Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Jornalista desde 1983, passou por diversas redações de rádios, jornais, revistas e sites. Lecionou em faculdades de jornalismo e hoje é comentarista dos canais ESPN

Parabéns aos campeões. Fim dos Estaduais encerra o período de ilusões. Lembre como foi em 2014

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Encerrados os campeonatos estaduais, parabéns aos campeões. Mas afinal, daqui pra frente, com o início do Brasileiro em suas quatro divisões, qual a relação entre os troféus erguidos neste domingo e o que vem por aí? Vamos lembrar como se saíram os vencedores dos 12 Estaduais mais importantes do país em 2014, quando finalmente tiveram que disputar certames de âmbito nacional.

Um foi bicampeão da Série A (Cruzeiro). Um time subiu (Londrina) e outros dois foram rebaixados (Bahia e América de Natal). Seis permaneceram no mesmo nível no Campeonato Brasileiro (Atlético Goianiense, Ceará, Sport, Flamengo, Internacional e Figueirense) e dois (Ituano e Remo) foram eliminados disputando a Série D, o que não assegurava vaga em divisão alguma para a temporada atual.

O que aconteceu com os campeões de 2014
Bahia - Bahia - Rebaixado à Série B
Ceará - Ceará - Não saiu da Série B
Goiás - Atlético - Ficou na Série B
Minas Gerais - Cruzeiro - Bicampeão da Série A
Pará - Remo - Eliminado nas 8ªs da Serie D
Pernambuco - Sport - Segue na Série A
Paraná - Londrina - Subiu para a Série C
Rio de Janeiro - Flamengo - Segue na Série A
Rio Grande do Norte - América - Caiu para a Série C
Rio Grande do Sul - Internacional - 3º da Série A
São Paulo - Ituano - Eliminado nas 8ªs da Serie D
Santa Catarina - Figueirense - Segue na Série A

Com o encerramento dos Campeonatos Estaduais, longos demais, arrastados demais, chatos demais, exceto por alguns clássicos e pelos jogos decisivos, termina também o período de ilusões no futebol brasileiro. Agora a disputa pra valer vai começar, dentro da realidade de cada time. E, como você pode observar acima, na maioria das vezes não há relação entre título no próprio Estado e sucesso nacional. Boa sorte, então.

Gazeta Press
Torcida do Londrina festeja: único campeão estadual que subiu de divisão em 2014
Torcida do Londrina festeja: único campeão estadual que subiu de divisão em 2014

Vozão campeão da "Lampions League". Futebol do nordeste pode mais contra o "Sul Maravilha"

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Em 2014, na final da Copa do Nordeste, Ceará x Sport teve a maior arrecadação da história do futebol cearense. Ao preço médio de R$ 24,57 o ingresso, 60.068 pagantes deixaram nas bilheterias R$ 1.476.187,00.

Novamente na decisão do título da região, o Vozão venceu o Bahia na quarta-feira e ganhou a taça perdida um ano antes para o rubro-negro pernambucano. Festa em preto e branco por toda a cidade de Fortaleza.

O Castelão recebeu público ainda maior do que o da final de 2014: 63.903 torcedores pagaram, em média, R$28,27 e proporcionaram a arrecadação de R$ 1.807.162,00. É a força da "Lampions League" e o maior público do ano ano no país.

Christian Alekson/Ceará SC
O Ceará voltou a vencer o Bahia e ficou com o título da Copa do Nordeste: campeão
O Ceará voltou a vencer o Bahia e ficou com o título da Copa do Nordeste: campeão

Na vitória sobre o Bahia, a torcida do Ceará superou a do rival Fortaleza, que na luta para sair da Série C levou 62.525 ao jogo com o Macaé, em 2014. Mas não foi alcançada a renda de R$ 1.981.117,00 daquele cotejo.

Em 2014, Ceará x Sport, superou o até então melhor público da temporada, os 45.158 torcedores que viram Botafogo 4 x 0 Deportivo Quito no Maracanã. Ceará x Bahia supera outro recorde do sudeste, os 53.772 de Atlético x Caldense.

