Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Jornalista desde 1983, passou por diversas redações de rádios, jornais, revistas e sites. Lecionou em faculdades de jornalismo e hoje é comentarista dos canais ESPN

Buraco no Maracanã para festa paralimpíca atrasa volta do futebol e Fla-Flu poderá ser no América

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Um buraco aberto no meio do gramado do Maracanã para a festa de Abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, em 7 de setembro, no Rio de Janeiro, vai retardar a volta do futebol ao estádio. A troca do piso já estava prevista para logo após a festa de encerramento, no dia 18 do mesmo mês. Contudo, com a "cratera" — 2 metros de profundidade, 6,5 metros de cumprimento e 4 metros de largura — os trabalhos demorarão bem mais do que nos Jogos Olímpicos.

Tanto que em 16 de agosto, oito dias depois da festa inaugural, os times femininos de Brasil e Suécia se enfrentaram num piso impecável, plantado apenas três dias antes de a bola rolar. Evidentemente a organização não revela o que vai apresentar, mas os comentários são de que uma cadeiras de rodas ou algo semelhante sairá do buraco.

O gramado foi retirado após as finais do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro. Depois disso, apenas ensaios para a abertura olímpica aconteceram por lá, sob um tablado que protegeu o que fica sob o "tapete verde", como o sistema de drenagem, por exemplo. Após a festa inicial, alguns dias foram consumidos com a remoção de toda a parafernália ali instalada; três a quatro bastam para que um novo piso seja colocado, desde que plantado anteriormente em outro local, ou seja, com o devido planejamento.

Tal procedimento é tão comum na Europa que só o Camp Nou já realizou duas trocas em 2016. A empresa que faz a manutenção no Barcelona tem 5% das ações da Greenleaf, que além de cuidar do Maracanã é responsável pelos campos da Arenas Pernambuco e Amazônia; Pituaçu, Fonte Nova, Barradão, Mané Garricha e outros.

Como no Brasil não existem fornecedores de grama esportiva, a companhia alugou uma fazenda em Saquarema, a 100 quilômetros do Rio, e lá ela mesma plantou. Outro gramado está no mesmo local passando por idêntico procedimento para ser instalado após a Paralimpíada, seguindo o acordo com a Rio 2016.

Jorge Rodrigues/Eleven/Gazeta Press
Marta na partida entre Brasil e Suécia, que estreou gramado novo nos Jogos Olímpicos
Marta na partida entre Brasil e Suécia, que estreou gramado novo nos Jogos Olímpicos

A grama será plantada após a festa de encerramento, já que o estádio não será utilizado durante as competições, apenas nas cerimônias de abertura e fechamento. O prazo para a conclusão dos trabalhos vai depender e de um cronograma. Oficialmente a data para a devolução do Maracanã é até 23 de outubro, ou seja, o Comitê não é obrigado a devolvê-lo antes de tal data.

A colocação do novo piso será feita assim que o evento acabar, mas com o buraco aberto no campo, estima-se em aproximadamente 20 dias o período necessário não só para o posicionamento da grama como a reconstrução de parte do que fica sob o solo. Obviamente se não existisse a "cratera" seria mais fácil e rápido.

Assim é praticamente impossível o Flamengo voltar ao Maracanã em 24 ou 25 de setembro, contra o Cruzeiro, como pretende. Receber o Santa Cruz em 5 ou 6 de outubro também é improvável e o Fla-Flu em 12 ou 13 do mesmo mês pode ser até em Edson Passos. "Já solicitamos formalmente a liberação para os jogos com Flamengo e São Paulo. A ideia é jogar no Maracanã. Faremos o possível para isso", adianta Peter Siemsen, presidente do Fluminense.

Se o gramado não estiver pronto até lá, o estádio do América entra na pauta para o duelo entre tricolores (dia 15 ou 16) e também o clássico com os rubro-negros. "É uma possibilidade. Dependeria do GEPE", acrescenta, se referindo ao grupamento da Polícia Militar que faz a segurança nos estádios do Rio de Janeiro. Ao Flamengo restaria o retorno como mandante no dia 23, a data-limite, diante do Corinthians.

