Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Jornalista desde 1983, passou por diversas redações de rádios, jornais, revistas e sites. Lecionou em faculdades de jornalismo e hoje é comentarista dos canais ESPN

Flamengo acumula vexames de público, precisa fugir do Maracanã e rever preços de ingressos

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

O Flamengo segue protagonizando públicos vergonhosos nas partidas contra os times pequenos no Campeonato Carioca. Neste sábado, com mando do Bonsucesso, no Engenhão, atraiu  4.207 pagantes, com ingresso ao preço médio de R$ 33,94.

É evidente que o torneio não empolga e alguém pode argumentar que o jogo não era no Maracanã, onde os rubro-negros atuam quando mandantes. Mas lá o cenário não melhora tanto. Nas duas partidas mais recentes contra times pequenos, foram menos de 7 mil pagantes num jogo e pouco mais de 5 mil no seguinte.

Sim, o campeonato carioca não empolga, exceto em alguns clássicos. E os jogos disputados nas noites de quarta-feira às 22 horas com televisão aberta ao vivo para o Rio de Janeiro têm o apelo que resta ainda mais comprometido por tais circunstâncias.

Mas este cenário não é novo, e um aspecto fundamental segue pesando para que o público se afaste: o preço do ingresso. Dois fatores o empurram para cima: os novos estádios, com manutenção elevada e parceiros nem sempre desejáveis; e os tíquetes encarecidos para que o programa sócio torcedor seja atraente.

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Juan e Obina comemoram gol sobre o Friburguense em 2009: público de 36.885 e ingresso médio de R$ 21
Juan e Obina contra o Friburguense em 2009: 36.885 com ingresso médio de R$ 21

Quando muitos ressaltavam os pontos positivos das novas "arenas", fossem elas da Copa do Mundo ou não, poucos perceberam que estádio caro e mais confortável significaria mais despesas no dia-a-dia também. E no caso do Maracanã, o luxo imposto pela Fifa faz da sua manutenção algo ainda mais custoso.

Um exemplo: dois anos antes da Copa o preço médio de um assento de estádio do Mundial era de R$ 400 (R$ 478 em valores atualizados). É absolutamente possível ter estádios dignos, limpos, confortáveis sem gastar tanto. E sem torná-los de manutenção tão cara. Para piorar, a obra feita com dinheiro público foi entregue a empresas, com objetivo de lucro, claro.

Se foi refeito graças aos impostos pagos pelo contribuinte, seria mais honesto que só arrecadasse para sua perfeita manutenção. Não é assim. Os administradores ganharam aquilo e alegam encarar seguidos prejuízos com o "New Maracanan". Isso evidencia não serem do ramo. Mas impõem aos clubes taxas absurdas e descontos inacreditáveis. Isso joga o preço do ingresso para as alturas.

O torcedor pouco podia fazer quando o governo do Estado do Rio de Janeiro despejava R$ 1 bilhão na obra da Fifa. Hoje ele pode. E simplesmente não dá as caras. Não que historicamente comparecesse. Públicos baixos, infelizmente, há décadas acompanham o nosso futebol. Mas em alguns casos o cenário piorou.

O Maracanã reformado para os Jogos Panamericanos de 2007 já era um estádio muito bom. E sem o custo surreal do novo. Tracemos um paralelo com o cinema. O Shopping JK Iguatemi abriga a sala mais cara de São Paulo. Lá um ingresso bate os R$ 80.

Mas a maioria cobra tíquetes da metade desse valor para baixo. E não estamos nos referindo à meia entrada. Espaços confortáveis, mas sem tanto luxo, permitem ver os mesmos filmes. Paga pelo requinte quem pode e quer. Da forma como foram erguidas, as "arenas" só trazem o conceito do cinema sofisticado.

O Corinthians tem plano sócio torcedor com uma virtude: premia a assiduidade. Quem mais comparece, mais pontua. Quem mais pontos faz, menos paga. É progressivo. Isso força o torcedor a sair de casa e ocupar seu espaço em jogos pequenos para que tenha preferência nas grandes partidas. É preciso pontuar.

Comprovadamente funciona, como as seguidas médias mostram. Nisso o clube está mesmo à frente. Pena que tantos espaços sobrem em Itaquera, onde há mais setores caros do que a demanda, deixando milhões de corintianos distantes do sonho (para eles é mesmo sonho) de ir à casa alvinegra ver o time de coração.