Na Copa do Nordeste 2013, a semifinal entre Ceará e ASA levou ao Castelão 52.207 pagantes que registraram o record de renda local até então: R$ 1.266.417,00. Antes da reforma do estádio, em 2010 Ceará x São Paulo também bateu a casa de R$ 1 milhão.

Não há como comparar as possibilidades de arrecadação de um grande clube nordestino como o Ceará e um do Sudeste. Domingo o Palmeiras divulgou renda superior a R$ 4 milhões ao preço médio do ingresso de inacreditáveis R$ 105!

Gazeta Press
Jogadores do Ceará comemoram gol contra o Bahia: público recorde no país em 2015
Jogadores do Ceará comemoram gol contra o Bahia: público recorde no país em 2015

Mas a força de clubes como o Vozão é inquestionável, evidente. Sua popularidade e as seguidas boas participações na grande competição do Nordeste apontam numa boa direção. O Ceará tem boa equipe e força popular para sonhar mais alto.

E o campeão nordestino não é o único por lá. Hoje na terceira divisão, o Fortaleza mostrou em 2014 e tantas outras vezes sua força popular, como têm os grandes baianos, pernambucanos etc. Mas só um clube da região disputa a Série A, o Sport.

Talvez ainda seja um sonho quase impossível ver um clube do Nordeste campeão brasileiro na Série A. Mas a paixão do povo pelo futebol e por seus times, mostra que com organização é possível fazer mais. Pelo menos disputar a elite.

O Campeonato Brasileiro da primeira divisão começa no dia 9 de maio com dois mineiros, três cariocas, quatro catarinenses, dois gaúchos, cinco paulistas, dois paranaenses, um goiano e apenas um do norte e nordeste. E isso é muito ruim.

Que a força do Ceará campeão da "Lampions League" impulsione ao Vozão e seus rivais da região. Para que mais times nordestinos não só participem como briguem com os da parte de baixo do mapa, desafie o "Sul Maravilha" na primeira divisão do futebol.

Vascaínos compram tudo. Ausente, torcida do Botafogo pelo menos vai encher seu setor

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

A torcida do Botafogo é ausente. Não, esta não é uma opinião, mas uma constatação. Com a nova configuração do Maracanã, é possível medir com precisão o número de torcedores de cada times nos clássicos, pelo menos nos setores exclusivamente destinados aos dois times envolvidos. E as evidências estão aí para quem quiser encarar os fatos (veja abaixo).

Na manhã desta quarta-feira, quatro dias antes do clássico que decidirá o campeonato carioca, a galera do Vasco já havia esgotado todos os seus ingressos na arquibancada atrás do gol à direita (setor sul). Na outra curva (norte) mais de 10 mil continuavam disponíveis para os botafoguenses. E os vascaínos seguiam adquirindo os bilhetes das áreas centrais, consideradas mistas.

Pelo Twitter, escrevi: "Euriquices à parte, bonita mobilização da torcida do Vasco, devorando os ingressos para lotar o Maracanã. Abram parte do setor norte para ela". E mais: "Se até amanhã o Botafogo não esgotar o setor norte o justo seria abrir metade dele para a torcida do Vasco". Qualquer pessoa que saiba interpretar um texto compreenderá a mensagem.

Gazeta Press
Vasco 1 x 0  Botafogo, primeiro jogo decisivo do Estadual de 2015
Vasco 1 x 0 Botafogo, primeiro jogo decisivo: maioria de torcedores vascaínos

E a reflexão é mesmo necessária. Em jogos de grande demanda, o baixo comparecimento dos alvinegros vem gerando situação absurda, com a área destinada aos rivais lotada e a dos botafoguenses repleta de lugares vazios. Na segunda partida pela Copa do Brasil de 2013, a arquibancada sul, onde ficaram os botafogueneses, teve torcedores do Flamengo infiltrados (tomara que não existam vascaínos nessa situação no domingo, agora com o setor norte esgotado).

