Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Jornalista desde 1983, passou por diversas redações de rádios, jornais, revistas e sites. Lecionou em faculdades de jornalismo e hoje é comentarista dos canais ESPN

Geraldinos

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
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Torcedores na geral superlotada no antigo Maracanã nos anos 1970: setor popular, estádio democrático
Geral superlotada no antigo Maracanã nos anos 1970: setor popular, estádio democrático

Fui geraldino. Ficávamos de pé, mas víamos a todos de perto, do craque ao perna-de-pau. Pegávamos chuva e sol, mas tínhamos a chance de vibrar com os nossos ídolos, correndo em direção a eles, fosse para comemorar ou para xingar.

Na geral eu gostava de ficar na direção da bandeira de escanteio. Sempre acompanhando o ataque. Quando havia perspectiva de goleada, costumava buscar uma posição atrás do gol adversário. Quem queria ver o outro lado do campo?

Frequentei a geral e afirmo: em nenhum outro setor de um estádio se comemorava gol como ali, onde o torcedor corria feito louco. Para qualquer lado ou ao encontro do artilheiro, ficando a metros do autor do gol, celebrando juntos.

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Geraldinos: a história da 'Geral do Maracanã' e como o estádio se 'elitizou'; veja o trailer

Era dura a vida de geraldino nas noites chuvosas, quando partia para o velho Maraca equipado com meu guarda-chuva. De positivo, a visão mais livre do campo, pois nem todos se aventuravam por ali sob o aguaceiro.

Era desconfortável, mas divertido. Cansativo quando lotava, mas valia a pena. A geral nos permitia estar no Maracanã. Fosse estudante com grana curta, assalariado de orçamento apertado, ou desempregado. Todos tínhamos a chance de ir ao futebol.

Adeptos dos estádios encadeirados detestam a ideia. Mas se a geral até hoje existisse, eles não precisariam ir para lá. O Maracanã contemplava todas as classes sociais. De camarotes e cadeiras especiais, onde ficavam os mais abastados, às azuis.

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Geraldinos no Maracanã em noite chuvosa: setor existiu durante 55 anos
Geraldinos no Maracanã em noite chuvosa: setor existiu durante 55 anos

E passando por sua giganteca arquibancada (chegava a receber 110 mil pessoas). O estádio era o maior e mais democrático do mundo.

Mas era na geral que o povo tinha vez. Assiduamente, com ingresso acessível numa construção dos anos 1940 e muito mais receptiva do que qualquer "arena" atual.

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Documentário em cartaz em São Paulo
Documentário em cartaz em São Paulo

A geral tinha vida própria e ali reinaram alguns dos mais divertidos e autênticos personagens da torcida carioca e brasileira. Foram 55 anos entre 1950 e 2005, quase seis décadas com tantas histórias de amor pelo futebol.

"Geraldinos", filme ganhador do Festival Tiradentes, estréia nesta quinta, dia 28 de abril. O documentário nos devolve alguns de seus folclóricos torcedores e questiona a elitização com a transformação do templo em "New Maracanan".

Romário e Zico centenas de vezes comemoraram seus gols com os geraldinos. Eles estão entre os que deram seus depoimentos à obra dirigida por Pedro Asbeg e Renato Martins, também exibida em festivais na Itália, Espanha e Alemanha.

Vá, assista, se emocione, vibre. Só não será possível sair correndo comemorando no cinema. Aquilo era algo único. Só na geral mesmo.

Jorginho tem prazo até quinta-feira para responder ao Cruzeiro, que mira estrangeiro

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br, no Rio de Janeiro (RJ)

O Cruzeiro vai esperar até amanhã, quinta-feira, pela resposta de Jorginho, se aceita ou não comandar o time na Série A do Campeonato Brasileiro de 2016. O técnico está envolvido com a partida do Vasco da Gama na noite de hoje, diante do Remo, pela Copa do Brasil, em São Januário, com transmissão da ESPN Brasil, ao vivo.

Caso o ex-auxiliar de Dunga rejeite a oferta, além de Ricardo Gomes, que esteve nos planos em dezembro e segue no Botafogo, entrará na mira celeste o colombiano Reinaldo Rueda, treinador do Atlético Nacional de Medellín. Os cruzeirenses fazem contatos com o intuito de passar seus conceitos e entender melhor os dos "candidatos".