Já o Palmeiras surfa na onda dos novos tempos, com time e estádio novos. O torcedor recupera a auto-estima e vai em ótimo número mesmo no Estadual. Os sócios que desembolsam R$ 69,90 mensais têm a chance de ver todos os jogos sem pagar mais nada, desde que consigam adquirir os ingressos. Deixar para a última hora é um risco.

Mas o programa verde também segrega quem não pode pagar tanto. O plano de R$ 10 dá descontos, que não tornam os tíquetes acessíveis para muitos, pois partem de cifras proibitivas. O palmeirense nessa situação precisaria dispor de pelo menos R$ 100 para acompanhar o clássico contra o São Paulo, há poucos dias, no Allianz Parque, onde espaços vazios em setores caros também são uma constante.

Já o Flamengo é refém do consórcio. Cada torcedor tem um custo de aproximadamente R$ 13, o que veta preços inferiores. Ainda assim, a média é muito alta para jogos sem apelo, o que resulta em Maracanã vazio, melancólico, e rendas líquidas vergonhosas, como os R$ 7.952 do jogo com o Volta Redonda.

Achou pouco? Contra o Bangu coube ao Flamengo R$ 1.389,00. Menos de dois salários mínimos! E os sócios torcedores estão a abissal distância de levarem público significativo. Na peleja frente ao Voltaço, 1.192 ingressos foram adquiridos por eles, ou seja, 17%. Diante dos banguenses 901, novamente 17%.

A um preço médio de R$ 20, um público de 10.900 pagantes contra o Volta Redonda e outro com 8.200 diante do Bangu proporcionariam rendas idênticas. E já seria melhor, pelo menos haveria mais gente no estádio. Contra o Boavista, com quase 21 mil pagantes, o Flamengo jogou às 19h30 sem TV aberta ao vivo, o que mostra o quão pesado são horário do jogo e transmissão da peleja na decisão do torcedor de ir ou não.

É fato que nesses cotejos de pequeno apelo, quando a bola rola tão tarde e é possível vê-la na sala de casa sem pagar por isso, o público cairá. Mas não pode despencar tanto e ninguém se incomodar com isso. São seguidos vexames.

Abaixo, as médias de público e os preços de ingressos na temporada 2009, a última na qual foi possível jogar até o final do ano no Maracanã original; e os números do campeonato atual. Veja, também, os valores corrigidos dos ingressos, que ficaram 80% mais caros, enquanto a inflação do período foi de 37%. O Maracanã, reformulado como a Fifa mandou, ficou inviável, ainda mais com um parceiro imposto aos clubes.

É preciso fugir dele o quanto antes, colocar cifras ao alcance do torcedor e melhorar o programa do sócio. Para evitar novos vexames como os que o Flamengo vem acumulando, incompatíveis com quem tem a maior torcida do Brasil.

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Ingressos subiram 80% em período que registrou 37% de inflação entre 2009 e 2015
Ingressos subiram 80% em período que registrou 37% de inflação entre 2009 e 2015

Abaixo a ditadura do Sócio Torcedor. Turma do Cappuccino talvez o prefira no shopping

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Torcedor é a pessoa que torce, apóia em competições esportivas. Um incondicional admirador! Ninguém precisa ser sócio para ser torcedor. A criança que descobre a paixão por um clube não depende de carteirinha. O sentimento vale milhões de vezes mais do que um pedaço de plástico com nome, RG e foto 3 por 4.

Quem torce e deseja ver seu time de perto fica cada vez mais distante disso. O que já foi simples, para muitos está se transformando em sonho: acompanhar de fato os jogadores, lá no estádio, gritar por eles, torcer por eles, vibrar com eles. Criaram uma barreira entre o torcedor e sua velha paixão.

Tal parede só pode ser derrubada mediante pagamentos mensais ao clube. Como se apenas o dinheiro pudesse provar que o sujeito é mesmo torcedor daquele time. Como se fosse para a maioria uma moleza desembolsar a taxa mensal. Isso num país cuja renda média domiciliar per capita é de R$ 1.052,00.

Leia mais: Ingleses protestam contra preços abusivos no futebol

É caro. Tanto os R$ 39,90 cobrados pelo Flamengo e que dão "descontos na compra de ingressos" como os R$ 70 mensais do Palmeiras, que permitem acesso direto ao setor menos "nobre" na arena do presidente Paulo. A maioria não pode pagar por isso. E alguns podem e não querem por não serem muitos dos programas bem elaborados.