E isso aconteceu porque rubro-negros acabaram comprando ingressos no lado sul, após lotarem a ala norte do Maracanã. O mesmo pode acontecer neste domingo, pois com a rapidez com a qual os cruzmaltinos adquiriram os bilhetes do setor deles, é evidente que outros podem ter comprando ingresso para o outro lado. E isso não é bom, questão de segurança, óbvio.

Apesar de minhas tuitadas serem de fácil compreensão, como reproduzi acima, alguns torcedores de comportamento violento na internet me ofenderam, me ameaçaram pelas redes sociais. Deturparam o que escrevi, como se defendesse a invasão do setor alvinegro pelos vascaínos. Um absurdo. Nas proximas linhas, tentarei ser ainda mais claro, didático até.

Em participação no Bate-Bola da ESPN Brasil, Marcelo Frazão, diretor de marketing do consórcio Maracanã, confirmou a venda avassaladora aos vascaínos e que até então o lado da torcida do Botafogo tinha baixíssima procura. É evidente que ainda havia tempo para que os botafoguenses, incluindo sócios torcedores, assegurassem os cerca de 13 mil bilhetes para o setor norte do estádio. Fariam isso?

Pelo histórico era para duvidar, mesmo sendo decisão. Em quase todos os clássicos do ano e nos dois com os maiores públicos no Brasileiro 2014 envolvendo o Botafogo, a torcida alvinegra foi menor. A exceção foi contra o Fluminense na Taça Guanabara 2015, quando o time vinha de uma vitória sobre o Flamengo. "Temos a impressão que essa parcela de torcedores que domina as curvas (Norte ou Sul), é ainda maior nos segmentos mistos", acrescenta ao blog o diretor de marketing do Maracanã.

Frazão confirmou durante a entrevista à ESPN que o Maracanã tem condições, sim, de separar uma dessas área, Norte ou Sul, em duas partes, abrindo mais espaço para a torcida que comparece em maior número. Esse "gomo" a mais significaria outros 6 mil ingressos vendidos à torcida mais numerosa, fora gratuidades. A menor torcida teria cerca de 10 mil bilhetes na área exclusivamente dela. No entanto, isso deveria ter sido pensado antes de começar a venda de ingressos. Fica sugestão para jogos futuros nos quais um dos lados não vá mesmo encher, como os lembrados abaixo.

E qual o sentido disso tudo? O estádio registra públicos baixos na maioria dos jogos. São deficitários. E quando há enorme demanda, se desperdiça dinheiro com lugares vazios e gente impedida de comprar os ingressos daquelas cadeiras porque elas ficam reservadas para uma torcida que não comparece em número compatível. Ruim financeiramente e injusto com quem deseja ver o jogo e pagar para isso.

No passado, quando existia o velho Maracanã, até 1999, um cordão de isolamento feito por policiais ampliava o espaço destinado à maior torcida. E o ingresso de arquibancada era o mesmo para qualquer ponto do maior setor do antigo estádio. Aquilo era mais justo. Os tempos mudaram e é preciso aprimorar a distribuição dos bilhetes, para que mais gente possa lotar a nova "arena".

Sou árduo defensor dos clássicos com duas torcidas. É algo importantíssimo para o futebol, em especial o do Rio de Janeiro, que preserva tal tradição. Mas para isso é preciso que elas realmente existam na arquibancada. Se uma não consegue preencher um setor com pouco mais de 13 mil ingressos à venda e um total de 19 mil torcedores incluindo os que têm gratuidade, na prática não há um clássico com duas torcidas.

Aquele que se diz Botafogo e ofende pela internet, que deturpa as palavras do jornalista, que se magoa com a realidade apresentada, algumas informações fundamentais (abaixo) e um desafio. Se tens o ingresso, vá ao estádio, grite, apoie, ajude o time a virar a final e ganhar o título. Depois, siga comparecendo, a ponto de não conseguirmos ver as conhecidas cadeiras azuis do Engenhão durante os jogos.