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Rueda comandou a seleção de Honduras na Copa de 2010 e esteve à frente do Equador no Mundial de 2014, no Brasil. Em junho de 2015 substituiu no time colombiano Juan Carlos Osorio, então contratado pelo São Paulo. Em sete jogos na Libertadores 2016 o Atlético Nacional fez 17 pontos em 21 possíveis, está invicto e não sofreu gol.

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Reinaldo Rueda, então como técnico do Equador, durante jogo contra a França na Copa do Mundo de 2014
Reinaldo Rueda, como técnico do Equador no jogo contra a França na Copa do Mundo 2014

Cruzeiro quer um 'sim' de Jorginho antes da final carioca com o Vasco. Lado emocional deve pesar

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Jorginho é o técnico desejado pelo Cruzeiro e terá que responder ao clube mineiro se aceita a proposta antes da decisão do Campeonato Carioca, na qual comandará o Vasco diante do Botafogo. O time de Belo Horizonte não pode esperar o encerramento do certame, pois o Brasileiro da Série A começará uma semana depois da final, dia 14.

Correntes celestes davam preferência a nomes "mais experientes", mas nas discussões internas desta segunda-feira, prevaleceu a busca por alguém de perfil mais "equilibrado". Jorginho se encaixou nessa ideia por ainda ser jovem mas com boa experiência, ao contrário de Deivid, demitido pelo presidente Gilvan de Pinho Tavares.

Paulo Fernandes/Vasco.com.br
Jorginho durante jogo do Vasco contra o Madureira
Jorginho durante jogo contra o Madureira: Cruzeiro quer resposta rápida do técnico vascaíno

Caso ele decida prosseguir em São Januário, os cruzeirenses partirão em busca de outro profissional. Por isso é inviável esperar que o Estadual termine para que o treinador responda. A expectativa é por um sim o quanto antes. Naturalmente isso não o impediria de treinar a equipe nos jogos diante dos botafoguenses.

Convencer Jorginho não será fácil. Ele e seu auxiliar, Zinho, estavam fora do mercado quando o presidente Eurico Miranda os convidou para assumir o Vasco em difícil situação na Série A em 2015. A dupla não conseguiu evitar o rebaixamento, mas encerrou o ano em alta, pois fizeram o time reagir e lutar muito para não cair.

Além de persuadir Jorginho a comandar o Cruzeiro a partir de 9 de maio, o clube dependerá de o técnico convencer Eurico a liberá-lo. Não será fácil. Há uma espécie de "gratidão" com o dirigente e o treinador se ligou muito ao clube, como ficou claro na emocionada entrevista após o rebaixamento (vídeo abaixo)

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Emocionado, Jorginho lamenta rebaixamento do Vasco: 'Entreguei tudo o que eu tinha'

Fla freguês do Vasco e Muricy como grife superada por técnicos menos badalados

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
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Desorganização e falta de aproximação dos jogadores: DataESPN analisa o Flamengo

A freguesia do Flamengo para o Vasco no período 2015/2016 é tão clara que nem o mais cego pelo fanatismo entre os rubro-negros será capaz de negá-la. E na vitória em Manaus, os vascaínos foram superiores como em nenhum outro confronto nessa série de enorme vantagem sobre o maior rival.

O sucesso do Botafogo sobre o Fluminense não é maior em 2016 por causa do gol de Gum no lance final do confronto pela Taça Guanabara. Aquele 1 a 1 daria, adiante, a vantagem do empate aos tricolores no jogo decisivo. Ainda assim os alvinegros venceram e decidirão o título com o Vasco.

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Assista aos gols da vitória do Vasco sobre o Flamengo por 2 a 0
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Assista ao gol da vitória do Botafogo sobre o Fluminense

O Vasco caiu novamente para a segundona nacional e tem um elenco com muitos atletas veteranos e outros que perdiam mercado, como Rodrigo, Júlio César, Marcelo Mattos, Diguinho e Andrezinho. O Flamengo foi buscar Cirino então valorizado, tem o caro Guerrero e se reforçou no exterior com Cuellar e Mancuello.

O Botafogo luta com gigantescas dificuldades, a atual administração herdou a maior dívida do futebol brasileiro e o time está voltando da Série B. O Fluminense manteve Fred, "importou" Henrique e contratou o treinador campeão da Copa do Brasil 2014 e vice-campeão brasileiro em 2015.

