrangeiros que estavam em seu grupo, San Lorenzo e Universidad Católica; e também na combinação entre os dois classificados, o clube argentino e o Atlético Paranaense. São três protagonistas de eliminações constrangedoras, especialmente a do Galo se observarmos as duas desta quarta-feira.

GazetaPress
Guerra durante a disputa do Palmeiras contra o Barcelona-EQU, no Allianz Parque
Guerra durante a disputa do Palmeiras contra o Barcelona-EQU, no Allianz Parque

Pobreza de ideias na definição da forma de jogar, que leva à desorganização e desespero. O reflexo disso se vê em 43 cruzamentos do Atlético na área do Jorge Wilstermann no Mineirão. E 180 minutos de futebol contra o time boliviano sem marcar um gol sequer. Pelos mesmos defeitos vimos o Palmeiras chegar ao gol num contra-ataque cedido estranhamente pelo Barcelona de Guayaquil. O 0 a 0 bastava aos equatorianos, que ofereceram espaço numa jogada definida num dois contra dois. Mas foram só duas finalizações certas dos palmeirenses em todo o jogo. E claras chances perdidas pelo adversário.

Alguém pode reclamar da arbitragem em Belo Horizonte, outro talvez alegue que em São Paulo houve luta, mas como jogar para baixo do tapete algo tão claro, tão evidente como as paupérrimas propostas de jogo das duas equipes brasileiras? Atlético e Palmeiras trocaram de técnicos, seguiram contratando em quantidade e elevando a qualidade de seus caros elencos, mas que em campo mostram pouco, muito pouco. Mandar treinador embora não é garantia de recuperação de uma equipe, mas os "professores" precisam apresentar mais. Pelo menos o mínimo de organização. Raros conseguem. E tome vexames!

 

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Aproximação com vice de Eurico divide oposição do Vasco

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Fernando Horta, presidente da escola de samba Unidos da Tijuca e vice do Vasco da Gama, se aproximou de grupos de oposição. Entre esses segmentos de vascaínos dispostos a mudar os rumos em São Januário nas eleições de novembro, há quem veja nessa movimentação um grande reforço na tentativa de tirar o "Euriquismo" do clube. Mas nem todos pensam assim.

Como são pelo menos cinco grupos formados por oposicionistas, a sugestão mais debatida seria a da realização de uma prévia com os principais nomes. O mais bem colocado seria então o candidato anti-Eurico. Mas a aproximação de Horta, que parece disposto a se lançar, pode mudar os caminhos, devido ao crescimento da ideia de tê-lo como homem de consenso.

Contudo, o presidente da Unidos da Tijuca enfrenta resistências de quem não esquece 2014. Alguns não confiam nele em 100%, pois naquela ocasião teria afirmado que viria como candidato e mudou, se definindo pelo apoio a Eurico Miranda.  Otto de Carvalho Júnior, que preside o conselho fiscal, é outro nome importante neste jogo de xadrez  político na Colina.


Tiago Leme/ESPN
Eurico Miranda comemora vitória em 2014 ao lado de Fernando Horta e José Luiz Moreira
Eurico Miranda comemora vitória em 2014 ao lado de Fernando Horta e José Luiz Moreira


A expectativa de grupos oposicionistas cruzmaltinos é, em uma semana, no dia 15, finalmente se reunirem com Fernando Horta. Até aqui já aconteceram conversas com Paulo Angioni, que por anos comandou o futebol do Vasco, e José Luís Moreira — conhecido como Zé do Táxi, por ser dono de uma frota de carros de praça —, que foi vice-presidente de futebol.

O nome de Horta foi citado, mas o mesmo estava em Brasília no dia 25 de julho, resolvendo assuntos ligados ao carnaval — ele preside o Conselho Deliberativo da Liga das Escolas de Samba. Moreira compareceu representando-o. Paralelamente há dificuldade de entrosamento entre oposicionistas e Alexandre Campelo, médico do Vasco por anos e que já lançou a própria candidatura.

Outro dos motivos pelos quais há quem desconfie de Horta é o fato de ele seguir vendo o time jogar ao lado de Eurico. Nos bastidores, circula a versão segundo a qual o presidente da Tijuca não estaria apoiando o do Vasco em sua tentativa de seguir no poder, mesmo aparecendo com ele. Há expectativa de se ande candidato ainda em agosto, após o 119º aniversário do clube.

Mas há quem mantenha descrença em relação ao vice vascaíno, gente da oposição que não espera nada de Horta e não pretende apoiá-lo em qualquer hipótese. Esses acreditam que seus movimentos têm como objetivo pressionar a situação. Resta saber se em meio a tanta desconfiança os oposicionistas conseguirão ser unidos e fortes para derrotar Eurico Miranda, que só observa.

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Flamengo sonda Roger, Carpegiani e o colombiano Rueda para vaga de Zé Ricardo

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Bruno Cantini/Atlético-MG
Roger Machado foi sondado pelo Flamengo
Roger Machado foi sondado pelo Flamengo

O Flamengo não fez propostas a treinadores, mas sondou três nomes para substituir Zé Ricardo: Roger Machado, Paulo César Carpegiani e o colombiano Reinaldo Rueda. Após as abordagens, as conversas não chegaram a avançar, por isso nem houve proposta concreta nesse contato inicial.

O ex-treinador do Atlético Mineiro não quer trabalhar antes da virada do ano, independentemente do clube. Pretende retornar na próxima temporada, da maneira que considera mais adequada. Por isso a conversa sequer avançou, ele sequer precisou dizer "não". 


Carpegiani também foi procurado. O diretor executivo rubro-negro, Rodrigo Caetano, começou a exercer tal função com o ex-jogador do Flamengo e do Internacional. Ele estreou como dirigente profissional no RS Futebol, clube de Carpegiani, em 2003.

Djalma Vassão/Gazeta Press
Carpegiani é outro nome em pauta no Flamengo
Carpegiani é outro nome em pauta no Flamengo

O treinador campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes com o Flamengo, em 1981, trabalhou no Coritiba entre o ano passado e o começo de 2017. Carpegiani assumiu o Coritiba no Campeonato Brasileiro passado na 19ª rodada e em 18º lugar, ou seja, livrou o time do rebaixamento.

Foram 20 jogos, 28 pontos, sete vitórias, sete empates e seis derrotas, aproveitamento de 46,6% e 15º posto ao final. Foi demitido em 2017 com a eliminação na Copa do Brasil frente ao ASA de Arapiraca, totalizando 11 vitórias, 10 empates e 11 derrotas (44,8%).

Reinaldo Rueda teria dado 'sim' ao Flamengo, diz rádio colombiana

O terceiro nome sondado pela diretoria do Flamengo foi o colombiano Reinaldo Rueda, que fez recentemente grande trabalho com o Atlético Nacional. Rueda foi bastante pedido por torcedores flamenguistas nas redes sociais após a saída de Zé Ricardo do comando. Os dirigentes do clube carioca fizeram uma consulta a Rueda, mas ainda se trata de uma sondagem.


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