O clube ainda faria no Maracanã mais três partidas em novembro, diante de Botafogo (dia 5 ou 6), Coritiba (19 ou 20) e Santos (26 ou 27). Os dirigentes rubro-negros têm pressionado para voltar ao estádio o quanto antes. Não por acaso um show da banda Guns N' Roses, que lá aconteceria no dia 15 de novembro, será no Engenhão. Mas correm o risco de "tropeçar" no buraco feito no meio do campo.

Veja a alegria de excluídos das 'arenas' no reencontro com a casa do clube de coração

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br


O vídeo acima dispensa maiores explicações. O Internacional abriu as portas do novo Beira-Rio para sua torcida no jogo Sub-20 contra o Corinthians. Colorados sem recursos para pagar os caros ingressos praticados no futebol atual foram conhecer a "arena" reinaugurada há dois anos. Foi a rara vez dos excluídos.

Velhos torcedores e suas crianças presentes na casa daquele que, como diz o próprio hino, é "o clube do povo do Rio Grande do Sul". Atitude acertada dos dirigentes do Inter. Que outros façam o mesmo, reduzindo os preços em jogos menores, abrindo os portões em partidas de jovens. Basta de tanta segregação nas canchas brasileiras.

Futebol sem povo é teatro. Arquibancada sem gente apaixonada pelos nossos clubes é plateia. Clubes com milhões de torcedores não podem restringir a frequência de seus estádios a alguns privilegiados que conseguem se associar e pagar caro.

Nesta terça-feira, dia 30, estarei em Porto Alegre no evento sobre o tema promovido pelo movimento "O Povo do Clube". Você pode se informar a respeito clicando aqui.

Falta repertório a Tite?

Fim do Campeonato Brasileiro de 2015, Corinthians campeão. Início de 2016 e jogadores deixam o clube aos lotes, Tite indica contratações e parte da imprensa passa horas analisando quem seria o novo Jádson, o homem que faria o papel de Renato Augusto, o jogador capaz de compensar a ausência de Ralf... Ao invés de imaginar que o técnico montaria uma nova equipe de acordo com os atletas que chegavam, praticamente só se pensava em clones dos que saíram.

Não funcionou, e Tite passou a buscar novas funções para Guilherme, Marquinhos Gabriel, Giovanni Augusto... Mas saiu do Corinthians. Chegando à seleção, a curiosidade natural era sobre como montaria a equipe cebeefiana. Era, pois em entrevista ao blog de Renato Rodrigues, Cléber Xavier, auxiliar técnico de Tite por 15 anos, revelou que de início a ideia é trabalhar dentro do mesmo modelo de jogo, aquele 4-1-4-1 de 2015 — clique aqui e leia.

Sistema vitorioso que demandou tempo e muito treinamento. Não custa lembrar que só na metade do campeonato brasileiro passado o time se formou, amadureceu, deslanchou, e passou a marcar mais gols, como o blog registrou na época. Faz sentido Tite adotar a mesma estratégia, mesmo sabendo que não terá os meses de que dispôs no ano passado? É o melhor caminho, apesar de sabermos que não haverá a longa e diária convivência com os atletas como em 2015?

Estranho que depois do sucesso alcançado com uma maneira de jogar, Tite tenha tentado reconstruir o Corinthians pós-desmanche apoiado nos mesmos conceitos e agora, tendo nas mãos a seleção, faça suas escolhas mais uma vez pautado no 4-1-4-1 do ano passado. Mesmo podendo contar com todo e qualquer jogador brasileiro, obviamente um privilégio para qualquer treinador.

Seria essa a melhor opção, ainda mais com períodos curtos de treino e viagens? Ou para desenvolver algo novo seria preciso outro período sabático? Ele está preso ao Corinthians de 2015? Falta repertório a Tite? As respostas serão dadas a partir do duelo de Quito, quinta-feira, contra o Equador, colíder das eliminatórias sul-americanas. O Brasil é sexto, colocação que não leva à Copa de 2018.

Getty Images
Tite durante a coletiva em que anunciou os convocados para a seleção
Tite durante a coletiva em que anunciou os convocados para a seleção

Brasil e seus estádios que não lotam. Falta uma visão mais 'Casas Bahia' aos cartolas brasileiros

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Dirigentes e torcedores de Corinthians e Palmeiras se orgulham das médias de público que vêm registrando em seus novos estádios, e das arrecadações repletas de zeros, ou seja, usualmente na casa dos milhões. Justo, afinal, são os melhores números apresentados no ainda pífio futebol brasileiro em matéria de presença nos estádios, com taxa média de ocupação sofrível: 40% ao final do primeiro turno da Série A 2016, como registra o blog Balanço da Bola — clique aqui e confira.