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Mauro questiona a ditadura do sócio-torcedor: 'Estão fazendo futebol para a classe-média'

Futebol é prioritariamente paixão. Mas mesmo observando sob a perspectiva do negócio, como fazem tantos "especialistas" que se multiplicam por aí, é evidente que não há demanda. O Palmeiras comemorou efusivamente a quebra da barreira dos 100 mil "Sócios Avanti". Mas o que isso de fato representa? Só 1% dos apaixonados pelo Palestra, segundo pesquisas.

Os dos R$ 69,90 mensais no plano palmeirense têm direito a ingressos para todos os jogos no novo estádio. Mas há uma restrição: cabem menos de 9 mil pessoas no setor destinado a quem paga tal quantia e quer ir sem desembolsar mais dinheiro. É obvio que pouquíssimos podem aproveitar tal benefício. E as pessoas falam como se todos pudessem pagar esse valor e não faltar a jogo algum sem um centavo a mais.

No estádio do Corinthians, explica o companheiro Rodrigo Vessoni do Diário Lance!, há sete setores. Dois mais acessíveis, um intermediário e quatro caros. Isso explica a enorme dificuldade do Fiel Torcedor que deseja comprar ingresso mais barato e, por exemplo, associados ao programa pagando R$ 200 por um jogo da Libertadores. Imagine a situação do corintiano não sócio. A massacrante maioria!

Eduardo Tironi definiu bem. Num avião há muito mais lugares na classe econômica. Motivo? Em geral as pessoas só podem pagar por aquele tíquete, o mais acessível. Há uma parcela reduzida destinada à executiva e outra, ainda menor, chamada de primeira classe, que é caríssima. As companhias distribuem os assentos nas aeronaves de acordo com a demanda. No estádio de futebol tal lógica é quase ignorada.

Gilvan de Souza/Fla Imagem
Eduardo da Silva na partida contra o Bangu, no Maracanã: cadeiras vazias ao fundo
Eduardo da Silva na partida contra o Bangu, no Maracanã: cadeiras vazias ao fundo

Se o Palmeiras tem aproximadamente 1% de sua torcida associada, o que dizer de São Paulo, Flamengo, Corinthians, Inter, Atlético, Cruzeiro, etc? Esses tem pontos percentuais ainda menores na proporcão entre os que aderiram aos programas e os fanáticos pelos clubes. Quase nada diante do gigantismo de suas torcidas. E a explicação, na maioria das vezes, é econômica: o cidadão não tem essa grana disponível, sobrando, para dar religiosamente ao clube.

Seria sensacional se os preços dos ingressos fossem acessíveis e proporcionais à demanda, à procura. Com os programas de sócio torcedor proporcionando aqueles que podem e querem contribuir, vantagens sobre os que pagam os ingressos avulsos, entre outros benefícios. Eles se tornariam atraentes e não haveria segregação.

Mas não é o que acontece no Brasil. Os bilhetes foram encarecidos, criaram a dificuldade para vender a solução: o programa sócio torcedor, evidentemente. Quem não se associa, que se vire, que não compareça ao jogo, veja pela televisão ou vá dormir. Na cabeça de alguns, talvez a expressão seja "que se dane" mesmo.

Gazeta Press
Leandro Damião marcou no empate do Cruzeiro: Mineirão quase deserto
Leandro Damião marcou no empate do Cruzeiro: Mineirão quase deserto

Na final da Copa do Brasil de 2014 um grande momento do futebol mineiro, Atlético e Cruzeiro decidindo em dois jogos, que levaram a Independência e Mineirão 70% dos torcedores que os estádios comportariam. O óbvio motivo, ingressos a preços proibitivos. E o clube da massa foi campeão longe da maior parte dela, que tanto ajudou contra Corinthians e Flamengo nas épicas viradas de 4 a 1.

A ditadura do sócio torcedor cria outro obstáculo para o amante do futebol que, independentemente de ser o seu time ou não em campo, se dispõe a sair de casa para ver boas partidas. Fiz isso minha vida toda e cheguei a frequentar geral e arquibancada do Maracanã quatro vezes na mesma semana vendo Vasco, Fluminense, Flamengo e Botafogo em jogos de campeonatos carioca e brasileiro. Quem pode fazer isso hoje?

A defesa do atual modelo é feita pelos que só vêem o estilo de vida classe média. Pelos que acham R$ 70 mensais mixaria. Pelos que esquecem de onde vieram ao melhorarem de vida. Vamos observar quem está embaixo nessa pirâmide? Que ama seu time e quer ir ao futebol. Afinal, há espaços sobrando (e como!) nas arquibancadas encadeiradas.