Para isso, há toda uma segunda divisão pela frente. Boa sorte aos verdadeiros alvinegros, que não abandonam o time, e parabéns aos vascaínos, que serão maioria domingo no Maracanã em todos os torcedores que não são reservados aos botafoguenses. Os números a seguir, informados pelo consórcio que administra o Maracanã, mostram a realidade de maneira inquestionável.

Campeonato Carioca 2015

Botafogo x Flamengo (1/3)
Norte (Flamengo): 17.447 (esgotado)
Sul (Botafogo): 5.918
* rubro-negros eram quase três vezes mais numerosos

Fluminense x Botafogo (8/3)
Norte (Botafogo): 8.801
Sul (Fluminense): 6.610
* único clássico em 2015 no Maracanã com maioria alvinegra

Vasco x Botafogo (29/3)
Norte (Botafogo): 5.208
Sul (Vasco): 9.083
* botafoguenses eram 57% do número de vascaínos

Fluminense x Botafogo (11/4)
Norte (Botafogo): 5.355
Sul (Fluminense): 5.585
* no clássico de maior equiíbrio, havia mais tricolores

Vasco x Botafogo (26/4)
Norte (Botafogo): 10.762
Sul (Vasco): 17.098 (esgotado)
* na melhor presença alvinegra, eram 63% dos vascaínos

Campeonato Brasileiro 2014
Jogos que registraram os 2 maiores publicos em jogos com o Botafogo na competição:

Flamengo x Botafogo (27/7)
Norte (Flamengo): 13.405
Sul (Botafogo): 6.778
* botafoguenses eram pouco mais de 50% dos rubro-negros

Fluminense x Botafogo (15/11)
Norte (Botafogo): 5.157
Sul (Fluminense): 11.511
* botafoguenses eram pouco mais de 44% dos tricolores

Copa do Brasil 2013

Botafogo x Flamengo (25/9)
Norte (Flamengo): 15.689
Sul (Botafogo): 7.877
* botafoguenses eram pouco mais de 50% dos rubro-negros

Flamengo x Botafogo (23/10)
Norte (Flamengo): 19.173 (esgotado)
Sul (Botafogo): 10.831
* setor destinado aos alvinegros tinha 57% da presença rival

Grandes clubes já têm receita demais, mas como gastam mal, tentam explorar o torcedor

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Os clubes brasileiros nunca ganharam tanto dinheiro. Se no passado a única fonte de renda era a bilheteria, hoje se fatura com venda de direitos de televisão, publicidade no uniforme, programas de sócios e... bilheteria.

Seria lógico imaginar que, diante de novas fontes de arrecadação, fosse possível depender menos do dinheiro deixado pelo torcedor a cada jogo. Mas não é o que acontece. Eles sempre precisam de mais e mais.

O nível do futebol aqui jogado não subiu na proporção do aumento da receita. Talvez nem tenha subido, embora seja até obrigação levar a campo times melhores, jogos melhores, tudo melhor se há mais grana circulando.

A realidade é que os cartolas contratam os jogadores de sempre pagando muito mais. O futebol argentino, por sua vez, vive uma crise econômica que reflete o duro momento vivido pelo próprio país.

O ESPN.com.br mostrou recentemente que o San Lorenzo gasta apenas 14,3% das despesas que o São Paulo tem com futebol. Mesmo assim, o time argentino é o atual campeão sul-americano e encarou os tricolores em igualdade.

Se a disparidade financeira espelhasse o campo de jogo, não teríamos os dois times com a mesma pontuação e o placar de 1 a 0 uma vez para cada lado nos dois recentes duelos. É evidente que aqui se gasta mal.

arquivo
Zico comemora gol no Maracanã original: esses geraldinos pisam no New Maracanã?
Zico comemora gol no Maracanã original: esses geraldinos pisam no 'New Maracanan'?

Seria perfeitamente possível termos no Brasil o mesmo nível de futebol, ou melhor, gastando menos. Mas quem tem interesse nisso? O negócio é torrar o capital que os clubes têm e o que não têm. Gastar mais do que se arrecada.