No mesmo link você pode observar que as taxas de ocupação de palmeirenses e corintianos, excelentes para nossos risíveis números, não passam de 75%, ou tres quartos dos lugares disponíveis em seus estádios. Seria a pior marca na última edição da Premier League, quando o rebaixadíssimo Aston Villa, que fez míseros 16 pontos em 114 possíveis, atraiu em média 33.690, ou 78,77% dos lugares existentes no centenário e modernizado Villa Park, na cidade de Birmingham.

Reprodução TV
Nem o setor atrás do gol onde ficam a as torcidas organizadas, lotou em Corinthians x Vitória
Nem o setor atrás do gol onde ficam a as torcidas organizadas, lotou em Corinthians x Vitória

O fato é que ainda sobram muitos lugares nos estádios brasileiros, especialmente pela dificuldade dos dirigentes em alterar os preços dos ingressos em função do apelo de cada partida. E do desprezo pela maioria da torcida. Isso mesmo, a massa mais numerosa é solenemente ignorada pela cartolagem, exceto quando dela precisam e, em desespero na luta contra o rebaixamento, reduzem o preço e os convocam. Eles sabem que esses formam a maior parte dos quais se podem contar sempre.

Na última rodada do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras, em primeiro lugar desde o turno passado, atraiu 29.138 torcedores num domingo à tarde ao Allianz Parque. Isso significa que sobraram 14.462 assentos, com 66,83% deles ocupados. Já o Corinthians, na segunda-feira às 20 horas, bateu o Vitória, voltou à terceira posição, a três pontos do líder, diante de 20.207 pagantes. Sobraram 28.793 lugares em Itaquera, que teve 41,23% de seus espaços ocupados, pior marca da história do estádio.

Os números dos dois rivais paulistas ainda são os melhores do país e bem superiores à maioria. Nem vale a pena citar outros exemplos, alguns sofríveis, com médias superadas facilmente pelo Portsmouth. Na quarta divisão, o time do Sul da Inglaterra atraiu 16.391 por partida na temporada passada, 77,68% da capacidade do seu Fratton Park. Nos dois jogos que lá fez no atual campeonato, 16.769, ou seja, seguem assíduos, mesmo sem sair da League Two só oito anos após ganharem a Copa da Inglaterra, quando eram da primeira divisão, a Premier League.

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Mauro: clubes buscam universo pequeno de torcedores nos estádios e ignoram maioria de suas torcidas

Os públicos de Corinthians e Palmeiras na rodada passada somaram 49.345, que praticamente caberiam apenas em Itaquera, ou 53,28% dos 92.600 lugares que as duas "arenas" oferecem. Isso com os dois times muito bem colocados no campeonato e sendo apontados como exemplares por jornalistas e outros cartolas. Mas ainda são índices que satisfazem apenas aos elitistas e sem visão, aqueles que com pouco se contentam e não querem ver o público mais "povão" nas arquibancadas.

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Para Mauro, São Paulo deveria utilizar gigantismo do Morumbi para atrair torcedor e mostrar força popular

Em 2013, a Via Varejo, dona das populares redes de lojas Casas Bahia e Ponto Frio, registrou lucro líquido de R$ 1,175 bilhão, alta de 240,2% em relação aos R$ 319 milhões obtidos em 2012. Mas o mercado piorou e o grupo fechou 2015 com 23 lojas a menos do que no ano anterior e um lucro líquido de R$ 3 milhões, valor 99,7% inferior ao apurado em 2014. Nem por isso o grupo muda seu foco e deixa de ter uma história de sucesso sem mirar os mais ricos, pelo contrário.

Décadas antes dessa crise mais recente e do aumento de poder aquisitivo da chamada Classe C, as Casas Bahia já faturavam muito atendendo tal público. "A riqueza do pobre é o nome", dizia Samuel Klein, fundador da empresa e que morreu em 20 de novembro de 2014, aos 91 anos. O criador do maior império do varejo brasileiro deu crédito para os de salários mais baixos, deixando os concorrentes se engalfinharem na busca pelo mercado dos ricos ou classe média, os mais abastados.