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Jorginho pede 'pés no chão' ao Vasco: 'Não existe freguesia'

Jorginho fracassou no Flamengo em 2013, mas no Vasco é um técnico muito mais maduro, que fez boa campanha com o Figueirense na Série A do Brasileiro e decidiu uma Copa Sul-americana com a Ponte Preta. Já Ricardo Gomes sofreu um AVC, mas incrivelmente voltou ao futebol para armar uma boa equipe no Botafogo.

Clique e leia mais sobre o Botafogo de Ricardo Gomes no blog de Renato Rodrigues

Mesmo eliminado do estadual, Levir Culpi tem a seu favor o fato de ter arrumado rapidamente o Fluminense e conquistado a Primeira Liga, bons resultados em curto período. Muricy Ramalho, por sua vez, fracassa de maneira retumbante nesses meses iniciais no Flamengo, apesar da badalada "reciclagem catalã".

Claro que é preciso de tempo para a montagem de um bom time, mas os rubro-negros não dão qualquer sinal em tal direção. Isso com bons recursos e agora um Centro de Treinamento. Imagine as dificuldades de Ricardo Gomes e confronte-as com as queixas de Muricy pelas viagens. Quem está diante de obstáculos maiores?

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'Não fizemos nas chances que tivemos, e o Vasco aproveitou', mnimizou Muricy

Além da freguesia do Flamengo diante do Vasco no período 2015/2016, marca a final carioca o sucesso de dois técnicos menos badalados. Currículo não se apaga, mas hoje, Jorginho e Ricardo Gomes mostram mais competência do que Muricy Ramalho na montagem de um time de futebol. Apesar daquele papo todo de "reciclagem".

Até aqui, Muricy é no Flamengo apenas uma grife superada pelos técnicos finalistas no Rio de Janeiro. Eliminado da Primeira Liga e do Estadual, mas vivo na Copa do Brasil apesar da vergonhosa derrota para o Confiança, agora terá o sonhado tempo para treinar. E sem viajar. Será capaz de fazer melhor do que Jorginho e Ricardo Gomes?

Torcedor de... balanço!

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Torcedor de cartola, aquele que defende incondicionalmente o dirigente, mesmo que ele seja parecido com o pior dos políticos.

Torcedor de renda, o cara que comemora a renda mesmo sem ir ao estádio. O placar? Não importa, o negócio é o dinheiro que, dizem, vai para os cofres.

Torcedor de quota de TV, elemento que acha o máximo dizer que seu time leva mais grana da televisão do que o rival. Mesmo que saia derrotado no clássico.

Torcedor de propaganda na camisa, o sujeito que  se orgulha do faturamento com os anúncios no fardamento, mesmo que os valores revelados sejam pouco confiáveis.

Torcedor de Sócio Torcedor, aquele cara que celebra a quantidade de participantes do programa de associados de seu time, e nem quer saber se os números são anabolizados.

Torcedor de BALANÇO!!! Sim, o camarada que olha os resultados financeiros do seu clube e vê prejuízo como lucro, déficit como superávit, credor como devedor.

Está faltando quem torça de verdade pelos clubes. Que cobre do cartola, que tenha o time de coração acima de tudo, inclusive dirigentes, rendas, quotas de TV, propagandas na camisa, programas de sócios, balanços financeiros... tudo.

Mas isso na realidade é nada, e não surpreende num país como o Brasil, onde parcela razoável do povo, inclusive a que tem acesso à informação, age alienadamente, fecha os olhos para a nossa história, ignora as páginas mais obscuras. Tolera o intolerável.

Muitos de nós permitem e aplaudem a celebração do que há de pior. Quanta ignorância. Regredimos. Em diversas frentes. O futebol, claro, também sofre.

Mesmo assim, torçamos. Tenhamos Esperança!

PS: o texto em momento algum critica quem se interessa pela saúde financeira do seu clube, obviamente isso é importante e devemos é estimular. A crítica é aquele  que acredita em qualquer versão ou interpretação que lhe é apresentada. Mesmo que não seja a real tradução do momento econômico daquela agremiação. São os torcedores que preferem não saber a verdade se ela não lhe for favorável.


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