Estamos diante de uma ditadura. A ditadura do sócio torcedor. E a resposta é espontânea. O exageradamente badalado Palmeiras x São Paulo não levou mais do que 57% do número de torcedores que o Allianz Parque comporta. O Mineirão recebeu 10% da capacidade em Cruzeiro x Mamoré. E o Maracanã 8% em Flamengo x Bangu. Mesmo o Corinthians com suas belas médias não costuma lotar Itaquera.

Como escreveu o fã de esportes Ricardo Lima Camilo, "os programas de Sócio Torcedor não podem ser vistos apenas como facilitador para compra de ingressos. Falta criatividade aos dirigentes". E isso acontece apesar da parceria com a Ambev, que dá descontos em compras no supermercado, por exemplo.

Eu me incomodo ao ver tantas cadeiras vazias repetidas vezes em consecutivos jogos de futebol em nosso país. Reflexo, sim, de campeonatos pouco atraentes, mas também de uma política de preços de ingressos restritiva e elitista. Eles só estão de olho no "torcedor capuccinno". Que talvez prefira saborear sua bebida no shopping center.

PS: não sou contra os programas de sócios torcedores, mas contrário à idéia de que a pessoa precisa pagar obrigatoriamente R$ 100, R$ 200 para ver UM jogo de seu time, caso não concorde em se associar. Ou não possa pagar o "dízimo" mensal.

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Mauro: o povo sempre sustentou futebol

 

Armero mais próximo do Flamengo. Milan deve pagar parte dos salários até julho

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

O lateral-esquerdo Pablo Armero, vinculado à Udinese e emprestado ao Milan, deve mesmo defender o Flamengo a partir de abril. O acordo entre o clube de Friuli, onde jogou Zico, e a agremiação carioca depende de pequenos detalhes financeiros que envolvem o empréstimo do ex-palmeirense até dezembro de 2015.

O jornal La Gazzetta dello Sport dá como praticamente certa a negociação, dependendo de detalhes entre Armero e o Flamengo. O blog apurou que o último entrave na verdade envolve os dois clubes. Os brasileiros pagarão à Udinese pela liberação do atleta — as cifras girarão em torno de € 100 mil (R$ 341 mil).

A vantagem dos rubro-negros fechando o negócio agora são duas. Primeiro ter o colombiano imediatamente — a janela de contratações fecha no próximo dia 16. Segundo é que parte dos salários serão pagos pelo Milan até julho porque os rossoneri têm compromisso com o colombiano, emprestado, até lá.

ESPN TruMedia
O mapa de movimentação de Pablo Armero: sempre aberto pela esquerda
O mapa de movimentação de Armero: aberto pela esquerda

Armero, que na Europa também defendeu Nápoli e West Ham; é visto na Itália mais como meio-campista do que lateral. Na lista de jogadores do elenco milanista o colombiano aparece como um "centrocampisti". Mas pelo atual mapa de movimentação do atleta (à esquerda) nota-se que ele segue jogando bem aberto e com boa presença no campo defensivo na temporada atual.

Vestindo a camisa 27, ele fez apenas oito partidas da Série A com a camisa vermelha e preta. Foram 628 minutos em campo, média de 78,5 por jogo. O jogador vai completar 29 anos em 2 de novembro e não fez gol pelo seu atual clube.

Paralelamente Flamengo e Udinese discutem a venda de Samir, nos planos do clube italiano. Os dirigentes do time brasileiro, detentor de 50% dos direitos, pedem € 5 milhões (mais de R$ 17 milhões). A negociação não está vinculada à volta de Armero ao futebol brasileiro e o zagueiro só iria para a Itália no segundo semestre. 

Reprodução
Jornal italiano La Gazzetta dello Sport dá como praticamente certa a negociação
Jornal italiano "La Gazzetta dello Sport" dá como praticamente certa a negociação

Flu pensou em Baptista e Ney, foi de Drubscky, e novo técnico vai conviver com a "chapa quente"

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Depois da demissão Cristóvão Borges, dois dias após o 1 a 1 com o Tigres, o Fluminense tinha três nomes de treinadores em pauta: Ney Franco, Eduardo Baptista e Ricardo Drubscky. Este foi anunciado na manhã desta terça-feira após reunião na noite anterior que avançou até às 23 horas.

Eduardo, filho de Nelsinho Baptista (ex-técnico de Corinthians, São Paulo, Flamengo...), está no Sport, o que logo tirou seu nome da lista, pois seria preciso pagar uma multa rescisória para tirá-lo do rubro-negro pernambucano. Entre os sem clube, Ney Franco corria por fora e Ricardo Drubscky era o favorito, mas os dirigentes não quiseram anunciá-lo antes da reunião realizada horas após a saída de Cristóvão.