Reprodução TV
Instantes antes de a bola rolar para Palmeiras x Ponte Preta, muitos lugares vazios no Allianz Parque
Instantes antes de Palmeiras x Ponte, muitos lugares vazios no Allianz Parque

Fato é que as classes C, D e E reúnem 68% dos brasileiros, enquanto A e B não somam mais de 32%, menos de um terço. Evidentemente essa proporção se distribui, com pequenas variações, entre as torcidas brasileiras. Mas os dirigentes desprezam essa massacrante maioria. Mesmo quando sabem que o estádio não lotará, preferem deixar vazias as cadeiras do que ajustar os preços dos ingressos para estimular a presença de mais torcedores e viabilizar a ida desses quase 70% aos seus jogos.

Quantos corintianos passam diariamente de trem, ônibus, carro, a pé, em frente à "Arena" do clube sem que jamais tenham pisado lá e sonhando com esse dia? Ela fica em Itaquera, região 76ª colocada no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano de São Paulo, que reúne 96 distritos. O mesmo vale para o Palmeiras, cujo Allianz Parque fica em Perdizes, terceiro nessa mesma lista, mas por onde passam tantos e tantos alviverdes, indo e vindo do trabalho, e que não conhecem a nova casa do clube.

É evidente que no futebol profissional e caro, jogos de maior demanda terão ingressos absorvidos prioritariamente por sócios torcedores e pelos que podem pagar mais. Entram aí a lei da oferta e da procura e a necessidade de faturar mais de cada clube. Mas em tantos e tantos cotejos, mesmos nos considerados exemplares Corinthians e Palmeiras, sobram cadeiras e mais cadeiras vazias. Não seria melhor ter um torcedor ali sentado, mesmo que ele só possa comprar um ingresso por ano?

Hoje esses e outros clubes com milhões de torcedores trabalham, na prática, com um universo restrito inferior a 100 mil que são associados. E pressionam a maioria a aderir aos seus programas com os ingressos caros, uma lógica perversa e burra que já recebeu a resposta popular há tempos: nesses termos os 68% não vão se associar. E não o farão porque têm outras prioridades e o orçamento mais apertado. Isso não faz deles menos apaixonados pelas cores dessa ou daquela agremiação.

Nos programas de sócios torcedores há pacotes de aproximadamente R$ 10 que não direito a nada, nem a um ingresso por R$ 30 num jogo de menor apelo reservado dias antes pelo site. O sujeito apenas paga, como um dízimo. As opções mais interessantes, que têm contrapartidas, são mais caras e economicamente favorecem apenas aos que podem frequentar a maioria das pelejas. É tudo pensado apenas nos 32%, ou menos, ou seja, mais ricos e a tal classe média tão badalada nesse país.

Se os quase 70% mais pobres pudessem se revezar indo aos jogos de menor demanda e tendo a chance de conhecer e eventualmente visitar as casas de seus clubes, as cadeiras vazias ficariam mais raras, ou seriam 100% ocupadas de vez. Os 43.255 lugares não vendidos na rodada mais recente em jogos dos clubes com as melhores médias, comercializados a R$ 20, por exemplo, significariam mais R$ 865 mil. A renda de Corinthians x Vitória foi de R$ 930.524 com gente pagando até R$ 180. Ninguém se propôs a pagar R$ 450 por uma cadeira no setor Oeste Vip, mostra o borderô.

No caso específico dos dois clubes — insisto, nem vale a pena citar os demais, com números muito piores — se abre mão, por exemplo, do público neutro, gente que gostaria de conhecer as "arenas", ou quem está de passagem por São Paulo e teria interesse em ir a um jogo. Mas com esses preços? Um turista que pagaria, digamos, R$ 50, dificilmente desembolsará o dobro ou triplo disso. E é claro que não se tornará sócio torcedor. Preferem as cadeiras vazias do que vender por um valor mais justo.

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Flamengo x Grêmio em Brasília: olho grande dos cartolas e público que caberia em Cariacica
Flamengo x Grêmio em Brasília: olho grande dos cartolas e público que caberia em Cariacica

Sem falar nos visitantes, sempre explorados. Um ingresso domingo na torcida da Ponte Preta custou R$ 110 e segunda-feira o pessoal que apoiou o Vitória pagou R$ 100. No jogo entre Corinthians x Flamengo, só 67% do estádio foi ocupado e milhares de rubro-negros não puderam ir a Itaquera porque apenas 2,2 mil ingressos foram colocados à venda para eles. Se disponibilizassem os 10% estipulados pelo regulamento, seriam 4,9 mil e pelo menos mais R$ 200 mil nas bilheterias.