Neste cenário de péssima gestão, o olhar para o mercado é muitas vezes míope, o que acaba na supervalorização de atletas muitas vezes absolutamente comuns. E os cartolas alegam, sempre, precisar arrecadas mais.

Com isso, tentam esfolar o torcedor, repelem os mais pobres e muitas vezes mais apaixonados, restringido seus "convites" a quem pode pagar caro, caríssimo por um ingresso. Assim, mudam a cultura do estádio, da arquibancada.

Argumentos tacanhos como "é o mercado" ou "o produto tem que ser valorizado" são repetidos por tolos e pretensos especialistas. Futebol não é apenas um produto e se assim for visto, saibam que ele só existe devido à paixão.

arquivo
Corintiano sobe na grade do Pacaembu para gritar por seu time: ele pisa na arena?
Corintiano sobe na grade do Pacaembu para gritar por seu time: ele pisa na arena?

Por que os cinemas, cujos ingressos tradicionalmente eram próximos dos tíquetes de futebol, não disparam seus preços? Pelo contrário, há promoções, descontos etc. E as salas são hoje bem mais modernas, confortáveis.

Embora também sejam apaixonantes, os filmes nos atraem, mas não da maneira que o esporte, o futebol. Não se sofre angustiado como horas antes de um jogo. Ninguém sai do cinema eufórico, comemorando, ou arrasado com o resultado do que viu.

E os que exploram tal negócio, a exemplo dos clubes, também ampliaram seu faturamento. Hoje, com mais estrutura, se vende mais pipoca, refrigerantes, balas, doces e até capuccinno para quem vai ver uma "película".

Há publicidade nas salas antes de cada exibição (no passado passavam apenas trailers) e os filmes se reciclam. São mostrados nos cinemas, depois viram DVD, os exibem nas TVs em pay-per-view, televisão paga, depois aberta...

arquivo
Arquibancada e a velha geral do Mineirão original: masssa que não pode mais ver o Galo como antes
Arquibancada e a geral do Mineirão original: masssa ainda pode ver o Galo de perto?

A cada estágio a indústria cinematográfica fatura mais, são receitas que no passado não existiam, e as produções se sofisticam, ficam mais caras. Mas não se cobra R$ 100, R$ 200 por um ingresso, mesmo na sala mais bacana.

Por que se fizerem isso, as pessoas as deixarão mais vazias, esperarão pela exibição na TV, pelo lançamento em DVD e alguns irão baixar na internet. E aí não se vende pipoca, os anunciantes fogem... É tudo muito claro e lógico

O futebol precisa ser também do povo, lugares nos estádios, novos ou velhos, modernos ou antiquados, devem ser disponibilizados para quem paga muito e quem desembolsa pouco. Para que a paixão que move isso tudo não morra.

O distanciamento de parcela significativa (a maioria) da torcida dos estádios é preocupante. Novas gerações crescerão vendo seus times apenas pela TV. Não por opção, mas pela impossibilidade de acompanhar o time "in loco".

arquivo
O Beira-Rio em sua primeira versão e a Coréia: ali o povão colorado via os ídolos de perto
O Beira-Rio em sua primeira versão e a Coréia: onde fica hoje o povão colorado?

E aí virá outro risco que os cartolas e especialistas com mente elitista não pesam. Se o menino e a menina vêem futebol só pela TV, tanto faz ser Flamengo ou Chelsea, Corinthians ou Barça, Inter ou Bayern, Cruzeiro ou PSG.

O quadro não será alterado em curto prazo, mas é preciso olhar adiante e atrair mais pessoas de diferentes classes sociais às canchas. Ainda mais porque NENHUM estádio ou "arena" tupiniquim tem média de ocupação próxima a 100%.

Sobram espaços, mas os cartolas preferem assim. O presidente do Palmeiras, que despreza a presença do povo alviverde no seu novo estádio, demonstra ser contra torcida visitante. Uma lógica bizarra.