Durante o encontro, no Rio de Janeiro, o treinador impressionou ao demonstrar conhecimento sobre variações táticas e métodos de treinamento. Os tricolores gostaram da conversa com o Drubscky, visto como experiente, apesar de ainda não ter brilhado em clubes considerados "grandes" no cenário nacional.

O contrato do novo técnico vai até dezembro deste ano e a dúvida no clube é quanto à sua capacidade de passar rapidamente o próprio conhecimento aos atletas. Para os dirigentes, trata-se de uma tentativa de quebrar minimamente a cultura de rodízio de um grupo de treinadores de salários elevadíssimos, o que de cara descartou Abel Braga.

Gazeta Press
Ricardo Drubscky, durante jogo do Goiás, então por ele comandado, frente ao Internacional
Ricardo Drubscky, durante jogo do Goiás, então por ele comandado, frente ao Internacional

Como o Fluminense vai aderir ao fair-play financeiro e ao parcelamento da dívida proposto pelo governo por meio de medida provisória, os salários também pesaram (Ney Franco seria mais caro do que o escolhido, inclusive). A idéia é de que a remuneração do treinador fique dentro de um determinado patamar.

A decisão pela demissão de Cristóvão não foi unânime, havia integrandes da diretoria que preferiam a manutenção do técnico à frente do time. Foi o diretor executivo Fernando Simone, e não Fred como se especulou, o grande cabo-eleitoral de Ricardo Drubscky, a quem fazia elogios desde quando chegou ao cargo, ainda em 2014.

Ney Franco pediu o dobro do que Ricardo Drubscky ganhará mensalmente para trabalhar no Fluminense. Será uma remuneração inferior à de Cristóvão Borges, por sinal. Argel Fucks, consultado, também pediu mais, algo entre o que o ex-técnico recebia e aquilo que o novo treinador embolsará por mês.

A grande questão é como o novo treinador reagirá ante eventuais dificuldades, em momentos de turbulência inerentes à temporada longa que terá pela frente. Sem a Unimed, o Fluminense precisa, mais do que nunca, obter resultados na formação de jogadores. Já para fechar as contas em 2015 provavelmente terá que vender um.

Cristóvão caiu (um equívoco na opinião do blogueiro, em meio a um campeonato tão confuso dentro e fora de campo) e Drubscky não terá a vida facilitada em relação ao seu antecessor. Uma grande oportunidade para um técnico que esperava por ela. Mas que fique atento. A chapa que queimou Cristóvão permanecerá quente.

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Para Mauro, nome de Drubscky foge do lugar comum; Bertozzi vê o técnico sem respaldo para crise

No clássico da chuva, consórcio embolsa bem mais do que Flamengo e Vasco. Mau negócio?

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Flamengo e Vasco ficaram com R$ 568.514,97, cada um, ou 22,35% da renda do clássico de domingo, que somou R$ 2.543.220,00. O consórcio que administra o Maracanã mordeu R$ 432.200,53 de "aluguel do estádio" e R$ 311.070,00 de "custo operacional do estádio". Está no borderô da peleja — acesse clicando aqui.

Só nesses dois itens, arrecadou R$ 743.270,53, ou 29,22% do dinheiro deixado nas bilheterias pelos 51.085 pagantes (total de 56.020 presentes). E há mais custos, como "despesa operacional" (R$ 20.000,00) ingressos (confecção e venda, R$ 89.909,60) etc.

A fatia da Federação de Futebol do Rio de Janeiro: R$ 247.989,00. Nada mal para quem tem a missão de organizar o certame, mas não paga os "artistas do espetáculo". Não forma elenco, tampouco tem apelo para atrair o torcedor apaixonado.

No setor norte, onde ficaram os rubro-negros, 17.127 ingressos foram vendidos. O setor sul, destinado aos vascaínos, recebeu 16.503 pagantes. Nas áreas leste e oeste as torcidas se misturam, inviabilizando o cálculo preciso de torcedores dos dois times.

Você pode até ter dúvidas sobre quem levou mais torcida ao clássico mais polêmico da temporada até aqui. Mas há uma certeza: a maior fatia do bolo, foi do consórcio que administra o Maracanã desde que foi reconstruído para a Copa do Mundo 2014.

Mau negócio?

Gazeta Press
O atacante rubro-negro Alecsandro comemora com guarda-chuva após balançar as redes
O atacante rubro-negro Alecsandro comemora com guarda-chuva após balançar as redes
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