Mas nada supera a tolice dos dirigentes do próprio Flamengo. Domingo, em Brasília, na estreia de Diego, jogaram os ingressos nas alturas, com preço médio de R$ 63. Resultado, apenas 30,98% dos 72.788 lugares foram ocupados. O público de 22.522 pagantes lotaria o estádio de Cariacica, onde o time tem atuado. Mas na capital federal, num estádio imenso, era obviamente necessário oferecer preços mais populares.

Se o custo médio fosse de R$ 40, bastariam 40 mil rubro-negros para renda R$ 200 mil maior. Sem falar em algo não menos importante: casa cheia, atmosfera, mais gente apoiando o time. A pergunta é: quem decide isso conhece algo de futebol? Frequentou estádio? Já sentou numa arquibancada? Sabe qual é a realidade de um assalariado? 

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Mauro critica maneira como a torcida visitante é recebida por times de São Paulo

Enquanto isso, aqueles caraminguás que o povão ainda pode reservar para um pequeno "luxo" são direcionados a algo mais justo, como a prestação de uma televisão, um fogão novo, uma máquina de lavar roupas! Com parcelas que se encaixam no orçamento do cidadão e dão em troca algo real, palpável. A paixão não é concreta, mas é muito maior do que o desejo por um aparelho eletrônico ou um eletrodoméstico. Contudo, ela soa como exploração quando se vê os preços dos ingressos.

Falta aos dirigentes perceber o óbvio: estamos no Brasil, país cuja população tem renda média de apenas R$ 1.113. Falta quem note que entre os 68% das Classes C, D e E não há quem possa pagar R$ 450 por um ingresso numa decisão. Mas são milhões que desembolsariam R$ 20, R$ 30 em partidas menos concorridas e que, juntos, proporcionariam muito mais do que esse meio salário-mínimo por um jogo de futebol. Falta aos clubes alguém com a visão do criador da Casas Bahia.

Corinthians pagará R$ 3 milhões por 35% do "Adebayor" que fazia gols a 40 quilômetros do clube

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
Divulgação
Gustavo na Copinha com torcedores do Taboão, e no dia da sua apresentação no Criciúma
Gustavo com torcedores do Taboão, e na apresentação no Criciúma

Exames médicos, assinatura de contrato e pagamento à vista. É o que espera o Criciúma para anunciar a venda de Gustavo ao Corinthians, que desembolsará R$ 3 milhões para ter 35% dos direitos sobre o atleta. O atacante foi um dos artilheiros da Copa São Paulo de Juniores em 2014, quando ainda tinha 19 anos, era chamado Gustavo "Adebayor" e vestia a camisa do Taboão da Serra, clube localizado na região metropolitana de São Paulo, a 40 quilômetros da sede do Parque São Jorge.

Com 1,89 metro de altura e 76 quilos, Gustavo ganhou o apelido devido a uma semelhança física que com o atacante do Togo, então no Tottenham, identificada pelos colegas. Por R$ 700 mil o Criciúma adquiriu 70% dos direitos sobre o atacante ainda durante a Copinha de dois anos atrás. Assim que o Taboão foi eliminado ele viajou para Santa Catarina. O clube valorizou o atleta mais de oito vezes e meia. Ele é goleador da Série B ao lado de Nenê, do Vasco, com 11 gols assinalados.

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Veja gols de Gustavo, atacante do Criciúma que está próximo de fechar com o Corinthians

Gustavo ainda tem 20% vinculados ao Taboão da Serra e 10% a um empresário. Corinthians e Criciúma passarão a ter 35% dos direitos do goleador, cada um. Seu primeiro gol pelo clube catarinense foi marado apenas em março deste ano, após ter disputado 27 jogos com a camisa do Criciúma. No entanto, no período ele passou pelo Nacional da Ilha da Madeira (Portugal), Atlético de Tubarão e Resende, até começar a marcar muitos gols com a camisa do Tigre. Agora está perto de seu maior desafio.

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