Pelas mentes de pessoas assim, palmeirenses jamais receberão rivais no Allianz Parque. Ao mesmo tempo, não poderão apoiar seu time no Maracanã, Mineirão, Beira Rio... Pois é óbvio que se for assim haverá reciprocidade.

Reprodução
Cartaz de protesto contra os preços elevados no novo estádio do Palmeiras: arena para elites
Cartaz de protesto contra os preços elevados no novo estádio do Palmeiras: arena para elites

Os coveiros do futebol ampliam suas garras e tentam transformá-lo num mero produto para as classes mais favorecidas. Contam com apoio da ala deslumbrada da mídia e daqueles que detestam andar no meio do povo.

É preciso lutar contra o que essa gente está fazendo. O futebol não é deles, os clubes não são deles ou apenas dos sócios que se dispõe a pagar um dízimo mensal. Quem não quer ou não pode assumir tal custo não é menos torcedor por isso.

As camisas valem muito em publicidade ou direitos de transmissão porque no barraco na favela ou numa mansão vivem pessoas que amam os clubes. E ligam a TV para vê-los. E eles formam o público que interessa aos anunciantes e às emissoras.

Se você não tem dinheiro mas dá audiência à rede de televisão que mostra os jogos do seu time, saiba que também está colaborando com o faturamento do clube. Não se iluda. Ele também te pertence. Da mesma forma que o futebol é de todos nós.

Um título que pode fazer bem ao Palmeiras. Outro título que pode fazer o bem e o mal ao Vasco

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
622 0374f81b 0df8 31cd a243 cc377db83d8d
Mauro Cezar vê futebol do Rio 'no andar de baixo': 'Futebol carioca tem muitos problemas'

Palmeiras e Vasco foram os dois times que, entre as principais decisões estaduais deste domingo saíram na frente. Venceram respectivamente Santos e Botafogo e podem empatar uma semana depois para terem nas mãos as taças que não ganham há algum tempo, os palmeirenses desde 2008 e os vascaínos há 12 anos.

Gazeta Press
Leandro Pereira comemora após abrir o placar para o Palmeiras: a um jogo do troféu
Leandro Pereira comemora após abrir o placar para o Palmeiras: a um jogo do troféu

Erguer troféus é sempre magnfíco, e por mais que esses campeonatos sejam decadentes e percam importância a cada temporada, o torcedor irá saboreá-los. Porém, há diferenças entre os dois clubes, cujos seguidores mantêm uma boa relação de amizade. Mas se o Palmeiras vive um novo tempo, o Vasco se reencontra com parte ruim de seu passado — clique aqui e leia um bom texto a respeito no 'Esporte Fino".

Gazeta Press
O atacante Rafael Silva fez o gol da vitória do Vasco neste domingo: a um empate da taça
O atacante Rafael Silva fez o gol da vitória do Vasco neste domingo: a um empate da taça

Apesar da política elitista de seu presidente, que impõe preços absurdos à própria torcida num momento de carência no qual o palmeirense até se sacrifica para ir aos jogos, é inegável que o clube entrou numa Era diferente. Além do novo estádio, bem localizado, belíssimo e que não endividou o clube, a equipe se reforçou e aponta numa direção animadora. Há perspectivas no velho Palestra.

Já o Vasco, decepcionado com a pífia administração de Roberto Dinamite, recolocou no poder Eurico Miranda. E ganhar o título carioca só irá fortalecer o velho dirigente. Um fugaz momento de glória e o futuro amarrado ao passado. Isso é bom? Será bom? Aumentará o número de vascaínos fiéis e crentes no "euriquismo". A ponto de alguns cruzmaltinos não acreditarem em Vasco sem Eurico. Acho uma pena, e você?

mais postsLoading
Publicidade
Alertas
Não perca nada do que está acontecendo no mundo do esporte!Com o ESPN ALERTAS, você receberá notificações no seu navegador sobre as últimas notícias, eventos exclusivos e muito mais!